TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Jornalismo

"“Jornalismo? Vais apresentar o telejornal?” – nunca na vida vou esquecer o dia em que ouvi esta pérola. Até porque ouvi, logo de seguida, um pedido para não ser “como aqueles do Correio da Manhã”.

Quero ser jornalista desde o 7.º ou 8.º ano, não sei bem. No entanto, até ao 10.º ano, nunca me preocupei em ver cursos e universidades. Tinha tempo. No 10.º ano o tempo parecia estar a correr e comecei a devorar o site da DGES. Devorar mesmo e saber tudinho de cor. Tive uma fase em que achava que o ensino politécnico não devia ser tão bom e o meu sonho era Ciências da Comunicação na Universidade Nova. Depois descobri uma coisa chamada ESCS, estudei o plano de estudos, descobri alunos antigos e percebi que, se queria mesmo ser jornalista, só podia ser ali o meu lugar.

Há cada vez mais interesse nas áreas da Comunicação (seja Ciências da Comunicação, Comunicação Social ou Jornalismo). Um dos motivos de muito boa gente será, sem dúvida, o de aparecer na televisão. Mas Jornalismo não é só televisão e também não é só capas de jornais com títulos assustadores que pretendem vender mais do que o concorrente. 

Entre disciplinas como Semiologia, Teorias da Comunicação ou Análise de Dados, temos um bocadinho de tudo (de História a Análise Económica, passando por Inglês) ao longo dos três anos. Incluindo a oportunidade de experimentar várias vertentes do jornalismo: temos jornalismo de imprensa, de rádio, de televisão e digital. E ainda espaço para uma das opções do último ano ser fotojornalismo. 

Há também as disciplinas onde aprendemos edição: de som, de vídeo, de multimédia. A nossa carga lectiva inclui sete disciplinas por semestre, com maior destaque para a prática e menos para a teórica. A variedade curricular, principalmente dos primeiros 3 semestres, pode acabar por levantar algumas dúvidas, tais como “mas eu preciso mesmo de saber o que é que o senhor Habermas dizia?”. 

Podemos acabar a trabalhar num jornal, na rádio (noticiários, animadores de rádio, etc.), na televisão (produção de conteúdos para televisão, jornalista, repórter…), em plataformas digitais (que estão cada vez mais em voga, como o Observador), em produção de conteúdos (quem sabe não acabam a trabalhar na televisão, a tratar de tudo para que aquele telejornal corra pelo melhor!) ou, ainda, investigação na área dos media e do jornalismo (se a vossa onda for mais a de estudar teorias e coisas do género, claro). 

Temos professores “famosos”, professores muito exigentes e todas as semanas há um professor que decide lembrar-nos de que não podemos ser “pés de microfone” e, claro, há sempre um ou outro professor que considera que as áreas de política e de economia, a par da área relacionada com a sociedade, são as áreas realmente boas do jornalismo. 

A maior dificuldade será sempre a de aprender a lidar com limites: de caracteres, de tempo, de temas. Mas, entre reportagens, notícias, entrevistas e trabalhos teóricos, o curso não nos fecha portas e é orientado para as novas valências de que o jornalista precisa, não ficamos fechados em conceitos teóricos e confesso que trabalhamos muitas vezes a capacidade de “desenrasque”, o que é sempre bom. Vamos para a rua, procuramos histórias, fazemos reportagens, somos jornalistas a sério por um bocadinho que seja."

Untitled | via Tumblr

Sofia, Aluna do Segundo Ano da Licenciatura em Jornalismo no Instituto Politécnico de Lisboa.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Sofia irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

13 comentários:

  1. Adorei esta iniciativa inserida no Tempo de Antena! Boa ideia, Carolina! Fico à espera de mais testemunhos destes.:)

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  2. É um curso que não me importava nadinha de seguir! Adorei o testemunho da Sofia!

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  3. É só o melhor curso de sempre e a melhor profissão de sempre não estivesse eu a 2 meses de me licenciar nesta maravilhosa área <3

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  4. Gosto muito deste teu novo Tempo de Antena :) É bom, e com certeza que irá ajudar muitas pessoas :D*

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  5. Sofia, focaste o fotojornalismo... se eu quiser essa vertente achas que faz sentido enveredar pelo jornalismo ou por um curso superior mais ligado a fotografia?

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    1. A minha opinião vale o que vale, é certo, mas eu acho que faria mais sentido partires de um curso superior ligado à fotografia e, posteriormente, especializares-te em fotojornalismo. Na ESCS, o fotojornalismo é uma opção de um semestre, logo no final do curso, pelo que ficas apenas com umas noções básicas e acabas por ter três anos de um curso em que recebes muita informação de jornalismo e pouca de fotografia e, consequentemente, de fotojornalismo. Provavelmente, um curso de audiovisual e multimédia ou algo dentro desse género seria um bom ponto de partida :)

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  6. Excelente opinião. A Sofia conseguiu definir muito bem o que é estudar Jornalismo e aquilo que nos possibilita no futuro. A parte dos caracteres também é bastante realista, não há limite que irrite tanto como o limite de caracteres :p

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  7. É por todas as razões que a Sofia referiu que eu adoro a ESCS e quero meeesmo entrar nesse curso.
    O meu problema? O de muita gente: falta de média :'(

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    1. Quanto à média só te posso dizer uma coisa: em 2012 (nas duas fases), não entrei na ESCS por 5 centésimas. Em 2013 voltei a tentar e entrei com mais 2 décimas do que a média (que desceu de 15,55 para 15,35). Se queres mesmo a ESCS e este curso, só tens de tentar, lutar e esforçares-te. Mesmo que entres noutro podes sempre pedir transferência, caso sintas que só mesmo este curso é que te faria feliz.
      Boa sorte :)

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    2. Sim, vai ser o que eu vou fazer.. Espero meeesmo conseguir entrar ou, caso não entre, consiga pedir transferência.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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