GUARDA-ROUPA | Porque Sou Livre!

Hoje rasguei as calças. E é engraçado como umas calças de ganga e um rasgão num sítio inconveniente me fizeram refletir sobre algo que é, para mim, um dado adquirido: eu sou livre para vestir aquilo que quero. Reconheço que a situação em si nada tem a ver com a reflexão que me proporcionou - afinal, eu não escolhi rasgar as calças nem tão pouco escolherei vesti-las daqui para a frente - porém a ideia apareceu e eu recuso-me a deitá-la fora. Sejamos sinceros: quantas pessoas têm a mesma sorte? E quantas pessoas se sentem condicionadas na hora de vestir? 

Eu confesso: sempre argumentei, discuti e defendi as minhas opiniões com garra e confiança mas, durante um par de anos (e isto é grave), o meu estilo pessoal foi condicionado pelo ambiente onde me inseria, pelas opiniões daquele que me era mais próximo na altura e que, de forma genuína e cuidada, torcia o nariz a tudo o que fosse para além do básico. Eu nunca fui alvo de comentários foleiros ou maldosos e nunca me senti verdadeiramente limitada a vestir aquilo que me apetecia porém não vestia tudo aquilo que gostava e que queria vestir porque achava que isso poderia evitar algumas reações e desilusões e porque sabia que alguém que me era querido não apreciava o mesmo que eu. Quão absurdo é? Como me deixei condicionar a esse ponto, sem dar conta? Como deixei que alguém censurasse aquilo que eu vestia quando nem sequer era uma miúda excêntrica? É assustador.

De há uns anos para cá - mais ou menos desde que ingressei no Ensino Superior ao lado de pessoas diferentes - tenho-me sentido cada vez mais mulher, cada vez mais Carolina. Não que não o fosse anteriormente mas, numa questão de guarda-roupa, eu tenho vivido sem condicionantes e tenho sido mais feliz com a minha aparência. Eu tenho arriscado mais, tenho usado mais acessórios, tenho dado um uso mais significativo aos meus sapatos de salto, tenho criado coordenados elegantes e jovens sem cair na monotonia, tenho combinado transparências, cores e texturas, tenho tentado ceder aos meus desejos (aos que a minha conta bancária pode suportar, pelo menos), tenho-me permitido sonhar com peças irreverentes que não agradam toda a gente.

E sabem que mais? É absolutamente fantástico e libertador. Há muita gente que não tem a mesma sorte do que eu, que não tem a mesma Liberdade, que não pode comprar e vestir aquilo que quer. E se eu tenho esse Direito, jamais o voltarei a recusar. Fica aqui registado: não volto a ignorar este meu poder; não volto a deixar que me censurem (mesmo que essa censura esteja disfarçada de preocupação e simpatia genuína). Eu escolho aquilo que quero vestir. Ponto.

11 comentários:

  1. Eu também cheguei a ter esse problema e mesmo hoje, com 23 anos e já não andando no contexto secundário ainda me sinto às vezes presa ao que "as pessoas vão pensar por eu vestir X peça", sei que é no mínimo parvo porque lá está devemos vestir o que nos faz sentir bem e o que gostamos, sem estarmos condicionados pelos outros. Na minha experiência sei que é algo a mudar =)

    Beijinhoos***
    Cantinho da Suu

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  2. Por acaso nunca tive esse problema, nunca me senti condicionada pelos outros e sempre vesti aquilo de que gostava. Mas sei que, infelizmente, ainda há muita gente que se limita dessa forma... só porque os amigos não gostam. Isso é triste...

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  3. Podia ter escrito este texto - foi exactamente o que passei. Comigo a mudança deu-se um pouco mais cedo, mas é certo que sempre senti a "pressão" para vestir X e Y e não A e B. Porque "parece mal". Porque "isso é feio". Irra! Hoje, visto o que quero. Se ouço bocas? Ah sim, principalmente dos meus "amigos" que "elogiam" - sem elogiar nada. Mas honestamente, pouco me importa. Se olhar para o espelho e gostar, é o que interessa!

    Jiji

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  4. Isso chama-se, em parte, crescer. E aprender a dar ouvidos à nossa própria voz. A nossa roupa é meio caminho andado para mudar como nos sentimos e para criarmos outro impacto na pessoas. Eu, como tu, cada vez menos dou importância ao que vão dizer face ao que eu sinto perante as coisas. E sinto-me super bem com isso. É na roupa que se nota mas a mudança é bem mais que só na roupa!

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  5. Eu nunca me influenciada "pelos outros" no que toca à forma como me visto, nunca deixei de vestir ou experimentar algo só porque alguém dizia que não me iria ficar bem ou não gostava. Eu usava e pronto, mesmo quando era mais novinha. Mas há uns anos era influenciada pelas minhas rotinas. O meu tempo livre era ocupado, em grande maioria, a fazer desporto, o que significava que, em horários apertados de escola dava-me jeito uma roupa mais desportiva para poder sair a correr para o clube onde jogava e trocar-me rapidamente ou estar no intervalo a jogar à vontade. Isso sempre fez com que eu tivesse um estilo muito masculino e desportivo que, por muito que eu quisesse arriscar em tendências mais femininas, impedia-me de inovar no guarda-roupa. Ainda em caloira era muito assim, depois decidi libertar-me da própria influencia que impunha a mim mesma e decidi ser feminina, arrojada e prática da forma que queria, à minha maneira. Transformei-me, aliás, as pessoas à minha volta notam bem a diferença de estilos. Sinto-me mais mulher e é verdadeiramente libertador :)

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  6. Vivemos numa sociedade retrógada em vários aspetos. Fazes muito bem em quereres individualizar-te :)

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  7. É tão bom quando «usamos» esse nosso direito de vestirmos aquilo que queremos.
    Infelizmente as pessoas ainda são julgadas por aquilo que vestem, mas é uma ideia a mudar. Eu também sigo a minha linha. :D
    https://www.youtube.com/watch?v=GPu-o0S0YZI , deixo aqui o link do meu último vídeo, gostava de saber a tua opinião, se puderes passa por lá. Beijinho.

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  8. Eu apercebi-me que não era a boneca dos outros para andar vestida como bem entendem. Que não era mais uma ovelha no rebanho da roupa já mais que vista e sentia até alguma inveja ao ver na internet outfits que adoraria vestir mas que me sentia "presa" e insegura para o fazer. Por medo de olhares reprovadores e troças porque só estás bem se toda agente estiver igual. Quando mudei de escola senti uma liberdade completamente diferente, por haver raparigas mais velhas com estilos muito diferentes e pode parecer parvo mas foi nesse ano que por livre e espontânea vontade eu comecei a andar de saia (antes só me viam assim em casamentos e.t.c.). Passou a ser algo comum e nunca me senti tão bem comigo própria como a partir daquele momento. Ter novos amigos também com outros estilos e que jamais te criticam é fabuloso. Neste momento o medo já não existe e não me importo de nos dias mais preguiçosos andar de leggings e sweatshirt e noutros andar de saia e sandálias, porque eu gosto, quero e posso e mais ninguém o pode ditar senão eu própria :)

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  9. Acho que a idade ajuda mas acima de tudo influencia muito esse processo. Na adolescência, é frequente não nos sentirmos 100% seguras na nossa condição de mulher e do nosso papel na sociedade. Vamos atrás do que esperam de nós, do que a maioria faz e muitas vezes anulamo-nos e anulamos os nossos gostos porque nessa altura, quer queiramos quer não, é importante para nós aquilo que os outros pensam. Com o passar dos anos, com a vivência, com a experiência e com a aceitação do nosso corpo e da nossa maneira de estar na vida, essas limitações vão sendo postas para trás, o que podem pensar de nós já não nos perturba assim tanto e finalmente estamos à vontade para vestir e ser o que nós quisermos. Eu passei por isso, e acho que a grande maioria das raparigas passa.

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  10. Eu confesso que já escolhi a minha roupa com maior liberdade!

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  11. Em tempos também tive alguém que quando me vestia para além do básico, não me fazia um elogio, pelo contrário perguntava-me se ia para alguma festa. That bitch. Não mudei o meu guarda-roupa, troque de namorado, porque o antigo era demasiado básico ;)

    (Que orgulho em ti por cada vez mais saíres da zona de conforto e arriscares no teu guarda-roupa! adorei ocular novo :)

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