TEMPO DE ANTENA | Deixa-me Voltar

"É a oitava vez que começo este texto. Tenho estado a praticar a arte de escrever e apagar tudo logo de seguida. Tenho melhorado muito nesta área e é tudo graças a ti. Foi por ti que comecei a escrever e apagar o que escrevia. Primeiro foram as mensagens, depois os grandes textos e, de repente, já não apagava nada, simplesmente fingia que não sabia ler e escrever. E tudo porque não suporto a ideia de já não te ter na minha vida e muito menos suporto o facto de não pareceres estar importado com isso porque sabes — ou pensas que sabes — que eu voltarei assim que estalares os dedos. 

Mas desta vez não é assim tão fácil. Nestes três anos fiz por me tornar menor, por me deixar ficar em quinto plano, por não fazer sequer parte da lista de escolhas. Deixei que mandasses naquilo que eu era. Podias fazer algo muito mau e eu voltava sempre. Curiosamente, também tinhas uma parte de ti que me procurava sempre. Eu deixava-te voltar tal como eu voltei sempre. Até ter deixado de ter para quem voltar. Se voltasse agora não saberia para quem estava a voltar. 

Pelo que resta, sei que és um dos meus melhores amigos, que o que nós vivemos nunca será um grande “nada” mas não sou obrigada a assistir ao episódio-piloto da tua série: “Como afastei a única pessoa que se preocupava mesmo comigo”. Ainda assim, tenho estado sempre presente. Prefiro que me digam que não mereces que esteja presente a que algum dia me digam que não estava presente quando precisavas. 

Talvez no fundo ainda espere que voltes. Deve ser por isso que, mesmo sem voltar a ti, continuo parada no meio do caminho: ou voltas ou eu terei de seguir um trajecto — seja ele regressar ou seguir para sítios onde nunca estive. No fundo, ainda espero um abraço, um discurso de despedida onde expliques o porquê de me afastares. No fundo, ainda continuo a ter alguma esperança. 

Talvez um dia voltemos. Talvez nunca voltemos. Mas isto... tu sabes que não dá para apagar. 

Caramba, estala os dedos e deixa-me voltar."

Bc i miss you.

12 comentários:

  1. R: Ainda não sei bem, para já é algo sem objectivos, apenas uma forma prática de contar as coisas. Obrigada :)

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  2. R: Ainda não sei bem, para já é algo sem objectivos, apenas uma forma prática de contar as coisas. Obrigada :)

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  3. É complicado, querer-se uma coisa, e sentir-se o oposto.
    Gostei do texto c:

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  4. Sou livre, serei livre. E tudo o que amo é livre para que possa voltar.

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  5. Haja alguém com qualidade nesta rubrica! Boa escolha, Carolina. Espero que continues assim!

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  6. Gostei muito de participar! Muito obrigada a todos pelos comentários; ainda bem que gostaram <3

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  7. discordo completamente do anonimo das 19h23

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