TEMPO DE ANTENA | O Meu Bicho Papão

"Não há nada que me aterrorize mais do que saber que, a qualquer momento, posso deixar de existir. A morte é, sem dúvida, o bicho papão que me atormenta à noite e me deixa sem dormir noites e noites a fio. Tenho quase vinte anos e não consigo encontrar forma de não pensar sobre o assunto. Eu sei que é algo inevitável e que ninguém vai escapar vivo desta aventura mas, mesmo assim, não me conformo. Toda a gente tem os seus fantasmas e o meu é a morte. 

Eu gosto de pensar que vivo a vida ao máximo e que aproveito todas as oportunidades que me aparecem. E tenho a perfeita noção de que sou muito feliz e me sinto bem comigo mesma. Tenho amigos fantásticos, uma família maravilhosa e tenho pena de algum dia deixar tudo isso para trás. Tenho pena de deixar de ver, de sentir, de cheirar. O mundo em que vivemos é deslumbrante e eu fico fascinada com tudo. Agradeço o facto de estar viva e de ter esta oportunidade para viver. Sei que não vou ter outra (pelo menos não acredito nisso) e tenho a certeza de que, dentro dos possíveis, vou aproveitar a minha vida ao máximo. Mas ao mesmo tempo apetece-me fazer birra e gritar em voz alta que não quero morrer! Porque eu não quero mesmo morrer! E não há nada que eu possa fazer em relação a isso. Não há forma de combater este meu medo que, quando menos espero, invade a minha mente para me aterrorizar. 

Secalhar é por isto tudo que eu tenho medo: porque eu quero poder aproveitar e conhecer tudo aquilo que ainda não conheci. Quero conhecer todos os países e pessoas novas todos os dias. Quero viver muitos e muitos anos e, quem sabe, quando for velhinha e me aperceber de que vivi tudo tão intensamente, o medo vai-se embora e eu vou encarar a morte com outros olhos. Porque provavelmente vou ter noção de que a minha vida foi demasiado boa (pelo menos é o que desejo para mim) e que eu tenho que morrer para dar oportunidade para outra pessoa poder vir ao mundo. A vida é mesmo assim: uns morrem, outros nascem. Perdemos tempo com mesquinhices e com ódios quando todos acabamos da mesma maneira. E mesmo assim eu tenho medo de morrer. Mas também tenho a perfeita noção de que a morte, apesar de parecer injusta – porque nem toda a gente merece partir – é o destino mais justo que poderíamos enfrentar. Não importa se somos brancos, negros, amarelos ou cor-de-rosa. Nós viemos do nada e, todos juntos, a cada segundo que passa, para o nada caminhamos."

i wanna have control | via Tumblr

Daniela Costa, Behind Brown Eyes.

6 comentários:

  1. Gostei bastante da tua publicação. Realmente há coisas que nos tiram o sono, para mim, a morte nunca foi algo que me atormentasse assim, mas é definitivamente uma coisa que quando refletimos nos faz colocar várias coisas em perspetiva.
    Viver cada dia da melhor maneira é o melhor a fazer :)

    Um beijinho,
    http://thedailydreamergirl.blogspot.pt/

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  2. Olha, adorei este texto!
    O segundo parágrafo fez-me lembrar um excerto de «Carta para Josefa, minha avó», de José Saramago, que passo a citar:
    «"O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!"».

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  3. Nunca pensei muito na morte, mas penso mais ou menos aquilo que a Daniela pensa. Tal como no Harry Potter, quero encarar a morte e ir ter com ela como se fosse uma velha amiga :)

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  4. Muito obrigada pelo convite para participar nesta rubrica :))

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  5. Tenho muito medo da morte... e não é normal andar angustiado por causa disto. secalhar eu e a daniela devíamos procurar ajuda...

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  6. também penso muito nisso e sobretudo das pessoas que gosto e ás vezes tira me mesmo o sono , no fundo é viver ao máximo mas com o nervoso miudinho que pode acontecer algo e não podemos fazer nada,é triste...

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