VIDA ACADÉMICA | Futuros Afilhados

Normalmente não escrevo sobre as situações que vivo no dia em que elas acontecem mas hoje tinha que o fazer. Apesar do cansaço, das dores e da vontade de tirar o Traje e de me enfiar na cama, hoje chego a casa de coração (ainda mais) cheio e escrevo assim mesmo, com o sentimento à flor da pele e o orgulho sincero estampado no brilho do olhar de quem não esperava ser escolhida para acompanhar três recém-chegados ao Ensino Superior.

Sempre encarei a Praxe duma forma muito própria e sem sobressair - pensava eu, pelo menos - no meio de tantos trajados. O meu objectivo principal como elemento da Comissão de Praxe - num ano com menos corajosos do que nos anos anteriores (porque as histórias que os media passam não perdoam e os pais ficam receosos) - era apenas um: fazer um bom ano de Praxe com tudo o que de bom eu tive e com as melhorias inevitáveis que acontecem de ano para ano. Nestas primeiras semanas tracei a capa mesmo quando o sol convidava a vestir calções. E fi-lo pelo amor à Praxe, pela vontade de ser mais e melhor, pelo orgulho que tenho em cada milímetro do meu Traje. Se esperava receber cartas de pedidos de apadrinhamento por causa disso? Não. De todo.

É realista dizer que estas três cartas foram a maior surpresa do meu ano. Se tudo correr bem - porque nada é certo por agora - serão os meus primeiros (e também os últimos) afilhados e, a par do orgulho, da surpresa e da felicidade, sinto uma responsabilidade enorme por ter a oportunidade de os receber na família. Porque apadrinhar não é um prémio. Porque apadrinhar é acompanhar, transmitir tradições e caminhar sob o olhar atento de alguém que nos vê como exemplo. Não é brincadeira nenhuma.

Julieta, Margarida e Uriel, podia dizer-vos muita coisa mas prefiro que o descubram com o tempo. Por agora, garanto-vos que estarei deste lado para vos aplaudir a cada meta e para vos dar na cabeça quando for preciso, pelo vosso bem. Tenho medo de falhar, de desiludir e de não corresponder às expectativas, confesso. Tenho. Claro que sim. Mas sinto o maior orgulho por ter sido escolhida para vos transmitir as tradições da Academia, o verdadeiro significado de Praxe e todos os símbolos que lhe estão inerentes. Não prometo ser a melhor do mundo mas prometo ser o melhor que conseguir ser. Sempre. Não prometo frases inspiradoras nem boa disposição permanente mas prometo ensinar-vos tudo o que sei e acompanhar-vos não só nas etapas simbólicas mas também nas pequeninas conquistas. Acredito - mesmo! - que vão honrar o nosso Código e chegar intactos ao final. De pé. Vocês são bons miúdos e eu espero que aproveitem tanto como eu aproveitei, que cheguem ao último ano com a mesma sensação de missão cumprida. Por agora, como Futura Madrinha, sinto não só inveja por vos ver a começar uma das melhores etapas de sempre mas também brio por me deixarem fazer parte dela. Obrigada pela honra.

7 comentários:

  1. É tão bom ter afilhados. Tenho a certeza que não vais desiludir... Eu tenho uma afilhada académica e acreditas que "acho" que ela é mesmo minha afilhada ? Agora que anadamos em faculdades diferentes continuo a estar com ela e a ir a festa de anos... (: Acho que é uma pessoa para toda a vida.

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  2. Eu também tenho 3 futuros afilhados e tal como tu, não estava nada à espera :) parabéns!

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  3. Que bom foi ler o teu texto, de verdade!
    Bom porque quando estudei (meu deus já acabei o curso há um ano), fazia igualmente como tu, por amor à praxe, por amor à academia e a tudo o que vivia, e mesmo assim havia pessoas (invejoooosas) que não encaravam isso dessa forma. E ler o teu texto enche-me de fé :)
    Parabéns pelos pedidos e agora é isso mesmo que dizes, integrar, ajudar, transmitir......
    FORÇA :)

    Beijinho*

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  4. Parabéns, eu tive dois o ano passado e ainda hoje sinto que tenho que estar presente para os acompanhar mesmo nas etapas mais simples. :)

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  5. Deve ser incrível! Parabéns Carolina!

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