TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Biologia

"Se no ano passado me perguntassem em que curso eu queria ingressar quando acabasse o secundário, eu não saberia dizer. Por isso, na altura das candidaturas já eu andava aflita porque não sabia ao certo o que queria, visto que eu gostava de tudo e mais alguma coisa que estivesse relacionado com ciências – excluindo qualquer tipo de engenharia, visto que os números não são o meu forte. A juntar a isso, tinha uma boa média que me permitia entrar em praticamente todos os cursos. Ora, devo ter sido a pessoa que mais tempo passou no site da DGES (Direção Geral de Ensino Superior) a procurar todo o tipo de cursos que havia e a tentar saber um pouco mais de cada um. Ao fim de uma pesquisa que parecia nunca mais terminar, optei por Biologia. E assim foi, candidatei-me à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (mais conhecida como UTAD) e ingressei em Biologia. 

“Mas se tinhas média para entrar aqui, em Biologia, porquê que foste para Vila Real?” 
Foi uma pergunta que me fizeram muitas e muitas e muitas vezes! E muitas dessas vezes foi por estudantes universitários. Ao que eu respondi - até decorei a resposta de tantas vezes que tive de a repetir - “Em parte foi por razões pessoais, outra parte foi porque me falaram muito bem da UTAD, mas foi principalmente porque gostei das cadeiras”. E as pessoas, muito admiradas, perguntavam se as cadeiras não era iguais em todas as universidades e eu, tão admirada quanto eles, respondia que “claro que não”. Ainda me pergunto como as pessoas, naquela situação, não sabiam que o curso variava de universidade para universidade… afinal de contas aquele seria o futuro deles, e podia interessar-lhes umas quantas cadeiras noutra universidade, que não a UTAD. 

"Então e que cadeiras tens?"
Ora bem, no primeiro semestre do primeiro ano a UTAD optou por lecionar cadeiras essenciais para o curso todo, ou seja, cadeiras que nos dessem bases suficientemente consolidadas para evitar dúvidas básicas em cadeiras futuras. ADOREI isso! Nem todas as universidades o fazem, muitas delas optam por começar com a Biologia propriamente dita. Assim sendo, no primeiro semestre tive as seguintes cadeiras: Biomatemática, Biofísica, Química, Biologia Celular e, por fim, Geologia. Na altura da candidatura gostava de ter tido alguém a esclarecer-me sobre as cadeiras, por isso acho útil falar um bocadinho de cada uma: 

Biomatemática: Não é nada de especial e o “Bio” está lá apenas para associar ao curso. É matemática normal, como a de secundário, mas mais complicada. Não é nada de muito difícil, embora haja pessoas que fazem disto um bicho-de-sete-cabeças. Dizem ser o “cadeirão do curso”, mas eu fiz à primeira – e lembrem-se que no início disse que os números não são o meu forte. Biofísica: Neste caso o “Bio” não está lá apenas para associar ao curso. A Biofísica é a ciência que estuda e correlaciona os parâmetros a nível de órgãos, sistemas e organismos, aplicando as leis da física. Química: É nada mais, nada menos que um aprofundamento da Química lecionada no secundário. Ao longo de dois anos dão-nos conceitos básicos que, na faculdade, vão precisar de ser aprofundados. E porque não despachar isto o mais cedo possível, enquanto os alunos ainda se lembram do básico que foi dado? Ora, não há altura melhor do que no início do primeiro ano. Biologia Celular: É o estudo pormenorizado de cada organelo presente nas células – como a membrana plasmática, o núcleo, o retículo endoplasmático liso e rugoso, o complexo de Golgi, etc. Além disso, foca-se atenção no facto de a célula ser a unidade fundamental da vida. Geologia: É geologia, pura e simplesmente. Relembra-se conhecimentos do secundário, acrescenta-se mais alguns, mas nada de mais. Ainda não percebi a importância desta cadeira para o curso, sinceramente… mas, provavelmente é para uma cadeira – Biologia e Bioquímica dos Solos – nos anos seguintes. 

No segundo semestre entrei mais na Biologia, com as seguintes cadeiras: Bioestatística, Embriologia e Histologia Animal, Biologia dos Anacordados, Morfogénese Vegetal e Genética GeralBioestatística: Tal como aconteceu com Biomatemática, o “Bio” só está ali para associar ao curso. A matéria é estatística, pura e simplesmente. Entramos no campo das probabilidades, das distribuições e das inferências. Embriologia e Histologia Animal: Esta cadeira está dividida em duas partes: Embriologia Animal e Histologia Animal. Na primeira parte acompanhamos o desenvolvimento do embrião até que é feto, focando cada mudança que ocorre de dia para dia e as diferenças de animal para animal. A Histologia Animal está relacionada com o estudo de tecidos – características que os distinguem e funções -, como o tão conhecido tecido muscular, por exemplo. Biologia dos Anacordados: É a cadeira que requer mais estudo no semestre todo, porque a matéria é IMENSA! Corresponde ao estudo de alguns dos milhões de invertebrados (anacordados) que existe espalhados pelo mundo, desde a sua classificação taxonómica à sua morfologia, locomoção e alimentação, entre outros aspetos. Morfogénese Vegetal: Está relacionada com plantinhas, a sua formação, características, funcionamento, … Fala-se de hormonas vegetais, fotomorfogénese, tropismos, nastias, floração, crescimento e maturação dos frutos, germinação, e muito mais. E é a cadeira que menos gosto! Genética Geral: É uma cadeira onde se estuda Genética de uma forma mais geral, dá-se um pouco de cada tema – como genética de populações, genética quantitativa e citogenética – mas não se aprofunda tanto como se podia aprofundar. Faz todo o sentido porque, no segundo ano, por exemplo, há uma cadeira que aprofunda a Genética Molecular. 

“Consideras a UTAD uma boa universidade em relação ao ensino de Biologia?” 
Considero! Não porque é a universidade que frequento, mas sim por uma coisa que me fascinou desde que conheço a UTAD: o Jardim Botânico. A UTAD está inserida num Jardim Botânico – Jardim Botânico da UTAD – que é considerado um dos maiores da Europa. O facto de estudar a vida das plantas e dos animais dentro de um local onde o que há mais é plantas e animais facilita o estudo, afinal de contas todos os dias estou em contacto com plantas e animais e todos os dias temos à nossa disposição um Jardim Botânico para nos ajudar na classificação de espécies, por exemplo! O Jardim Botânico só traz vantagens. 

“Biologia tem futuro ou vais direitinha para o desemprego?” 
Para dizer a verdade, eu acho que tem futuro. Biologia é um curso muito geral - que fala quer de animais, quer de plantas –, por isso abrange muitas áreas, como Ambiente, Gestão de Recursos, Saúde, Biotecnologia, Indústria Alimentar, Produção Vegetal e Animal, Biologia Estrutural, Funcional e do Desenvolvimento, Citologia, Histologia, Evolução e Biodiversidade… Sendo Biologia um ramo científico, os biólogos podem exercer funções na área de investigação (em plantas, animais ou ambos), em empresas dos ramos agroalimentar, químico, farmacêutico, biotecnológico e ambiental, assim como em centros médicos e hospitalares, na gestão de conservação de áreas protegidas, em parques naturais e reservas, em jardins zoológicos e até mesmo em instituições de ensino superior. Há um enorme leque de profissões que um biólogo pode exercer, no entanto, para aqueles mais decididos e que sabem precisamente o que querem, é aconselhada uma especialização através do 2º ciclo de estudos, o mestrado. 

“O que dirias a alguém que queira ingressar em Biologia?” 
Diria que Biologia não é, de todo, um curso fácil como já ouvi pessoas a dizer. É um curso para quem está realmente interessado em estudar a vida em geral. Se só gostam de animais, procurem um curso como Zootecnia ou Medicina/Enfermagem Veterinária. Se só gostam de plantas, escolham um curso como Engenharia Agronómica. Mas se gostam de ambos, então Biologia é o ideal. 

Para terminar, tenho a dizer:
Estudem muito! Não basta gostar do curso em que estamos. Claro que se gostarmos, o nível de motivação é muito maior, mas isso não vai ser o que vos vai salvar das frequências e dos mil e um trabalhos que, muito provavelmente, terão para fazer. Não deixem as coisas para a última da hora! Eu sei que já devem estar fartinhos de ouvir os professores a dizer isto, mas foi quando cheguei à faculdade que percebi que, realmente, o tempo é precioso! Não achem que basta fazer para a semana porque ainda “falta muito tempo”. Pode sempre surgir imprevistos, pode acontecer terem de estudar para alguma cadeira que tenha montes e montes de matéria. Se houver trabalhos de grupo, insistam para que comecem a fazer o que têm de fazer uns dias/uma semana antes. Não deixem que vos digam, no dia anterior ao dia de entrega, que têm de fazer o trabalho. Eu já passei muitas noites acordada por causa destas coisas. O tempo só chega para tudo se formos muito responsáveis e se “não deixarmos para amanhã o que podemos fazer hoje”."

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Ava, Aluna do Primeiro Ano da Licenciatura em Biologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Ava irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

4 comentários:

  1. Pelas cadeiras que apresentaste, parece-me ser um curso interessante :)

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  2. Tenho uma amiga nesse curso e sempre achei-o interessante :)

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  3. Confirma o interesse que tinha por Biologia. Adoro esta rubrica! :)
    Estou indecisa entre este curso e Bioquímica.

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    1. Eu gosto mais de Biologia do que de Bioquímica. Acho que Bioquímica acaba por ter química a mais para mim!
      Mas, pelo menos na UTAD, há cadeiras em comum. Conheço uma pessoa em Bioquímica e ela tem Biomatemática, Bioestatística, Biologia Celular, Química, Embriologia e Histologia Animal e Biofísica. Mas depois eles apostam nos fundamentos da química e coisas que tais, e eu prefiro animais e plantas :)

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