ESTOCOLMO, SUÉCIA | Os Jardins de Infância Suecos

Não estive muito tempo em Estocolmo nem conheço totalmente as suas políticas mas quando visitei a cidade sueca consegui conhecer alguns detalhes importantes relacionados com a sociedade deste país nórdico - licenças de maternidade/paternidade, direitos das crianças, rendimentos, transportes, sistema de saúde, sistema educativo (...) - graças à pessoa que nos guiou e graças, claro, àquilo que observei.

E uma das coisas que mais me fascinou foi a questão da pré-escolar, que privilegia as actividades ao ar livre e que promove a aprendizagem das crianças no âmbito das brincadeiras - porque é isso que lhes faz falta - sem recurso a tecnologias e brinquedos elaborados dentro de salas cinzentas repletas de desenhos. Há salas, sim, mas são utilizadas apenas quando as condições meteorológicas são inapropriadas e, na maior parte dos dias, as crianças brincam nos parques, trepam às árvores, jogam à bola, correm umas atrás das outras, brincam na terra. De colete reflector, com mais ou menos casacos vestidos, de sapatilhas ou galochas, de boné ou gorro, as crianças aprendem aquilo que é adequado à sua faixa etária e fazem sestas fora das quatro paredes. Ganham defesas, sujam-se.

Os grupos são bastante reduzidos e os miúdos aprendem as regras de convivência social no meio da cidade, atribuem significados aos sinais de trânsito porque os vêem todos os dias e sabem que não devem atirar papéis para o chão porque são imediatamente ensinados a colocá-los nos caixotes do lixo. Não observam cartazes ou fotografias, têm contacto directo com as diferentes cores, texturas, estações do ano, profissões, transportes, padrões. Não sei se é assim em toda a Suécia nem tão pouco sei se acontece em todas as escolas mas gostei muito daquilo que vi. Crianças felizes e aventureiras que são desafiadas a desenvolver a sua autonomia e independência são uma mais-valia para qualquer país.

9 comentários:

  1. Em Portugal também deveria ser assim,,

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    1. Nos moldes do nosso sistema educativo é impraticável por questões de segurança. As turmas são enormes e nenhum professor (mesmo com a ajuda da auxiliar que normalmente está com ele) arriscaria sair com 28/30 crianças tão pequenas :/

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  2. É um sistema fabuloso porque pensou em tudo: na dinâmica e gestão de pequenos grupos de crianças, com certeza também apostou na formação dos professores e isso resulta de forma impecável :)

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  3. Deveria ser assim em todo o lado! A mim cada vez mais me parece que estão a obrigar as crianças a crescer depressa demais, com a quantidade e dificuldade das matérias que o ministério impõe aos mais novos!

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  4. Quando eu digo que nunca tive um gameboy ou uma playstation a maior parte dos meus colegas (entre os 22 - 29 anos) diz que não tive infância. E eu tenho pena deles, porque a infância deles baseou-se nisso. Eu não tive, porque não queria. Eu vivia numa aldeia e tinha vizinhos da minha idade e felizmente éramos todos crianças que gostavam de se sujar. Brincavamos dia e noite - até as nossas mães nos chamarem - na rua. Bricamos, jogamos futebol, basquetebol, tudo o que desse. Faziamos corridas, inventavamos estórias, eramos actores por algumas horas e tentavamos ser skaters profissionas - e corria sempre mal. Éramos mesmo muito felizes na rua, sem ecrãs e tenho pena que a maioria das pessoas ache que isso não era felicidade - porque, para eles, a felicidade está num ecrã.
    Para mim não faz sentido incutir a tecnologia cedo demais nas crianças. É óbvio que é uma fonte de informação e aprendizagem, e há jogos bastante educativos. Para além disso, alguns tipos de jogos ajudam a aumentar a rapidez de decisões e avaliação de prós e contras de uma situação. Mas miúdos na primária com tablets? Mal aprendem a escrever à mão, desaprendem? Não acho que seja justo para com eles - crescem demasiado depressa.
    Acho fabuloso a maneira como os países nórdicos vêem a educação de uma criança - seja pela escola ou pela maneira como tratam os pais depois das crianças nascerem.

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  5. Os países nórdicos dão dez a zero ao resto do mundo no que toca a educação. E fazem-no desde a pré-primária até ao secundário. Não conhecia o funcionamento dos jardins de infância, mas o que já sabia sobre o básico e o secundário e sobre o sistema de ensino deles em geral deixou-me super impressionada.

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  6. eu cada vez defendo mais que devemos aprender com os paises nórdicos da europa. Acho que os seus ideias e conceitos são aquilo que está mais correto e se funciona para eles, acho que podemos reconsiderar algumas das nossas leis e aprendem com exemplos válidos

    beijinhos
    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  7. Adoro! Deveria ser assim em todo o lado!

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