VIDA ACADÉMICA | Na Cidade de Sempre

Acho sempre absurdo quando me dizem que não seremos capazes de ter "a verdadeira experiência académica" se continuarmos a dormir na nossa cama e a viver com os nossos pais. Se me dissessem que se perde a parte das responsabilidades domésticas eu até era capaz de concordar mas se a desculpa está na ordem da liberdade, das saídas à noite e das bebedeiras, aí a história é completamente diferente.

Antes de lançarmos palpites temos que nos obrigar a perceber que cada casa é uma casa e que cada família é uma família. O que para uns é abuso, para outros é natural. O que para uns é exagero, para outros é insuficiente. Simples.

Eu fiquei na cidade que me acolhe há dezoito anos e não tenho razões de queixa. Tomei a minha decisão de forma consciente e sei que, neste momento, tenho o melhor dos dois mundos com custos mais reduzidos. Eu não gasto dinheiro em transportes ou rendas. Eu estudo quando preciso sem me obrigar a fazer pausas para tratar da casa. Eu vou tomar café e saio para dançar quando acho que devo. Eu sinto o verdadeiro espírito da Academia. Eu resolvo os meus problemas. Eu vou aos jantares da minha Faculdade. Eu frequento a Praxe.  Eu vivo em equilíbrio - coisa que muita gente não faz. Eu vivo "a verdadeira experiência académica" porque também tenho essa opção. Porque cada caso é um caso e porque, no meu, funciona assim. Não saio todas as noites e não chego a casa sem saber ao certo onde ponho os pés mas permito-me sair as vezes que acho razoáveis e faço-o até às horas que acho que devo (trate-se de uma noitada até às seis da manhã, de uma saída até às duas ou de um cafézinho na esplanada até à uma). Vivo consoante os meus princípios porque fui educada assim e sei que isso não mudaria em Coimbra, no Porto, em Lisboa ou na China. Perdi, efectivamente, a preparação para viver sozinha e para futuramente me desenrascar mas, sejamos sinceros, ninguém se baseia nisso quando menciona a "experiência académica" de quem prefere ficar na sua cidade do coração.

Posto isto, quando vos disserem que vão perder tudo o que há de bom por poderem dormir na vossa cama, não acreditem. Avaliem o vosso caso e não façam comparações parvas. Se o curso que vocês realmente querem está pertinho de casa, o resto é treta. Não o troquem por um cérebro cansado, um par de bebedeiras semanais ou um plano curricular que não vos cativa minimamente. Esqueçam os preconceitos alheios e escolham a opção que vos dá felicidade. Se for lá fora, arrisquem! Mas se for na vossa cidade de sempre, porque não?

Untitled

20 comentários:

  1. Acho que tens toda a razão, eu também estudei e fiquei em casa, e ainda por cima trabalhava, e isso nunca me impediu de fazer o resto, claro que existem momentos em que temos que fazer opções, tirei o curso e fiz as coisas que gostei e quis fazer. Não me arrependo!

    Bjxxx

    ResponderEliminar
  2. Eu também fiquei perto de casa e não me arrependo. Tudo bem que pago transportes, mas fica mais em conta o dinheiro de, como escreveste a renda. E isso do desenrascar e das lidas domésticas é algo da vida, todos vão ter de fazer isso mais tarde ou mais cedo, nem que seja apenas o sítio de estudo ahaha
    Em relação às saídas, também me dão liberdade q.b. Claro que os meus pais não são daqueles que me deixam sair todas as noites, mas de vez em quando sim e acho que também não era capaz de sair todas as noites. Há muitos que nem se lembram do que aconteceu e acho isso triste...

    ResponderEliminar
  3. Eu espero entrar na minha 1a opção e ficar em casa. Muita gente me disse que estava a ser estúpida e tal, mas não vejo problema nisso. Não vou para a universidade para ganhar liberdade ou apanhar borracheiras. Vou para aprender. O que faria fora faço em casa também. Pelo menos eu penso assim. Tenho a mesma opinião que tu, e achei ridículo quando uma amiga se virou para mim e disse 'eu quero ir para longe senão os meus pais não me vão dar liberdade nenhuma, vão continuar a ver-me da mesma maneira'

    ResponderEliminar
  4. Eu tenho uma colega que estuda bem longe de casa no entanto os pais obrigam-na a estar em casa à meia noite (no máximo dos máximos) e ligar o skype. Portanto....
    Acho que o que talvez faça falta a quem fica em casa dos pais é mesmo aquela "preparação", ter a responsabilidade de arrumar a casa, ir ao supermercado, cozinhar etc. Isto não quer dizer que no futuro serão pessoas menos capazes de o fazer como é obvio :)

    ResponderEliminar
  5. Concordo contigo. Eu fiquei a dormir na minha casa, apesar da faculdade não ser na minha cidade, mas não foi por isso que deixei de aproveitar. Não o fiz, porque não ligava muito a saídas.

    ResponderEliminar
  6. Eu só vou para a universidade daqui a dois aninhos, mas infelizmente não posso ficar em casa. Primeiro, porque aqui não há universidades - não vivo em cidades grandes. Segundo, porque o mais perto daqui é beja e mesmo assim são duas horas de viagem. Por isso, vou para Évora se tudo correr bem. Como o meu primo já esteve lá, vai ser mais fácil arranjar casa. Terei despesas de renda, mas vou puder "desenrascar-me" sozinha. Acho que em nenhum dos lados, (perto ou longe de casa) deixamos de viver a experiencia académica. Deixamos, se quisermos ou se permitirmos isso!

    ResponderEliminar
  7. eu estudo fora da minha cidade e foi a melhor coisa que fiz. sair da pasmaceira, dos problemas que me sufocam em casa, ir para uma cidade de sonho que adoro, ganhar mais responsabilidade e abrir horizontes. eu sei que só posso contar comigo e os meus problemas académicos sou eu que resolvo. a parte da liberdade é excelente também, ligo aos meus pais diariamente e o resto é comigo. muito bom mesmo

    ResponderEliminar
  8. Tens toda a razão! Eu estudo fora da minha casa. É bom no sentido em que me tenho de «desenrascar» e tudo mais. Mas não é por isso que saio todas as noites ou apanho bebedeiras, porque eu não sou assim. Tenho a certeza de que os meus pais também me permitiriam sair as vezes que saio se estivesse em minha casa.
    Beijinho*

    ResponderEliminar
  9. Eu fico a aproximadamente 170km de casa, mais coisa menos coisa, 2 horas e meia de caminho, mas é também das opções que tenho mais perto de casa. Nunca coloquei a opção de ficar super longe de casa, gosto de ter a possibilidade de vir a casa durante os fins de semana ou fins de semana prolongados, e se ficasse muito longe provavelmente não viria a casa todos os fins de semana para matar as saudades da família.

    ResponderEliminar
  10. Como disseste depende bastante da família que se tem em casa, mas normalmente nestas alturas acho que os pais tenham mais tendências para serem liberais...

    Quanto à coisa do viver sozinha e blá blá blá da independência, eu sou um dos casos que saiu de casa dos pais porque ficar implicaria 3 horas de viagem por dia e acordar por volta das 5h30 da manhã, algo que eu, conhecendo-me como conheço, sei que não iria resultar, portante como pessoa com um ano de experiência como encarregue por uma casa acho sinceramente que não faz assim tanta diferença na prática, isto é, nas tuas capacidades para um dia morares sozinha, porque eu nunca fiquei enrascada ou em pânico, sempre consegui resolver tudo sozinha, e acho que isso não é por andar na faculdade em vez de estar a ter o meu primeiro trabalho...

    ResponderEliminar
  11. Eu acho que não é onde vives que vai definir o tipo de experiência que vives. Eu seria como sou (nada de noitadas e bebedeiras) na minha casa (que é onde estou vejo a minha faculdade de casa, só para tu veres bem o quão perto estou!!) ou numa casa alugada. Se estar fora me prepararia para um dia mais tarde consegue a minha independência económica e lagar os papás? Opah sim... claro!! Mas a nivel de liberdade não iria mudar porque eles iram continuar a querer que eu lhes dissesse as coordenadas GPS de onde estava só que em vez de ser pessoalmente era por mensagem ahahah
    O meu namorado é deslocado e vejo que a coisa não muda nada!! A mãe continua presente, ele faz questão de avisar de tudo e ambos não temos restrições de para onde vamos ou porque vamos. Aqui reina da filosofia do "se me disseres onde estas eu fico descansada e confio nas tuas capacidades de escolher o certo do errado".

    ResponderEliminar
  12. A minha primeira opção, como sabes, é em Braga e quando o digo a algumas pessoas, elas têm geralmente essa resposta: "Ai, mas assim nunca vais sair do teu ninho. Não vais viver realmente a universidade." Enfim, tudo isso a que te referiste. E eu até que as ouvia, mas como não sou muito dada a bebedeiras e outras atitudes de "fuck the police" sempre me opus a esse tipo de pensamento. Um dos meus maiores desejos é ficar a estudar perto de casa. É como dizes: ter o melhor dos 2 mundos :)
    Acho que foi bom teres feito este reparo, porque muita gente se deixa influenciar por coisas destas sem fundamento algum, e acaba por perder todos esses benefícios que estás a ter.

    ResponderEliminar
  13. Sou tua conterrânea, mas apesar de estar muito grata pela minha cidade, sempre senti a necessidade de sair e ver o mundo. Em Braga ainda existe muito o «nasci cá, vivo cá, estudo cá, construirei uma vida cá e morrerei cá». Não o digo como uma ofensa, mas nunca foi algo com o qual me identificasse. Lisboa foi a minha primeira opção quando entrei para a faculdade. Se os primeiros meses são complicados para quem nunca saiu de casa? Sem dúvida. Se cresces? Mais do que poderias imaginar. Eu não sou nem nunca fui de festas e de bebedeiras. Para mim uma noite bem passada é numa esplanada a conversar com os amigos ou um bom jogo de cartas. Não julgo que essa seja a maior vantagem de estudar fora. Concordo com tudo o que disseste, mas sempre que volto a casa e vejo os meus colegas que optaram por ficar por lá, sinto uma enorme discrepância em muitas vertentes.

    É uma decisão pessoal e tem os seus ups and downs. A experiência académica és tu que a fazes. Quem ficou em casa perde algumas coisas tal como quem optou por ir para fora. Não julgo que ninguém tenha uma verdade absoluta, até porque eu fui afortunada o suficiente para poder seguir o meu sonho, já outros infelizmente não poderão dizer o mesmo. De qualquer das formas, o que importa é a faculdade, até porque hoje em dia ninguém se pode dar ao luxo de seguir o ensino superior porque alegadamente é um clima e festas e de fígados maltratados. Não é.

    ResponderEliminar
  14. Eu fiquei longe de casa e sem dúvida que cresci muito nos últimos meses. Mas, se pudesses, escolhia ficar mais perto para poder ir para casa todos os dias. Além de que os gastos são enormes, sobretudo por causa da renda...

    ResponderEliminar
  15. Os alunos - mesmo os mais antigos - confundem 'vida académica' com liberdade pessoal. A vida académica em nada se relaciona com uma nova casa, numa nova cidade. Quando falamos de vida académica falamos de praxe, de festas universitárias, eventos pontuais organizados pelas AE's, etc, etc. A vida académica para ser vivida é necessário ter alguma liberdade, mas, no meu ponto de vista, se os pais estão dispostos a deixar o filho viver numa cidade longe de casa, completamente fora do seu controlo, acredito que o deixem aproveitar e viver esta fase.

    Viver sozinho tem o seu lado positivo - podemos fazer o que queremos -, mas tem também o negativo e, esse prevalece, sem dúvida: Ter que arrumar a casa, cozinhar refeições. Estarmos sempre cansados e não ter todo o tempo disponível para fazer as nossas coisas. Todos sentem saudades de casa e imploram pela comidinha da mamã e um abraço do papá.

    Ter os pais por perto é, apenas como um placa de stop. Eles não nos deixam passar o nosso limite. Porque quando não temos capacidade para saber qual é o nosso, descarrilamos completamente. Os alunos que sabem o seu limite, para eles viver com os pais ou sozinhos, é exactamente o mesmo: vão para casa quando acham que se sentem cansados, param de beber quando sabem que aquele 'é o ponto'. Os outros, aproveitam a 'liberdade', porque a vida académica é passada e não se lembram da maioria das noites e, demoram 'eternidades' a concluir uma licenciatura.

    ResponderEliminar
  16. Os alunos - mesmo os mais antigos - confundem 'vida académica' com liberdade pessoal. A vida académica em nada se relaciona com uma nova casa, numa nova cidade. Quando falamos de vida académica falamos de praxe, de festas universitárias, eventos pontuais organizados pelas AE's, etc, etc. A vida académica para ser vivida é necessário ter alguma liberdade, mas, no meu ponto de vista, se os pais estão dispostos a deixar o filho viver numa cidade longe de casa, completamente fora do seu controlo, acredito que o deixem aproveitar e viver esta fase.

    Viver sozinho tem o seu lado positivo - podemos fazer o que queremos -, mas tem também o negativo e, esse prevalece, sem dúvida: Ter que arrumar a casa, cozinhar refeições. Estarmos sempre cansados e não ter todo o tempo disponível para fazer as nossas coisas. Todos sentem saudades de casa e imploram pela comidinha da mamã e um abraço do papá.

    Ter os pais por perto é, apenas como um placa de stop. Eles não nos deixam passar o nosso limite. Porque quando não temos capacidade para saber qual é o nosso, descarrilamos completamente. Os alunos que sabem o seu limite, para eles viver com os pais ou sozinhos, é exactamente o mesmo: vão para casa quando acham que se sentem cansados, param de beber quando sabem que aquele 'é o ponto'. Os outros, aproveitam a 'liberdade', porque a vida académica é passada e não se lembram da maioria das noites e, demoram 'eternidades' a concluir uma licenciatura.

    ResponderEliminar
  17. Os alunos - mesmo os mais antigos - confundem 'vida académica' com liberdade pessoal. A vida académica em nada se relaciona com uma nova casa, numa nova cidade. Quando falamos de vida académica falamos de praxe, de festas universitárias, eventos pontuais organizados pelas AE's, etc, etc. A vida académica para ser vivida é necessário ter alguma liberdade, mas, no meu ponto de vista, se os pais estão dispostos a deixar o filho viver numa cidade longe de casa, completamente fora do seu controlo, acredito que o deixem aproveitar e viver esta fase.

    Viver sozinho tem o seu lado positivo - podemos fazer o que queremos -, mas tem também o negativo e, esse prevalece, sem dúvida: Ter que arrumar a casa, cozinhar refeições. Estarmos sempre cansados e não ter todo o tempo disponível para fazer as nossas coisas. Todos sentem saudades de casa e imploram pela comidinha da mamã e um abraço do papá.

    Ter os pais por perto é, apenas como um placa de stop. Eles não nos deixam passar o nosso limite. Porque quando não temos capacidade para saber qual é o nosso, descarrilamos completamente. Os alunos que sabem o seu limite, para eles viver com os pais ou sozinhos, é exactamente o mesmo: vão para casa quando acham que se sentem cansados, param de beber quando sabem que aquele 'é o ponto'. Os outros, aproveitam a 'liberdade', porque a vida académica é passada e não se lembram da maioria das noites e, demoram 'eternidades' a concluir uma licenciatura.

    ResponderEliminar
  18. Acho que as pessoas que dizem isso confundem liberdade com experiência académica :)

    ResponderEliminar