VIDA PROFISSIONAL | A Carolina não quer trabalhar em...

Estabelecimentos Hoteleiros. Há muita gente que escolhe a Licenciatura em Turismo pelo sonho de trabalhar numa cadeia hoteleira - e de preferência numa empresa de renome, com oportunidades em todo o mundo e imprevisibilidade positiva no âmbito das transferências e da progressão na carreira - mas esta foi, curiosamente, a área que excluí mais rapidamente. Apesar de ter optado pelo curso de Turismo e dele ser automaticamente associado aos hotéis, não consigo colocar a hipótese de trabalhar num desses empreendimentos turísticos por escolha própria e livre vontade. As contas terão de ser pagas mas, se puder evitar, não trabalharei numa recepção (nem na parte administrativa) dum estabelecimento hoteleiro. Afinal de contas, se eu quisesse trabalhar num hotel teria escolhido Gestão Hoteleira ou Hotelaria e Restauração e teria tido uma formação específica mais vantajosa para tal profissão. Não quero trabalhar num hotel.

Agências de Viagens. Esta foi uma opção que coloquei em cima da mesa até ao início deste ano lectivo mas que eliminei conscientemente quando conheci a área de maneira mais realista através dum estágio voluntário que fiz durante três meses. E ainda bem que pude experimentar esta vertente antes de ser atirada aos leões...! Não me perdoaria se arriscasse testar a área durante o Estágio Curricular que me espera no terceiro ano da minha licenciatura. Admito que foi uma descoberta que me trouxe ansiedade (porque, afinal, é menos uma opção que tenho se quiser direccionar o meu emprego futuro para os meus gostos, a minha felicidade e a minha realização pessoal) mas a verdade é que também serviu para eu perceber que quero fazer mais e melhor noutra dimensão que não a dos pacotes de férias e dos códigos de Galileo. Vale ouro.

Aviões. Fazer parte da tripulação de um avião é talvez a profissão mais ilusória na área do Turismo e sempre que me perguntam se gostaria de ser assistente de bordo - ou hospedeira, como preferirem - eu questiono-me se as pessoas conhecem todas as implicações, incapacidades e dificuldades que lhe estão inerentes. E digo que é uma profissão ilusória porque as fardas imaculadas, o sorriso constante e a oportunidade de viajar para todas as partes do mundo transmitem uma ideia de facilidade, de "sirvo-uns-cafés-e-indico-as-saídas-de-emergência-e-depois-passeio-por-Roma-Paris-e-Nova-Iorque-com-alojamento-e-refeições-pagas" que não é, de todo, verdade. O cansaço, os horários trocados, a impossibilidade de ter uma relação fora do mundo da aviação ou uma família, o ar condicionado, a falta de novidade ao pisar um aeroporto, as ausências em datas importantes ou dias festivos... Não daria para mim. Achar que um assistente de bordo tem uma vida de sonho apenas porque viaja é fechar os olhos à realidade.

Stewardess

12 comentários:

  1. Isso já sabia, conheci uma assistente de bordo à uns anos e ela esteve em todas as partes do mundo, mas raras foram aquelas que ela explorou devido ao cansaço.

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  2. Foi um ótimo testemunho para quem desconhece a área de turismo. :)

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  3. Ter uma noção daquilo que não queremos é, realmente, muito bom. Também tenho a noção de algumas especialidades médicas em que não me imagino a trabalhar, mas o certo é que ainda não as conheço o suficiente também para dizer que nunca as exercerei... A partir do 4º ano, quando começar a passar pelas mais diversas especialidades, as ideias ficarão mais claras, espero! Espero que para ti também!
    Beijinho*

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  4. Ainda assim, com vontade, trabalho e empenho, tudo é possível. Nós a início ambicionámos ser assistentes de bordo e só devido às dificuldades que se vivem no país, de onde gostaríamos de permanecer, é que nos faz repensar. Só o facto de ser uma profissão com curta duração, porque de resto tudo se consegue. Está é longe de ser o emprego de sonho, num sentido em que a exaustão estará sempre eminente. Tem que ser mesmo algo que se faça por um gosto imenso na profissão.

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  5. Quando eu estava escolhendo o curso na Universidade queria escolher Tursimo apenas para fazer um desses trabalhor, mas informando-me bem, entendi que não são apropriados para me. Então eu escolhi um curso totalmente diferente ahaha
    Beijo

    behindkaleidoscopeeyes.blogspot.it

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  6. Existem pessoas que realmente têm o sonho de ser hospedeiras e esses pontos negativos não lhes fazem diferença..

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  7. Também não conseguiria trabalhar como assistente de bordo precisamente por causa de todas as razões que enumeraste.

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  8. r.: sim, de facto pode parecer um pouquinho estranho. mas o meu ex-namorado apaixonou-se por mim também à distância e o nosso namoro durou quase seis anos. por isso, já não duvido que seja mesmo possível uma pessoa apixonar-se à distância. :)

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  9. Assistente de bordo é mesmo um "pau de dois bicos".

    R: Obrigadoooooooo :D

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  10. Eu não me importava nada de ser hospedeira. Conheço algumas que conseguem "na boa" manter uma relação e ter tempo para a família. Viajar pelo mundo é sem dúvida umas das vantagens, elas como hospedeiras visitam locais incríveis e são pessoas super felizes e sei disto porque as conheço. O ponto negativo são sem dúvida os horários e quanto ao ar condicionado, não sou hospedeira e sofro do mesmo. Se pudesse ser hospedeira, seria sem dúvida!

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    1. Essas questões dependem maioritariamente da companhia aérea em que estás. Os assistentes de bordo que conheci e com quem tive oportunidade de conversar (mulheres e homens) mostravam paixão pelo que faziam e não estavam minimamente arrependidos pela escolha profissional mas confirmaram o que escrevi sobre o cansaço e a falta de novidade nas viagens (que, para mim, é a parte impressionante e entusiasmante de viajar) acrescentando também o facto de ser uma profissão com pouca durabilidade (sobretudo em companhias aéreas de topo; aquelas que oferecem boas condições e bons salários) (:

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