Thirteen

TEMPO DE ANTENA | Tirania ou Feminismo?

"Orgulho-me de me afirmar como Feminista. Acho que todos nós - independentemente do nosso género, orientação sexual ou raça - deveríamos orgulhar-nos de pertencer a um movimento que luta por algo tão natural como nobre, como é a igualdade entre géneros. Vivemos numa sociedade que se encontra em constante mudança de ideologias, sejam elas políticas ou culturais, mas que, ao mesmo tempo, se vê incapaz de equilibrar a balança no que diz respeito às minorias sociais. Preferindo continuar a ignorar as desigualdades que são tudo menos numéricas. 

Acho interessante a forma como o mundo em geral olha para o Feminismo e para as Feministas. Vêem-nos quase como terroristas, como pessoas dispostas a alterar, de forma alucinante, o curso das coisas. Questiono-me se será assim tão absurdo lutar por uma educação que seja digna para ambos os géneros. Em que as raparigas, futuras mulheres, possam ter uma educação que se concentre no crescimento do seu espírito e da razão. Que não sejam educadas simplesmente para se manterem caladas quando são expostas como um objecto sexual, um troféu. Desejo que, desde de tenra idade, elas aprendam a não competir umas com as outras pela atenção de rapazes. E que aos rapazes, lhes seja concedido uma educação onde possam ser livres de exprimir toda a sua humanidade (emoções, desejos...), sem que isso seja visto como uma vulnerabilidade ou que ponha em causa a sua masculinidade. 

Como a escritora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie, disse num discurso que fez à turma de 2015 da Universidade americana, Wellesley: 'Eu já sabia que o mundo não estende às mulheres as mesmas cortesias que estende aos homens. Eu também sabia que vitimização não é uma virtude e que ser discriminada não transforma ninguém numa pessoa melhor ou moralmente superior. Eu sabia que os homens não são inerentemente maus ou cruéis. Eles são apenas privilegiados. E eu sabia que o privilégio cega, porque é da natureza do privilégio cegar.' Isto leva-me a perguntar se será assim tão incompreensível a possibilidade das mulheres terem os mesmos privilégios que os homens, nos mais variados campos da vida contemporânea? E será, consequentemente, impossível os homens terem os mesmos direitos nos campos em que as mulheres tem um papel mais interventivo? Não me quer parecer. 

E é por isso que hoje falo de Feminismo. Acho importante espalhar a mensagem que ser Feminista não é o mesmo que Femismo (recuso-me a pensar que este engano seja apenas devido a problemas de semântica) e recomendo mesmo uma pesquisa - nomeadamente à visualização da TED da autora anteriormente referida, We should all be feminists e à leitura de um artigo do Thought Catalog, It’s Time We Talked About Feminism…Properly - a todos os que insistem em martirizar tanto mulheres como homens, pelo facto de se afirmarem como Feministas. Porque é importante afirmar-mo-nos como tal. É importante perceber que Feminismo tem esse nome por alguma razão. Feminismo, é assim chamado, porque defende os direitos de um grupo social que por séculos foi negado o acesso a um papel mais participativo em campos como as ciências, as artes ou o mundo empresarial. 

Ser Feminista é aceitar as escolhas dos outros. Ser Feminista é defender a igualdade de direitos e mais especificamente de géneros. Ser Feminista é recusar o argumento "Porque és mulher" / "Porque és homem". Ser Feminista é acreditares na tua felicidade. Ser Feminista é rejeitar a ideia de que és obrigado a negares os teus próprios desejos, sonhos e sentimentos. Ser Feminista é contestar a existência de um "sexo forte". Não se deixem iludir. A desigualdade entre géneros ainda é um problema da sociedade actual que vale a pena ser discutido. Lembrem-se que toda a gente vê o mundo de maneira diferente, mas isso não quer dizer que estes problemas não existam."


Inês, Inn Contact.

3 comentários:

  1. Gostei muito do texto. É um tema que tem um papel ativo na minha vida e faço para que tenha também um papel crucial na vida daqueles que me rodeiam. A verdade é que muitas vezes sou ignorada ou recebo respostas do género "Tu não defendes a igualdade de géneros defendes apenas o papel da mulher" (o que nem sequer é verdade, mas convenhamos que a maior parte destas respostas é me dada por homens) ou "Hoje em dia já não há desigualdade de género". As pessoas não fazem ideia de que este continua a ser um problema que ainda não foi vencido e enquanto for livre de expressar aquilo que penso fá-lo-ei sempre!
    Blog: Confissões da Andreia

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  2. Também sou feminista e estou constantemente (de maneira delicada) a tentar fazer ver a toda a gente à minha volta que o feminismo é algo importante e que não é um título exclusivo das mulheres.Parabéns pelo texto! (:

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