Thirteen

TEMPO DE ANTENA | Ali no Mar

"Invejo os seres que habitam no mar. E não invejo simplesmente porque sim. Invejo porque sinto que pertenço ao mar, que deveria nadar como a Pequena Sereia e estranhar o que é um garfo, utilizando­-o para pentear o meu curto cabelo castanho, e que pudesse cantar juntamente com o lagosta Sebastião o "Aqui no mar". Gostava de não ter pernas mas ter uma cauda e poder nadar durante o dia todo. Talvez se fosse um ser que vivesse debaixo do mar e tivesse capacidade para pensar e ambicionar algo, a minha maior ambição seria ter pernas para andar e poder vaguear por aí, sentir com os meus dedos dos pés a terra, a calçada, o frio do chão de uma casa. Contudo, se fosse "só" um peixe, talvez não tivesse todo este fascínio pelo meu habitat; talvez não me sentisse bem nas profundezas do oceano. 

Porém, acho o mar um lugar perigoso embora encantador. Apesar de toda a força incrível que o mar tem, de todos os estragos que pode causar, é como se fosse o meu sítio encantado e é onde me refugio ­ apesar de que à superfície ­quando me sinto triste. Mesmo quando me sinto bem ou a transbordar de felicidade pelos poros que existem no meu corpo. Sei que é um sítio com o qual posso contar, mesmo sem ele o sentir. É um dos poucos lugares que me completa como pessoa e me preenche o coração. Que provoca felicidade em mim, tal como alguma tristeza. 

Uma das sensações que mais gosto é quando vou para a praia e me sento à beira mar, com os meus pés descalços enquanto sinto a areia molhada e a espuma branca das ondas a bater neles. Enquanto isto, desabafo, choro, rio, faço cambalhotas se necessário, e sinto que tenho sempre uma resposta. Sinto que os peixinhos, crustáceos e grãos de areia são bons ouvintes. São os meus ouvintes e os ouvintes de muitas outras pessoas que fazem exactamente o mesmo que eu. 

O mar... oh, o maravilhoso porém terrível mar. É como se uma simples palavra me descrevesse."

Ocean Sound

Adriana Parrinha, Mojito in August.

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