Thirteen

CINEMA | Marie Antoinette [2006]

Marie Antoinette ficou historicamente marcada como uma mulher austríaca fria, fútil e irresponsável que casou com o herdeiro francês com o objectivo de unir duas nações mas que assumiu o trono sem qualquer preparação para reinar. Apesar de ter sido uma figura extremamente popular no início do seu reinado, Marie Antoinette passou a ser vista como a causa da crise económica anterior à Tomada da Bastilha pela sua excentricidade e pelos gastos abusivos em Versalhes.

Porém, neste filme de 2006, Sofia Coppola decide apostar numa imagem diferente e cria uma Marie Antoinette simpática e moderna, muito senhora de si mas simultaneamente consciente daquilo que se passa à sua volta. E, logicamente, este é um filme que divide opiniões. Se por um lado há quem aplauda a inovação presente num filme de época, por outro há quem condene a fuga à reconstituição histórica.

Pela minha perspectiva, Marie Antoinette é um filme que não nos deixa indiferentes - e isso é bom. Somos quase forçados a escolher um lado - ou gostamos ou não gostamos - e não há como ficar no meio termo. Apesar de ser estranho ao princípio, a versão pop de Marie Antoinette fica bem no grande ecrã e a utilização de músicas actuais - The Cure, Bow Wow Wow (...) - não é nada absurda. Afinal, estamos a tentar conhecer a história de uma adolescente que é obrigada a desempenhar um papel difícil e que, aos poucos, graças ao ambiente onde se insere, vai caindo nas teias da superficialidade refugiando-se em doces franceses e vestidos.

Um rei louco, grandes festas, um marido desinteressado (que nunca chegamos a saber realmente se é desinteressado apenas por Marie Antoinette ou se prefere homens), dificuldades em engravidar, falhas de comunicação, uma aliança delicada entre dois países, conselhos preciosos e protocolos exigentes - e até parvos - criam um argumento sólido para o filme de Sofia Coppola. Seria mais fácil optar pelos factos óbvios da Revolução ou seguir realmente a História Francesa mas, uma vez mais, não era esse o objectivo.

E se esquecermos o lado histórico da questão, não temos razões de queixa. Um guarda-roupa brilhante, uma banda sonora maravilhosa e inovadora e uma fotografia absolutamente fascinante e cativante são as peças-chave deste filme. Podia ser aborrecido? Podia. Mas as questões técnicas não deixam que seja. Continuo a tentar perceber porque raio há um par de sapatilhas no meio dos sapatos pontiagudos, dos folhos, dos bolos coloridos e dos espartilhos mas... Este é um bom filme de fim-de-semana. Não é nada de elaborado mas é, sem dúvida, agradável ao olhar pelas cores imensas, pelo estilo de filmagem e pelos detalhes arquitectónicos focados em cada cena. Pelo que vi, eu e Sofia Coppola partilhamos o gosto pelo pormenor.


Publicação escrita em parceria com a FOX Life.

7 comentários:

  1. Adoro filmes de época e adorei este. Quanto à "parte real", estive em Versalles e na cela onde ela esteve presa, em Paris, e é uma sensação brutal pensar na história que aquele lugar tem. É quase mágico :)

    ResponderEliminar
  2. Assisti a um excerto no âmbito de uma aula de história no ano passado, gostava de o ver por completo!

    ResponderEliminar
  3. Hahaha nunca tinha visto a capa deste filme, mas gostei mais da capa do que do filme. Um filme que eu gosto bastante também é "Adeus, Minha Rainha" (é francês) e retrata a mesma época que este.

    O MEU BLOG

    ResponderEliminar
  4. A última vez que vi este filme foi há uns bons aninhos, deixaste-me com vontade de o rever :)

    ResponderEliminar