Thirteen

BLOGOSFERA | Anonimato: Sim ou Não?

Há uns tempos fiz uma experiência blogosférica que ainda hoje recordo com o maior dos carinhos: preservei temporariamente o anonimato. Criei um blogue, tratei da parte estética desse espaço, escolhi um nome diferente do meu e durante dois dias escrevi sobre aquilo que me deu na real gana: dramas, cosméticos, blogues, divagações. Não revelei a minha cidade, não referi o meu verdadeiro nome ou a minha idade e dediquei-me a um espaço condenado - detentor de prazo de validade - com dois objectivos em mente: conhecer a sensação de ser anónima, nova e invisível aos olhos dos grandes blogues e, claro, perceber se as pessoas me seguiam pela minha escrita e pelos conteúdos que eu partilhava ou se, pelo contrário, o faziam por eu ser a Carolina que já conheciam.

E com esta experiência eu aprendi que tenho um lugar na Blogosfera independentemente de me apresentar como Carolina, como Antonieta, como Inês ou como Maria Joaquina. Aprendi que os meus textos têm valor, que as minhas ideias são bem recebidas, que as pessoas gostam do que eu escrevo e que os meus visitantes me seguem porque se identificam (ou não!) com o que partilho. E também aprendi que o anonimato não dá para mim. Que só estou bem a ser a Carolina 24h por dia: na Blogosfera, na Faculdade, na esplanada e nas viagens que faço, de sapatilhas a contar os quilómetros e de máquina fotográfica ao ombro.

O pseudónimo cria mistério, é giro, faz-nos viver uma vida paralela e protege-nos dos julgamentos não fundamentados de quem conhece o nosso rosto mas eu prefiro, sem margem para dúvidas, a conta não-anónima. Eu quero dar a cara pelas minhas ideias. Eu quero poder partilhar uma fotografia sem ter que pensar se estou ou não a comprometer a minha identidade. Não sou - nem quero ser - anónima.

E se não publico fotografias minhas com frequência não é, de todo, por querer fugir das minhas ideias ou para evitar que as associem a mim. Se não escrevo sobre assuntos mais pessoais não é por ter medo de ser julgada e criticada pelas pessoas com quem me cruzo na rua. É por achar que não faz qualquer sentido espetar com a minha cara nas publicações se não houver ligação entre o texto e a minha fronha. É por achar que não faz qualquer sentido colocar na internet - para o mundo e para a eternidade - uma situação tão minha ou tão íntima. Não é uma questão de anonimato, é uma questão de bom senso.

Sou a Carolina e não quero ter outro nome porque nenhum me identificaria tão bem como este que a minha mãe me deu. Não quero ser anónima. Não quero sentir-me presa a uma condição tão complexa como essa que nos impede de partilhar o nome do curso, a cor do cabelo ou o restaurante preferido. O que eu escrevo para as pessoas que não me conhecem defendo com unhas e dentes numa conversa de esplanada com os amigos de sempre. E, nesse sentido - sabendo ainda que as minhas pessoas acompanham o meu blogue - não preciso do anonimato para nada. É a minha escolha. Vocês com certeza terão as vossas e mil e um argumentos para as defenderem.

19 comentários:

  1. Acho que não conseguiria ser uma blogger anónima. Gosto de ser assim, de escrever o que me apetece, sem receios de quaisquer represálias. Esta sou eu enquanto a blogger "Daniela", depois existe " A Daniela" que só quem convive comigo tem o privilégio de conhecer.

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  2. já tive um blog anónimo mas gosto muito mais de ter o meu blog de agora, a dar a cara :)

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  3. Eu lembro-me de se blogue, notei logo que eras tu x)
    De facto não dá para sere outra pessoa senão tu mesma!

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  4. O meu blog já foi mais anónimo do que era no início. No entanto, não ando a dizer aos sete ventos que tenho um blogue. Apenas gosto de permanecer na “invisibilidade".

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  5. O meu primeiro blog foi não-anónimo. Tinha o meu nome, a minha cara, e partilhei-o nas minhas redes sociais. Estava acessível a toda e qualquer pessoa que quisesse "meter o nariz" na minha vida propositadamente. Acabei por me prender e por já não poder escrever com a liberdade que precisava, só porque x, y ou z ia ler aquilo. Criei o blog que tenho agora, "criei" a Kiara, com o intuito de ser anónima. O tempo foi passando, e eu fui dizendo quem era. Já falei várias vezes da minha cidade, com orgulho, digo onde estudo, o meu curso, as minhas notas, os meus gostos... até as minhas tatuagens já partilhei. Neste momento, a única coisa anónima no meu blog é o meu próprio nome, e até nisso eu já falei! A minha foto de perfil é uma foto minha, digo o meu instagram sem qualquer problema e também não me importa se sou amiga de bloggers no facebook. Não morro de medo que descubram o meu blog e, mesmo assim, escrevo tudo o que me apetece. Já não me escondo atrás de nada e só não mudo o meu nome de blogger porque já faz parte de mim, já é quase como o meu nome do meio e não faria muito sentido mudar o nome agora. No entanto, acho que já estou mais fora do anonimato do que dentro, mas não me arrependo nada da forma como comecei este blog! :)

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  6. Eu tenho um blog anónimo pelo simples facto de ter conhecidos na blogosfera que são da minha escola que por acaso me seguem.

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  7. Eu sou anónima e não sou, ou seja, quem me é próximo sabe da existência do meu blog e eu não tenho qualquer problema com isso. No entanto, não o partilho assim a torto e a direito porque assim sinto que é uma coisa mais pessoal e íntima partilhada publicamente com quem tem de ser!

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  8. Eu sou anónima apesar de usar o meu nome verdadeiro e neste momento não quero mudar isso, sou eu própria sempre serei, não tenho receio de dizer algo meu, mas anónima sempre!

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  9. R: Sim, fui eu que escrevi Carolina. :)
    É uma história escrita partindo de uma verdade mas um final que fui eu que lhe dei, porque é o que sinto neste momento. Embora espere que não se torne realidade.

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  10. Eu não gosto da ideia de ser anónima. Tenho o meu blog há algum tempo e sempre dei a cara. Mas ultimamente tenho sentido necessidade de expressar o que sinto verdadeiramente e não o faço porque sei que pessoas conhecidas leem o meu blog. E acho que as situações de anonimato são boas nestes casos. Eu própria, que nunca tive problemas em partilhar as minhas coisas na blogosfera, tenho sentido necessidade de anonimato, simplesmente porque há coisas que não quero que pessoas que estão comigo todos os dias saibam muitas das coisas que me passam pela cabeça.

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  11. Cada um deve fazer aquilo que o faz sentir-se bem. Se tu és feliz a escrever como sendo não anónima, então continua. Eu escolhi ser anónima do sentido em que não publico com o meu nome verdadeiro, no entanto não tenho mil e um cuidados acerca do que digo de forma a que seja impossível que alguém me identifique. Se algum dia isso acontecer (que alguém do meu grupo de amigos/conhecidos me identifique) não irei deixar de escrever. Não escrevo nada que me arrependa e tudo o que escrevo é aquilo que penso e que não teria problemas em dizê-lo a quem me conhece, apenas gosto de escrever com um nome que não é o meu.

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  12. eu conheço gente que anda pela blogosfera e não quero arriscar que descubram que sou eu.

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  13. Eu não coloco o meu nome verdadeiro porque primeiro não gosto dele :P
    E depois porque é o local onde falo mal das pessoas só pelo momento (só para descarregar) e depois no dia seguinte já está tudo bem e já vejo por outra perspetiva,.. se essas pessoas vissem possivelmente iria estragar uma amizade

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  14. Achei esta ideia bem interessante. Acho que fizeste bem em experimentar o "outro lado" da coisa :)

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  15. Já tive um blogue, o primeiro, em que não era anónima e muitas pessoas à minha volta sabiam da sua existência. Mas, chegou uma altura em que tive necessidade de criar um blogue anónimo e - depois de algumas tentativas -, surgiu o Wendy's Diary. Sempre me senti bem no meu blogue. Escrevo com um pseudónimo, mas não acho que tenha uma vida paralela na blogosfera porque me revejo totalmente naquilo que escrevo e porque sou eu em todos os sentidos. Mantenho o anonimato porque gosto do mistério que envolve e, sim, fico mais à vontade ao escrever assim. Mas também percebo totalmente quando dizes que acarreta condições complexas: quantas vezes já quis revelar x ou y e não pude!! E é por isso mesmo que decidi criar o Instagram do blogue, onde cada vez menos me importo com o anonimato e opto por revelar algumas coisas que, há uns tempos, não revelaria. A verdade é que já não tenho tanto receio de ser descoberta e não deixo de lado a hipótese de, um dia, deixar de ser anónima ;) adorei a ideia de criares um blogue anónimo como experiência, genial!

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  16. Como sabes, tenho um blog anónimo, no entanto, ele não é assim tão anónimo quanto isso. Tudo bem que os meus amigos não sabem que tenho um blog, mas a minha família sabe. Publico fotos do meu instagram pessoal no blog, sem qualquer constrangimentos, porque gosto da ideia de me dar a conhecer ao mundo e não receio que me descubram. Contudo, ainda não partilhei com quem acompanha o meu dia-a-dia que tenho um blog, mas com alguns bloggers (como é o caso da A, do Jota e da Olívia M.) já partilhei as minhas contas publicas/pessoais.

    Acho que, por enquanto, tem a ver com confiança. Ainda estou numa fase de experimentação - quero ter a certeza que gosto do meu blog e que no futuro não me vá dar um clique e decidir nunca mais cá vir ou até, se calhar, estou à espera de ver a reacção/opinião dos meus amigos à ideia de ter um blog. Sinceramente, acho que é isso. Mas confesso que já estive mais longe de sair do anonimato. (:

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  17. Se não escrevo sobre assuntos mais pessoais não é por ter medo de ser julgada e criticada pelas pessoas com quem me cruzo na rua. É por achar que não faz qualquer sentido espetar com a minha cara nas publicações se não houver ligação entre o texto e a minha fronha. É por achar que não faz qualquer sentido colocar na internet - para o mundo e para a eternidade - uma situação tão minha ou tão íntima. Não é uma questão de anonimato, é uma questão de bom senso.

    Adorei esta parte! Gosto de me conseguir relacionar com a pessoa mas às vezes desligo um bocado se a pessoa for muito longa e minuciosa com essas coisas, dunno :\

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