Thirteen

VIDA ACADÉMICA | Habituem-se, Recém-Chegados.

Não é novidade nenhuma: Setembro não é Setembro se não houver notícias sobre Praxe e os meios de comunicação são peritos em aterrorizar futuros caloiros, em preocupar pais e familiares e em destruir a imagem de quem se veste de negro. Normal. Se eu não conhecesse a realidade de muitos Cursos, Faculdades e Universidades, se eu não tivesse tido oportunidade de experimentar esta forma de integração, se eu me tivesse limitado às críticas que li e ouvi ao longo dos anos e se não tivesse ido à Praxe da minha Faculdade para ser capaz de construir a minha própria opinião, provavelmente eu pensaria da mesma forma. Mas não penso.

Estou há dois anos a tentar mudar mentalidades mas, para quem não está por dentro do assunto e para quem não assume uma posição crítica perante as notícias, acredito que seja complicado de perceber que há certas actividades que não podem ser consideradas Praxe, que são pura estupidez. E colocar todas as instituições no mesmo saco - e todos os alunos! - é absurdo. A Praxe não é, nem nunca foi, obrigatória e qualquer recém-chegado ao Ensino Superior tem o poder de dizer que não bebe - como eu também disse em jantares -, que não compactua com despejos de frustrações - como acontece em muitas instituições - e que não entra no mar gelado às quatro da manhã. Se têm capacidade para tirar a carta e viverem sozinhos, também têm capacidade de dizer "não" quando isso faz sentido. 

Porque há certas pessoas que precisam MESMO de ouvir um "não". Que precisam de baixar a bolinha. Que não trazem nada de bom a uma coisa que serve EXCLUSIVAMENTE para nos divertirmos, para nos conhecermos, para fugirmos à rotina da Faculdade, para criarmos laços com pessoas que nunca teríamos oportunidade de conhecer doutra forma. Mas não são todas.

A Praxe trouxe-me pessoas fabulosas, amigos para a vida com quem nunca teria laços tão fortes se não tivesse feito jogos com o cabelo cheio de farinha e o meu curso escrito na testa. E nunca precisei de engolir sequer uma gota de álcool para isso acontecer nem tão pouco coloquei em risco a minha saúde ou integridade. Garanto-vos. Nunca, em momento algum, me senti assediada, inferiorizada, rebaixada. Tenho muito orgulho na minha Instituição, na minha Faculdade, na minha Praxe. E dei sempre tudo para cumprir a minha parte, para não falhar nas minhas funções. Como Finalista, digo-vos do fundo do coração para experimentarem e para ignorarem notícias (que normalmente deixam a missa a metade). Aproveitem o primeiro ano. Sujem-se. Divirtam-se. Sejam felizes com farinha no cabelo, terra nos joelhos e o coração a bater mais forte enquanto gritam o nome do vosso curso. E preparem-se para serem insultados. Não pelas pessoas que envergam o Traje à vossa frente mas por quem está longe e não compreende.

Eu estou de consciência tranquila. E vou continuar a vestir o meu Traje com o maior orgulho e vou continuar a cumprir todas as tradições que me foram incutidas e que nunca desrespeitei. Há coisas impagáveis nesta vida; ter uma segunda família que me ensinou o verdadeiro sentido de Praxe e Tradição está nesse grupo.

 

10 comentários:

  1. Concordo. Sou caloira na tua academia e até agora senti-me sempre à vontade para dizer não quando acho que é necessário. Tenho Doutores formidáveis, colegas extraordinários, divirto-me imenso e cada vez estou mais agarrada ao meu curso. Até considero que a praxe ajuda a ficarmos mais entusiasmados com as UC's. Para já não tenho queixas. E vou continuar enquanto me for possível.

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    1. Não sei porque dizes que és Caloira na minha Academia mas isso não é possível... Quer dizer, é possível mas acho muito estranho porque a nossa Praxe ainda não começou e os alunos de primeiro ano ainda não tiveram aulas. Os Doutores, ainda não os conhecem (nem eles a nós) :)

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    2. Calma, pensei que andavas no Minho! Sempre tive essa ideia, academia enquanto Universidade. Fiz confusão, desculpa desculpa desculpa. Fica a o resto da opinião! Desculpa. :)

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    3. Eu percebi a confusão (e percebi que era com a UM por causa da tua última publicação). Simplesmente não fazia sentido estares na minha Universidade e já teres sido Praxada quando a Praxe ainda nem começou; não tens que pedir desculpa, obviamente (:

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    4. É que até fico triste comigo mesma porque sou uma leitora assídua e não sabia isso... Bem, o que conta é a outra parte do comentário :)

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  2. É verdade que as notícias só mostram os casos maus. Disso não tenho dúvidas. Da mesma forma que mostram o lado negro, deviam mostrar o lado bom. Eu e tu somos o exemplo perfeito. TIive uma Praxe péssima, com pessoas horríveis, mas não é por isso que digo que a Praxe é uma porcaria. E tu tiveste uma Praxe fantástica, porque não mostrar o lado mau com bom senso e mostrar o lado bom também? Enfim, parece uma guerra perdida.
    Mas sinceramente, se as coisas se passaram como as notícias relatam, acho muito bem que saiam cá para fora. Os doutores têm de ter consciência que a maior parte dos caloiros não beberam assim tanto álcool na vida toda e podiam ter mais cuidado com as bebidas e com a Praxe que fazem. Mas isto sou eu, completamente de fora, a pensar. Mas se cabe ao caloiro dizer "Não"? Obviamente.

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  3. Só quem vive a praxe e a vida académica é que compreende o que elas nos trazem :) também nunca bebi uma gota de álcool durante a praxe, nem nunca ninguém me obrigou a tal... nunca me trataram mal e ri-me muito! Foi bom e tenho saudades :)

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  4. Concordo contigo.. o caloiro tem o direito de dizer não... Eu nunca bebi álcool durante a minha praxe.. Ninguém pode obrigar a outra pessoa a fazer o que não quer..
    As noticias só contam a parte que lhes interessa, a parte que vai chamar espectadores e que sejam comentadas

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  5. Eu não praxo nem trajo. A minha experiência de praxe foi pouca e como não gostei decidi não fazer mais. Nunca quis trajar logo não sentia essa "obrigação" de continuar só pelo traje, como já ouvi muita gente dizer. No entanto, posso dizer que conheço a praxe da minha faculdade e sei que não é abusiva, só não gostei das actividades. No ano de caloira fiz duas vezes praxe na Residência onde estava e também não gostei. Numa das actividades pediram-me que bebesse álcool e eu disse que não. Chamaram-me fraca, meteram-me um bocado à parte mas não ia fazer algo que não queria só por medo da palavra "não". Acho que é esse o problema: as pessoas têm medo de dizer "não" talvez por acharem que lhes fazem pior, talvez porque pensam que os vão ver como fracos e eles querem passar por fortes... não sei. Só sei que é triste quando as pessoas deixam que abusem delas assim. Mas, tal como disseste, eu acho que isso não é bem praxe... é só estupidez.
    Quanto às notícias não contarem tudo... isso dava um comentário ainda maior :p


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