CINEMA | The Danish Girl [2015]

Apesar dos ângulos certeiros e das paisagens fabulosas em "The Revenant", eu sinto que "The Danish Girl" (também?) merecia ser nomeado e quem sabe ganhar o prémio de "Melhor Cenografia". A fotografia focada nos detalhes e na arquitectura, as cores, as simetrias, o jogo de luzes, as (des)focagens que direcionam o nosso olhar para uma área particular do ecrã... Foi uma característica que me cativou logo nos primeiros segundos de filme e que me marcou de forma significativa ao longo das suas duas horas. Os dois filmes não só estão renhidos para o Prémio de "Melhor Actor" (num duelo fabuloso entre Leonardo DiCaprio e Eddie Redmayne) mas também poderiam ser rivais nesta categoria técnica.

"The Danish Girl" não era uma obra que me suscitava particular interesse - talvez por causa de todo o falatório que a envolvia - mas era um filme que, ao mesmo tempo, me despertava curiosidade por representar um marco importante na História da Medicina. Paradoxal, certo? Reconheço que sim. Porém, os filmes baseados em factos verídicos estão, habitualmente, no topo da minha lista e "The Danish Girl" ganhou um lugar de destaque graças a esse critério. Se é para fazer uma maratona de filmes nomeados, não podia deixar de ver este. E não fazia sentido não partilhar a minha opinião convosco.

"The Danish Girl" é um filme intenso e emotivo. "The Revenant" também o é (oh, se é!) mas "The Danish Girl" reúne essas características duma forma diferente, duma forma muito mais pura, tranquila e subjetiva. O filme não nos choca mas também não nos deixa indiferentes e, como se não bastasse, foca questões pertinentes tais como a falta identificação com o género de nascimento, a traição, o amor, a personalidade, a moda, a negação, a aceitação, o altruísmo e a arte numa época frenética - os anos 20. Os figurinos completam a história, as personagens principais são fabulosas - e interpretadas por um elenco de luxo - e ainda que as personagens secundárias não desempenhem um papel significativo ou particularmente relevante, o argumento é suficientemente complexo e nada confuso. Eu sei que "The Danish Girl" é um filme sobre transexualidade mas, para mim, o argumento principal é uma história de amor muito (muito!) complicada e surreal.

A obra poderia ter sido ainda mais marcante se focasse a interpretação da sociedade e se o final escolhido não fosse insípido (não pela situação trágica - que não poderia ser alterada - mas sim pela forma como chega até nós). No entanto, ao mesmo tempo, "The Danish Girl" é um produto que nos cativa pela força da narrativa, pela sensibilidade das personagens, pelos papéis complexos que foram interpretados pelos melhores (para além de Eddie, aplausos para Alicia Vikander!) e que resultaram na perfeição. A questão atual e pertinente, a empatia que provoca no espectador, a conjugação de cores, luz e focos (não me canso de referir...!), a sequência de cenas e planos, a inspiração, a dificuldade... Há algumas falhas que impedem "The Danish Girl" de ser o filme do ano aos meus olhos mas não deixa de ser uma obra fantástica.

10 comentários:

  1. Subscrevo por inteiro tudo o que escreveste. Não é uma obra prima - não sei bem porquê, talvez seja devido à previsibilidade que acompanha o filme - mas em todo o caso é um filme lindíssimo para os olhos e para a mente. Falei lá no blog da interpretação do Eddie quando fui ver o filme e mantenho a minha opinião: é por estas viagens maravilhosas que vale a pena ser actor e que vale a pena ir ao cinema. Se já o adorava, agora ele é oficialmente a minha acting-crush. E a Alicia esteve tão, tão bem! Consegui viajar com ela ao longo do filme, e não há nada mais mágico do que isso. É como dizes, uma história de amor. Sofrido, mas amor acima de tudo.

    Jiji

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  2. Ainda não vi o filme, mas estou curiosa por causa da história!

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  3. Também adorei este filme :) O amor que nunca deixou de estar presente em todos os momentos difíceis do casal marcou-me imenso, não sei se conseguiria ter o espírito altruísta de Gerda se estivesse na sua situação. Não percebo muito dos pormenores técnicos, mas no geral gostei do jogo de cores que mostraram e dos cenários lindíssimos da Dinamarca (fiquei com vontade de visitar o país). Sem dúvida que vai ser uma luta renhida entre esses dois, e penso que Trumbo também é um forte candidato

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  4. Ainda não vi, mas a ver se não passa desta fim de semana ! Quero tanto vê-lo!
    Beijinhos,
    Sofia

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  5. Sublinhamos tudo o que escreveste. Ainda que seja um filme incrivelmente previsível, desde início, não deixa de surpreender e não deixa de ter excelentes aspectos que nos fazem adorar o filme. É inegável todo o cuidado com cenários, roupa etc. É também inegável o papel extraordinário dos actores principais.

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  6. Já vi esse filme, e também fiz um review no meu blog. Adorei esse filme!
    O que eu acho que tornou este filme espetacular foi a atuação dos atores. E o Eddie fez um papelão!
    Não concordo contigo na parte que o filme se devia focar na sociedade. Eu acho que o objetivo do filme não era mostrar a aversão da sociedade a tudo aquilo que fugisse do normal, mas sim mostrar os conflitos internos de uma pessoa que não se sente bem no corpo em que nasceu.
    Muita gente não gostou do final escolhido, pelas razões que tu disseste. Eu gostei, porque acabou de uma forma um pouco filosófica, que nos pôs a refletir sobre a vida e do porquê das coisas.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  7. Quero ver este filme desde que saiu e ainda não o consegui ver...

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