SAÚDE | Pílula: Sim ou Não?

Se andam atentas às notícias têm com certeza reparado nas mil e uma teorias que misturam um método contraceptivo feminino - mais precisamente a pílula - com alguns casos de mulheres que, segundo os estudos e exames efectuados, começaram a ter problemas de saúde. E eu - como mulher - tenho prezado o meu sentido crítico perante essas mesmas notícias. Porque o essencial é andar informada e atenta, não acreditar em tudo aquilo que leio e optar sempre pelo aconselhamento médico a fim de evitar sustos desnecessários (ou algo bastante pior, como tem vindo a ser abordado).

E, nesse sentido, começo por partilhar um facto inegável que suporta fielmente a minha opinião: todos os medicamentos têm efeitos secundários. Todos. Se alguma vez leram com atenção a bula de um medicamento - independentemente de ser um simples ben-u-ron, um antibiótico mais forte ou um contraceptivo de rotina -, puderam ver que há uma lista enorme de possíveis reacções e adversidades. Daí a necessidade de receita para medicamentos mais intensos e específicos. Daí os avisos para não engolir hormonas só porque resultou com a amiga ou o primo. Porque tudo o que é estranho ao nosso organismo é passível de provocar uma reacção negativa. Tudo. Mas também não é por lermos a bula do químico receitado que vamos deixar de confiar no médico que recebeu formação para nos aconselhar.

A pílula é um medicamento. É uma hormona. É um químico. E nem todos os tipos de pílula são indicados para todas as mulheres. Ponto. Assim, é imperativo consultar um médico especialista antes de começar a tomar seja o que for. É importante ter consultas regulares e ter presente que não é normal ter enjoos frequentes ou dores de cabeça diárias depois do mês de adaptação. É importante saber que há coisas que vão inevitavelmente mudar - porque a pílula não é utilizada exclusivamente como método contraceptivo - mas que os riscos são muito reduzidos se tudo estiver controlado. 

Se as notícias vos assustam e se sentem melhor sem a pílula, então deixem de a tomar. Se as notícias vos preocupam mas não querem parar de utilizar tal método - porque vos minimiza as dores e o acne, por exemplo - marquem uma consulta, esclareçam as vossas dúvidas, decidam a partir daí. E se querem continuar a tomar a pílula independentemente dos casos que têm surgido, o importante é que se mantenham atentas perante os sintomas que ela vos provoca. Na minha opinião, parar de tomar um medicamento porque há um caso mais infeliz parece-me um pouco radical. No entanto, reconheço a necessidade de permanecer alerta para qualquer eventualidade ou sintoma que possa surgir e não descuro a ideia de que cada caso é um caso. As pessoas não são números mas não é um único organismo que dita a eficácia ou a pejoratividade de um medicamento. Seja ele qual for.

Native Fox

18 comentários:

  1. Tens toda a razão.

    *Beijinhos*
    Caty<3
    http://myfairytale4.blogspot.pt

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  2. No ano passado tive uma cadeira bastante relacionada com os fármacos, desde todo o processo, testes, reacções adversas ou efeitos secundários (que não são a mesma coisa, apesar de no senso comum misturar-se as duas definições) e a verdade é que realmente há medicamentos que, mesmo comercializados, provocam estas reacções e estes casos infelizes mas ou no estudo in vivo não foram observados (apesar de estarem na bula, sempre) ou só se verificou um caso ou dois, cuja causa normalmente não estava apenas relacionada com o fármaco. É como tu dizes, a pílula é uma hormona, um químico e não podemos estar à espera de algo inócuo para todos os corpos. Se há alergias, intolerâncias, mutações em milhões de humanos diferentes no planeta inteiro, estamos à espera que os fármacos sejam do contra e resultem de forma benéfica para toda a população do planeta? Isso é um pensamento ilusório.

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  3. Estou de acordo, infelizmente muitas mulheres começam a tomar pílulas sem qualquer acompanhamento médico e isso não é aconselhável, pois cada mulher é diferente e deve fazer os exames necessários para saber qual a pílula adequada para si, pelo aconselhamento de um médico.
    Love*
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  4. Antes de eu decidir deixar de tomar a pílula já andava a pensar nesse assunto há algum tempo. Como referi num post que fiz sobre o assunto, eu já tomo a pílula há muito tempo e comecei por tomar a Diane 35 por causa do acne. Contudo, sempre tive a sorte de não ter dores menstruais e de ter sempre o período regular. Mas, uma vez que comecei a tomar a pílula não voltei a parar. Até agora, Este é o último mês que tomo. Em conversa com o meu médico, disse-me que não há qualquer problema em manter a pílula e o único problema dele é a possibilidade de engravidar sem ela. Apesar disso, ficámos combinados que até Setembro não tomaria a pílula e depois logo se veria.
    Tomei esta decisão por várias razões:
    1 - "limpar" o organismo;
    2 - notícias que correm que, podendo ser em casos raros, acontecem;
    3 - ver se há mudanças em quanto à barriga inchada;
    4 - estar atenta a possíveis infecções.
    Neste último caso, eu tenho alturas em que o preservativo me irrita. Deixa-me com ardor mas não dura muito tempo e só sinto isso no final ou então quando estou nos preliminares há algum tempo. Porém, não associo - na maior parte das vezes - às infecções que vou tendo porque as mesmas ocorrem alguns dias depois do período e nessa altura não tenho relações. Contudo, sei que a pílula acaba por alterar o pH da nossa flora podendo facilitar as infecções. Quero ver se sem ela o meu corpo continua a criar infecções. Caso isso aconteça, então tenho de me voltar a queixar ao médico. Apesar de tudo, tudo aquilo que tenho tido, sejam infecções ou sejam as irritações ao preservativo, foi tudo partilhado ao médico.

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  5. Estou contigo Carol. Eu tomo a pílula há muito tempo e a primeira coisa que fiz depois foi ler a bula com muita atenção. A minha médica já me tinha alertado para todos os efeitos secundários e eu sempre quis estar ciente dos riscos que estava a correr. Eu tomo a pílula com plena consciência e é por isso que não vou deixar de o fazer.

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  6. No outro dia a bula da minha e metade da bula era sobre embolia pulmonar e outra sobre avc's e coisas do tipo... mas logo a seguir fui ler a do ben u ron e fiquei mais descansada porque tudo nos mata xD Mesmo o que é para o "bem". A diferença é que a pilula é tomada pelo menos 21 dias por mes... é muito! Eu preciso da pilula para me sentir bem porque senão teria até 12 dias de periodo o que para alguem como eu (42 quilinho) me deixa fraca e muito cansada. O contraceptivo não é o principal nem motivo secundário para a tomar.
    No outro dia falei com o meu namorado sobre isso porque quis a opinião dele. Afinal é algo que se deixasse de tomar não me afectaria só a mim... e nestas coisas gosto de tomar decisões a dois.
    E ele só me disse "tomares a pílula é como andar de avião. é o método mais seguro até haver um acidente que apesar de ser rarissimo tem sempre grandes repercussões" E não é que faz todo o sentido?! Quantas vezes passas um vermelho (a pé, claro!)? quantas vezes andas de carro, quantas vezes sais de casa sem pensar no que pode correr mal? e isso é tudo mais perigoso que a pílula ou o avião mas nisso nunca pensamos porque temos aquela ideia do "se houver um acidente há hipótese de sobreviver"
    Há fatalidades e no que depender de mim vou tentar continuar a ser o melhor acompanhada possivel e a ir à ginecologista cada vez que tiver um problema ou por rotina. Mas custa-me ver gente que toma as coisas por sua autorecriação. Incrivel como vou a uma farmacia e digo quero isto e eles dão. Sem haver uma ficha de doente que diga: Medico x receito y até nova nova ordem pode ser vendido a essa pessoa.
    Mas quantas vezes preciso de pedir receitas por um anti histaminico (atarax) que tomo só porque não consigo dormir e porque tenho alergias...

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  7. Infelizmente muitas pessoas vão através dos medicamentos da tia, do primo ou da amiga e esquecem-se que cada caso é um caso e que cada organismo é único. Se fosse essa a atitude correta então ninguém iria precisar de consultar um profissional devidamente informado.

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  8. Eu, por opção pessoal, não tomo a pílula pelo simples facto de não achar piadinha nenhuma ao adicionar hormonas para o "bucho". Acho que cada pessoa deve tomar a decisão que é melhor para si, seja ela tomar ou não a pílula. É uma coisa pessoal. E se quisermos dar esse passo - ou não - temos de ir ao médico, explicar as nossas dúvidas e expôr as nossas opiniões.

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  9. claro que há coisas menos boas, coisas boas e coisas más, há. mas são raros os casos em que as coisas más acontecem. se a pílula em questão já tivesse morto 100 pessoas ainda poderia ser 'grave', mas não, matou 10. a questão é que as pessoas só olham para a pílula, porque com certeza já houve 10 a morrer com o simples ben u ron ou outra coisa qualquer..

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  10. Olá querida,

    Antes demais excelente publicação, estes assuntos devem de ser partilhados com conteúdo cientifico e opinião pessoal. Em relação a ele, não tomo a pílula e nunca tomei. Esta decisão é minha e em todas as minhas relações foi partilhada e aceite. Não tomo por duas razões, a principal é como tu dizes é um medicamento, uma hormona um químico. Não consumo comprimidos por tudo e por nada. Alias para tomar um benuron só em ultimo recurso e tenho que estar mesmo quase a morrer, ou porque tenho compromissos na fac e tenho que estar bem, caso contrario sofro tudo e segundo, porque graças a deus, tive um período bom: sem surtos de acne permanentes, dores normais, regularissimo e em períodos curtos. Usar pílula neste sentido seria tornar a menstruação em algo artificial desnecessariamente. Este são os meus motivos e sinto-me muito bem assim! :)

    xoxo, Sofia Pinto
    Morning Dreams

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  11. Texto muito sensato, os meus parabéns!

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  12. Eu tomo a Diane 35, que também é uma das pílulas relacionadas com muitos desses casos. Comecei a tomar para o acne e em mim sempre teve um bom efeito, nunca senti efeitos secundários. É como dizes, um componente x pode fazer bem à pessoa A e mal à pessoa B, o nosso organismo é diferente logo reage de maneira diferente. Uma amiga minha quando lhe disse que tomava a diane ficou em pânico e disse logo "tens de mudar !!" , mas eu acredito que mais importante do que tomar decisões radicais é estar alerta e ir-nos aconselhando com o nosso médico.

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  13. Eu há 6 anos que tomo pílula e nunca tive problemas nenhuns, nem mesmo o típico aumento de peso nos primeiros tempos nem nada. Fui aconselhada por um médico que me receitou aquela que melhor se adequava ao meu organismo e faço consultas de rotina anuais onde, até agora, ele decidiu manter a mesma pílula. Para mim este comprimidinho mudou-me a vida, eu sofria horrores com o período, cheguei a ir parar às urgências várias vezes por causa das dores e porque no banho desmaiava com imensa frequência. Houve um Verão que cheguei a ficar 5 dias de cama porque simplesmente as minhas pernas pareciam não ter forças. A pílula salvou-me mas se há coisa que faço sempre em relação a medicamentos é ler primeiramente os efeitos secundários que pode trazer. Sou muito picuinhas em relação a isso, nunca tomo nada, mesmo quando tenho febres ou dores de cabeça a minha mãe chateia-se comigo porque eu nem cêgripe, nem benuron nem nada de nada. Recuso-me. Aliás, sou asmática e quando a médica me receitou o uso de bomba eu li os efeitos secundários e sabes que mais? NUNCA a usei uma vez que fosse porque pura e simplesmente tinha demasiados riscos associados.

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  14. Tomo a pílula há quatro anos e nunca tive qualquer tipo de problema. Tomo uma com um nível hormonal não muito elevado, aconselhada pelo meu médico de família, porque na altura que comecei só precisava para diminuir o tempo da menstruação (8 dias intensos) e estava sujeita a ganhar anemia por ser demasiado magra e perder muito sangue. No momento continuo a tomar a mesma porque nunca senti efeitos secundários, mas costumo fazer exames regulares (pelo menos uma vez por ano) para ver se está tudo normal com o sistema reprodutor. Para tudo é preciso andar informada e vigiada :)

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  15. Eu tomo a pílula a uns anos e nunca tive queixa, por isso não tenciono deixar de tomar até porque foi-me receitada pela médica e ela lá sabe qual a indicada para mim ou não.

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  16. obrigada por fazeres este post, já algum tempo que andava preocupada com este assunto. Já tomo a pílula desde os 15 anos (acho que é um bocado cedo comparada com o resto das pessoas, mas foi a médica que me receitou) e desde que vi as notícias que ando numa pilha de nervos. Agora já estou mais calma e tudo o que disseste faz todo o sentido. para prevenir vou mesmo marcar uma consulta com a minha médica para ver se está tudo bem :)
    Beijinhos

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  17. Cada uma deverá usar ou não usar conforme o que a si e ao seu médico parece mais indicado!

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  18. Quando comecei a tomar a pílula o médico avisou-me dos possíveis efeitos, acontece que sofro de dores horríveis de ovários e sempre pensei que ajudasse.... Pois bem, não ajudou, até há bem pouco tempo tive hemorragias e o médico disse para parar de a tomar e que havia outros contraceptivos. Ele disse que a pílula pode ajudar em muito dos casos, mas noutros só piora (no meu caso). Acho que devemos procurar alternativas e falar sempre com especialistas, pois há ai boas raparigas que tomam a pílula sem receitas e sem especialista. Todo o cuidado é pouco.

    Gostei do texto e da tua opinião, like always

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