VIDA ACADÉMICA | Exames Nacionais: Sim ou Não?

Começo este texto com uma afirmação simples: eu sou apologista dos Exames Nacionais no Ensino Secundário. E tenho total noção de que sou muitas vezes condenada pelo meu ponto de vista - porque sou estudante, passei pela pressão das candidaturas e devia defender exatamente o oposto - mas a verdade é essa: os Exames Nacionais no Ensino Secundário fazem sentido para mim.

A existência de um denominador comum é imprescindível quando estamos a lidar com candidaturas. E se há tanta rivalidade entre alunos, entre escolas, entre professores e entre ensino público e privado, então é ainda mais importante haver uma prova que seja igual para todos com base num regulamento rígido e correções apertadas, sem subjetividade. Anular esse mesmo denominador comum sem criar um método diferente não é, nem nunca será, opção. No mundo do trabalho há entrevistas, no mundo académico há exames. Ponto.

Eu teria todas as razões para defender a abolição dos Exames Nacionais. No meu ano os Exames não serviram como denominador comum, não foram justos e não serviram o seu real objetivo de igualdade e uniformidade. Eu fiz o meu exame de Português em condições miseráveis, envolta pelos gritos duma manifestação e tentativas de arrombamento de portas. Eu fiz o meu exame de Português três dias após o falecimento do meu avô. Eu tive que pedir reapreciação da prova de História A e fui forçada a lidar com a incompetência de quem brinca com o futuro dos jovens adultos que sonham com uma Licenciatura (escrevi sobre isso AQUI, nos primórdios deste blogue - alguém se lembra?). Volto a dizer: teria todas as razões para contestar a existência dos Exames Nacionais. E mesmo assim não o faço. Porque até inventarem outro método capaz de uniformizar os alunos, este terá de servir o seu propósito. É uma questão de justiça perante testes, professores, escolas e tipologias de ensino diferentes.

21 comentários:

  1. Eu sou da mesma opinião! Para mim faz todo o sentido haver exames nacionais, embora eu também seja uma pessoa que sofra imenso nessas épocas :)

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  2. Vou ter exame este ano, mas não deixo de concordar contigo. É uma maneira de uma vez por ano por todos os alunos em pé de igualdade

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  3. Concordo! Os Exames, por muito maus que sejam na altura em que os fazemos, são o único mecanismo que garante alguma igualdade entre os alunos. Tem tudo para correr mal, não é um dia que dita aquilo que trabalhamos ao longo de dois ou três anos inteiros e vale o que vale, mas é necessário!

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  4. Estou totalmente de acordo com o que escreveste. Por esse mesmo propósito: uniformizar! Se eu acho que é a forma ideal? Não! Mas é o que melhor se tem. E acho que os exames estão mal feitos. Não sabe extrair as coisas dos alunos e há muita força do aprender tipo esponja em vez de se realmente aprender. E acredito que a nota à faculdade devia ter mais pontos que não só as notas dos exames. E há escolas que tem graus de exigência diferente. Tu sabes que um 15 numa escola vale como um 18 noutra e depois os exames tornam as coisas mais homogenias.
    E eu não acho que o teu exame seja indicador do que vais fazer no futuro porque a faculdade e o ensino secundário não são nada comparáveis.
    Vi gente com mais 5 valores que eu de média a esbarrar-se na faculdade porque simplesmente não tinha perfil para ser universitário.

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  5. Não sabia que a existência de exames nacionais alguma vez tinha sido posta em causa. Nem compreendo como é que essas pessoas acham que deveria ser..

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  6. Partilho a mesma opinião, acho que os Exames Nacionais são uma forma de colocar em pé de igualdade todos os alunos do país. Claro que há alunos que vão mais preparados que outros, que têm uma bagagem diferente, mas creio que é isso mesmo que deveria ser alterado. Devia existir uma paridade de ensino que não existe.
    Pessoalmente, não sofri muito quando os fiz porque me sentia à vontade com as questões e com tudo o resto. Mas para grande parte dos estudantes, não é assim e compreendo que se sintam frustrados.

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  7. Percebo o que dizes mas também é um pouco inglório... Estudas três anos uma coisa e se tens o azar de correr mal, BAM! É um assunto complicado.

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  8. Não defendo os exames nacionais nem nunca defenderei. O argumento normalmente utilizado para defender os exames é precisamente o que usaste – o da igualdade. Porque, perante os exames nacionais, nenhum aluno pode escapar; todos são iguais, desde o aluno que teve a vida facilitada por estar no privado ao que esteve no público desde sempre. Sou contra os exames porque a suposta “igualdade” com que os justificam, não existe desde o início. Isto é, as condições que o aluno do privado tem para aprender (nunca aprendi no privado mas já dei workshops em escolas privadas) não são, nem de perto, equiparáveis às condições que existem no público. E mesmo dentro das escolas públicas as condições variam – desde a quantidade de alunos ao próprio estado físico das escolas. Por fim, como se estas desigualdades já não bastassem, o background de cada aluno é decisivo na sua educação: alguém que vem de uma família problemática ou mais desfavorecida nunca teve as mesmas condições de aprendizagem que, por exemplo, eu tive. Nunca tive problemas para comprar livros, nunca tive de caminhar quilómetros para chegar à minha escola ou acordar sucessivamente às 5h da manhã para estar na escola às 8h (como acontece em alguns locais do interior). Portanto não, não aprovo os exames nacionais. Não os aceito enquanto não houver uma igualdade no acesso ao ensino, enquanto houverem turmas de 30 ou mais alunos no público (que impossibilitam que o professor dê a devida atenção), enquanto houverem escolas degradadas, enquanto houverem famílias que não são capazes de comprar os livros para os seus filhos, e por aí fora. Creio que não se deve procurar a “igualdade” apenas no fim, mas desde o início.
    Epa, ficou longo! ;)

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    1. Para quem não tem capacidade de comprar livros, já existem inúmeros bancos de livros usados espalhados por todo o país e bolsas de estudo no ensino secundário (para quem, no 9º ano, acabou com média de 4 e no secundário para quem acaba com média de 14 ou mais).
      Não defender os exames nacionais é estar a compactuar com a valorização que existe em algumas escolas nas notas dos alunos, diferenças abismais.. E não, não acontece só com um.
      Já no ensino privado, sei de muitos colégios que incentivam os alunos que têm notas baixas para anular as disciplinas e estes são obrigados a fazer o exame numa escola pública (daí as médias deles serem tão boas, é só olhar para o número de exames realizados). Atenção, não estou a dizer que são todos. Há colegios com muita muita qualidade mas também há escolas públicas com a mesma ou melhor.

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  9. Eu não defendo exames nacionais, mas entendo perfeitamente a tua perspectiva. Entendo que tenha a vantagem de ser uniformizador, mas acho que da forma como são feitos actualmente, esse sentido uniformizador falha e muito. Acho que os exames abordam a matéria de uma forma muito fragmentada e muito diferente da forma como ela é abordada nas salas de aula. O exame de português, por exemplo, tem critérios ridículos e não avalia competências que eu considero chave. Os exames de matemática costumam ser tão difíceis que até os bons alunos saem de lá em lágrimas. Os exames de biologia são frequentemente criticados por conter matéria que não vem nos livros. Os exames de literatura são tão subjectivos que não entendo como é que se definem critérios tão rígidos. Ou seja, eu defendo um controlo mais rígido sobre a forma como certos professores dão aulas (e não é uma avaliação feita em dias marcados por colegas de escola, defendo uma avaliação feita por pessoas competentes e independentes) ou então exames nacionais mais justos e realistas.

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    1. Fiz o meu exame de Matemática no mesmo ano que a Carolina e não sei o que ela achou do exame mas eu achei bastante acessível! O do ano passado, nem se fala porque já foi dito e mais que dito que foi demasiado fácil. Quando estudei, realizei tudo o que era exames e testes intermédios desde, talvez, 2000, e apesar de ter dúvidas, nunca achei que fosse algo absurdamente difícil. O problema talvez esteja é na facilidade que alguns professores vão dando durante o ano letivo... eu sempre tive a sorte de, no secundário, ter um professor que exigia imenso de nós (e quando digo imenso, é sem qualquer exagero) e que nos preparou o suficiente para que achassemos os exames ainda mais fáceis do que alguns testes que ele fazia. Quanto às outras disciplinas não falo, porque é a área da matemática que me toca em concreto.

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  10. "(...)é ainda mais importante haver uma prova que seja igual para todos com base num regulamento rígido e correções apertadas, sem subjetividade."
    Concordo completamente, também tive de fazer exames no 12º ano, e vivi para contar as história. Fiz o ensino básico numa escola pública, e o secundário numa escola privada, e sim, posso dizer que existem diferenças, principalmente na motivação dos professores para nos ensinar.
    Não devia "ditar" o nosso futuro? Os exames de secundário parecem o fim da linha para muita gente que oiço falar mas é como dizes, é uma questão de igualdade.
    Se nos EUA há os SAT's, e no Brasil as provas vestibulares, que sentido haveria em Portugal entrar-se numa faculdade só "porque sim"?
    Aprovo a igualdade e a meritocracia, não faz sentido acabarmos com as provas de secundário, e se dependerem do meu voto para o fazer estão lixados.

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  11. Isto para mim sempre foi muito claro. Os exames nacionais fazem sentido sim. O que falha aqui é a forma como eles são feitos e aí podemos avaliar a importância que algumas questões têm ou não no exame e, por outro lado, os professores. Quer seja no ensino público ou no privado, temos professores maus em Portugal. Frustrados, cansados e desinteressados. Custou-me tanto perceber isso no decorrer da minha vida académica. Pessoas que perderam a paixão por aquilo que fazem. E isso tem sim peso no nosso percurso, porque acabamos por ver a escola como uma obrigação e uma coisa chata, quando no fundo devia ser uma coisa inspiradora, motivadora.

    Temos muitas falhas sim, mas o dever de haver um exame acessível a todos, que nos coloque ao mesmo nível, não é uma dessas falhas. O teor do exame e os critérios de correção do mesmo podem falhar sim, infelizmente.

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  12. Concordo parcialmente, o problema é mesmo que a preparação para esse tal exame "igual" também se distingue a nível de escolas públicas e privadas, entre outros fatores...

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  13. No Secundário, sou a favor. E até mesmo no 9 ano mas em miúdos do 4º ano como existia, totalmente contra.

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  14. Eu concordo com os do secundário, mas acho que no básico ainda é muito cedo para tal pressão..
    Mas também acho que os exames contam demasiado para a média final, mas tal como tu dizes, é preciso haver uma maneira de avaliação em todo o país para se tornar justo

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  15. Sinceramente, para mim o grande problema na educação em Portugal não está nos exames do ensino secundário, antes no sistema de ensino que temos. Não se formam pessoas para aprenderem mais e para adquirirem mais conhecimentos, antes tornam-se estudantes máquinas de memorização e rotinas para aquisição temporária de matérias e consequentemente notas. Mas isso, bem, é outro assunto...
    Concordo com os exames do secundário porque sinceramente, acho importante haver um fator de avaliação comum a todos os estudantes que queiram ingressar no ensino público (porque, todas as privadas que conheço, estão-se nas tintas para a média - e não é uma crítica, de todo.) e é isso que, no desequilibrio enorme que há nas instituições de ensino secundárias, vai, na minha opinião, equilibrar um pouco as coisas. Claro que quem já vai com médias inflacionadas tem sempre uma vantagem, mas se não existissem exames, pior seria. Para além disso, acho importante que haja exames nas principais unidades curriculares para que sejam testados conhecimentos (e, agora que cá ando na faculdade, convenhamos que não é assim tanta matéria!!)
    Bom assunto para por em discussão, Carolina! :)

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  16. Na minha altura, em 2009, pedi reapreciação de um exame e subi quase 5 valores (e podia ter subido mais).
    Diziam que não tinha cumprido os critérios (dependia do professor que os corrigia)... Olha o rigor.
    Custou-me caro.

    Ainda assim defendo que os exames são importantes e acho até que deveriam ser dispersos pelos 3 anos de secundário como avaliação final com provas anuais em cada disciplina, sem que a avaliação continua fosse tão importante. Isto porque a sua subjectividade é enorme. Eu fui bem preparada para os exames, e isso reflectiu-se nas notas~dos exames que superaram sempre em um ou mais valores as minhas notas atribuídas pela escola. Injusto. Muito. Coloquei várias vezes a pergunta de como seria se tivesse estudado noutra escola...

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  17. Concordo plenamente e sou olhada com um espanto enorme cada vez que o expresso. Estou no nono ano e recebi há pouco tempo a notícia de que já não teria exame de inglês e fui uma das pessoas que ficou realmente insatisfeita com isso - o que até me surpreendeu, pois pensei que seria a única. Acho uma estupidez abolirem os exames, seja em que ano for. Penso que os de 4º ano eram uma maneira de preparar os alunos para a pressão dos exames, que os acompanharia durante o resto da vida académica, para lhes mostrar que os exames não são bichos de sete cabeças e para os preparar para testes diferentes, uma vez que a mudança do ensino primário para o básico implica mudança de escola e de professor. Os de 6º, por sua vez, consolidavam o fechar de um ciclo, marcavam a divisão de algumas disciplinas e, de certa forma, garantiam que todos os alunos seguiam para o terceiro ciclo com as mesmas bases consolidadas. Os de 9º ano, pelo menos que eu saiba, ainda se mantém, e ainda bem, porque caso contrário seria um pânico imenso chegar depois ao 11º ano e ser-nos colocado um exame na mesa. Espero, honestamente, que o governo repense muito bem todas estas medidas; estão a fazer as coisas para agradar a maioria e não a fazer o melhor para a maioria.

    Beijinhos,

    Beatriz do Bookaholic.

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  18. Concordo contigo, mas compreendo perfeitamente a posição da Ana S. lá em cima, e da Mariana. Mas embora considere que as diferenças nas condições de ensino são abismais de escola para escola, acho que os exames são neste momento o único garante de um critério objectivo de seriação dos alunos. Eu nunca tive "medo" de exames, sempre estudei em escolas públicas da parte "má" do ranking, e ainda assim tive notas excelentes. Fiz por isso. Parte também dos alunos e dos seus educadores não esperarem que a escola seja totalmente responsável pelas suas notas, é preciso trabalho. Por outro lado, tem que também haver uma consciencialização de que não se estuda para tirar boas notas nos exames, estuda-se para aprender - e muito honestamente acho que é isso o que falha no nosso sistema de ensino. Quanto ao favorecimento das notas no privado...sou honesta: revolta-me, acho indecente, tendo em conta que esses alunos estão em competição directa com os do público. Já estava na altura de se encontrar um mecanismo de luta contra esse fenómeno. A educação não é um negócio!

    Jiji

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