Adorava saber as minhas notas finais, a sério que sim. É sempre o mesmo drama.

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Gestão

"Eu decidi que queria ir para Gestão logo no final do Ensino Básico. Toda a minha vida me imaginei a ser uma mulher de negócios – também influenciada pelo facto de ter sempre lidado com empresas – e sabia que queria algo relacionado com essa área. Depois de ter investigado bem os cursos que existem, optei por escolher Gestão por ser uma área muito abrangente e por ser também bastante prática. 

Eu encontro-me no segundo ano da Licenciatura em Gestão na Universidade do Minho. Na hora de escolher a instituição de ensino que pretendia, avaliei as três melhores faculdades desta área no país e apercebi-me que a Universidade do Minho satisfazia todos os meu requisitos e, para além disso, estava na minha cidade e não tinha que sair de casa. Não é que não quisesse sair da minha zona de conforto, mas, como é óbvio, avaliei todos os prós e contras e tenho a perfeita noção de que a minha área é bastante prestigiada na minha instituição de ensino e estou bastante satisfeita com todas as oportunidades que a mesma me proporciona. 

Um ponto que gostaria de deixar bem assente diz respeito à diferença que existe entre a Licenciatura em Gestão e a Licenciatura em Economia. Infelizmente, ainda há a ideia errada de que os alunos que frequentam o curso em Gestão só o fazem porque não conseguiram entrar em Economia, mas posso-vos garantir que é mentira, pelo menos na maioria dos casos que conheço. A minha média permitia-me entrar em ambos os cursos e eu optei por Gestão por considerar, como já referi, que esta é uma área bem mais abrangente e prática do que Economia. Na Licenciatura em Gestão na UM temos Unidades Curriculares relacionadas com Economia (Micro e Macroeconomia, Economia Portuguesa e Europeia), com Finanças (Finanças Empresariais, Investimentos Financeiros e Complementos de Finanças), Contabilidade (Contabilidade Financeira I, Contabilidade Financeira II e Contabilidade Analítica), Marketing (Marketing Empresarial e Fundamentos de Pesquisa de Marketing), Recursos Humanos (Comportamento Organizacional e Gestão de Recursos Humanos), Direito (Direito para a Economia e Gestão), etc. O meu curso está mesmo ligado a diversas áreas - umas mais teóricas que outras - e penso que completa a nossa formação para trabalhar, por exemplo, em empresas e outros diversos setores, e permite-nos saber, efetivamente, qual a área de Mestrado que pretendemos seguir. Já relativamente a Economia, esta é uma Licenciatura mais teórica e talvez mais direcionada para a área da política ou estudos do comportamento dos mercados e das diferentes economias. 

Quem tenciona entrar em Gestão tem que perceber que esta não é apenas uma área relacionada com empresas. Podemos ser gestores de muitas áreas e em diversos contextos, por isso é fundamental que percebam que Gestão é um curso com imensas saídas profissionais e que se relaciona, como já referi, com imensas áreas. 

Também é um curso ligado à matemática. Mas não fiquem assustados: embora seja necessário haver algum raciocínio e tenhamos algumas cadeiras de estatística, não está muito relacionado com a matemática de secundário e têm a possibilidade de aprender tudo de novo. Para além disso, a Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho oferece aos seus alunos a oportunidade de terem pelo menos uma unidade curricular por semestre lecionada em inglês, o que é bastante vantajoso porque, nesta área, o domínio da língua inglesa é imprescindível e, desta forma, podemos conhecer os termos em inglês e desenvolver as nossas capacidades nesta língua. 

É importante também referir que a minha escola permite, também, um contacto direto com as empresas de diversas formas, através do Business Day, um dia em que as empresas se dirigem às instalações da universidade para esclarecerem todos os alunos acerca das suas dúvidas; formações, palestras e cursos gratuitos para complementarmos as nossas áreas de estudo, relacionadas, também, com programas que utilizamos em algumas unidades curriculares (como o SPSS para analisar dados estatísticos e o Excel); trabalho e contacto direto em algumas unidades curriculares com empresas, de modo a arranjarmos, em grupo, estratégias para a solução de um problema, o que é uma mais-valia porque lidamos com a realidade das empresas, entre outros. 

Embora não aprecie algumas áreas do meu curso, por não me identificar, de todo, com elas, não me arrependo da minha escolha e não me imagino numa outra área que não esta. Estou no segundo ano, como já referi, e nunca senti dificuldades ou falta de apoio em relação aos professores. É normal criarmos alguma empatia com alguns e não tanto com outros, mas penso que os docentes estão todos empenhados no mesmo. Como em todos os cursos, é necessário estudar bastante e, nas unidades curriculares mais práticas, é importante resolver muitos exercícios e perceber bem o conteúdo lecionado e penso que esta seja a chave do sucesso neste curso. Houve algumas áreas da minha Licenciatura que não referi, mas podem sempre visitar o site da universidade em questão e procurar o plano de estudo. Preparem-se para estudar bastante no ensino superior independentemente do curso e esforcem-se sempre para dar o vosso melhor, porque na hora de ingressarem no mercado de trabalho, todos os pormenores são tidos em conta. E aproveitem também tudo o que o ensino superior tem de melhor para vos oferecer."

(2) Tumblr

Daniela, Aluna do Segundo Ano da Licenciatura em Gestão na Universidade do Minho.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Daniela irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]
Empire State

Um dia hei-de voltar a Nova Iorque.

INSTAGRAM | Junho 2015

Junho termina com um sentimento miserável de desilusão que não me impede de ver todas as coisas boas que transformaram este mês naquilo que ele foi para mim. Com direito a vestidos compridos, muito trabalhinho na Faculdade e resultados fabulosos (pelo menos até agora), Junho revelou ser uma lufada de ar fresco entre dias muiiiito felizes ao lado de quem desperta a minha melhor faceta e férias com um sabor agridoce. No blogue, Junho trouxe-nos uma nova versão do Tempo de Antena, inteiramente dedicada ao Ensino Superior (opiniões?).

Junho foi o mês do algodão doce, do fogo-de-artifício e do concerto do David Fonseca. Foi o mês das danças de vitória e da dissipação de algumas dúvidas académicas. Termina mal - muito mal - e também não promoveu a utilização de biquínis, as compras de Verão, as idas à praia ou os mergulhos na picina mas entre arrumações serviu como uma ponte entre as ocupações e os dias livres. Espero agora por um Julho de férias, amigos, família e, quem sabe, passeios diferentes.

✋

A pior coisa que me pode acontecer é ficar desiludida comigo mesma. Não estou habituada a falhar terrivelmente.

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Filosofia

"“Filosofia? Mas querias esse curso?” “Filosofia? É para o desemprego, certo?” “Filosofia? Mas isso serve para alguma coisa?” “Filosofia? Não tinhas média para mais nada?” 

E assim começa sempre a saga de qualquer aluno de Filosofia no ensino superior, a arregalar ligeiramente os olhos e a rir-se das perguntas feitas porque sim, já as ouvimos todas antes. 

Filosofia é um curso quase mitológico, cujo preconceito começa logo no décimo ano e se prolonga pelo décimo primeiro. A disciplina tanto pode ser dada por professores de filosofia como de psicologia e o mesmo acontece na disciplina opcional de psicologia (para a qual tanto podem ser contratados professores de psicologia como de filosofia), o que, obviamente, deixa um largo espaço para dúvidas, a primeira das quais sendo exactamente para que serve o curso superior de Filosofia, se um licenciado em Psicologia pode dar as aulas desta disciplina. 

Então, para que serve o curso? Teoricamente o curso de Filosofia do ensino superior é versátil, expansivo e tem várias saídas relacionadas com relações públicas, investigação em várias áreas, ensino de Filosofia, já para não falar que depois da Licenciatura em Filosofia existe um leque extenso de Mestrados a que os alunos têm acesso (ou seja, não há obrigatoriedade de se tirar o Mestrado na área de Filosofia, o que significa amplas opções profissionais). 

Na prática, o assunto é bem diferente. Como ninguém percebe muito bem a vertente deste curso, ninguém assume o curso como mais-valia na hora de empregar. Filosofia é “estudar homens que já morreram” e as opções práticas também morrem aí. Não há estágios durante a licenciatura, porque não há protocolos – embora os nossos professores se fartem de nos tentar arranjar oportunidades. 

Não sei como será estudar este curso noutras instituições mas, na Faculdade de Letras da UP, Filosofia distingue-se por ser um curso sem trabalhos (é ver a inveja na cara de muita gente) e cujos resultados dependem inteiramente dos exames (é ver a inveja a desaparecer logo). É um curso com cadeiras de nomes que parecem aborrecidos: Filosofia Antiga, Filosofia Medieval, Filosofia Moderna, Filosofia Contemporânea, Ontologia... Estas são algumas das cadeiras com as quais vão lidar. São provavelmente os piores nomes que verão no Plano Oficial. São, no entanto, cadeiras fantásticas, cada uma com o seu valorizado contributo e cada uma dada por professores do género que nunca viram antes. Recebem 6 créditos por cada cadeira. Nem mais, nem menos. Nos primeiros 4 semestres também têm cadeiras de opção (uma por semestre) cujos únicos requisitos são que sejam cadeiras integradas na Faculdade de Letras e que o horário seja compatível com as cadeiras do curso. Há sempre alunos de Filosofia a terem uma cadeira fora do curso: em Geografia, História, Línguas, entre outros. Eu, por exemplo, escolhi Inglês. 

Há Cadeirões. Há cadeirões em todo o lado e em todos os cursos mas em Filosofia há Cadeirões com C grande. Sofre-se com o estudo da Lógica (que é muito interessante mas é tida globalmente como uma cadeira mais complicada) e sofre-se com pelo menos uma cadeira por ano. Alguns alunos dirão que depende do método de ensino do Professor, outros dirão que depende da matéria dada e outros ainda dirão que o Cadeirão X não serve para nada. Portanto leiam isto com uma pitada de sal e não pensem que as cadeiras vão todas meter medo. Por exemplo, enquanto a maioria dos meus colegas se queixavam da Filosofia e Ciência Política lá estava eu toda contente quando tinha essa cadeira. E depois acontecia o contrário com outra cadeira qualquer. Filósofos sofrem! 

Mas desengane-se quem acha que este meu discurso é pessimista porque não podiam estar mais longe da verdade! A verdade é esta: quem passa pelo curso apaixona-se. Conheci muitos alunos – de anos superiores, do meu ano, finalistas, caloiros – e não há ninguém que tenha acabado o curso sem se ter apaixonado por Filosofia. 

Filosofia não é só Sócrates e Platão, não é só Nietzsche e o seu famoso niilismo. Filosofia é abrir a mente e ver para além daquilo que existe. Filosofia é aprender a dizer que eu e mais outra pessoa podemos comer o mesmo rebuçado com sabor a morango, mas nunca vamos saber se o sabor a morango que a outra pessoa está a sentir é o mesmo que nós sentimos, por muito que achemos que sim. Filosofia é deixar o conceito de deus como homem barbudo de lado e começar a pensar em deus como um conceito completamente diferente que nada tem a ver com os sete pecados mortais. Filosofia é estudar filósofos dos quais nunca ouvimos falar, aprender que estética não é só um sentido de decoração, e aprender a escrever Wittgenstein e Kierkegaard sem nos enganarmos. Filosofia é aprender apenas porque o prazer de aprender é tão grande que não conseguimos pensar noutra forma de viver que não a busca incansável do conhecimento pelo conhecimento em si. Filosofia é aceitar que podemos não sair do curso com seguranças de trabalho, mas saímos com a segurança de que aprendemos a aprender melhor. 

Filosofia é linda, poética e eterna, e como pessoa não podia estar mais satisfeita por tudo aquilo que Filosofia me ensinou. Qualquer pessoa que tenha passado pelo curso vos dirá o mesmo. Se vale a pena tirar este curso com o objectivo de empregabilidade? Depende muito daquilo que querem fazer da vida. Se o vosso futuro for em política, jornalismo, religião e questões éticas, então este curso providenciar-vos-á com fundações extremamente fortes mas deverá ser complementado com outro curso mais direccionado para a área da futura profissão. Se vale a pena tirar o curso com o objectivo de expansão da mente, do saber e de melhorar a vossa maneira de ser e estar? Sim, sim, mil vezes sim. A Filosofia ficará sempre convosco e tornar-se-ão bichinhos do saber. E saber sabe tão bem!"

!m!

Casey, Ex-Aluna da Licenciatura em Filosofia na Universidade do Porto.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Casey irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]


As reportagens sobre o Holocausto arrepiam-me sempre. Sempre.

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Direito

"Começo por vos dizer que, ao contrário do que fui lendo nesta rubrica, o curso de Direito não me apaixonou nem me deu o suficiente para eu sentir que devo prosseguir estudos aqui – mas cada caso é um caso, e eu quero fornecer-vos a informação mais verdadeira possível para que possam, se for caso disso, fazer uma escolha racional ou apenas ganhar alguma perspetiva quanto ao curso. Vou também ser o mais sucinta possível, porque se há coisa que nós temos dificuldade em Direito é em resumir e saber ao certo o que escrever (é por isso que quando pegam num livro de um estudante de Direito está tudo sublinhado – é tudo importante!).

Direito nunca foi o meu sonho. Nunca sonhei em ser advogada ou juíza (porque, para muitos, estas são as duas únicas profissões ligadas ao curso) mas, na decisiva altura do verão do 12º ano, pareceu-me o melhor caminho para mais tarde, eu poder ir de encontro àquilo que realmente queria e decidi arriscar. Há momentos em que ou nos atiramos de cabeça e agarramos as nossas decisões ou ficamos, para sempre, na nossa zona de conforto agarrados ao “e se...”. O meu conselho é: arrisquem.

O primeiro ano de Direito é muito geral em termos de unidades curriculares. Em todos os anos, irão ter 5 cadeiras por semestre a valer exatamente os mesmos créditos (6 cada) e tenham em atenção que são quatro anos de licenciatura, sem mestrado integrado. Caso queiram seguir advocacia ou mesmo magistratura, precisam do mestrado.

Eu escolhi a Faculdade do Porto por ser na minha cidade e por sabe que a UP tem o devido valor e prestígio. Se a FDUC é melhor? Não vos sei dizer. Que têm unidades curriculares diferentes, têm. De resto, não posso falar.

No 1ºano vão receber as bases necessárias: de um semestre para o outro, apenas uma cadeira muda, às restantes quatro acrescenta-se apenas o “II“. História do Direito (I e II) - onde vão regressar há muitos, muitos séculos atrás e descobrir como nasceu o direito com o Direito Romano, como se formou Portugal, etc; Direito Constitucional (I e II) – onde perceberão muito melhor o que é e como se organiza um estado de direito, a organização interna do poder político, os diferentes tipos de lei...; Economia Política (I e II) – a que talvez se destaque mais, entre todas, por ser de uma área diferente, mas que faz todo o sentido em existir no plano curricular – darão (muito teoricamente, jamais precisarão da calculadora) os fenómenos relativos à economia (macro e micro), o que condiciona a economia, os fatores de produção, políticas de comércio externo, a intervenção do Estado na economia...; Introdução ao Direito (I e II) – para mim, o verdadeiro cadeirão do ano, que é onde surgirão todas aquelas palavras e expressões que por vezes ouvem dizer na televisão mas que nunca percebem e que irão ser obrigados a descodificar. É nesta cadeira que vão ter de se tornar mestres a utilizar a CRP e o Código Civil e a saber aplicá-los e interpretá-los no caso concreto. Para além destas, no 1º semestre, terão Ciência Política (uma cadeira que vos dá uma perspetiva mais atual) e, no 2º semestre, Direito Internacional Público (outra com muitos pormenores a saber sobre as fontes de DI, as relações entre o Direito Internacional e o Direito dos Estados – qual deve prevalecer? - entre outras matérias. Foi nesta cadeira que eu levei quase cinco quilos de legislação para o exame e, se usei dois ou três documentos, foi muito).

Todas as cadeiras são bastante teóricas. Esqueçam lá a História do secundário ou o que tinham de decorar para o exame de Português – este curso exige um treino mental para o qual nem todos estão preparados (é aqui que eu ponho a mão no ar!), pois é realmente à base de saber decorar e, ao mesmo tempo, saber relacionar as matérias e aplicá-las, sendo que muitas vezes vão ler uma questão no exame e pensar “Bom, pode estar a perguntar-me sobre isto… mas aquilo também se insere aqui!” e é aqui que a quantidade de estudo vai ser determinante. Mas também vos conto um segredo: tal como eu referi, é um treino, por isso, mesmo que não estejam habituados, não é impossível. Com esforço e muito tempo de dedicação, conseguirão. Vão acabar por entrar no ritmo e vão descobrir, ao longo ano, as vossas fraquezas, o tempo de preparação de que necessitam realmente e o melhor método de estudo para cada um de vocês. Vão descobrir como se tornar pequenos marrões (em crescimento constante) à vossa maneira. Se há coisa que eu posso agradecer a Direito, é que me deu a conhecer muito melhor a mim mesma, pois foi através dos desafios que fui encarando ao longo do ano que percebi melhor os meus pontos fortes e os não tão fortes assim.

Vão ter de saber gerir muito, muito bem o vosso tempo – pois se durante todo o semestre podem sentir que estão de férias, na altura dos exames vai tornar-se tudo bem mais complicado. Vão ter a matéria de todo o semestre para saber e um exame final por semana (quando não é um exame anual – com a matéria dos dois semestres, normalmente em recurso) e a pressão vai ser muita. Vão ter de saber pesar prioridades e conjugar muito bem tudo o que têm para fazer. Há cafés que vão ter de esperar, amigos de quem vão sentir saudades mas não vão ter tempo para lhes dizer, calor que vos vai gritar para irem à praia, dias em que vão sentir que não aguentam mais. Vão aguentar.

Se estão curiosos quanto à Praxe, digo-vos apenas que não a frequentei mais após a 1ª semana mas, tal como em tudo, se querem realmente ter a vossa opinião certa quanto a frequentá-la ou não, façam como eu: experimentem. Tirem as vossas próprias conclusões fruto da vossa experiência e não pelo que ouvem dizer pois só assim poderão decidir coerentemente. Para mim, não deu. Ouvi muita coisa feia antes de entrar na FDUP relativamente à Praxe, tal como ouvi coisas boas. Se vos disser que numa semana conheci pessoas mais velhas (os famosos doutores) e que alguns deles me inspiraram confiança, eu não vou estar a mentir-vos: e eu nunca falei com eles fora das horas de “sofrimento”. E quando me falam em Praxe, há uma doutora em especial de quem eu me lembro sempre, pela maneira como me tratou e outras coincidências que ficam para mim. Também conheci pessoas que me davam vontade de lhes dar um berro de tão parvas que eram (ou eu já estava cansada, ou elas já estavam cansadas – ou eram mesmo parvas), como acontece em todo o lado para onde vamos. É por isso que digo e repito: experimentar é importante e é a única maneira de formarem a vossa opinião. Eu não frequento, mas respeito-os e defendo quem lá anda porque assim decidiu.

Alguns dos pontos que me levam a não gostar do curso de Direito e a não ter vontade de andar a berrar que Direito é fenomenal têm a ver com a faculdade em si e a maneira como o curso é lecionado e, principalmente, avaliado: extremamente teórico. Não ter feito, num ano letivo, qualquer trabalho, apresentação, pesquisa (ou um teste que fosse) e ter sido avaliada meramente por exames finais – cuja nota do exame é a vossa nota da cadeira em questão – foi demais. Dei por mim a pensar “qual é o objetivo disto? Eu ando aqui para decorar matéria e vomitá-la nos exames, no final do semestre? Não há mesmo mais nada que eu possa fazer para aproveitar as minhas capacidades? Porque é que não me sinto confortável aqui? Porque é que isto não me interessa minimamente?”

Mas a verdade é só uma: estejam em Direito, Engenharia, História ou Saúde, vai sempre haver dificuldades. A questão é informarem-se muito bem e terem a noção de que, muito provavelmente, vão haver coisas de que não estavam à espera. Vão ter de se superar. Vão ter de contornar muitos desafios ou não vão sair do sítio – e ninguém quer isso. E o melhor mesmo é arriscar: nunca perdem um ano, pelo contrário, ganham muita coisa. Crescem, conhecem gente interessante, descobrem coisas que pensavam não gostar e que afinal até gostam. E mesmo que se arrependam mais tarde, estão sempre a tempo de mudar (tentem apenas que isso não aconteça no final do curso!)

Quanto a Direito na FDUP, consultem o plano de estudos. Visitem a faculdade (que é bem bonita e deve ser das mais centrais do Porto), falem com pessoas que a frequentam, seja em Direito ou Criminologia, e adquiram diferentes perspetivas. Se é mesmo o que querem, valerá a pena todo o esforço e dedicação e o crescimento que vão notar em vocês mesmos, de um ano para o outro. Não frequentem o curso apenas porque os vossos pais querem ou porque “tem nome e saída garantida porque dá para tudo”. Não frequentem o curso porque tem imenso prestígio porque há professores que aparecem na televisão e a maioria deles tem livros e manuais publicados (isso não garante qualidade, podem ter a certeza). Não frequentem o curso porque não têm faltas a nada e nem precisam de ir às aulas para saber toda a matéria. Dei-vos a minha perspetiva enquanto estudante do 1ºano. Findo isto, sigam o que realmente querem e quaisquer dúvidas, estou disponível para as esclarecer."

😊

Mariana, Aluna do Primeiro Ano da Licenciatura em Direito na Universidade do Porto.

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Tenho andado ansiosa, sem conseguir dormir. Será que o meu cérebro não compreende que estou de férias?!

LIVRO | The Fashion Book

O mundo da moda contado através das pessoas que o tornam naquilo que ele é. De A a Z. Inspirações. Um livro de consulta que nos oferece informação infinita sobre os grandes nomes do sector, de modelos a fotógrafos passando por editores, criadores, marcas, jornalistas, estilistas e ícones. O meu Hulk mode gosta muito e penso que é um livro que faz as delícias dos apreciadores desta arte.

A minha forma favorita de descobrir cada uma das personagens? Seleccionar uma página de forma aleatória e absorver a História de quem a protagoniza. Adoro perder-me entre pessoas que me inspiram, curiosidades, pessoas que não conhecia e fotografias absolutamente maravilhosas que retratam cada uma delas. De vez em quando faço-o. E fico sempre a saber mais sobre as pessoas que eu pensava que já conhecia. O livro está escrito em inglês mas tem uma linguagem muito acessível e é absolutamente maravilhoso nos dias em que a inspiração me falha.



O mundo divide-se entre as pessoas que preferem praia e as que gostam mais de piscina.

VIDA ACADÉMICA | Vamos lá desmistificar o meu curso.

Duas das maiores confusões no mundo académico do Turismo são 1) a não diferenciação de cursos com nomes semelhantes e 2) a existência de cursos profissionais em áreas que se sobrepõem. E isso interfere nas escolhas dos alunos que não pesquisam aprofundadamente sobre o assunto, desvaloriza o sector e interfere também na afirmação do curso em Portugal uma vez que a sociedade em geral ainda não reconhece a importância do Turismo para a economia, para a comunidade e para a evolução do país. Para lá caminhamos.

A verdade é que não é necessário um curso superior para trabalhar em Turismo. Não é e é exactamente isso que descredibiliza a área. Servir às mesas num restaurante, fazer as camas num hotel, trabalhar no balcão do bar da praia, abrir uma loja de souvenirs, conduzir uma camioneta de transporte de passageiros... Tudo isso é Turismo. E pode não ser necessário um curso superior para trabalhar num hotel e progredir na carreira ou para desempenhar o papel de guia turístico num museu - concordo plenamente! - mas uma licenciatura na área é inegavelmente uma vantagem se preferirmos trabalhar no backstage, na promoção, nas estratégias de investimento, na política, na economia, na gestão, no marketing, na comunicação, na imagem do destino e por aí além. É uma vantagem se quisermos ir mais longe, se quisermos uma formação multidisciplinar. Garanto-vos: não há nenhum destino - nenhum! - que sobreviva se não houver uma base forte a suportar as profissões que contactam directamente com o turista e é isso que muitas vezes falha no nosso país (e noutros também). O Turismo, quer gostem quer não, vive da imagem que é passada ao consumidor e das políticas que o gerem; o curso profissional - com equivalência ao ensino secundário - é perfeito para quem pretende seguir a vertente da hotelaria ou da animação turística, por exemplo, mas não basta para quem tem intenção de enveredar pela parte mais teórica do sector.

Existem várias licenciaturas dentro da área do Turismo - "Turismo, Lazer e Património", "Hotelaria e Restauração", "Turismo e Hotelaria", "Gestão de Actividades Turísticas", "Turismo", "Informação Turística", "Produção Alimentar em Restauração", "Gestão do Lazer e da Animação Turística", "Gestão Turística", "Direcção e Gestão Hoteleira" (...) - mas todas são diferentes e todas nos direccionam para áreas distintas. Os planos curriculares são normalmente feitos à medida da sua instituição e região e no nosso país não existem dois cursos iguais mesmo que tenham o mesmo nome. O truque reside exactamente em avaliar unidades curriculares (cadeiras; disciplinas) e fazer comparações. Foi assim que cheguei à minha decisão final de consciência tranquila e totalmente informada. Acreditem: não havia nada que eu não soubesse sobre estes cursos - tanto na Pública como na Privada - quando fiz a minha candidatura.

Estive indecisa até ao último momento entre Ciências da Comunicação e Turismo mas achei que, se escolhesse Turismo - que era o que fazia o meu coração bater mais forte naquela altura - podia perfeitamente aliar as duas áreas se assim desejasse mais tarde. E não me enganei. Quando finalmente optei por Turismo e avaliei os planos curriculares de TODAS as instituições que tinham o curso que eu pretendia, escolhi a Universidade Católica Portuguesa em Braga por dois motivos: 1) plano curricular e 2) proximidade. Quero - ou pelo menos penso que quero - enveredar pela parte comunicativa e promotora do Turismo e sinto que o meu curso, na UCP, me preenche nesse sentido. Foram essas as cadeiras que pesaram mais na minha balança na hora da decisão apesar de, nessa altura, ainda não ter ideia do que seria mais indicado para mim.

Outro ponto essencial para mim foi a existência de um estágio no plano curricular. Nem todas as instituições permitem aos alunos um semestre de estágio e esta, para mim, foi uma razão de peso. Fugi a cadeiras de Museologia e Património doutras instituições e abracei a oportunidade de poder estagiar em qualquer vertente do Turismo à minha escolha (a Universidade tem protocolos com várias entidades desde Câmaras Municipais a hotéis mas nós podemos escolher o local onde pretendemos estagiar desde que o nosso estágio seja aceite por ambas as partes).

Se é tudo bom aos olhos de toda a gente? Não. Na minha turma há muita gente desiludida e arrependida com a licenciatura que escolheu e penso que isto se deve aos objectivos profissionais de cada um. Como as minhas metas nunca passaram pelas áreas de contacto directo com o turista, o curso da Universidade Católica Portuguesa preenche-me completamente e é adequado àquilo que eu pretendo. Tive apenas uma cadeira desnecessária - inglês (que foi demasiado básica e ridícula por causa do desnível entre elementos da turma) - mas, de resto, não tenho nada de muito grave a dizer. Reconheci algumas falhas ao longo destes dois anos mas as minhas queixas foram ouvidas, tidas em conta e resolvidas de forma quase imediata pelos professores e coordenadores de curso (coisa que eu, honestamente, não esperava). Bónus.

Se o meu curso me forma para ser guia turística? Se me dá ferramentas para trabalhar numa Agência de Viagens ou para construir uma carreira no âmbito da Hotelaria? Parcialmente se me limitar às unidades curriculares e totalmente se optar por realizar o meu estágio numa dessas áreas. Se me forma - pelo menos teoricamente - para a comunicação/promoção turística, a administração, a gestão e afins? Sem dúvida.

A Licenciatura em Turismo da UCP é preferencialmente direccionada para quem pretende perceber o funcionamento e desenvolvimento do Turismo nas suas diversas vertentes (da Economia ao Marketing, do Direito às Tecnologias da Informação e da Comunicação, da Política à Cultura, da Gestão à História, das Operações Turísticas à Organização de Eventos ou à Psicologia e por aí em diante através de cadeiras versáteis, diversificadas e complementares). Não é um curso prático mas não desilude porque a pessoa que o escolhe conscientemente não espera que ele o seja. O meu curso não se limita ao contacto directo com o turista e forma-me num sentido mais teórico, mais estratégico, mais administrativo. E se vocês pretendem algo mais prático ou se têm a vossa profissão bem idealizada no âmbito das visitas guiadas, da hotelaria ou da restauração, eu recomendo-vos com sinceridade outras instituições.

Estudo numa Faculdade pequena onde os professores sabem quem nós somos e ouvem as nossas sugestões, onde temos turmas reduzidas que permitem debates e participações diárias nas aulas e onde convivemos num ambiente muito mais familiar onde é possível estar sentada na esplanada do bar ao lado de professores, funcionários e alunos doutros cursos. Existe Praxe, sim, mas ninguém é excluído de nenhuma actividade de convívio se escolher não fazer parte das actividades praxísticas. Há tunas, há associativismo jovem, há cadeiras para fazer, noites académicas, exames e propinas, como em todo o lado.

Tive dúvidas muitas vezes ao longo destes dois anos. Não sei se é normal ou se sou só eu e a minha incapacidade de idealizar o futuro. O que é certo é que compreendi os objectivos do curso depois de um ano bastante difícil e finalmente consegui começar a delinear o meu lugar. Não sei o que o futuro me reserva, não sei se irei realmente ter uma profissão no Turismo. O que eu sei é que a licenciatura me tem trazido conhecimentos valiosos nas áreas que mais me interessam - dentro e fora do Turismo. Ao contrário de alguns dos meus colegas, eu não me arrependo de ter escolhido a UCP nem me arrependo de ter escolhido Turismo. E, num ápice, estou prestes a entrar no terceiro ano. Carolina Finalista?! Como assim?!

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Coisas boas desta vida: estradas sem trânsito.

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Criminologia

"Se há uns 4 anos atrás me perguntassem o que queria seguir quando entrasse para a faculdade possivelmente responder-vos-ia algo que estivesse relacionado com saúde, com a prestação de cuidados e apoio ao utente. A ver bem as coisas fazia todo o sentido, não fosse eu estar no curso de Ciências e Tecnologias onde mais de 80% das pessoas opta preferencialmente pela área da Saúde ou então pela área da Engenharia. Bem, esta última nunca foi opção, tendo em conta que Matemática nunca foi o meu forte. 

Sabem aquelas sessões de orientação que as escolas oferecem, para ajudar os alunos ainda indecisos a encontrar o seu rumo para ingressar no Ensino Superior? Se no início achava um máximo porque me iria dar luzes daquilo que realmente queria, logo na segunda sessão percebi que aquilo era um “frete” e que em nada me estava a ajudar. 

Posto isto, tive que me fazer ao caminho e tomar por mim própria atitudes que me pudessem de algum modo orientar. Aqui entra a minha vizinha. O que não vale ter uma boa vizinha!! Thanks, God!! Esta estava a terminar o Mestrado em Psicologia Jurídica quando a minha mãe se lembrou de falar com ela (a minha mãe estava realmente apavorada por eu não me decidir), para que me pudesse de um modo geral elucidar um pouco mais sobre o Ensino Superior, mais especificamente na Universidade em que ela andava, que era a Universidade Fernando Pessoa. Trouxe-me um panfleto com todos os cursos disponíveis na faculdade e falou-me um pouco sobre eles. 

E é a partir daqui que eu digo “Say yes to the Criminology”, “Porto, aqui vou eu”, “Universidade Fernando Pessoa, Hi”. Era o curso que juntava o meu gosto pelas biologias e afastava o meu pavor às matemáticas. Tinha um leque muito vasto de unidades curriculares diferentes mas ao mesmo tempo complementares. 

Afastem completamente a ideia de que isto é o CSI, que vão andar de lupa na mão e com saquinhos de plástico sempre nos bolsos para recolher provas. A Criminologia consegue juntar o melhor de três mundos, como eu costumo dizer: o Direito, a Psicologia e a Biologia. Três áreas que se completam, e bem, neste curso e que me proporcionaram saber mais sobre o fenómeno do crime, quem o comete e como alcançar medidas para o combater. 

Embora soubesse à partida todos os "contra" deste curso decidi arriscar, e que bem que fiz. Se no primeiro ano ainda me deixava ficar quando insultavam, literalmente, o meu curso, no segundo ano o caso mudou de figura. Defendo com muito orgulho o curso que eu escolhi, pois acredito, e sei, o quão vantajoso ele é. É mais fácil apontar o dedo e dizer que tenho carimbo certo no desemprego. Eu prefiro simplesmente não pensar assim. Tenho os mesmos direitos que qualquer outro profissional de outra área na sociedade trabalhadora. Quero ser inovadora e empreendedora. 

Ah, e não pensem que não têm que estudar só porque é um curso feito numa universidade privada. Esqueçam lá isso. Perdi muitas noites de bons sonhos para estudar… Hoje posso dizer que estou realizada e muito satisfeita com aquilo que estudei, e sempre recomendarei o meu curso, por mais que o tentem inferiorizar."


Daniela, Aluna do Terceiro Ano da Licenciatura em Criminologia na Universidade Fernando Pessoa.

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pretaportre:

Kelly Framel and friend Erin party in New York, unintentionally showing up matching-but-not. │ via the Glamourai

O mundo divide-se entre as pessoas que dizem "palpites" e as que dizem "bitaites".

ROSTO | Protector Solar da Piz Buin

Quando o sol começa a aparecer com maior intensidade e as temperaturas sobem, troco o meu creme hidratante diário de rosto pelo protector solar. Não aplico o SPF 50+ como acontece quando vou para a praia ou quando me estendo ao sol mas aposto no SPF 30 porque a minha pele de lula adoentada merece protecção. 

No Verão passado, o meu protector solar diário foi este da Piz Buin, que combina protecção, hidratação, fluidez e aroma. É facilmente absorvido - o que significa que não fica pegajoso e, se quiser, posso maquilhar-me de imediato -, tem uma textura simpática para as carteiras - uma vez que uma pequena quantidade chega para cobrir facilmente todo o rosto - e possui um cheirinho maravilhoso tão típico da Piz Buin.

Mesmo sem pisarmos a areia, a nossa pele deve andar protegida, correcto? Este creme de 50Ml pode ser encontrado em farmácias, parafarmácias e hipermercados por valores que variam entre 12€ e 14€.

walkingthruafog:

Couture joy

Alguma viagem programada para este Verão?

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Medicina

"Quando naqueles dias em Agosto me candidatei à faculdade, eu pouco sabia o que queria para a minha vida. Por acaso tinha uma boa média, os exames tinham corrido bem, podia escolher quase tudo, que entraria. Não fui como aquelas pessoas que dizem que desde que se conhecem que querem ser médicas; o meu amor pela Medicina foi-se construindo. Não foi amor à primeira vista, muito pelo contrário. 

Se calhar, tal como vocês que se vão candidatar agora, naquela altura eu pouco sabia do curso de Medicina. Sabia que seria médica ao fim de 6 anos e pouco mais e sabia que gostava de ir para Coimbra.

Sou suspeita claro. Coimbra é das melhores (e das piores ao mesmo tempo) cidades para se estudar. Tem tradições que mais nenhuma cidade tem, é literalmente a cidade dos estudantes, é vê-la tornar-se uma calmia imensa no fim-de-semana e em Agosto e tornar-se um mar de capas negras em Maio na semana da Queima das Fitas. E quando se escolhe o curso a candidatar, além da qualidade do curso em questão, é muito importante o ambiente em que se quer estar. É uma época difícil, em que de repente se vêem com responsabilidades que até então não tinham. Aconselho sempre a saírem de casa; é uma óptima altura para se tornarem “um bocadinho mais crescidos”. Talvez os vossos pais não gostem desta minha ideia, mas quando vos virem a crescer vão perceber o que estou a dizer. 

Posto isto, começo por vos falar de Medicina. São 6 anos de Mestrado Integrado, 3 anos de Ciências Básicas da Saúde (anatomias, biologias, fisiologias), 2 anos de especialidades médicas (a maioria do que se lembrarem) e 1 ano de estágio inteiro. No fim dos 6 anos têm um exame de admissão à Ordem dos Médicos, caso queiram exercer em Portugal. Depois vem o Ano Comum (até agora é assim) e depois vem a especialização, que podem ser de 4 a 6 anos consoante a especialidade que queiram. Por isso, sim, Medicina é difícil e exige muito de nós, muitos sacrifícios, muitas festas perdidas, muitas noites mal dormidas, muita matéria, muitos exames. Mas eu gosto de pensar que todos os cursos têm a sua dificuldade e o meu é mais um neste mundo da Universidade. 

Agora que passou a parte má, vou-vos explicar tudo aquilo que me fez continuar. Se gostam de chegar ao fim do dia e perceber que a vossa actuação mudou de alguma forma a vida de uma pessoa que estava doente, se gostam da interacção humana, de trabalhar em equipa e de perceber como funciona o corpo humano e depois como se adoece, venham. Tenho todo o gosto em ver os novos caloirinhos a cada ano! A Medicina tem múltiplas vertentes, desde a mais ínfima molécula, a célula, o órgão, o sistema, até à pessoa e todo o ambiente que a rodeia. Vocês têm possibilidades em cada parte que vos disse. Apesar de ser difícil, existe muito boa investigação médica em Portugal. Têm as especialidades generalistas se quiserem ver a pessoa como um todo, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Pediatria (caso gostem de criancinhas), têm as especialidades médicas (imensas; desde Gastroenterologia a Hematologia, Nefrologia,…), as especialidades cirúrgicas (Cirurgia Geral, Oftalmologia, Ginecologia e Obstetrícia,…), as especialidades quase só diagnósticas (Radiologia, Anatomia Patológica) e as especialidades mais da comunidade (Saúde Pública, Medicina Legal), entre outras. Por isso sim, no fim de contas somos médicos mas podemos ser muito mais do que Médicos. 

Emprego. Infelizmente em Portugal começa a ser uma área difícil, por muito que achem que não. Mas não está fácil em quase todas as áreas, e quando gostamos do que fazemos e somos felizes, vamos à luta nem que seja do outro lado do mundo. A vida como médico é intensa, tens muitas vezes a vida do doente nas mãos, muitos doentes que dependem (um pouquinho ou muito) de ti, és tu que lhes dás esperança, sem dar falsas realidades. Muitos doentes não percebem o esforço que estás a fazer por eles, noites mal dormidas, urgências a abarrotar, consultas em tempo mínimo. É muito difícil ver os doentes assim e muitos nem fazem nada daquilo que vocês lhes dizem. Mas eu continuo a achar que é das profissões mais nobres do mundo e, hoje, não trocaria o meu curso."

Meredith💙💜

Bárbara Marques, Aluna do Quinto Ano do Mestrado Integrado em Medicina na Universidade de Coimbra.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Bárbara irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

Outra perspectiva sobre Medicina: AQUI
Braids

É quando vejo tutoriais de "maquilhagem natural" que concluo que não percebo nada de maquilhagem. 30 mil produtos para quê?!

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Ciências da Comunicação

"Visto que na blogosfera sou uma “ilustre desconhecida”, convém dizer que o meu nome é Sara e tenho 19 anos. Acabei este mês o segundo ano no curso de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho e, se tudo correr bem, para o ano, por esta altura, estarei licenciada (será caso para dizer yey ou glup?). 

Para mim a escolha do curso não foi nada fácil. A média não era problema e estive na dúvida entre Direito e Ciências da Comunicação durante imenso tempo. Por fim, acho que tomei o caminho mais certo e inscrevi-me em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. Até agora não me arrependo. Sou de Braga e o meu curso - diz-se por aí - é dos melhores do país. 

Se Ciências da Comunicação na UM é o melhor curso de comunicação do país, não vos sei dizer, simplesmente porque não conheço os outros. O que eu sei é que gosto muito do meu curso. Exceto, claro, quando tenho uma pilha de trabalhos para entregar. É que em qualquer semestre, depois do início, é praticamente impossível encontrar uma semana sem um teste ou um trabalho para entregar ou apresentar. Se estão a pensar seguir esta licenciatura porque é fácil – como se vai ouvindo - não o façam. Não vou dizer que é um curso difícil, mas é extremamente trabalhoso e, se não gostarem da área, vão sentir-se muito mal. 

O primeiro semestre do primeiro ano é, apesar das mudanças, o mais leve e acreditem que, na altura, não pensei vir a dizer isto! Os dois semestres seguintes já apertam bastante mais connosco, uma vez que para além das cadeiras teóricas normais, começamos a ter o Atelier de Comunicação e Informação. E o que é isso? – perguntam vocês. Pois, o Atelier é uma única unidade curricular mais prática, dividida em três módulos e que, assim, consiste basicamente em três cadeiras. Cada módulo corresponde a uma das áreas da Comunicação: Jornalismo e Informação, Publicidade e Relações Públicas, e Audiovisual e Multimédia. Mas não se preocupem, futuros caloiros que possam estar por aí, que a partir do próximo ano letivo, cada módulo será uma cadeira individual, o que, parecendo que não, ajudará a equilibrarem as coisas. Agradeçam aos alunos mais antigos que sempre se queixaram deste e outros factos, levando a uma boa reestruturação do curso a entrar em vigor em 2015/2016, sim? 

Depois, a meio do curso, vem a altura ansiada pela maioria: a altura em que podemos (e temos) de escolher a área da Comunicação em que nos queremos especializar. Para mim, essa parte não foi muito divertida! O stresse tomou conta de mim por uns dias, mas lá me decidi pelo jornalismo. Embora tenha tomado essa decisão, podia igualmente ter optado pela Publicidade e Relações Públicas, porque é também uma área da qual eu gosto mesmo muito. A opção pelo jornalismo ficou a dever-se a paixões mais antigas e também ao facto de, na minha opinião, ser essa a área que mais nos consegue preparar para sermos versáteis no futuro. 

Seguindo a especialização de jornalismo, somos obrigados a escrever bem, a saber ouvir, ver e falar – num sentido mais profundo, claro -, somos obrigados a lidar com vários tipos de software e ainda com gravadores e câmaras de filmar. Durante o 2º semestre do 2º ano e 1º do 3º ano, aprendemos como fazer jornalismo para imprensa, rádio, televisão e web. Ou seja, é como digo, somos obrigados a adaptar-nos e a ser versáteis, algo que me parece que será muito útil no mercado de trabalho, ainda que não trabalhe em jornalismo ou até numa das áreas da Comunicação. 

Não sei o que o futuro me reserva. Não sei sequer se quero mesmo ser jornalista. Gosto muito da área e do trabalho que faço. Mas, lá está, não sei mesmo o que futuro me reserva. Se tudo correr bem, daqui a um ano, estarei licenciada não em jornalismo, mas em Ciências da Comunicação, o que significa que posso vir a trabalhar em qualquer uma das três áreas. Potenciais futuros colegas, nunca se esqueçam que o curso de Ciências da Comunicação, mesmo com a especialização, vos torna aptos, pelo menos teoricamente, para trabalharem em jornalismo, publicidade e audiovisual. É, portanto, um curso com saídas diversas. Mesmo que entrem a pensar seguir determinada especialização, preparem-se para uma possível mudança de ideias. Aconteceu com amigos meus. E preparem-se também para muito estudo e trabalho, independentemente da área que escolherem. Contem com teoria e prática. Não vão escapar a muita Sociologia, a alguma Psicologia e a imensas teorias de toda a ordem. Nem vão escapar-se de se aventurarem um pouco pelo teatro, de fazer uma curta-metragem e de escrever alguns relatórios, análises críticas e notícias. A vossa criatividade será posta à prova, assim como a vossa capacidade de trabalhar sobre pressão. E, como não podia deixar de ser, não se vão escapar a muitas horas em frente ao computador, a trabalhar em vários softwares da Adobe, que utilizarão para editar som, fotos, vídeos e até para darem alguns passos no Design Gráfico. 

Resumindo e concluindo, se seguirem Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, terão muito trabalho pela frente, mas sairão de lá com uma mente mais aberta e uma capacidade de adaptação muito maior que a maioria das outras pessoas. Isto, claro, se se deixarem envolver pela área e se prestarem atenção a alguns dos professores fantásticos que há para encontrar por lá."

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Sara, Aluna do Segundo Ano da Licenciatura em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Sara irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]
💋й яа сакам❤️

Amor é, até certo ponto, aguentar as semanas infernais e as distâncias destrutivas.

TEMPO DE ANTENA | O Anonimato das Cidades

"Aquilo que mais gosto de ver quando viajo são cidades. Entre prédios que dão tonturas só de olhar para cima, estradas infindáveis e turistas até mais não. Mas o que realmente me dá prazer nas cidades é o anonimato. É incrível como sou capaz de ficar horas a fio a ver pessoas passar. Gosto de reparar naquilo que envergam, a forma de andar (que pode dizer muito da pessoa!) e nos pequenos pormenores. Gosto do facto de essas pessoas para mim serem anónimas e é raríssima a vez em que o deixam de ser. É impressionante e pergunto-me muitas vezes se os mil e um olhos alheios por vezes se fixam em mim e nas minhas acções. 

É incrível como num só espaço, há tanta gente diferente, que veste roupa diferente, que pensa de maneira diferente e que nos fixa com maneiras tão próprias e tão pouco comuns. Gosto de interpretar o gesto de agarrar num gadget, de olhar para um ecrã ou de simplesmente olhar para uma montra. É algo em que reparo muito e é estranhamente engraçado tentar adivinhar a história das pessoas. "Será que é um turista que se perdeu?" "Esta aqui parece da alta sociedade, mas se calhar é da baixa e tenta passar pela alta!". 

É igualmente incrível como tenho tempo para isto. Para procurar pormenores imperceptíveis aos olhos dos apressados e dos menos atentos. Um simples agarrar numa chávena ou o gesto de ajeitar o cabelo diz tanto das pessoas e ainda bem que tenho tempo para isto enquanto descanso de uma longa caminhada ou numa paragem num café para refrescar. O anonimato das cidades fascina-me porque gosto de tentar conhecer o desconhecido que jamais irei conhecer."


Leonor, Dancing Shoes.

Coisas boas desta vida: metorologia compatível com os nossos planos.

MÚSICA | David Fonseca em Braga

Já o tinha visto três vezes a solo e uma no fabuloso concerto dos Silence 4 mas ontem a oportunidade de ver o David Fonseca ao vivo teve um gostinho diferente por ter chegado em jeito de promessa imediatamente a seguir ao maravilhoso fogo-de-artifício de São João e num lugar privilegiado na primeira fila a poucos metros do artista. Nunca digo que não a uma oportunidade destas e a cada concerto gosto (ainda) mais um bocadinho do David. Tem uma energia fabulosa em palco, consegue cativar vários tipos de público e não desilude nunca. É a prova que em Portugal também temos bons artistas. Muito bom concerto. Muito bom mesmo!


Fotografia: Gonçalo Delgado | WAPA

O mundo divide-se entre as pessoas que comem a fatia de pizza toda e as que só comem a parte que contém os ingredientes.

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Medicina

"Eu sabia que queria isto. E eu queria-o tanto. Não porque os meus pais mo impingiram. Não porque tinha boas notas. E muito menos porque um dia ia ser a Sr.ª Dra.ª . Eu sentia-o. Acho que até, de certa forma, habituei-me à ideia de o querer. Sonho? Sim. Acho que lhe posso chamar isso, ainda que pareça um cliché dizê-lo. E assim que entrem em Medicina, vão perceber que este vosso sonho que vocês acham tão especial e tão próprio de vocês era afinal o sonho de centenas. 

E então, porquê Medicina Inês? Tinha uns cinco aninhos quando comecei a dizer à minha mãe que quando crescesse queria ser "viriata". Perceba-se a minha tentativa de dizer pediatra. E isto claro, veio depois da vontade de ter a profissão dela. Mas o porquê. Acho sempre esta a pergunta mais difícil de responder. E os meus colegas também hesitam sempre à questão. Na minha opinião, várias são as razões pelas quais as pessoas chegam a este curso. Mas, de uma forma bastante simples, podemos agrupá-las em dois grupos: as que ainda hoje não sabem o porquê de cá estarem e as que foram descobrindo ao longo do curso o seu lugar. Eu insiro-me perfeitamente no segundo. Isto para vos dizer que acredito fortemente que só quando estamos cá, no campo de batalha, é que percebemos o tipo de soldado que queremos ser. Um ano depois sei perfeitamente dizer que estou cá para salvar vidas. Mas incluo a minha. A minha vida vai ser tão bela por e para Medicina. E já começou a sê-lo. Sinto-me a ser observada por mim, de fora, como se de uma personagem de um filme se tratasse. Vejo a Inês de agora mais corajosa, capaz de coisas grandiosas. E no fundo, eu sinto que sempre soube que ela existia. Só a estou a conhecer. 

Expectativa vs Realidade? Começo por confessar que as minhas expectativas sempre foram muito poucas. E tudo isto porque nunca tive um contacto direto com pessoas que frequentavam o curso ou porque nunca me senti informada o suficiente em relação a esta coisa chamada faculdade. E acho que isso é fruto de uma pequena falha do nosso sistema educativo. Sinto que, a partir do momento em que as pessoas entram no secundário - e, por sua vez, a média académica passa a importar muito para o nosso futuro - devem ser aconselhadas, acompanhadas, esclarecidas. Tudo. Porque acredito que muito boa gente está agora desorientada e nem a fórmula de cálculo da média de candidatura devem saber fazer. Eu não sabia. Fui sabendo. Por ter conhecimento desta grande dúvida por parte de algumas pessoas que vieram ter comigo em busca de algum conforto e ajuda recentemente, quero deixar aqui este tópico em pratos limpos: 

Primeiro de tudo, assegurem-se que cada uma das três provas de ingresso necessárias à candidatura deste curso - Física e Química A, Biologia e Geologia e Matemática A - têm uma nota igual ou superior a 14 valores. Só com este parâmetro estabelecido é que se podem candidatar a Medicina.

Como fazer então o cálculo da tal média que ouvem falar há anos? É bastante simples. O cálculo vai ser dividido numa nota de frequência (50%) e numa nota de provas de ingresso (50%). 

Valor dado pela nota de frequência: Aquilo que andaram a fazer durante estes três anos de ensino secundário - 10º, 11º e 12º - vai ter um peso de 50% na vossa nota final. Ou seja, quando saírem as primeiras pautas com as notas das vossas disciplinas - nota de frequência - vocês vão calcular a média dessa pauta e imaginando que têm 19 valores de secundário, vão multiplicá-lo por 0.5. É de acrescentar que estas notas de frequência final já assumem as modificações feitas pelos vossos exames, ou seja já aqui têm a nota com os 70% de nota final da disciplina (esta dada pelo professor) e os 30% da prova de ingresso (nota específica que obtiveram no exame nacional). 

Valor dado pela nota de prova de ingresso: Esta não podia ser mais fácil de calcularem. É só fazerem a média dos 3 exames necessários que realizaram - FQA, Bio e Geo e MatA - e imaginando que ficam com uma média de 17 valores de exames nacionais é só multiplicarem novamente por 0.5. Neste momento têm dois valores. Agora é só somarem. (19 x 0.5) + (17 x 0.5) = 9.5 + 8.5 = 18 valores. E voilà, ficam com a vossa média calculada para saberem exatamente que números ocupam tantos anos de esforço. Se eu acho esta forma de ingressar em Medicina justa ou não, dava treta suficiente para um debate! Mas vamos focar-nos no tópico. 

A candidatura. À parte da fórmula de cálculo que penso já ter sido bem esmiuçada, quero que vocês estejam preparados mentalmente para o dia da candidatura. Saibam que têm seis opções. E essas seis opções devem ser uma das vossas preocupações. O conselho que eu posso dar a quem tem uma média segura, como por exemplo 18 valores, é que se candidate a todas as faculdades de Medicina. Começando na que tem maior média ou até focando-se numa que goste mesmo, por já saber como funciona ou por questões de proximidade de residência. Mas tudo isto depende da vossa vida, das vossas vontades para esta coisa que aí vem chamada faculdade. Se querem estar perto, longe, numa faculdade com maior média ou numa com melhores referências. Pensem muito sobre isto, porque vale a pena. 

Para aquelas pessoas que calcularam a média e viram que esta pouco foge do 17, não se apoquentem. Há um ano atrás, eu estava nessa situação e hoje estou aqui e eu não sou mais do que tu que aí me lês, nem tão pouco sou o exemplo da perfeição. Não. Por isso, deixem de pensar que não vão conseguir só porque o colega da sala ao lado tem uma média espetacular e vos vai roubar o lugar na universidade x. Não. Dispam-se de comparações e vivam a vossa vida. Encarem isto como o vosso bebezinho. É esta a vossa média, é esta a vossa vontade e esta é a vossa candidatura. E pensem: alguém já esteve no meu lugar e talvez com uma média pior que a minha, então porque é que eu terei de ser o infeliz que não vai conseguir? Metam isto na cabeça. Eu andei com umas ansiedades evitáveis na altura, mas recusei-me a comparações e a angústias de: Eu não sei o que fazer se não conseguir entrar em Medicina. Eliminem estes discursos da vossa vida, já. 

Lembrem-se que vocês são muito mais do que um curso. E se não entrarem, não o encarem como uma derrota. Se é chato os outros conseguirem "seguir com as suas vidas" e "estarem no curso que querem"? Claro que é! Quase que faz comichão. Irrita. Mas vocês têm a vontade, lembram-se? E se tiverem que ir às segundas fases, se tiverem que fazer 4 exames no 12º, se tiverem que ficar até um ano a estudar para voltar a repetir os exames nacionais, FAÇAM-NO. Uma coisa que eu aprendi é que devemos de deixar de ter pena de nós e começarmos realmente a fazer algo por nós. E se isso significar ter que passar por este tipo de obstáculos, porque não? 

O curso. Depois de uma mini-vida a matarem-se a estudar, eis que surgem as merecidas férias. E que ricas férias! Aproveitem-nas ao máximo. O início do semestre começa em Setembro, encanta em Outubro e começa a doer em fins deste mês! Vão ter um primeiro semestre esgotante, porque o choque é demasiado grande e nenhum dos avisos que tiveram - nem mesmo este de hoje - vos vai servir de preparação para o que aí vem. Mas calma. Respirem. Tudo se faz. As semanas de introdução são o sonho de qualquer pessoa que queira mesmo estar cá e mesmo o daqueles que só querem festa. Se tiverem a boa sorte de entrarem na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, mais vulgarmente conhecida por FMUL, não vão querer mais tirar os pés desta faculdade. Só a distância vos pode separar de uma instituição como aquela, onde somos bem recebidos, onde temos oportunidades fantásticas, como por exemplo o estágio de Verão que estou a ter agora, no final do meu primeiro ano de curso. Em relação ao curso em si, posso dizer que tivemos um pouquinho de tudo. O conteúdo curricular deste primeiro ano foi um pouco generalista sim, mas não demasiado teórico o que, para mim, foi um ponto a favor. 

As cadeiras. Cá, as cadeiras são agrupadas em Módulos. Dentro de cada um destes módulos temos então duas ou, no máximo, três cadeiras. 

No primeiro semestre, Mód.I consistia em Biologia Molecular da Célula e Imunologia; Mód.II agrupava Anatomia I, Bioquímica, Histologia e ainda Farmacologia; e por fim, Mód. III dizia respeito à cadeira "O Médico, a Pessoa e o Doente" (nome criativo, eu sei) e ainda o Tronco Comum, que consistia em duas cadeiras: SBV e Ética, uma prática e a outra teórica, respetivamente. O mais desafiante do primeiro semestre foi definitivamente Anatomia. O resto é, sem dúvida, mais suportável. Anatomia exige demasiado de nós, que acabamos de vir dum mundo chamado secundário. Exige horas de estudo e muita análise de imagem. Se há livro que eu comprei e não me arrependo assim muito é o Netter. Vocês vão-se fartar de ouvir falar nele, de certeza. Mas sim, é muito bom porque é um atlas que vos permite acompanhar a teoria à medida que a vão lendo. Bioquímica acaba por também ser puxada a nível de aula. É quase que um prolongamento da Química que tivemos durante o 12º misturada com metabolismos. Não devem ter assim muitos problemas com a matéria desta, uma vez que já vos é mais familiar. Suporte Básico de Vida foi o primeiro exame prático que fiz e correu bem, apesar da ansiedade pré-teste ter sido horrível e completamente desnecessária. Mas vocês vão aprender a controlar esta ansiedade e, além dela, vão aprender a reanimar alguém, o que acaba por valer muito a pena! A responsabilidade de saber estas coisas também não é nada fácil de gerir inicialmente mas vão acabar por achar o rumo natural das coisas. O primeiro semestre não só é desafiante pelas cadeiras como pela adaptação a esta nova vida. Isto para já não falar da adaptação a uma nova cidade, como foi o meu caso. A novidade choca e faz-nos desesperar um bocado. Mas nada temam! O que não assusta, não vale mesmo a pena, não é verdade? 

No segundo semestre, Mód.I consistia em Genética e Biologia do Desenvolvimento, Mód.II continuou a dizer respeito a Anatomia (II) e a Histologia, tendo também Fisiologia como parte integrante. Por fim, Mód. III agrupava Medicina Preventiva e Bioestatística. O melhor deste semestre foi, sem dúvida, todos nós termos superado o medo da Anatomia. Foi o encarar a coisa de frente. Foi o estudar, dormir e comer melhor. Foi a consolidação da adaptação e o regresso de alguma paz de espírito. Uma vez, disseram- me "O hábito faz coisas incríveis" e a verdade é que é isso mesmo que acontece. Habituarmo-nos a algo assustador, que deixa de o ser. Cadeira mais desafiante: Histologia. A minha preferida deste semestre! Muita gente não acha piada nenhuma a Histo mas sendo eu uma criatura estranha que adora fotografia e tudo o que é conhecimento, é claro que só podia gostar desta cadeira. 

Métodos de estudo. A minha teoria é que não há assim um método milagroso. Todos nós aprendemos com os erros e à medida que se estuda é que se vai elaborando um plano concreto daquilo que se quer fazer para x cadeira. Eu pensava que já tinha o meu método de estudo no secundário - que era fazer resumos e resumos - mas estava enganada. Na faculdade, esqueci os resumos, passei aos esquemas com setinhas, bolinhas e todo o enfeite que possa chamar a atenção de quem os lê. Uma coisa que devem fazer SEMPRE é rever exames de outros anos, porque há sempre uma mínima probabilidade de aparecer pelo menos uma questão à qual já sabem responder. E isto é assim porque em todos os sítios do mundo há um preguiçoso que resolve repetir as coisas. Dá menos trabalho. Percebam o drama. 

O que vão precisar. Sublinhadores! Comprem! De duas cores diferentes, pelo menos. Post-its! Também vão fazer muito jeito para mapearem o estudo. Esqueçam os 4, 5 cadernos, isso já lá vai. Um basta e, mesmo assim, se calhar não o vão terminar num só semestre. Eu tenho um amor platónico por folhas brancas e cadernos pequenotes para apontamentos nas aulas, por isso este foi o único material que comprei para este ano. Uma bata branca! Se tiverem a que usavam em Química em bom estado, porque não a usarem? Se não tiverem, comprem uma na faculdade, mesmo para aquela sensação de estreia de Domingo. Ah e tragam paciência e boa vontade! Ajudam sempre. 

Para finalizar, queria só salientar que isto é apenas uma orientação para o que devem esperar de tudo. É claro que fica sempre muito por dizer mas não vamos entupir aqui o Lucky 13 cheio de recomendações e pormenores. Qualquer dúvida que tenham em relação a uma cadeira em especifico que eu não tenha esclarecido coloquem à vontade que eu estou disponível a esclarecer. Posto isto (agora é que termino mesmo, não desanimem!) queria desejar a todos a maior sorte do mundo. E lembrem-se, nada se consegue sozinho, por isso usem todas as pessoas e coisas que vos despertam para vos manterem focados nesta etapa ou então distraídos dela, na altura das esperas pelos resultados. Este é o momento em que precisam delas, quer no início, no durante e no fim. Medicina é incrível mas faz-nos duvidar das nossas capacidades por vezes, e é nestes momentos de insegurança que precisamos de quem nos conhece e entende bem para nos recolocar no lugar onde merecemos estar. Até para o ano, colegas."

Grey's Anatomy | via Tumblr

Inês, Aluna do Primeiro Ano do Mestrado Integrado em Medicina na Universidade de Lisboa.

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A colecção de praia da Oysho deste ano é tãaaaaao gira! PRECISO daqueles biquínis.

A CAROLINA RESPONDE | 4 Questões

O que preferes: amor ou amizade? Amor. Porque é a evolução da amizade e porque é muito mais puro, genuíno e grandioso tanto na sua vertente romântica como na sua vertente familiar e noutras também. Não há nada mais forte do que o amor e parece-me que a amizade - apesar de incrível - é muito mais fácil de falsificar ou fingir. Não sei. Escolho o amor. Até porque partilho com os meus verdadeiros amigos um sentimento familiar, quase de amor fraternal.

Qual é a meta que está difícil de atingir? Descobrir o meu lugar profissional no mundo. É o meu maior drama neste momento e com um estágio quase à porta (à espera de decisões) é importante resolvê-lo. Tem sido a minha maior guerra porque não sou capaz de me imaginar em nenhuma profissão concreta (estou a fazer progressos, ainda assim) e descobri-lo rapidamente seria como acabar uma maratona em tempo recorde.

Se pudesses, onde estarias a viver? Ao contrário da maior parte das pessoas da minha idade, eu sou perfeitamente feliz onde estou. Para mim, mais importante do que o local são as pessoas e as oportunidades e é aqui que tenho tudo o que me faz feliz por agora. No entanto, gostaria de viver uns meses em Londres, Nova Iorque, Madrid ou Barcelona. São locais onde já fui muito feliz e que gostaria de explorar como residente. Talvez um dia.

Onde é o teu refúgio? No abraço de quem me faz bem. Não há nada que me acalme mais do que um abraço, não há nada que me faça sentir mais segura ou protegida. Desde pequenina que recorro aos abraços quando os dias correm mal ou a felicidade transborda e acho realmente que essa é uma das características que melhor me identificam: os abraços são o meu refúgio.


Nunca vejo ninguém na rua. Sou terrível.

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Design de Moda

"Desde que me lembro de existir que sei que quero ser uma designer de moda. Desde os primeiros desenhos, a primeira vez que peguei num lápis, o primeiro chapinhar da mão em tintas de mil e uma cores que eu sei que quero desenhar roupas e criar o mais próximo que conheço do conceito de magia. Porque a moda e as roupas são isso mesmo: magia. Desde o primeiro traço até ao último corte da linha, criar uma obra prima que vai acompanhar alguém ao longo da vida é um trabalho de uma enorme responsabilidade. Pensem num designer de moda como a fada madrinha da Cinderella: o vestido não tornou a noite do baile inesquecível, mas toda a gente sabe que ajudou. 

A partir do nono ano comecei a investigar estabelecimentos de Ensino Superior em Portugal onde pudesse estudar Design de Moda e, infelizmente, a oferta não é assim tão variada. No entanto, entre as opções existentes (podem encontrar o curso na ESAD, na UBI e outras variantes, como Design e Marketing de Moda, na UMinho), escolhi o curso na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. A hipótese mais difícil de atingir, mais longe de casa e, resumindo, mais assustadora. Mas, um ano depois de aqui estar, continuo a acreditar que é o melhor curso de Design de Moda que arranjam em Portugal. 

Desengane-se quem pensa que Design de Moda é apenas desenhar o que anda pelas passerelles; do meu curso podem sair jornalistas de moda, editores de revistas, stylists, designers de figurinos ou de roupa para videoclips, designers de sapatos, acessórios, professores, designers têxteis... as hipóteses são mais que muitas! É importante ter uma mente aberta, vontade de aprender e um olho atento às oportunidades. Porque também surgem convites para o Modalisboa, feiras de tecidos e trabalhos em bastidores de desfiles de moda e eventos do género. É, de todos os cursos de Design de Moda que conheço em Portugal, aquele que considero ter o plano de estudos mais completo e específico e no primeiro ano de licenciatura podem contar com Desenho, Design de Moda, História da Moda e mais umas quantas cadeiras que certamente trarão algo de novo ao vosso leque de conhecimentos e habilidades. Embora só ainda tenha acabado o primeiro ano, até agora não tive nenhuma cadeira em que sentisse que estava a perder o meu tempo, ou a não aprender algo que possa vir a ser útil no futuro. 

Há professores mais simpáticos e outros que são ossos duros de roer, especialmente em Moda, mas gosto de pensar que tomam essa atitude para nosso bem. Estão ali para nos preparar para um mundo difícil e a verdade é que as minhas aulas muitas vezes parecem um reality show e acabam em lágrimas e dramas, mas é preciso alguma resistência para ouvir comentários excessivamente duros e penso que é melhor criá-la na faculdade para não nos apercebermos de que precisamos dela mais tarde, já no mundo do trabalho. 

O ambiente das aulas na FAUL é muito semelhante ao de uma escola secundária, especialmente se fizermos parte de uma turma pequena; os professores sabem os nomes de toda a gente e dão pela nossa falta se não formos à aula. A própria faculdade tem um ambiente cool e descontraído, toda a gente se dá bem e as praxes são poucas e não existe a mínima pressão relacionada com a vossa opção de participar ou ficar de fora. Ninguém é excluído das actividades e, claro, existem as famosas Tremoçadas uma ou duas vezes por semestre, que são festas feitas lá na faculdade e parecem saídas do filme Projecto X (por boas e más razões!). 

Resumidamente, é um curso específico mas que, em simultâneo, não nos fecha portas. Muito pelo contrário, reúne um leque de conhecimentos que nunca estarão a mais e testa os nossos limites (intelectuais e psicológicos!), a nossa criatividade e a nossa habilidade de nos desenrascarmos em situações mais complicadas. Como, acredito, qualquer curso o faça. É uma excelente opção para todos aqueles que sabem que querem trabalhar no Mundo da Moda e, embora exija esforço e muito trabalho, também nos faz chegar a sítios em que nunca imaginamos estar, faz com que nos surpreendamos a nós mesmos e leva-nos a sonhar ainda mais alto. Isto, claro, com toda a intensidade,   drama e glamour que o Mundo da Moda traz consigo."



A, Aluna do Primeiro Ano da Licenciatura em Design de Moda na Universidade de Lisboa.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A A irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

Hoje é a única noite do ano em que podemos dar marteladas nas pessoas sem sermos julgados por isso. Aproveitem!

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Ciências da Nutrição

"É difícil iniciar um post sobre algo em que passamos a vida a falar, especialmente se formos universitários e passarmos a vida a resmungar e a festejar cada momento académico. Quem lê o Bobby já sabe o meu B.I. académico, estudo Ciências da Nutrição (que não é o mesmo que Nutrição e Dietética, a seu tempo lá chegamos) e frequento (ou acabei de terminar) o 3º de 4 anos de licenciatura na Universidade Lusófona de Lisboa. 

Vamos a esclarecimentos simples, escolhi uma privada porque a única pública para Ciências da Nutrição é no Porto, altamente longínquo de minha casa e preferi a Lusófona porque choco com algumas das particularidades da Egas Moniz e porque se fosse fazer o caminho todo para a Atlântica, mais valia concorrer para o Porto. Ainda dentro da comparação de cadeiras apesar de FCNAUP (Porto) e Lusófona terem quaaaaaaaaase a mesma unidade currícular, houve algumas cadeiras na Lusófona que me apaixonaram por serem únicas (como é o caso de Nutrição e Desporto) e outras no Porto que me fizeram torcer o nariz como Histologia, que em contra balança fizeram-me preferir a Lusófona, perto de casa e com cadeiras que me agarravam a expectativa. 

Falei ali em cima que não é o mesmo que Nutrição e Dietética e este é um assunto que eu sinto que vale (muito!) a pena abordar aqui no Tempo de Antena porque é a questão mais clássica do pessoal que está mais virado para este curso; Qual é a diferença? Porque é que dizes que só há pública no Porto quando há mil faculdades a ter Nutrição e Dietética e vocês fazem todos o mesmo? 

Bom, não é bem assim. Ciências da Nutrição é um curso que existe apenas em Universidades (pública ou privadas) e que vos forma para serem Nutricionistas. Já Nutrição e Dietética apenas existe em Politécnicos e vai formar-vos para serem Dietistas. Os dois supostamente deveriam exercer funções diferentes mas a maior parte das vezes isso não é cumprido e costumam fazer usurpação de funções, portanto, a Ordem dos Nutricionistas este ano já avançou com algumas declarações de que vai passar a haver só uma profissão: Nutricionista, coisa que concordo porque só em Portugal é que há esta distinção de profissões que fazem quase o mesmo. Mas não é de admirar já que esta área tem uma importância muito recente (e uma visibilidade ainda mais recente). Serve este parágrafo para vos avisar de que faz todo o sentido verem bem, se alguma vez quiserem enveredar nesta área, que curso querem e que por vezes ter nomes parecidos pode ser uma rasteira e que não é tudo a mesma coisa! Não tenho a certeza do futuro do curso de Nutrição e Dietética nem o que vão fazer quanto a isso mas se brevemente só houver a profissão de Nutricionista eu creio que a única forma de assim se assumirem é com uma licenciatura em Ciências da Nutrição. Mas aguardemos (ou pelo menos eu vou estar atenta) aos futuros desenvolvimentos. 

Nutrição é um curso que, ao contrário do que a maior parte imagina, tem muitas, muitas áreas. Pensem só que a alimentação é um conceito global que envolve quase tudo à nossa volta. É natural que as pessoas associem a nutrição apenas à clínica (tratar gordinhos, magrinhos, fazer dietas) mas há tantos caminhos pelos quais podemos enveredar... Temos o controlo de qualidade da comida, onde podemos trabalhar em laboratório para garantir que os alimentos têm os ingredientes necessários, ou até experimentar novos alimentos, temos a indústria onde, por exemplo, reformulamos fórmulas de alimentos ou bebidas para algo mais saudável sem perder o sabor ou a qualidade, ou garantir que os alimentos não sofrem qualquer alteração até chegarem às vossas casas. Pode também fazer controlo de rótulos de embalagem. Outra vertente é a Gestão, onde podemos ser gestores de equipas de cozinha, catering, serviços de alimentação e onde fazemos a revisão dos espaços, vemos se os equipamentos têm garantia de que podem funcionar para nos serviços de restauração vocês consumirem os alimentos sem risco e fora de contaminação, ou de contratação de pessoal, ou revisão das ementas e das receitas das ementas, de quanto devem servir no vosso prato, que tipo de molhos, a disposição... Tudo isto é feito por um nutricionista. Também podemos arriscar na área desportiva ou hospitalar clínica ou até mesmo, se quisermos elevar o nível de possibilidades, podemos actuar para companhias aéreas e espaciais. Alguém tem de garantir que a comida do espaço não se estraga nem arruína os nossos astronautas, certo? Não convém que um astronauta ou piloto se sinta mal por causa do almoço, correcto? Quem trata disso? Nós. Existe também uma área mais ligada ao ensino e às comunidades, onde podemos ir a escolas, centros de idosos, clubes desportivos, o que quer que seja, dar palestras sobre nutrição, para quem gostar mais de públicos e desafios ou então a política, onde podemos actuar activamente junto com o ministério da saúde em novas directivas ou acções ligadas à nutrição enquanto saúde pública. Discutir mercados de alimentos e estabilidade ambiental, ou os custos de prevenção de doenças ligadas à nutrição VS custos de tratamento, medidas nas escolas e comunidades para combater a fome... Os nutricionistas estão lá para isso. 

Até agora a minha cadeira mais penosa foi Imunologia (sistema imunitário), não por causa da matéria, que adorei, mas sim por causa do método de avaliação (do teste em si), que era bastante exigente. A que mais gostei foi política e desporto mas entre isso apanham Fisiologia, Anatomia, Inglês, Bioquímica, Deontologia (Ética/Legislação), Farmacologia e muitas mais. É uma área para a qual devem considerar ir se gostam de saúde, do mundo da alimentação em geral e há imensos caminhos por onde podem enveredar. A empregabilidade em Portugal ainda está longe de ficar estagnada (o pessoal de indústria implora por nós), é um assunto global para o qual se podem dirigir para qualquer parte do mundo (toda a gente come) e, pelo menos falo pela minha instituição, somos muito bem instruídos, com uma vertente prática muito extensa, fora as actividades extra como as jornadas entre Universidades, as palestras e os próprios convites da Ordem para que tenham papel activo, ainda mesmo como estudantes."


Inês, Aluna do Terceiro Ano da Licenciatura em Ciências da Nutrição na Universidade Lusófona de Lisboa. 

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Inês irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]
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Aos poucos vou descobrindo o meu lugar no mundo. E é uma óptima sensação.

QUOTIDIANO | Quarto Organizado, Mente Despreocupada

Entreguei o meu último trabalho no sábado à tarde. E podia ter escolhido qualquer outra forma de celebrar a minha recente liberdade académica mas, em vez disso, decidi que a tarde de domingo devia ser dedicada à organização do meu quarto para que a semana que hoje se inicia seja inteiramente dedicada a tudo o que há de bom na vida e que inevitavelmente fica pendente durante semestres complicados.

Arrumei os sapatos nas caixas, guardei a roupa que ainda não tinha voado até ao armário, mudei algumas coisas de sítio, deitei muita tralha fora, organizei as malas e carteiras, descobri coisas que já nem me lembrava que tinha, alinhei a minha colecção de revistas Vogue e ainda tive tempo de fazer um espurgo total nos produtos cosméticos. O meu quarto ficou mais leve e a minha cabeça ficou mais limpa e organizada juntamente com os livros da Faculdade, o álbum de Londres e as caixas de recordações. Agora sei exactamente onde estão as minhas coisas - e isto inclui ter as duas partes dum biquíni na mesma gaveta -, sei exactamente o que preciso de comprar - cremes de Verão, protector solar (...) - e não perco tempo atrás de nada. Tão bom!

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Coisas boas desta vida: algodão doce.

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Jornalismo

"“Jornalismo? Vais apresentar o telejornal?” – nunca na vida vou esquecer o dia em que ouvi esta pérola. Até porque ouvi, logo de seguida, um pedido para não ser “como aqueles do Correio da Manhã”.

Quero ser jornalista desde o 7.º ou 8.º ano, não sei bem. No entanto, até ao 10.º ano, nunca me preocupei em ver cursos e universidades. Tinha tempo. No 10.º ano o tempo parecia estar a correr e comecei a devorar o site da DGES. Devorar mesmo e saber tudinho de cor. Tive uma fase em que achava que o ensino politécnico não devia ser tão bom e o meu sonho era Ciências da Comunicação na Universidade Nova. Depois descobri uma coisa chamada ESCS, estudei o plano de estudos, descobri alunos antigos e percebi que, se queria mesmo ser jornalista, só podia ser ali o meu lugar.

Há cada vez mais interesse nas áreas da Comunicação (seja Ciências da Comunicação, Comunicação Social ou Jornalismo). Um dos motivos de muito boa gente será, sem dúvida, o de aparecer na televisão. Mas Jornalismo não é só televisão e também não é só capas de jornais com títulos assustadores que pretendem vender mais do que o concorrente. 

Entre disciplinas como Semiologia, Teorias da Comunicação ou Análise de Dados, temos um bocadinho de tudo (de História a Análise Económica, passando por Inglês) ao longo dos três anos. Incluindo a oportunidade de experimentar várias vertentes do jornalismo: temos jornalismo de imprensa, de rádio, de televisão e digital. E ainda espaço para uma das opções do último ano ser fotojornalismo. 

Há também as disciplinas onde aprendemos edição: de som, de vídeo, de multimédia. A nossa carga lectiva inclui sete disciplinas por semestre, com maior destaque para a prática e menos para a teórica. A variedade curricular, principalmente dos primeiros 3 semestres, pode acabar por levantar algumas dúvidas, tais como “mas eu preciso mesmo de saber o que é que o senhor Habermas dizia?”. 

Podemos acabar a trabalhar num jornal, na rádio (noticiários, animadores de rádio, etc.), na televisão (produção de conteúdos para televisão, jornalista, repórter…), em plataformas digitais (que estão cada vez mais em voga, como o Observador), em produção de conteúdos (quem sabe não acabam a trabalhar na televisão, a tratar de tudo para que aquele telejornal corra pelo melhor!) ou, ainda, investigação na área dos media e do jornalismo (se a vossa onda for mais a de estudar teorias e coisas do género, claro). 

Temos professores “famosos”, professores muito exigentes e todas as semanas há um professor que decide lembrar-nos de que não podemos ser “pés de microfone” e, claro, há sempre um ou outro professor que considera que as áreas de política e de economia, a par da área relacionada com a sociedade, são as áreas realmente boas do jornalismo. 

A maior dificuldade será sempre a de aprender a lidar com limites: de caracteres, de tempo, de temas. Mas, entre reportagens, notícias, entrevistas e trabalhos teóricos, o curso não nos fecha portas e é orientado para as novas valências de que o jornalista precisa, não ficamos fechados em conceitos teóricos e confesso que trabalhamos muitas vezes a capacidade de “desenrasque”, o que é sempre bom. Vamos para a rua, procuramos histórias, fazemos reportagens, somos jornalistas a sério por um bocadinho que seja."

Untitled | via Tumblr

Sofia, Aluna do Segundo Ano da Licenciatura em Jornalismo no Instituto Politécnico de Lisboa.

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