TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Direito

"Começo por vos dizer que, ao contrário do que fui lendo nesta rubrica, o curso de Direito não me apaixonou nem me deu o suficiente para eu sentir que devo prosseguir estudos aqui – mas cada caso é um caso, e eu quero fornecer-vos a informação mais verdadeira possível para que possam, se for caso disso, fazer uma escolha racional ou apenas ganhar alguma perspetiva quanto ao curso. Vou também ser o mais sucinta possível, porque se há coisa que nós temos dificuldade em Direito é em resumir e saber ao certo o que escrever (é por isso que quando pegam num livro de um estudante de Direito está tudo sublinhado – é tudo importante!).

Direito nunca foi o meu sonho. Nunca sonhei em ser advogada ou juíza (porque, para muitos, estas são as duas únicas profissões ligadas ao curso) mas, na decisiva altura do verão do 12º ano, pareceu-me o melhor caminho para mais tarde, eu poder ir de encontro àquilo que realmente queria e decidi arriscar. Há momentos em que ou nos atiramos de cabeça e agarramos as nossas decisões ou ficamos, para sempre, na nossa zona de conforto agarrados ao “e se...”. O meu conselho é: arrisquem.

O primeiro ano de Direito é muito geral em termos de unidades curriculares. Em todos os anos, irão ter 5 cadeiras por semestre a valer exatamente os mesmos créditos (6 cada) e tenham em atenção que são quatro anos de licenciatura, sem mestrado integrado. Caso queiram seguir advocacia ou mesmo magistratura, precisam do mestrado.

Eu escolhi a Faculdade do Porto por ser na minha cidade e por sabe que a UP tem o devido valor e prestígio. Se a FDUC é melhor? Não vos sei dizer. Que têm unidades curriculares diferentes, têm. De resto, não posso falar.

No 1ºano vão receber as bases necessárias: de um semestre para o outro, apenas uma cadeira muda, às restantes quatro acrescenta-se apenas o “II“. História do Direito (I e II) - onde vão regressar há muitos, muitos séculos atrás e descobrir como nasceu o direito com o Direito Romano, como se formou Portugal, etc; Direito Constitucional (I e II) – onde perceberão muito melhor o que é e como se organiza um estado de direito, a organização interna do poder político, os diferentes tipos de lei...; Economia Política (I e II) – a que talvez se destaque mais, entre todas, por ser de uma área diferente, mas que faz todo o sentido em existir no plano curricular – darão (muito teoricamente, jamais precisarão da calculadora) os fenómenos relativos à economia (macro e micro), o que condiciona a economia, os fatores de produção, políticas de comércio externo, a intervenção do Estado na economia...; Introdução ao Direito (I e II) – para mim, o verdadeiro cadeirão do ano, que é onde surgirão todas aquelas palavras e expressões que por vezes ouvem dizer na televisão mas que nunca percebem e que irão ser obrigados a descodificar. É nesta cadeira que vão ter de se tornar mestres a utilizar a CRP e o Código Civil e a saber aplicá-los e interpretá-los no caso concreto. Para além destas, no 1º semestre, terão Ciência Política (uma cadeira que vos dá uma perspetiva mais atual) e, no 2º semestre, Direito Internacional Público (outra com muitos pormenores a saber sobre as fontes de DI, as relações entre o Direito Internacional e o Direito dos Estados – qual deve prevalecer? - entre outras matérias. Foi nesta cadeira que eu levei quase cinco quilos de legislação para o exame e, se usei dois ou três documentos, foi muito).

Todas as cadeiras são bastante teóricas. Esqueçam lá a História do secundário ou o que tinham de decorar para o exame de Português – este curso exige um treino mental para o qual nem todos estão preparados (é aqui que eu ponho a mão no ar!), pois é realmente à base de saber decorar e, ao mesmo tempo, saber relacionar as matérias e aplicá-las, sendo que muitas vezes vão ler uma questão no exame e pensar “Bom, pode estar a perguntar-me sobre isto… mas aquilo também se insere aqui!” e é aqui que a quantidade de estudo vai ser determinante. Mas também vos conto um segredo: tal como eu referi, é um treino, por isso, mesmo que não estejam habituados, não é impossível. Com esforço e muito tempo de dedicação, conseguirão. Vão acabar por entrar no ritmo e vão descobrir, ao longo ano, as vossas fraquezas, o tempo de preparação de que necessitam realmente e o melhor método de estudo para cada um de vocês. Vão descobrir como se tornar pequenos marrões (em crescimento constante) à vossa maneira. Se há coisa que eu posso agradecer a Direito, é que me deu a conhecer muito melhor a mim mesma, pois foi através dos desafios que fui encarando ao longo do ano que percebi melhor os meus pontos fortes e os não tão fortes assim.

Vão ter de saber gerir muito, muito bem o vosso tempo – pois se durante todo o semestre podem sentir que estão de férias, na altura dos exames vai tornar-se tudo bem mais complicado. Vão ter a matéria de todo o semestre para saber e um exame final por semana (quando não é um exame anual – com a matéria dos dois semestres, normalmente em recurso) e a pressão vai ser muita. Vão ter de saber pesar prioridades e conjugar muito bem tudo o que têm para fazer. Há cafés que vão ter de esperar, amigos de quem vão sentir saudades mas não vão ter tempo para lhes dizer, calor que vos vai gritar para irem à praia, dias em que vão sentir que não aguentam mais. Vão aguentar.

Se estão curiosos quanto à Praxe, digo-vos apenas que não a frequentei mais após a 1ª semana mas, tal como em tudo, se querem realmente ter a vossa opinião certa quanto a frequentá-la ou não, façam como eu: experimentem. Tirem as vossas próprias conclusões fruto da vossa experiência e não pelo que ouvem dizer pois só assim poderão decidir coerentemente. Para mim, não deu. Ouvi muita coisa feia antes de entrar na FDUP relativamente à Praxe, tal como ouvi coisas boas. Se vos disser que numa semana conheci pessoas mais velhas (os famosos doutores) e que alguns deles me inspiraram confiança, eu não vou estar a mentir-vos: e eu nunca falei com eles fora das horas de “sofrimento”. E quando me falam em Praxe, há uma doutora em especial de quem eu me lembro sempre, pela maneira como me tratou e outras coincidências que ficam para mim. Também conheci pessoas que me davam vontade de lhes dar um berro de tão parvas que eram (ou eu já estava cansada, ou elas já estavam cansadas – ou eram mesmo parvas), como acontece em todo o lado para onde vamos. É por isso que digo e repito: experimentar é importante e é a única maneira de formarem a vossa opinião. Eu não frequento, mas respeito-os e defendo quem lá anda porque assim decidiu.

Alguns dos pontos que me levam a não gostar do curso de Direito e a não ter vontade de andar a berrar que Direito é fenomenal têm a ver com a faculdade em si e a maneira como o curso é lecionado e, principalmente, avaliado: extremamente teórico. Não ter feito, num ano letivo, qualquer trabalho, apresentação, pesquisa (ou um teste que fosse) e ter sido avaliada meramente por exames finais – cuja nota do exame é a vossa nota da cadeira em questão – foi demais. Dei por mim a pensar “qual é o objetivo disto? Eu ando aqui para decorar matéria e vomitá-la nos exames, no final do semestre? Não há mesmo mais nada que eu possa fazer para aproveitar as minhas capacidades? Porque é que não me sinto confortável aqui? Porque é que isto não me interessa minimamente?”

Mas a verdade é só uma: estejam em Direito, Engenharia, História ou Saúde, vai sempre haver dificuldades. A questão é informarem-se muito bem e terem a noção de que, muito provavelmente, vão haver coisas de que não estavam à espera. Vão ter de se superar. Vão ter de contornar muitos desafios ou não vão sair do sítio – e ninguém quer isso. E o melhor mesmo é arriscar: nunca perdem um ano, pelo contrário, ganham muita coisa. Crescem, conhecem gente interessante, descobrem coisas que pensavam não gostar e que afinal até gostam. E mesmo que se arrependam mais tarde, estão sempre a tempo de mudar (tentem apenas que isso não aconteça no final do curso!)

Quanto a Direito na FDUP, consultem o plano de estudos. Visitem a faculdade (que é bem bonita e deve ser das mais centrais do Porto), falem com pessoas que a frequentam, seja em Direito ou Criminologia, e adquiram diferentes perspetivas. Se é mesmo o que querem, valerá a pena todo o esforço e dedicação e o crescimento que vão notar em vocês mesmos, de um ano para o outro. Não frequentem o curso apenas porque os vossos pais querem ou porque “tem nome e saída garantida porque dá para tudo”. Não frequentem o curso porque tem imenso prestígio porque há professores que aparecem na televisão e a maioria deles tem livros e manuais publicados (isso não garante qualidade, podem ter a certeza). Não frequentem o curso porque não têm faltas a nada e nem precisam de ir às aulas para saber toda a matéria. Dei-vos a minha perspetiva enquanto estudante do 1ºano. Findo isto, sigam o que realmente querem e quaisquer dúvidas, estou disponível para as esclarecer."

😊

Mariana, Aluna do Primeiro Ano da Licenciatura em Direito na Universidade do Porto.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Mariana irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

24 comentários:

  1. Tenho uma amiga que na altura que terminou o 12ano ia para direito mas desistiu com receio de n conseguir ... Mas parece ser um excelente curso :)

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  2. Podes mandar email para aqui: blog.wordsofwisdom@gmail.com
    Peço desculpa, ainda não atualizei a página de contactos :)

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  3. Se o sonho da Mariana não é ser nem advogada nem juíza, quais são os planos dela quando acabar a licenciatura?

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  4. Se o sonho da Mariana não é ser nem advogada nem juíza, quais são os planos dela após a conclusão da licenciatura?

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    1. Olá, Maria :)
      Direito dá, antes de mais, para muitas mais saídas do que apenas advocacia e magistratura, porque direito abrange mesmo muitas áreas e os postos de trabalho são variados, não saem apenas advogados ou juízes.
      Mas respondendo à tua questão, eu apenas decidi escolher Direito porque queria ter as bases sólidas deste curso para mais tarde especializar-me numa área que as requer, mas percebi este ano que não é o melhor caminho e vou mudar de curso, vou licenciar-me mesmo nessa área em específico :)

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  5. Adoro esta rubrica, mesmo estando na universidade e já tendo feito a minha escolha em relação ao curso adoro conhecer e saber mais sobre outros cursos.

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  6. Eu quero seguir Direito, em Coimbra. Só tenho uma questão, se não gostas do curso vais continuar com ele ou pretendes mudar?

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    1. Olá, Luna :)
      Eu vou mudar de curso, como apenas escolhi Direito, como disse acima, para depois especializar-me numa área que requer bases de direito mas não gostei do curso e acho que não é, de todo, o melhor para mim, vou mudar de curso já para essa mesma área (Relações Internacionais).
      Conheço várias pessoas a estudar lá na FDUC, qualquer dúvida mais específica não hesites :) e boa sorte!

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    2. Eu acho que fazes bem...Não faz sentido estares numa coisa que não gostas, é cansativo psicologicamente, destrói um bocado...Mas ao menos ficaste a saber que não gosta...
      Eu agora ando indecisa sabes...A FDUC também tem um sistema que recai apenas em exames...Sei lá, acho que isto é "ansiedade pré-notas"...

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    3. Exatamente, nunca é um ano perdido :)
      É sempre normal haver muitas dúvidas em relação ao ensino superior, acredita, eu questionava-me sobre como seria, se iria gostar, será que era a melhor decisão...Mas pelo que sei, o ambiente académico por lá em Coimbra é vivido ao máximo e isso ajuda bastante. E se é o que sentes que é melhor para ti, ainda mais ajuda!

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    4. Outra coisa, maior parte das pessoas não pergunta isto, mas eu sei que em Direito as notas se forem para 14-16 é uma festa enorme, é o exponencial máximo, como é que se lida com a descida abrupta das notas na faculdade?

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    5. Essa é uma pergunta que, sinceramente, me é difícil responder. Não acho que haja uma solução concreta, uma maneira melhor de o fazer. Vais aprendendo a lidar com isso, entendes? Há muitas diferenças que vais notar a nível de ensino, de avaliação e, essencialmente, de resultados (ou não!) e vais aprendendo a lidar com isso, vais descobrindo quais são os melhores métodos de estudo para ti, que podem ou não ter a ver com os do secundário, vais percebendo o tempo a mais que precisas para estudar... Vais-te adaptando ao longo do tempo. Se estudas, se dás o teu máximo e não consegues as notas que obtinhas no secundário, não podes deixar-te ir abaixo, não podes deixar de tentar. Não és mais nem menos inteligente do que aqueles que conseguem obter melhores notas.
      Vais conhecer-te melhor a ti e ao teu estudo :) no fundo, vais perceber também como funcionam as coisas na tua faculdade, com o tempo e a partir daí perceberás como lidar com isso!

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    6. Como é que tu lidaste com isso? Eu entendo que a matéria é mesmo muita, que um exame é muito mesmo, mas pronto, é aquela coisa de "descer o nível" demasiado, entendes? Nas ciências exatas é aquilo e é aquilo mesmo, daí haver notas excelentes e assim, mas em Direito, um 14 ser uma festa "preocupa" um bocado...Ah, e ainda existe aquilo de defender notas?

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    7. Eu não sou o melhor exemplo; eu percebi que não queria este curso, desmotivei bastante, mas, ainda assim, tentei fazer sempre todos os exames (ainda em época de recurso, neste momento!). O problema é que, como dizes, nas ciências exatas é aquilo e pronto. Em Direito há mesmo muita matéria, muitos pormenores... depende da maneira como expões a matéria, depende se indicas os pontos chaves ou não e depende, também, do professor que vai corrigir. Ora, se um professor de matemática não pode implicar quando escreves que 2 + 2 = 4, numa resposta de uma ou duas páginas, ele pode implicar muito mais com a maneira como respondeste. Ainda assim, há professores "bonzinhos" e outros não, mas não senti aquela coisa do secundário que era tão recorrente de "sei o geral, por isso safo-me". É preciso estudo, é preciso saber. Há cadeiras mais complicadas que outras, por isso as notas não serão todas na mesma base.
      Tens de perceber que o teu melhor umas vezes é suficiente, outras não. Não é por isso que, no final, vais falhar - nem deixes que te digam isso, só porque "estudas Direito". É possível. Ao longo do ano vais aprendendo a lidar com a pressão, a controlar a tua ansiedade (muito crucial) e vais percebendo quais as tuas prioridades para alcançar os melhores resultados. E mesmo quando não consegues notas acima de 14 ou 15, que é a tua questão, no fundo, é aprender a lidar com isso, apenas! Não te preocupes, porque, uma vez na faculdade, vais perceber muito melhor como tu funciona e que, se até aqui tantos foram capazes, também serás!

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    8. Sinceramente, não te sei dizer isso, mas penso que não! Penso que pelo menos na minha faculdade (porque noutras, de outros cursos, sei que existe esse método) não há essa defesa. Mas isso também dependerá da tua faculdade!

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    9. Lá está...Toda a gente com quem eu falo e que não entende nada do assunto pensa que as Exatas são mais complicadas e têm mais mérito que Direito, por exemplo...Mas é como se vê, lá claro que é preciso estudar, mas não te vão cortar em respostas cientificamente corretas...Eu este ano no secundário andei com muita pressão, vi as médias de Direito a subir e olha, acertei o passo, mas numa ansiedade e nervosismo, que ai my lord...
      É que já me disseram que deixou de existir isso, outros que não, deve depender mesmo...

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  7. Gosto muito desta rubrica. E gostei, especialmente, deste post, porque embora não seja uma das minhas escolhas, estava ansiosa para ler o testemunho de um aluno de Direito. :)

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    1. Obrigada Bê, espero ter sido esclarecedora o suficiente :)

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  8. Adorei este post, mas admito que fiquei um pouco assustada. Acabei agora o 12º ano e está na altura de tomar uma decisão, eu sei que quero Direito e disso tenho certeza. A minha dúvida sempre se resumiu a Porto ou Braga. O meu objetivo era a FDUP, contudo não conheço ninguém lá e o plano curricular parece "complicado", como tu disseste só somos avaliados pelos exames finais. Por outro lado, no Minho conheço várias pessoas que já frequentam o curso e adoram e outras que se vão candidatar este ano, para além de que existem testes e trabalhos ao longo dos semestres, onde é possível ir aplicando os conhecimentos de forma contínua. Posto isto, neste momento sinto-me extremamente confusa, porque apesar de querer muito ir para o Porto, pelas coisas que oiço e mesmo pela tua perpestiva, essa não parece ser a melhor hipótese!

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    1. E noutras universidades de Direito? Se tens média para Porto/Braga, tens para as outras todas...Por acaso este foi o único testemunho que li do Porto, falam-me muito bem de Coimbra e da Clássica de Lisboa, mas do resto não sei...Como eu quero seguir isto, aconselho-te a comparar todos os planos de estudo e veres o que te atrai mais...A questão do Minho é tem um ponto a favor em relação às outras, a avaliação não recai apenas em exames...
      Eu acho que só vou decidir mesmo quando tiver a média na mão...

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    2. Olá, Ana :)
      Se queres mesmo Direito, então fazes realmente bem em segui-lo, porque o que vale realmente a pena é seguirmos aquilo que queremos! O meu testemunho foi o mais sincero possível, avisando, no início, que não seria o mais apaixonante. Mas cada caso é um caso - eu não tinha amor ao curso, não era isto que queria... quem sabe contigo é diferente?! Quem sabe não te dá ainda mais motivação para lutares e te esforçares, quando (e se) cá estiveres?
      Estudar no Porto é apaixonante, mesmo, é uma cidade maravilhosa e o ambiente académico é muito bom! Só tu poderás escolher, segue aquilo que achares melhor para ti :) como a Luna disse, tens várias faculdades de Direito no país, eu tenho uma boa impressão da de Braga, de Coimbra não tanto pois a única pessoa que conheço lá a estudar também não se apaixonou pelo curso e pelo que me disse, a faculdade em si e o ensino são muito "tradicionais" e fechados, não seja a UC a faculdade mais antiga do país. Mas a vida académica lá também é ao máximo.
      Qualquer dúvida que tenhas sobre a FDUP podes perguntar-me! :) E muito boa sorte*

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    3. Não pensei muito noutras universidades por causa da distância. Também já me falaram muito bem da de Coimbra e de Lisboa, mas gostava de ficar mais perto de casa, daí só ter dúvidas entre Porto e Braga. Durante este ano visitei as duas e fui às amostras dos cursos, mas mesmo assim não consigo tomar uma decisão sem ter medo de me vir a arrepender.

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    4. Olá Mariana ;)
      Apesar do testemunho pouco apaixonante, acho que isto também é ótimo para refletir agora que se aproxima o momento desta tomada de decisão "tão importante" e, pelo menos, esclareceste-me acerca de vários assuntos que sempre que perguntava a outros a única resposta que ouvia era "esquece isso e anda para o Porto que é a melhor universidade do país", permanecendo as mesmas perguntas.
      Mas já agora, peço desculpa por abusar da tua boa vontade, mas tenho mais algumas dúvidas sobre a FDUP que era incrível se pudesses responder. Por exemplo, se algum exame final correr mal podemos voltar a repetir ou reprovamos àquela cadeira?
      Quanto à praxe, dizem que é horrível e que tratam muito mal os caloiros, achaste isso durante aquela semana? e alguma vez te sentiste posta de lado por não a ter frequentado?
      Em termos de médias, quanto é que é considerado uma média boa no curso de direito? E a relação entre professores e alunos, é agradável?
      Obrigada*

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    5. Respondendo às tuas questões, regra geral - pelo menos o que acontece no 1ºano, quanto aos exames: tu vais ao exame na época normal. Se a tua nota for até 8, tens de ir a recurso escrito (outro exame escrito, na época de recurso), se tiveres 8 ou 9, podes optar por recurso escrito ou oral de melhoria (que é, basicamente, estares numa sala com dois professores e eles fazem-te perguntas sobre a matéria). Acima de 10, podes fazer melhoria, mas apenas oral, no mesmo molde que a oral de passagem! Se ainda assim não passares no recurso, podes repetir a cadeira no ano seguinte, claro. Isto de um modo geral.
      Como te disse, eu não gostei da praxe... A faculdade em si, talvez por ter apenas dois cursos, não tem um ambiente tão aberto e descontraído como outras. Não me foi fácil ambientar, no início. A praxe é essencialmente psicológica e talvez seja por isso que, de fora, é vista como tão assustadora. Há momentos muitos parvos, lá, com os quais eu não consigo concordar, por muito que me digam que "é a praxe". Estar sentada durante horas a gritarem-me aos ouvidos que sou uma me***... não sentia o minimo dinamismo lá, para além de que, na FDUP, não há muito a tradição de madrinhas e padrinhos, há lá muita gente cujo padrinho ou madrinha é de outra faculdade de fora. Mas, também te digo, quem ficou na praxe até ao fim, adorou! Ficaram um grupo bastante próximo e viveram ao máximo aquilo e não se arrependem um bocadinho. Vai de pessoa para pessoa!
      Quanto às médias... com as suas devidas exceções, as notas em Direito não são muito altas. Aliás, vais notar a diferença do secundário para a faculdade que, na pauta, vai ser mesmo muito normal haver várias negativas. Eu, por exemplo, acabei o 12º com média de 18 e a minha média este ano está no 11. Regra geral, as médias das pessoas que conheço rondam entre o 10 e o 14... e 14 já é uma média bem boa!
      Não há, praticamente, relação entre alunos e professores. Cada um dá as aulas à sua maneira, estão ali para te dar a matéria, mas não vão saber os nomes dos alunos. Digo-te com toda a certeza que nenhum professor meu me reconheceria na rua se me visse. Somos uns 200 alunos, temos aulas em auditórios, numas aulas estamos, noutras já não... Ainda assim, se tiveres dúvidas e precisares de recorrer aos professores quer pessoalmente ou via e-mail, eles estão sempre disponíveis. Prepara-te para teres de te apresentar sempre! Mas disponibilizam horários e contactos.
      No fundo, a FDUP não é nenhum inferno. Tem coisas boas, lá dentro, e é considerada uma grande faculdade. Para mim, não foi o suficiente... falta de amor ao curso, talvez! Não te quero assustar nem induzir em qualquer erro porque quero que escolhas o que achares melhor para ti, pois podes sempre surpreender-te :)
      Se gostares mesmo daquilo porque lutas, acredito que no final valerá a pena. E te dará vontade de continuar.
      Fica aqui o meu e-mail caso tenhas mais alguma questão: marianamoliveira18@gmail.com
      Beijinho!

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