VIDA ACADÉMICA | Duplas Licenciaturas

As Duplas Licenciaturas são comuns noutros países (Inglaterra, Espanha, Estados Unidos...) mas, em Portugal, ainda não são vistas com bons olhos. Para já - e apesar de algumas Universidades Públicas terem manifestado a sua vontade de as incluir na sua oferta formativa - são leccionadas nas Universidades Privadas e, só por aí, são criticáveis aos olhos de muita gente. Mas, afinal, em que consistem e porque têm sido alvo de tanta polémica? 

Uma Licenciatura Dupla é uma Licenciatura mais longa que confere ao aluno o grau de Licenciado em duas áreas que se sobrepõem. É uma Licenciatura de quatro ou cinco anos - dependendo da Universidade e dos cursos seleccionados - onde se aproveitam as cadeiras que os dois Planos Curriculares têm em comum. 

Ao contrário do que muita gente pensa e diz, não é permitido fazer uma Dupla Licenciatura em áreas não complementares; se o aluno escolhe formar-se em Ciências da Comunicação não pode somar cadeiras de Engenharia Civil ao Plano de Estudos nem fica com uma Licenciatura em cada uma dessas áreas. Para lhe ser conferido o título de Licenciado em Ciências da Comunicação e em Engenharia Civil continua a precisar de duas Licenciaturas diferentes. A modalidade de estudos da Dupla Licenciatura só é aplicada a áreas que se enriquecem mutuamente (como Comunicação e Marketing ou Direito e Gestão, por exemplo).

Se eu fizer uma Licenciatura em Comunicação e se mais tarde quiser fazer, na mesma instituição, uma Licenciatura em Marketing, provavelmente terei equivalência às cadeiras que fiz na primeira Licenciatura e que existem novamente no segundo Plano Curricular, correcto? No caso da Dupla Licenciatura o sistema é o mesmo. A única diferença é que, nessa situação, o aluno tem mais cadeiras por semestre conseguindo concluir cadeiras de duas Licenciaturas por um preço mais convidativo, sem reinscrições na Faculdade ou somas de matrículas e taxas de candidatura. Em vez de cinco ou seis cadeiras por semestre, o aluno da Dupla Licenciatura tem sete ou oito e consegue uma formação complementar, com cadeiras que não teria na Licenciatura normal. E é uma vantagem para quem consegue lidar com o aumento da pressão, do trabalho, dos elementos de avaliação e da carga horária.

Na minha opinião, a única polémica que poderá eventualmente surgir está exclusivamente relacionada com o número de equivalências dadas entre os dois Planos Curriculares e não tanto com o tempo que um estudante demora a concluir um curso (ou dois). No entanto, não me sinto à vontade para escrever sobre essa questão pois não tenho conhecimentos suficientes para debater esse tema; não estou numa instituição onde existem Duplas Licenciaturas nem conheço ninguém que esteja a fazer uma. Para mim, a ideia do 2 em 1 é boa e, se funciona em muitos outros países, poderá perfeitamente ser vantajosa para os alunos que a seleccionam em Portugal. Isto se for bem implementada, claro.

15 comentários:

  1. pois... agora vamos a ver é se funciona de facto!

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  2. Eu pensei em fazer algo do género: concluir a licenciatura em gestão e tirar um curso completo de contabilidade, com as cadeiras essenciais para realizar o exame para ser técnica oficial de contas, uma vez que o plano do meu curso só me oferece 3 cadeiras desse curso. Isto é algo que estou a ponderar fazer no futuro, mas adorava que houvesse algo como tu dizes: poder complementar duas licenciaturas e assim ficava apta para fazer o exame. Poupava imenso dinheiro com isso!

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  3. Não tenho uma opinião sobre isto por isso, não posso opinar!

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  4. Eu por acaso sempre achei uma excelente ideia e uma forma de poupar tempo e burocracias aos alunos. Claro que teria que ser bem planeado e bem feito, mas como acho que há muitas core skills comuns a mais do que uma área, faria todo o sentido e daria até uma formação mais ampla aos alunos que optassem por fazer logo duas licenciaturas. Mas acho que ainda vai demorar a ser implementado e bem visto em Portugal.

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  5. Eu não me oponho nada a isso. Nos Estados Unidos é muito usual e não são piores (ou melhores) alunos por causa disso. Cada um tira o que quer e se querem tirar um major numa coisa e um minor noutra só fazem é bem. Se fosse eu gostava de tirar uma em Enfermagem e Literatura Inglesa (ou qualquer coisa do género) ao mesmo tempo. Mas são de áreas distintas por isso fico-me por Enfermagem por agora :p

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  6. Sinceramente nem tinha conhecimento das duplas licenciaturas!

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  7. Tomei conhecimento deste assunto com uma publicação no facebook de um amigo a dar conta de uma dupla licenciatura na Católica do Porto: Gestão e Direito.
    Pessoalmente, acho excelente e cada vez mais importante que os cursos abranjam áreas complementares, acredito que para o profissional que se está a formar é essencial e uma grande mais valia. No entanto... para isso, criam um curso específico. 5 anos a estudar Direito e Gestão - quando o curso de Direito, por si só, é de 4 anos e Gestão é de 3 ou 4 - e no final saem licenciados nas duas áreas? Não sei se me faço entender, mas não descredibilizo o ensino, acho injusto (e díficil...) apenas o título de licenciados nessas duas áreas.
    Talvez esteja a ser um pouco mente fechada, mas a verdade é que também não tenho muita informação, apenas o que li e pesquisei por mim mesma . :)

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    1. A questão do tempo acaba por ser irrelevante porque as cadeiras de ambas as Licenciaturas são feitas durante esses cinco anos em simultâneo. Isto é, ninguém faz o curso de Direito em 4 anos e o de Gestão em dois semestres. Os alunos que escolhem uma Dupla Licenciatura têm mais cadeiras ao longo dos cinco anos (7 ou 8 por semestre em vez das habituais 5 ou 6, na maior parte dos casos). As únicas cadeiras que o aluno não faz são as que existem em ambos os cursos (se tiverem Introdução à Economia em Direito e existir também no Plano Curricular de Gestão, por exemplo, não a fazem duas vezes). Isto no formato teórico da Dupla Licenciatura, claro; na prática não sei ao certo como tem vindo a ser implementado. Seja como for, não consigo imaginar outra forma de o fazerem, pelo menos... E acho que fazer tantas cadeiras por semestre não é para toda a gente (eu própria não sei até que ponto conseguiria fazê-lo) (:

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    2. Sim, faz mais sentido mas, ainda assim, acho dificil formar-se um profissional competente em duas áreas tão complexas em simultâneo! Claro que, como dizes, não é para qualquer pessoa e se realmente for eficaz, então acho bem que se implementem :)

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  8. Há sempre argumentos contra e a favor. Como tu disseste tens uma formação complementar e, logicamente, serás mais bem recebida no mercado de trabalho porque supostamente sabes mais do que aqueles que tiraram só a licenciatura normal. No entanto, é como dizes, só funciona com pessoas que lidam bem com carga horária e alta pressão. Por exemplo, para mim sei que isso não funcionava. Já sou muito stressada só com 6 cadeiras por semestre, quanto mais com mais 2 ou 3. Para além de que acho que iria estar dispersa por ter várias cadeiras por fazer e os resultados, mesmo que as fizesse, não seriam tão bons.
    Mas concordo com essa implementação na universidade pública, para quem consegue gerir o tempo é óptimo!

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  9. eu acho que a ideia é boa.. Mas ainda não me inspira confiança.. mas ainda só agora começou a ser falado.
    Mas acho que também devia de ser possível no ensino público

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  10. Estou actualmente a terminar um duplo mestrado internacional e garanto que tem sido uma experiência super interessante e enriquecedora!

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  11. A ideia é boa na questão de se poupar tempo e dinheiro. Mas como vi aí num comentário acima, a Católica oferece Gestão+Direito, e eu, que sou de Direito, não vejo com bons olhos esta mistura. Não pela mistura em si, obviamente, mas Direito não é um curso assim tão fácil para se ter outro ao mesmo tempo e ainda ficar licenciado em ambas as áreas. Pelo menos na minha faculdade, sei bem o trabalho que dá. Alguma coisa tem de ser menosprezada, simplesmente não acredito que eles vão tão fundo nas coisas como nós ou como um aluno de Gestão.

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    1. Não vou referir nenhuma Universidade ou Faculdade portuguesa porque não conheço a sua oferta formativa no âmbito das Duplas Licenciaturas nem conheço ninguém que esteja a fazer uma.

      Porém, as únicas cadeiras que o aluno não faz são as que existem em ambos os cursos (se tiverem Introdução à Economia em Direito e existir também no Plano Curricular de Gestão, por exemplo, não a fazem duas vezes tal como aconteceria se no fim da primeira Licenciatura escolhessem inscrever-se na segunda na mesma instituição).
      Esse argumento de "não ir tão a fundo nas coisas" não se coloca porque os alunos das Duplas Licenciaturas estão inseridos nas turmas normais, com os alunos que estão a fazer "apenas" uma Licenciatura, a diferença é que, na verdade, pertencem a duas turmas e estão inscritos em mais unidades curriculares. E acho que fazer tantas cadeiras por semestre não é para toda a gente. No fim dos cinco anos (tempo este que também varia) o aluno acaba por conseguir fazer todas as unidades curriculares de ambas as Licenciaturas e essa é uma questão que depende da compatibilidade de horários, da exigência de cada semestre e da forma como o aluno lida com isso.
      Nem toda a gente terá estofo para tudo o que implica ter tantas cadeiras por semestre. Eu provavelmente não teria (ou, pelo menos, não alcançaria resultados tão satisfatórios como os que tive ao longo da minha Licenciatura) logo esta modalidade de ensino não é uma opção para mim.

      No entanto, também é pertinente referir que esta é a "base teórica" - chamemos-lhe assim - das Duplas Licenciaturas e o que tem vindo a funcionar lá fora, onde há diversas modalidades de Ensino. Em Portugal esta questão ainda não foi muito abordada - passou um ano desde que fiz esta publicação e a informação disponível é a mesma - e não sei se na prática segue esta lógica.

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