TEMPO DE ANTENA | O Nosso Reflexo nos Outros

"Uma coisa que eu aprendi este ano, e que tenciono levar comigo para o resto da minha vida, é que as pessoas só me vão fazer sentir inferior ou mal comigo mesma se tiverem a minha autorização para tal. Parece absurdo, não parece? Quem, entre nós, tem o desejo de se sentir inferior? Quem, entre nós, pensaria sequer em dar autorização a alguém para fazer tal coisa? Mas acontece. E eu, meus caros, já dei autorização a pessoas para me fazerem sentir mal comigo mesma. 

Não foi um único episódio, foram muitos. E não foi uma única pessoa, foram muitas. Tantas, que eu certamente nem me lembro de todas. Só sei que, em comum, tiveram cartão verde para me arruinarem o dia, dispararem um olhar menos amistoso, me enviarem uma mensagem de ódio ou simplesmente fazerem uma piada que, para mim, não teve assim tanta piada. 

Há coisas em mim que eu não gosto. Não importa que coisas são, se são físicas, psicológicas ou memórias, factos, vivências, vozes da experiência, vozes da inocência, vozes cautelosas ou imprudentes. Não importa o que é, mas haverá sempre algo em mim que eu não aprecio e eu percebi que enquanto eu não gostasse, ou pelo menos assumisse que sou esta pessoa, que tudo isto faz parte de mim, que não vou mudar e que exijo ser aceite desta forma, toda a gente poderia gozar comigo ou tratar-me mal à vontade. E percebi também que se eu pelo contrário me aceitasse, se eu me atrevesse a ser eu mesma a cem por cento com os outros, com todas as coisas boas e más que guardo em mim, eles aceitariam a minha essência sem vacilar. 

Porque a forma como somos tratados é o reflexo perfeito da maneira como nos tratamos. Se formos alegres as pessoas ao nosso redor sê-lo-ão também, se formos confiantes ninguém vai desconfiar. Ninguém vai duvidar daquilo que somos, ninguém vai considerar-nos inferiores pelo que quer que seja. What goes around comes back around. É assim que funciona, é um ciclo vicioso contagiante. 

Não digo que isto seja fácil, porque não é. Este texto não é um manual de instruções, nem sequer é um conselho. Cada um de nós é um ser individual e a vida não ensina toda a gente da mesma maneira. É apenas uma opinião ditada pela minha experiência enquanto pessoa completamente normal, a viver os críticos dezassete anos. E se este ano cometi o erro de me sentir inferior e deixar que os outros vissem isso mesmo, a partir de agora isso não vai acontecer. Eu sou quem eu sou com os meus defeitos, qualidades, tiques e manias. Com o cabelo solto ou apanhado, com sono ou completamente acordada, bem-disposta ou resmungona. Sou sempre eu e, se alguém gostar de mim, se alguém quiser ter um papel na minha vida, então só será autorizado a tal quando me aceitar de todas as formas e assumir que eu, tal como qualquer outra pessoa, tenho coisas em mim que me tornam fantástica. 

Não podemos perder a fé em nós mesmos, por muito difícil que isso por vezes seja. Todos (mesmo todos!) temos a sorte de ter alguém no mundo que se importa connosco, que nos quer bem, que nos ajudará quando precisarmos e que nos aceita como somos mas, no final, nem com toda a boa vontade do mundo alguém será capaz de cortar metas e realizar sonhos por nós. Ninguém será capaz de tal coisa porque cada um tem a sua própria corrida para correr, e por muito que queiramos não nos podemos dividir em dois e correr duas pistas em simultâneo. Não é assim que funciona. Por isso é melhor sorrirmos interiormente e assumir que somos perfeitos à nossa maneira. Que merecemos o mundo, que não permitimos que alguém nos faça sentir inferiores sob qualquer circunstância, que vamos dar o nosso melhor a cada dia que passa. O resto virá por acréscimo."

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12 comentários:

  1. Adorei o texto, deixei-me levar pelas palavras da A enquanto revivi momentos nas mesmas! Ela é uma rapariga incrível e o que é incrível também é a forma como ela cresceu durante estes meses. É a forma como a sua escrita evoluíu! E é por isso que gosto tanto dela! Excelente primeiro texto, desta excelente rubrica (:

    R: Obrigado, vou já cuscar!

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  2. Adorei tanto!
    Também já dei essa "permissão" e mais tarde arrependi-me, todos nos arrependemos disso um dia.

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  3. Para não variar adorei ler, está muito bem escrito e bastante inspirador.
    Parabéns :)

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  4. Como o Jota disse a A é uma rapariga incrível e a escrita dela é envolvente. Este texto é só um exemplo disso. Acho tão bom que estas reflexões sobre nós próprios e sobre as nossas vidas, quando publicadas/partilhadas, fazem sentido a mais do que uma pessoa. Pelo menos a mim fez. O que a A, descreve é a minha conclusão, mas não podia ter sido escrita por outras palavras que não estas. :)

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  5. Tão bem escrito! A A é mesmo incrível e este texto é uma fonte de inspiração e de força para todos! Um texto para ler e reler nos momentos menos bons, quando nos esquecermos de nós.
    Obrigada A!
    Beijinho*

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  6. Adorei, a A tem toda a razão e o texto está fabuloso. É desta confiança e deste respeito próprio que todos precisamos, especialmente nos dias mais frágeis :)

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  7. Pode não ser um conselho mas eu tomei-o como tal!! É por textos como estes que eu gosto tanto da A e do blog dela :)
    Sempre tentei ao máximo conviver com pessoas mais velhas que eu por achar que tinham muito mais a dar-me do que malta mais nova mas não me importava nada de ter amigos como A :D

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  8. Fogo que texto A.!!! Estava mesmo a precisar de ler isto!


    *Beijinhos*
    Caty<3
    http://myfairytale4.blogspot.pt/

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  9. Um excelente retrato de um dos meus objectivos para este ano. Até me deu mais confiança!

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