Thirteen

POLÍTICA | A Aprovação do Casamento Precoce e da Violação no Matrimónio

Esta semana foi aprovada no Iraque uma proposta de lei que permite o casamento de meninas de nove anos e a violação das mulheres (independentemente da sua idade) dentro das quatro paredes que definem o matrimónio. O diploma que poderá transformar-se efectivamente numa lei está agora no Parlamento e o facto de ser "um crime humanitário e uma violação dos direitos das crianças" não parece alterar grande coisa nas mentes mesquinhas e vazias que defendem uma coisa deste tipo. Se o diploma for realmente validado apenas o pai da menor terá o direito de aceitar ou recusar uma proposta de casamento para a filha mas a verdade é que isso não protege a maioria das crianças que serão forçadas a casar com homens que, com certeza, terão idade suficiente para serem seus avôs ou, em casos (ainda mais) extremos, bisavôs. Quando casadas, as meninas e as mulheres passam a ser legalmente obrigadas a terem relações sexuais com os seus maridos sempre que estes desejarem e não há uma única cláusula que as proteja. Há quem diga que sim, que há um parâmetro que diz que, nesta situação, será também implementado o direito ao divórcio a partir dos nove anos de idade mas a mim não me parece, de todo, suficiente. Vamos lá ser realistas: que criança de nove anos é que sabe o que é um divórcio se viver numa realidade que não lhe mostra que estar casada com essa idade não é uma coisa assim tão normal quanto isso?! Como é que uma criança pode retaliar a sua realidade se não conhece outra melhor?!

Fui pesquisar mais sobre a "Lei Jafari do Estatuto Pessoal" porque me recusei a acreditar que isto ainda acontecesse em pleno século XXI mas admito que fiquei bastante desiludida. Mesmo que esta ideologia não chegue a ser transformada numa lei definitiva, revolta-me que, num mundo que se diz tão desenvolvido, ainda haja coisas deste tipo a serem colocadas em cima da mesa. Indigna-me que uma ideia destas chegue sequer a projecto-lei ou que tenha oportunidade de ser debatida. Preocupa-me o futuro das pessoas que não chegam à informação e ao conhecimento que lhes dá protecção. Onde é que já se viu legalizar a violação quando existem Direitos Humanos que a contrariam de forma nítida? Onde é que já se viu enviar para o Parlamento um projecto-lei que define as condições da amamentação ou o número de noites que um marido deve passar com cada uma das suas esposas? No Iraque, pelos vistos. Mas que mania é esta de facilitar a poligamia ou de arranjar leis que se traduzem num impedimento à liberdade das mulheres ou num atentado aos direitos das crianças? E porque é que a comunicação social internacional não faz pressão sobre este tema? Porque é que não é um assunto divulgado e criticado se é mais pertinente do que os golos que o Ronaldo marca num jogo do Real Madrid? O Ministro da Justiça iraquiano diz que o projecto-lei oferece "garantias de base para manter os direitos e a dignidade das mulheres" e isso incomoda-me. Como é que ainda há alguém a pensar assim em 2014? Como é que estas pessoas não conseguem ver que este tipo de afirmações vão contra tudo o que a Declaração Universal dos Direitos Humanos defende? Preocupam-me as ideologias radicais que cegam os seus adeptos. Na minha inocência de quem vive no lado ocidental e minimamente civilizado do mundo, apenas pergunto: o que é que estes extremistas andaram a fumar antes de inventarem projectos-lei? Não há outra forma de o dizer: estas situações metem-me nojo.

Same love ...

10 comentários:

  1. É realmente preocupante! Eu não acredito que isto se passa em pleno século XXI :|

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  2. r: Vou divertir-me pelas duas, Carol :)

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  3. Isso é realmente preocupante. Algumas pessoas associam essas situações ao islamismo (o que me revolta um bocado) mas não tem nada a ver com a religião em questão que, num certo ponto, até protege as mulheres (que neste caso são crianças ainda) dessas situações. São as mentalidades mesquinhas dos homens que vivem nesses países e que os governam que se acham no direito de ser donos de outra pessoa e, de certa forma, escravizar a(s) sua(s) esposa(s). Parece que o mundo em vez de evoluir está a andar para trás. É mesmo revoltante...

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  4. Eu acho tudo isto inconcebível e revoltante! Por alguma razão, os Direitos Humanos existem. É realmente muito triste assistir a uma coisa destas na sociedade actual e saber que, muito provavelmente, essa parte do mundo continuará a pensar e a agir assim...

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  5. Fiquei parvinho quando li esta publicação. Não fazia ideia disto e preferia continuar na ignorância. Custa aceitar uma coisa destas. Ainda estou em choque, mesmo! Este mundo vai mesmo de mal a pior.

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  6. É simplesmente ridiculo isto. Não me sai mais nada! Estou completamente arrasada com as barbaridades que li. Obrigada Carol por me informares. Não sabia disto!

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  7. É assim a cultura muçulmana que, infelizmente, acarreta situações bastante complicadas e delicadas, como esta, por exemplo.
    Creio que, apesar de se proclamar tal coisa, os projeto-lei não protegem, de todo, os direitos das mulheres até porque nunca se assistiu a uma espécie de revolta feminina, por serem reprimidas. Nessa cultura, as mulheres são seres submetidos a homens que julgam (e podem!) fazer-lhes o que bem entenderem e não são os discursos dos presidentes destes países que convencem as pessoas do facto de ser tudo muito pacífico e justo. Simplesmente pretendem atirar areia para os olhos.
    É, realmente, uma pena que estas situações existam.

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  8. Realmente isto é um tema muito sério e motivo de debate de muita gente. Li algures que o que acontece aqui é tudo por uma razão de religião. Maomé, se não me engano, casou-se com uma menina de 9 anos que, diz a história, ter sido o grande amor dela. É por isso, que querem "legalizar" esta situação. Há uns anos atrás, também estava para sair um lei que "deixava" que os maridos viúvos podiam "abusar" dos cadáveres das suas mulheres porque, ao que consta, na altura de Maomé, faziam o mesmo. Felizmente, essa não foi legalizada.
    Tenho mesmo pena que ainda existam países onde acontece tal coisa e há uns tempos vi uma reportagem mais ou menos sobre isto que me chocou bastante. O jornalista perguntou a uma menina com a sua burka, só se via os olhos claro e estava a chorar: Sabes que na tua idade (10 anos) as crianças brincam com bonecas e não são casadas com ninguém? Tu brincas com bonecas? Ao que a menina respondeu "É o meu dever, casar com um homem porque o meu pai quer".

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  9. E esta situação enoja-me a mim também. É triste, mas infelizmente é uma realidade bem presente.
    Beijinho*

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