BLOGOSFERA | O Pessoal e o Íntimo

Há dias a Inês fez uma publicação brilhante - daquelas que só ela sabe fazer e que devem ler - sobre a diferença entre pessoal e íntimo. Colocou em palavras tudo aquilo que eu penso sobre o assunto e explicou - muito bem, por sinal - que há uma diferença enorme entre partilha controlada sem perda de identidade e exposição excessiva. E essa publicação - feita pela pessoa que escreve da forma mais cativante que conheço - serve não só como chamada de atenção para tal atitude mas também para outra questão importante: os blogues não são diários à espera de interpretação e o íntimo é um campo que não deve ser explorado em público.

É absurdo acompanhar um blogue pessoal durante um par de meses - ou até durante um par de anos - e assumir que se sabe tudo sobre a pessoa que o escreve. Independentemente dos textos serem mais pessoais, mais generalistas ou mais íntimos... Não faz sentido. É parvo. Porque muito dificilmente um blogue pessoal consegue registar mais do que um décimo do nosso dia. E não faz mal porque a ligação está lá na mesma e porque é isso que nos torna reais, que nos faz ter vontade de regressar semana após semana, que nos permite olhar para o espaço em questão com espontaneidade e surpresa e que nos leva a escrever sobre carros e jogos de futebol num dia e sobre amor, maquilhagem e vestidos compridos no dia seguinte. Os blogues não são livros. Os bloggers não são personagens de livros. Mesmo que pareça que sim.

11 comentários:

  1. Cada vez tento fazer com que o meu seja menos intimo porque não quero que cada publicação seja um capítulo que pessoas todos os dias vêm cuscar. Ninguém precisa de saber dos meus sentimentos mais profundos ou da minha briga com aquela ou com a outra, não faz sentido para mim.

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  2. "os blogues não são diários à espera de interpretação." Isto foi tão bem dito! Torna-se fácil criticar como se conhecêssemos as pessoas em primeira mão, mas temos de nos lembrar que não é bem assim.

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  3. Completamente veerdade!!!

    Ela e Ele.
    www.elaeele-nos.blogspot.com

    (Podes habilitar-te a ganhar uns óculos de sol à escolha. Sabe mais em: https://goo.gl/eTR6tx )

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  4. É evidente que nenhum blog por mais familiar que nos seja consiga ser interpretado. Mesmo que leia-mos o seu conteúdo mais intimo, seja qual ele for, a interpretação é nossa, e o outro é quem sentiu. Beijinho

    http://giselapascoal.blogspot.pt/

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  5. Aí está a diferença entre esta e a velha blogosfera.
    A antiga era um diário
    Esta uma revista

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  6. O meu é essencialmente de pensamentos que eu tenho sobre o mundo, raramente é sobre mim própria mesmo...

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  7. Eu acho sinceramente que ainda há um lugar na blogosfera para os blogues que não seguem esta nova onda de blogue mais generalista, e sem nunca perderem o interesse ou a identidade. É uma questão de conforto. Cada um escreve e publica aquilo que mais confortável o deixa e cada um lê também o que deseja.
    Eu adoro ler blogues mais generalistas, como os vossos, e menos íntimos. Mas também gosto de blogues-diário. Porque me identifico com eles, porque este é um mundo fantástico de mais para não dar valor às pessoas que cá andam e porque me fazem sentir mais próxima da pessoa que está do outro lado. É tudo uma questão de perspetiva e eu ainda acredito que há espaço para todos os tipos de blogues e bloggers. :)

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    1. Mas o truque reside aí mesmo. Eu não disse, em parte nenhuma, que blogues generalistas eram melhores do que blogues pessoais ou que estes últimos deviam acabar.
      A diferença é que há quem saiba ter um blogue-diário (como chamas) sem se expôr demasiado e há quem seja demasiado íntimo. Apesar de ser um diário, é necessário bom senso e ter presente que qualquer pessoa pode ler. E que se está na internet ficará disponível para sempre.
      Existem muitos blogues pessoais que fazem essa distinção. Que registam desabafos, sentimentos bonitos e arrufos mantendo sempre a distância porque há coisas que são só nossas, demasiado pessoais mesmo para um blogue pessoal. Só isso. Eu, por exemplo, não me sinto confortável a ler um blogue demasiado íntimo (em que a pessoa retrata tuuuuudo o que acontece na sua vida, mesmo as coisas que ninguém precisa de saber e que a fragilizam) porque sinto que estou a explorar um campo delicado que não me diz respeito.
      Há espaço para todos os tipos de blogues, sim. Mas todos precisam de bom senso. E uma miúda de 15/16 anos que descreve tudo o que faz com o namorado ou que escreve textos raivosos sobre as discussões (aparentemente injustas aos seus olhos) que tem com os pais irá com certeza arrepender-se um dia mais tarde quando se aperceber que há certas coisas que não devem estar na Internet. Nunca sabemos quem está do outro lado e a diferença íntimo/privado reside neste ponto :)

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    2. Creio que foi mesmo uma falha de entendimento e interpretação então :) Muito em parte, concordo com essa opinião em relação aos blogues com publicações demasiado expostas, porque há certas situações que não devem ser postas assim na internet e que nem têm muito interesse para os leitores. Mas também é verdade que muita gente, no início, não sabe medir o nível de exposição que deve ter no seu blogue, porque acho que é algo de que se vai tendo consciência com o tempo. E é claro que também depende das idades e mentalidades de quem escreve...
      No fundo, aquilo que eu queria dizer é que há espaço para tudo e muitas vezes isso são pessoas que têm essa necessidade de desabafar e que conseguem encontrar na blogosfera um espaço onde o fazer. Se se podem vir a arrepender? Isso é claro que sim, até porque, como disseste, fica cá para sempre. :)

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  8. Mesmo sem ter lido o post de que falas, assino por baixo!!!! No meu blog (com um estilo 200%pessoal) nao partilho mais do que 1/10 do meu dia

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