POLÍTICA | A Co-Adopção Por Parte de Casais Homossexuais em Portugal

"O meu tio Alfredo era, para sermos rigorosos, um energúmeno. Embebedava-se, batia na minha tia e maltratava os filhos. Só não comentava notícias nas caixas de comentários dos jornais online porque, felizmente, era analfabeto. Mas de resto, em termos de primarismo e de estupidez, era muito completo. No entanto, praticava o tipo de sexualidade que Deus recomenda na Bíblia, pelo que, aos olhos da lei, tinha todas as condições para educar uma criança. Não educaria as minhas, porque eu sou mais exigente do que o Estado português no que toca a confiar a guarda de crianças a outras pessoas: interessa-me muito menos o que fazem no quarto do que se são gente decente. Sou esquisito, bem sei, mas não consigo evitá-lo." - diz, e muito bem, o Ricardo Araújo Pereira.

A co-adopção e a adopção são duas coisas diferentes e, por causa do que tenho lido, noto que há um grande grupo de pessoas que confunde as duas e que não faz ideia do que significa o termo "co-adopção". Era bom que, antes de falarem, as pessoas se informassem e que entendessem que adopção é uma coisa e que co-adopção é outra. No segundo caso, trata-se apenas do acto jurídico. Estamos a fazer referência a crianças que já vivem com dois pais ou duas mães e que, nesse âmbito, a única mudança é exactamente o facto de estar escrito num papel que a criança é legalmente filha dos dois (ou das duas). O laço afectivo que já existe passa a ser oficial mas, na realidade, nada muda. Noutras palavras, a criança é filha biológica de uma das pessoas que constituem a relação e passa a ser legalmente adoptada pelo novo cônjuge (que, por acaso, é do mesmo sexo que o seu parceiro). Posto isto, não entendo a confusão ou a necessidade de referendo (que vai custar, ao nosso Estado, rios e rios de dinheiro). Se falamos de co-adopção estamos a falar de crianças que já vivem na realidade dos casais homossexuais. Estamos a falar duma coisa que já é real e deixar de a legalizar não a vai fazer desaparecer (ao contrário do que muitos homofóbicos pensam). É mesmo necessário haver tanta polémica sobre uma coisa que não mudará, em nada, a situação social ou familiar dos homossexuais e das crianças que já vivem com eles?

11 comentários:

  1. Não não era preciso.. Mas aqui os políticos não gostam de tomar uma atitude para nunca poderem dizer que "a culpa disto ou daquilo é deles" :s

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  2. Concordo contigo, vai-se estar a gastar dinheiro para nada, e não são uns trocos. Além disso, como dizes, não vai mudar nada!

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  3. Concordo tanto contigo! Por acaso já tinha tido essa discussão com uma amiga... as pessoas confundem mesmo os dois conceitos. Não faz sntido, eu acho que isto é mais uma manobra deles ( o governo) nos fazerem desviar as atenções para o que está realmente mau: o estado económico do país

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  4. Até deveria ser possível é a adopção de crianças por parte de famílias homossexuais, pelo menos tinham um lar e alguém que lhes dê carinho.

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  5. Pois. Ainda por cima eu tenho alguns dúvidas da constitucionalidade do referendo...

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  6. Concordo plenamente contigo e com o RAP, sem tirar nem pôr!!!

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  7. trata-se do conservadorismo dos partidos do poder... não é por mais nada e porque seria mal visto se o partido aprovasse.
    Mas é o que tu dizes é legalizar situações que já existem... não faz diferença na realidade portanto não entendo o drama.

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  8. Tens toda a razão Carolina! Palavras sensatas!
    Beijinho*

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  9. Tens toda a razão Carolina! Palavras sensatas!
    Beijinho*

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