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ATUALIDADE | Taxistas? Motoristas Privados?

Não ando de táxi - porque não faz sentido para mim, porque não preciso, porque gosto de andar a pé, porque existem outros transportes - e não recorro a serviços da Uber porque na minha cidade não existem. Porém, depois de tudo o que tem vindo a acontecer nos últimos dias e do tipo de carácter que tem vindo a ser demonstrado, se fosse lisboeta e se porventura precisasse dum táxi, mudava de ideias, descarregava a aplicação do momento e recorria ao sistema do motorista privado que me abre a porta e que não me surpreende na hora de efectuar o pagamento.

Sou apologista de manifestações e greves quando elas fazem sentido, quando têm razão de ser, quando são bem explicadas, quando são feitas nos moldes correctos e legais. É para isso que a democracia serve e, se as condições de trabalho não satisfazem o grupo, não vejo problema algum em demonstrar esse descontentamento desde que isso seja efectuado com cabeça, tronco e membros. A comunicação é essencial à evolução e as manifestações são, também elas, uma forma de comunicação. No entanto, nesta guerra de transportes, os taxistas levaram a questão da greve e da manifestação longe demais e, no meio destas confusões todas, é a Uber que ganha. Com razão.

Os taxistas estão numa situação complicada. Há licenças específicas, impostos, certificados de aptidão profissional, tarifas... Coisas que têm que ser pagas, que estão na lei, que são necessárias à circulação do táxi e à profissão de taxista. Percebo o descontentamento e os pedidos de alteração de leis para com as empresas de transportes em questão mas, ao mesmo tempo, não sei até que ponto faz sentido criticar e difamar um serviço que seria inevitável num mundo cada vez mais tecnológico.

Antes de dizermos que a Uber é ilegal devemos tentar perceber como as coisas funcionam (para isso, recomendo este artigo do Observador). E quando compreendemos essa questão, percebemos também que a empresa não actua fora da lei - até porque há um serviço que é proibido e que continua a não existir em Portugal -, que não estaciona os seus carros nas praças de táxis, que tem profissionais certificados. A Uber é uma plataforma que liga utilizadores e empresas de transporte privado. Só isso. Não é uma empresa de transportes - daí não ter que seguir determinadas regras que os táxis são obrigados a seguir - e apesar de ser, sim, uma empresa concorrente ao sistema de táxis, os motoristas que trabalham para a Uber são motoristas certificados e cumprem todas as regras exigidas por lei para esse tipo de empresas. Não é uma aplicação ilegal; é uma ponte tecnológica entre empresas e utilizadores.

Mas voltando às manifestações que têm estado em todos os noticiários: depois de tantas queixas de utilizadores de serviços de táxi - pela falta de simpatia e de limpeza, pela condução, pelos preços abusivos, pela falta de condições... - não faria mais sentido tentar melhorar o próprio serviço em vez de fazer manifestações à base de ameaças e violência? Por muito desesperados que estejam os taxistas, faz sentido agredir colegas de profissão que não podem - ou simplesmente não querem - aderir à greve?! Por muitos argumentos válidos que os taxistas tivessem, perderam-nos com as atitudes deploráveis que escolheram tomar esta semana e fizeram uma coisa que prejudicará todo o sector: enterraram a reputação de TODOS os taxistas. Nem todos são farinha do mesmo saco e nem todos partiram para a violência mas é isso que fica na memória e é disso que as pessoas se vão lembrar sempre que pensarem em chamar um táxi. Paga o justo pelo pecador, como costuma dizer a minha avó. 

Como já referi, no meio disto tudo, é a Uber que ganha, não só porque agora toda a gente conhece o seu modo de funcionamento mas também porque a imagem da empresa está num patamar acima graças a todos os comentários dos utilizadores, graças a todas as avaliações e, claro, graças a todas as imagens tristes e deploráveis de manifestações que têm sido mostradas nos meios de comunicação social. Não é por acaso que a aplicação passou a líder na AppleStore. Esta polémica anda de mãos dadas com a boa publicidade. São pontos extra para a Uber.

11 comentários:

  1. Eu já não ando de táxi desde aquela notícia de um taxista que espancou uma rapariga por ela se ter despedido da amiga com um beijo na boca. É suposto haver alguma segurança, afinal de contas às vezes a escolha de chamar um táxi recai no facto de não ser muito seguro andar a pé à noite... Sei lá eu se um dia me calharia na rifa ser espancada pela pessoa a quem confiei para me levar para casa em segurança? Um bocadinho de paranóia, mas nunca se sabe.

    Como tu dizes e com razão, nem todos são farinha do mesmo saco, mas esse saco violento e volátil é demasiado grande para o gosto de muita gente e a violência nunca é a resposta.

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  2. Desde que fui estudar para Lisboa já andei de táxi 5 vezes, uma delas sozinha, as outras quatro sempre acompanhada, nunca tive nenhum problema mas só fiz uso desse transporte porque não tinha mesmo outra alternativa!! Nunca foi um meio que me transmitisse segurança apesar de nunca ter tido uma má experiência!! Agora depois de hoje,os táxistas (no geral) não deram um tiro nos pés, cortaram-nos mesmo!!!

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  3. Eu raramente uso táxi, só mesmo no caso de não conseguir outro transporte.

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  4. Estou bastante perdida neste assunto, não estava a par da situação...

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  5. Sempre andei de táxi e nunca tive problemas, mas está situação só vai dar mais clientes à uber!

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  6. Já soube de muitos taxistas que se juntaram à Uber e na minha opinião foram os mais espertos. A uber é super usada nos outros países e, se não é nosso, é só por causa desta polémica. Mas não tenho dúvidas que irá ser muito usada, tal como disseste, num mundo cada vez mais tecnológico. Esta violência só lhes fica mal e depois de várias notícias sobre agressões de taxistas, só andarei de táxi se não tiver opção.

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  7. Também não ando de taxi porque felizmente Lisboa tem uma boa rede de transportes e, nos casos em que os transportes me falham ou não são suficientes, vou-me safando com as boleias da minha família e amigos. Ao lado do café da minha mãe, onde fico a trabalhar com alguma frequência, está sediada uma firma de taxis com cerca de 20 motoristas. E apesar de serem todos simpáticos para nós no café e de se darem super bem connosco e trazerem imenso lucro, são todos terríveis profissionais. Só falam em enganar turistas, cheiram mal (a alcunha de um é mesmo "cheira a merda" porque não muda de roupa nem toma banho e de outro é "alambique" igualmente por causa do mau cheiro), não têm uma conversa construtiva, um deles anda sempre com música chinesa aos altos berros porque tem o filho na china e os clientes têm que aguentar. O chefe rouba dinheiro à firma e abandona o posto de trabalho para ir passear com a minha mãe para os armazéns onde ela vai fazer compras para o café. Metade dos tacistas têm registo criminal e, dessa metade, uma boa parte ainda consome drogas ou está ligada a negócios ilegais. Um deles tem contrato com uma casa de prostituição e passa a vida a impingi-la aos turistas, mesmo quando eles preferem ir para um bar normal. Os carros cheiram muito mal e estão a cair de podres, etc. Ou seja, conviver com taxistas de perto e conhece-los pessoalmente tornou-me super fã da uber! Preferiria ajudar o comércio nacional se as pessoas que estão atrás do volante fizessem um esforço para proporcionar um bom serviço. Até lá, torço pela Uber e por carros limpinhos e motoristas profissionais.

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  8. concordo contigo em tudo o que disseste. Não poderia ter escolhido melhor as palavras. Em primiero lugar qualquer pessoa ou grupo perde a razão quando parte para a violência e por outro lado, apesar de perceber o lado dos taxistas, as pessoas têm de entender que o mundo, tal como tu disseste, está em constante evolução e, como tal, as pessoas não vão ficar permanentemente ligadas a ums erviço de transporte um tanto o quanto antiquado. Era o mesmo que as costureiras artesanais "partirem a loiça toda" só porque apareceu a produção industrial.
    Beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  9. Mesmo fazendo o meu dia-a-dia em Lisboa, raramente uso o táxi, dando preferência ao metro que é fantástico. No meu universo diário, talvez os táxis fossem algo a pensar apenas em saídas à noite e, nesse caso, iria optar pela Uber. Não só pela facilidade de dividir o preço com quem viesse comigo como iria poder saber de antemão o preço. Não gosto de táxis e sempre que apanhei um tentaram enganar-me fazendo um percurso absurdo para chegar ao meu destino. Ao ponto de exigir que voltasse para trás e me levasse pelo caminho que queria sem pagar mais ou iria reclamar. Acho que a maior parte dos taxistas abusam e extorquem tudo o que podem às pessoas e, infelizmente, nesta manifestação, o abuso provocado por eles não os ajudou a limpar a imagem que tenho deles. São 20 pontos a menos que lhes dou (a contar com os negativos que já somam).
    De um ponto de vista estratégico, não tenho dúvidas: ou esta rede do transporte por táxis evolui e acompanha estas novas saídas de mercado ou não adianta o número de manifestações que façam, vão sair a perder. Esta estratégia é rudimentar e péssima para negócio.

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  10. concordo a 100% contigo. ocasionalmente ando de táxi e já tive experiências menos boas, acho que a solução passaria por melhorar o serviço em vez de manifestações violentas

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  11. Durante o ano letivo ando de taxi algumas vezes. Embora haja condutores bastante simpáticos e sérios, grande parte deles não são assim. Já fiz viagens com o codutor a falar ao telemovel dizindo que ia matar alguem, que tentavam a sua sorte amorosa pelo cominho, que se "enganavam".. Eu sei que se não estiver de traje, ou pelo menos com a pasta, me vão levar por um caminho aburdo. O meu sotaque, comparado com o do Porto, não ajuda nada nessas situações. Eu não me sinto minimanete segura a andar de taxi sozinha. Com a Uber o serviço é completamente diferente. É mais barato, somos melhor tratados, os carros estão mais limpos e os condutores são mais educados. E claro, para mim a melhor coisa é saber o preço antes de entrar no víeculo. Não há mas surpresas como no caso dos taxis.
    Estas manifestações só compravam isto..

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