Thirteen

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Ciências da Cultura

"Fazer carreira como jornalista mora na minha cabeça desde o meu 7º ano. Não passa pela cabeça de ninguém que uma miúda com 13 anos já tenha o seu futuro decidido mas a verdade é que eu já o tinha, e muito bem traçado na minha mente. Lembro-­me até de escrever num papel os passos que tinha que seguir para poder chegar onde realmente queria. Acho que o facto de ser tão interessada por aquilo que se passa à nossa volta, pela informação e novidade, me fez querer enveredar por este meio. Posto isto, apliquei­-me ao máximo para poder seguir o meu sonho. (Esse "máximo" não foi o suficiente, nem foi, na verdade, o meu máximo, porque não mo foi permitido).

Acabei a média do secundário com 14, qualquer coisa, no curso de Ciências Sociais e Humanas.. Se estava satisfeita com a média? Bitch please, não, de todo. Se chegava para entrar no que queria? Muito menos. Se tentei? Não podia não o fazer, até entender mesmo que não conseguia ingressar na instituição que queria. Não consegui entrar em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social (que é, nada mais nada menos, que a instituição com que sempre sonhei), nem no curso de Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Eram as minhas duas opções, e falhei na entrada em ambas.

Algo que aprendi desde que entrei na faculdade é: tem a certeza que é aquilo que queres; se não tiveres a certeza, pensa o que podes fazer a partir das cadeiras que tens; se te sentires perdida/o, não te preocupes, tens imensas pessoas no mesmo barco que tu. Mas, acima de tudo, não te arrependas. E se te arrependeres, faz questão de saber que não é tarde demais.

A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) nunca tinha sido uma opção minha. Nunca tinha ponderado sequer candidatar­-me, e, sinceramente, não tinha conhecimento do curso de Ciências da Cultura. Decidi candidatar-­me porque uma amiga minha me sugeriu, e o meu arrependimento é nulo (acreditem que ainda faço uma festa por causa disto, porque sou das poucas que não se arrependeu).

O meu curso, apelidado de CC na FLUL, tem a duração de 3 anos e é uma licenciatura que tem como base diversas cadeiras de cultura, e tantas outras mais direccionadas para a comunicação. As cadeiras de cultura percorrem a história, desde a Grécia Antiga (Cultura Clássica) até à Cultura Moderna ­e são uma verdadeira linha cronológica (que não precisa de ser historicamente seguida, apesar de estar tudo interligado) cultural. Para além da história e cultura até ao período em que nos encontramos, o curso também tem cadeiras como Cultura e Sociedade, História das Ideias Contemporâneas, Cultura Visual, entre outras, em que se fala sobre sociedade e o mundo que nos rodeia. Estudam-­se diversos conceitos relacionados com "cultura", aprende­-se sobre a sociedade, o desenvolvimento de ideias e do mundo. É uma panóplia de cadeiras de estudo de processos sociais.

Em relação às cadeiras de comunicação as coisas são um pouco mais complexas. Admito que me desiludiram em certa parte, porque esperava algo mais prático e mais direccionado para a comunicação social. Acabam por ser cadeiras teóricas (pelo menos as que tive até agora), em que se aprende sobre comunicação, como funciona a transmissão de informação até ao receptor, bastantes conceitos relacionados com a área, estuda-se também a publicidade, conseguindo também estimular a criatividade dos alunos através de certas matérias e trabalhos sugeridos, para além de que desenvolvemos facilmente o espírito crítico. Não está directamente relacionado com comunicação ­ pelo menos não como eu pensava (julgava ser algo prático e relacionado com jornalismo) contudo elucida bastante sobre a área em questão.

Como em todos os cursos da instituição onde estudo, temos cadeiras opcionais para escolher, de modo a completar os créditos necessários, nas quais podemos escolher línguas. Contudo, o curso de Ciências da Cultura tem Inglês como língua obrigatória e faz­-se até ao fim da licenciatura, tendo um nível todos os semestres. Na minha opinião, acho isto óptimo porque é uma forma de estudarmos e de se aperfeiçoar a língua, que iremos, certamente, necessitar de falar quando entrarmos no mercado de trabalho.

Na licenciatura está incluído estágio proposto pela faculdade, com diversas parcerias (se não estou em erro, os estágios mudam todos os anos), mas o local de estágio também pode ser proposto pelo aluno. Para além de estágio, também há seminário, como opção a quem não vai estagiar. A realização do estágio tem uma duração mínima de 120 horas, e pode ser feito tanto numa entidade pública, como numa privada.

Conheço quem não goste do curso. É muito teórico, e super trabalhoso, algumas cadeiras são aborrecidas, vão encontrar professores muito tramados e bastante dispersos (apercebi­-me também de que dar cadeiras relacionadas com cultura pode dar com alguém em doido;­ muitos professores meus são verdadeiros exemplos disso!), mas não é algo impossível. Acima de tudo é necessário ter muitas bases de cultura geral para podermos, de certa forma, entender certas referências feitas pelos professores (que supõem, obviamente, que conheçamos), e cabeça para aprender tantos conceitos e interiorizar e estudar a linha cronológica até à actualidade. Algo que me agrada bastante no curso, é que quase todas as cadeiras ­- ou unidades curriculares, como lhes preferirem chamar -­ estão interligadas, e é possível utilizar isso em frequências e trabalhos. É um curso que acaba por nos enriquecer muito ao nível cultural, não em relação a culturas de países, mas sim das sociedades do mundo.

A licenciatura tem diversas saídas profissionais, uma não muito vasta lista, mas todas elas relacionadas com cultura, onde também são aplicados os conhecimentos de comunicação que aprendemos no curso. Para mais informações, podem visitar o site onde está descrito o curso.

E agora vos dou o meu testemunho face todas estas explicações super sérias do curso: não me arrependo, mas dou com aquilo em doida! Já cheguei a puxar cabelos por causa de professores, a roer as unhas e até a chorar devido à pressão. Apanhei um trauma com uma professora que me chumbou com 9,4 no primeiro semestre do meu primeiro ano, e o mundo caiu­-me porque não pensava que aquilo fosse possível. Mas foi! Eles têm a faca e o queijo na mão, e nós estamos ali no meio, a rezar a todos os santinhos da cultura para que o fim seja benéfico para nós. E, caso escolham este curso, não sejam totós como eu fui: comprem livros em segunda mão  e depois vendam-­nos caso vejam que não precisam deles futuramente.

Foi graças ao segundo semestre do primeiro ano (terminei agora o segundo ano do curso), que descobri, de certo modo, a minha "vocação". Jornalismo cultural é o que quero seguir, e compreendi que não podia estar noutro curso relacionado com jornalismo, porque não me iria proporcionar (e nem iria eu descobrir) esta vertente que tanto me interessa."

diorangel:

- Sweet like a Strawberry Lemonade - Themes -

Adriana, Aluna do Segundo Ano da Licenciatura em Ciências da Cultura na Universidade de Lisboa.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Adriana irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

3 comentários:

  1. r: Eu também nunca os usaria no dia-a-dia, mas para a praia sem dúvida :)

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  2. novidade no meu cantinho, passa por lá :)

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    1. r: devo confessar que deve ter sido das poucas vezes que me vesti completamente de preto xd
      costumo usar cores neutras mas tanto preto não, mas vezes não são vezes :)

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