AD INFINITUM | 01

Os pés crescem, os gostos mudam e os sapatos ficam para trás. Deixamos de nos identificar com eles, eles deixam de nos servir, deixam de fazer sentido no nosso quotiano e, quer queiramos quer não, há uma altura da vida em que acabam por ficar velhos, rotos e gastos. Há sempre um dia em que temos que guardar os nossos pares de sapatos favoritos dentro da caixa que colocamos estrategicamente no fundo do roupeiro. Há sempre um dia em que temos que deitar fora os botins que nos acompanharam durante as semanas mais chuvosas ou as havaianas que nos levaram à praia durante os meses mais quentinhos e despreocupados. Os sapatos vão ficando para trás e vão precisando de substituição. É a lei da vida ou, neste caso, a lei do closet. 

Raramente encontramos pares de sapatos exactamente iguais aos que deitámos fora e custa sempre um bocadinho quando temos que nos livrar, sem dó nem piedade, dos nossos favoritos mas, normalmente, somos igualmente felizes com os nossas novas aquisições. A sensação que temos quando chegamos a casa com uns sapatos novinhos em folha apaga qualquer tristeza que tenhamos sentido quando fomos forçadas a pôr os outros no saco do lixo e, na verdade, é isso que diferencia uma história sobre sapatos de uma história de amor. Porque, ao contrário das sapatilhas de pano que ficam feias com os rasgões e a passagem do tempo, o amor merece ser cosido, remendado e fortalecido. Merece que lutemos por ele e pelas pessoas que realmente nos deixam felizes.

O problema surge, exactamente, quando alguém deixa de fazer sentido para nós ou, pior, quando deixamos de fazer sentido para alguém que é tudo para nós. Sentimo-nos como botas da tropa que só trazem infelicidade no meio de memórias dolorosas. As pessoas afastam-nos, afastam-se e seguem caminhos diferentes. Há histórias de amor que começam por causa de um par de sapatos (quem não se lembra da Cinderela?!) mas as melhores são mesmo aquelas em que ninguém repara no que temos calçado ou vestido.

Apesar de haver milhares de sapatos a encher-nos as medidas, só há um amor que nos completa e que nos faz sentir realmente seguras e confiantes. Só há uma metade certa e isso de perder a pessoa que consideramos perfeita atormenta-nos. Não é tão fácil assim livrarmo-nos do sentimento que demorou tanto tempo a ser construído e é certo que não o fazemos da mesma forma como pomos de lado umas sabrinas que deixaram de se enquadrar nos nossos gostos. Mas como se contraria isso, afinal? Vamos a sítios diferentes, calçamos sapatos diferentes, conhecemos pessoas novas, rimos muito e dançamos ainda mais? Claro! E se os sapatos nos magoarem, trocamos! Porque trocar de sapatos é mais fácil do que mudar de alma ou de coração quando sabemos em todos os centímetros do nosso corpo que devemos lutar incansavelmente por aquilo que merece luta. E sejamos sinceras, ao contrário dos homens, os sapatos não nos desiludem portanto se quiserem descobrir quais são os mais indicados para a próxima estação vejam a última publicação da Ana Garcês, a menina que me vai acompanhar ao longo dos próximos tempos neste projecto que dá pelo nome de Ad Infinitum.


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13 comentários:

  1. r: Sim, o bloglovin é realmente muito mais prático para além de que fico a saber quantos post me faltam ler e isso tudo. Gosto bastante.

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  2. Eu adorei a maneira como relacionaste dois temas que à partida não têm nada a ver. Ficou fantástico :)

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  3. Como já disse a Jules e eu subscrevo, adorei a forma como conjugaram dois assuntos tão diferentes e criaram uma conexão entre eles, cada uma com a sua "especialidade". Sem dúvida inovador! :)

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  4. Apesar da parte dos sapatos não me interessar muito (ahah), adorei o texto que escreveste e a maneira como juntaram ambos os temas. Muito bem :)

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  5. acabei de conhecer agora o teu blog!
    adorei-o, ganhaste uma nova seguidora hehe
    caso não conheças o meu e queiras passar por lá, deixo-te aqui o link http://free-zing-time.blogspot.pt/
    beijinhos ♥

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  6. r: Eu sei. Já tenho esta professora há 2 anos e isto nunca se tinha passado. Tenho mesmo de tentar mudar e chegar a horas a ed.f. Mesmo! :)

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  7. Adorei completamente! Já esperava algo especial mas superou as minhas expectativas :)

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  8. Talvez porque também eu um dia fiquei descalça, e nem as minhas meias preferidas me fizeram esquecer aqueles sapatos tão especiais e tão "meus", adorei este teu texto. Descalça ou não, o importante é que continues sempre a caminhar! Força* Beijinho :)

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  9. Tão diferentes e tão parecidos, muito bem (:

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  10. Já tinha lido este texto, mas só agora surgiu a oportunidade de comentar. Adorei, o projeto é super original e as tuas palavras chegam ao coração. Parabéns às duas!
    Beijinho*

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