Thirteen

VIDA ACADÉMICA | O Alcance dos Resultados

As mudanças acentuadas na vida dum estudante que transita do Ensino Secundário para o Ensino Superior não se baseiam apenas na dimensão da instituição, na falta de manuais ou na quantidade de matéria dada numa só aula. Os métodos de estudo também têm que ser adaptados ao novo curso - e a nós mesmos - e os apontamentos pormenorizados passam a ser essenciais na maioria das disciplinas teóricas. Se no Secundário podíamos ter a cabeça na lua de vez em quando, na Faculdade isso pode ser uma atitude perigosa. É importante que encontremos, desde cedo, o método que melhor se relaciona com a nossa capacidade de memorização e de aprendizagem e, claro, com o nosso curso e as nossas cadeiras. Uma coisa é certa: não há nenhuma receita infalível para o alcance de resultados satisfatórios ainda que os futuros universitários a procurem incansavelmente. 

No Ensino Superior há quem fique para trás sem sequer dar conta disso e há quem ceda às pressões dos trabalhos, dos exames finais e das aulas cansativas. É triste mas é verdade. É fácil descarrilar porque há muita coisa nova, muitas pessoas diferentes. No entanto, também é simples contrariar tal tendência (paradoxal?). O ingresso nesta nova etapa ensina-nos, sobretudo, a sermos responsáveis. Ninguém vai andar atrás de nós se faltarmos a uma aula. Ninguém vai querer saber se estudamos muito ou pouco ou nada para um exame. O nosso futuro está nas nossas mãos e, se nós escolhermos desperdiçá-lo, alguém há-de aproveitar a oportunidade que deitámos fora. Qual deve ser, então, o comportamento ideal para alcançar resultados satisfatórios?

Primeiro: não faltar às aulas. É tentador pedir a um colega para assinar a folha de presenças por nós mas não convém fazê-lo se queremos bons resultados. Se o vosso curso tem aulas teóricas e práticas sobre a mesma matéria e se acham que as primeiras não vos trarão conhecimentos novos, então usem esse tempo para algo diferente (produtivo, de preferência!). Contudo, lembrem-se que é uma escolha vossa e que esta deve ser tomada de forma consciente. Não se admirem se, na aula prática, fizerem referência a detalhes ou temas que vocês nunca ouviram falar. Se não houver nada que vos impeça, frequentem todas as aulas. Usem o curso e as vossas capacidades a vosso favor.

Segundo: ir para o auditório dormir não pode ser sequer uma opção. Se chegamos a horas e se escolhemos ali estar (porque não há quem nos obrigue) então há que tirar apontamentos (quantos mais, melhor!) e ouvir com atenção o que o docente vai dizendo. Há dias piores e aulas mais cansativas (sobretudo ao final da tarde) mas há que fazer um esforço para absorver conhecimentos. A matéria duma só aula pode ser muito extensa mas o facto de estarmos atentos a maior parte do tempo fará com que o estudo seja mais eficaz e produtivo. Palavra de Carolina!

Terceiro: evitar as ilusões e esquecer os possíveis facilitismos. Nunca é "só" um trabalho, "só" um teste ou "só" uma aula. Tudo conta, ainda que não pareça. Trabalhem mesmo que os professores não saibam os vossos nomes. Não caiam no erro de facilitar mesmo que pareça um trabalho simples. O estereótipo português manda-nos deixar tudo para o último segundo (e eu admito que o faço muitas vezes) mas esta é uma atitude perigosa que nos pode deixar ficar mal à frente dum professor influente ou dum futuro empregador. Há cadeiras mais simples do que outras mas todas exigem trabalho. Umas mais, outras menos.

Quarto: ser organizado e equilibrado é meio caminho andado para o sucesso. Ter uma agenda para não esquecer datas importantes poderá ser uma mais-valia para os distraídos e estudar de forma produtiva é essencial para toda a gente (mesmo que o nosso método varie de cadeira para cadeira). No entanto, também é preciso mudar de ares e desanuviar. O equilíbrio é a chave. Fazer pausas a meio do estudo, ir à Praxe, sair para dançar, ir lanchar à esplanada, escrever no blogue, fotografar, ir a um jantar ou tomar café com amigos também são coisas importantes que não devemos dispensar. Há tempo para tudo e devemos aproveitar o nosso dia (e a nossa semana) ao máximo (tendo em mente que dias de preguiça também são necessários de vez em quando). Se organizarmos os apontamentos na própria aula - e se não fizermos milhões de riscos e desenhos nas margens - não teremos que os passar a limpo nem de fazer resumos antes do exame, por exemplo. É um dom que acabamos por ganhar com o passar dos dias e que nos obriga a poupar tempo valioso. Há que rentabilizar as nossas atitudes académicas. No fim vai valer a pena, acreditem.

Pode parecer uma grande mudança mas, se se organizarem e se se aplicarem desde o princípio não entrarão em pânico tantas vezes. Há sempre uma frequência, um trabalho ou um exame que nos deixa mais ansiosos mas garanto-vos que é perfeitamente normal. Usem-se a vosso favor. Sejam inteligentes e responsáveis e divirtam-se na medida certa. Utilizem a oportunidade que muita gente gostava de ter e lembrem-se que o Ensino Superior não é uma brincadeira mas sim uma despesa muito grande para o nosso Estado (quando se lembrarem de dizer que é caro tirar uma licenciatura em Portugal consultem os preços em Inglaterra ou nos Estados Unidos, por exemplo). Não deitem a toalha ao chão. Lutem pelos vossos sonhos. Sejam estudantes a sério e tracem objectivos. Aproveitem!

Having everything organized for school

Não se esqueçam que podem participar no passatempo em parceria com a Pinkable Cases até dia 07 de Setembro.

20 comentários:

  1. Aqui está uma publicação super útil para as pessoas que vão entrar. Eu fui uma "vitima" neste ponto, ainda que aliada a outros factores externos...

    Eu cheguei à faculdade sem praticamente ter estudado nada na vida, nunca senti necessidade de estudar até entrar para a faculdade, era tudo fácil. Tive a sorte(ou azar) de ir parar a um curso e faculdade super exigente que me deixou à beira de um ataque de nervos, ao ponto de eu, mesmo gostando daquilo e saber que só poderia fazer aquilo na vida, ter entrado em desespero e com isso ter-me desligado completamente dos estudos. Cheguei até a tentar mudar de curso, que milagrosamente, sabe-se lá como, não consegui...digo milagrosamente, porque foi por uma pessoa e se calhar hoje estaria, infeliz, a trabalhar num call-center ou numa caixa de supermercado.

    O importante é perceber porque estamos a falhar e acima de tudo nunca desistir por mais fundo que seja o buraco! Peçam ajuda, falem com professores e colegas, e tentem perceber onde estão a falhar.

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  2. numa coisa eu concordo contigo . basta perder uma aula que está logo tudo "tramado" nao conseguimos logo continuar o ritmo , neste caso conseguir estar dentro da materia

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  3. Concordo plenamente contigo. Estou no curso de estão e basta faltar apenas uma aula de uma disciplina que desestabilizar todas as outras. Este ano aprendi, nunca faltar às aulas! Se fomos sempre assíduos até ao 12º ano porque não continuar no ensino superior?

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  4. Embora a universidade só venha a ser uma realidade daqui a dois anos (se tudo correr conforme os planos) acho importante começar a saber destas coisas, para depois não cair de cara quando for a minha altura. :)

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  5. Adorei as tuas dicas ^^
    Acho que faz imenso sentido. Ainda me lembro de vos ver entrar na faculdade... Nos a já saber a escola toda como tu agora e ver-vos a fazer as primeiras descobertas.
    Acho mesmo que a primeira leva de testes é um desastre é o descobrir como tudo funciona e é ai que tudo ganha um rumo e se define que tipo de aluno és.
    Eu lembro-me de na primeira parte do primeiro semestre estar corrida a 4 e 5's (as físicas e matemáticas porque o ritmo era alucinante, foi um choque) e ter-me esfolado para acabar com uma media de 12 o semestre. E agora ver os caloiros a ter exactamente o mesmo tratamento e tu vês logo quem se vai aguentar e quem vai desistir...

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  6. Obrigada por este texto, Carol! Eu admito que estou com um bocadinho de receio. Nestes ultimos dias tenho-me lembrado muito da sensação que sentia quando estava prestes a ir para o meu 1º ano! (Vê lá o tempo que passou!)... Basicamente tenho medo do desconhecido. Eu vou para algo novo e saber que vou entrar numa universidade bastante exigente está-me a deixar super nervosa e com medo de falhar. Ainda por cima, provavelmente vou perder um mês de aulas porque só vou entrar no IST em 2ª fase e até lá estarei na faculdade onde entrarei em 1ª fase. É muita coisa a acontecer ao mesmo tempo... E vou ter saudades dos meus amigos que vão para longe e dos que ficam por cá e da minha familia. Vai ser complicado mas acredito que seja uma aventura desafiante! :)

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  7. Muito obrigada Carolina! É uma publicação muito útil! :D

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  8. Uma coisa te garanto: eu daqui a dois anos vou ler todos os teus posts sobre a universidade, todinhos, vezes e vezes sem conta. Por isso, faz-me o favor de não apagar o blogue nem desistir dele. E se o fizeres, Carolina eu peço-te de joelhos e baba e ranho, deixa-me estes posts todos! (risos) - estou a falar muito a sério!

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  9. Como eu adoro estas publicações :)

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  10. Lara, espero que tenha correspondido ao teu pedido! :)

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  11. Adorei a tua publicação, infelizmente revejo-me em muito do que me disseste. Perdi-me muito neste primeiro ano de faculdade, a preguiça era enorme, não existiam presenças nem faltas, podia faltar as vezes que queria e então fazia-o com regularidade. Mas agora aprendi, vou fazer novamente o 1º ano noutra faculdade e estou cheia de vontade de começar para mostrar a mim mesma que sou capaz e que sei fazer melhor.

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  12. Não faltar às aulas é mesmo essencial - e eu sei do que falo :p

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  13. Sem dúvida uma publicação muito útil a quem vai entrar no ensino superior e até mesmo para quem já está dentro dele!

    Beijinhos *
    girldreams.blogs.sapo.pt

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  14. Sim, correspondeu! Muito obrigada mais uma vez!:D

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  15. Aaaai, concordo completamente com a Rosemary D. e pensei exatamente na mesma coisa! Estes textos vão-me ser mesmo muito úteis, quando chegar a altura :)

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  16. És oficialmente a minha blogger favorita!
    Obrigada Carol, pela forma genial como constróis estes posts. Depois de ler tudo isto, sinto-me um bocadinho preparada para o que aí vem. Obrigada :)

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  17. Concordo ctg, mas comigo a parte de nao haver pessoas que perguntam se ja estudámos mt ou pouco nao resultou. No meu primeiro ano tive um colega e estava constantemente a perguntar-me se eu ja tinha estudado para a disciplina x, se estudei muito para cadeira A, da qual havia teste/exame; se tinha feito apontamentos na aula ou resumos em casa. Coisas assim do genero e constantemente sem parar.

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  18. Os teus posts são sem dúvida preciosos! A mim falta-me um ano para ir, se correr tudo bem, mas eu já tenho essas dúvidas todas...

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  19. Ai, se eu tivesse lido estas publicações antes de entrar...
    Estou a brincar, mas esta é particularmente útil.
    Como sabes, sempre fui trabalhadora, esforçada e estudiosa. Tinha uma certa aptidão natural, mas não me bastava (pelo menos nunca me fiquei por aí). Quando cheguei à faculdade, continuei a sê-lo. Mas os resultados não foram os que estava à espera. Entrei para lá com uma média altíssima e vi as minhas notas decrescerem valores... É normal na universidade, sim, e as coisas até correram melhor do que à maioria dos meus colegas mas, mesmo assim, ninguém me tira da cabeça que sou capaz de mais. Acho que a adaptação foi difícil, que, de certa forma, me deixei levar pela pressão, pelo nervosismo excessivo e pelas crenças de que não era capaz... Este ano já vou com outro espírito e acho que já tenho mais traquejo. Espero conseguir surpreender-me. No entanto, o momento decisivo do meu curso é, pelo menos até à data, o famoso Harrison, um exame de seriação que nos limita a nível de especialidades a escolher. As notas dos seis anos só contam para decidir o lugar onde vamos fazer o nosso internato (que é de um ano), se não me engano. Portanto, é mais uma questão de brio pessoal...
    Beijinho*

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  20. Ai, se eu tivesse lido estas publicações antes de entrar...
    Estou a brincar, mas esta é particularmente útil.
    Como sabes, sempre fui trabalhadora, esforçada e estudiosa. Tinha uma certa aptidão natural, mas não me bastava (pelo menos nunca me fiquei por aí). Quando cheguei à faculdade, continuei a sê-lo. Mas os resultados não foram os que estava à espera. Entrei para lá com uma média altíssima e vi as minhas notas decrescerem valores... É normal na universidade, sim, e as coisas até correram melhor do que à maioria dos meus colegas mas, mesmo assim, ninguém me tira da cabeça que sou capaz de mais. Acho que a adaptação foi difícil, que, de certa forma, me deixei levar pela pressão, pelo nervosismo excessivo e pelas crenças de que não era capaz... Este ano já vou com outro espírito e acho que já tenho mais traquejo. Espero conseguir surpreender-me. No entanto, o momento decisivo do meu curso é, pelo menos até à data, o famoso Harrison, um exame de seriação que nos limita a nível de especialidades a escolher. As notas dos seis anos só contam para decidir o lugar onde vamos fazer o nosso internato (que é de um ano), se não me engano. Portanto, é mais uma questão de brio pessoal...
    Beijinho*

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