SAÚDE | Vocês* precisam de ler isto

Não é fácil ser uma pessoa naturalmente ansiosa e, por consequência, insegura. As situações banais do quotidiano ganham uma dimensão diferente - muitas vezes absurda - e, muitas vezes, aquilo que é apenas um detalhe para a maioria das pessoas, acaba por ser um monstro para mim. E é em dias como o de hoje que me cai a ficha: não deve ser NADA fácil lidar comigo, com as minhas preocupações, com as minhas inseguranças.

Recomendei este texto do HelloGiggles na 12º edição do Carimbo de Qualidade mas sinto que ele merece um destaque diferente. Para mim, a parte mais complicada nesta história da ansiedade é explicar às minhas pessoas "por que raio sou assim" ou "por que raio reajo de determinada forma". E, nesse sentido, à falta de palavras para conseguir escrever uma explicação lógica, tomei a liberdade de traduzir o texto supracitado. Para que as pessoas que me amam consigam perceber pelo menos uma pequenina parte daquilo que sinto. São apenas sete pontos - todos escritos no plural porque, afinal, nenhum de nós está sozinho - mas todos são bastante pertinentes. Atentem:

1. Não tem nada a ver convosco. Pensar em todos os nossos erros, em tudo o que estamos a fazer de errado ou até naquilo que pode correr mal é um exercício cansativo para quem sofre de ansiedade. Às vezes temos vontade de nos sentar e chorar. Às vezes perdemos o interesse nas atividades em que estamos envolvidos. Às vezes desabamos e são vocês que levam com as culpas, mesmo sem o merecerem. Às vezes ficamos nervosos e inseguros e duvidamos daquilo que vocês sentem mesmo quando não temos razões para tal. Acima de tudo, nós queremos que vocês saibam que não tem nada a ver convosco. Vocês não têm culpa. Nós gostamos de vocês e lamentamos imenso se demonstramos precisamente o oposto. O que se passa é que nós não gostamos dos nossos cérebros neste momento e ainda não sabemos lidar com isso.

2. Não tentem dissuadir-nos das nossas emoções. Tentar ajudar-nos e tentar fazer com que os nossos medos desapareçam pode parecer uma excelente ideia. E é. Na verdade, nós até poderemos perguntar-vos se temos alguma razão para estarmos preocupados para que, dessa forma, possamos combater a parte irracional que nos faz ter medo. Mas há uma linha muito ténue que separa a ajuda que nos podem proporcionar da atitude de quem tenta convencer-nos de que os nossos pensamentos estão errados. Nunca nos digam que as nossas preocupações não existem, ou que conseguimos ultrapassá-las se pararmos de pensar nelas. Estas afirmações fazem-nos sentir mal, fazem-nos sentir que existe algo de errado connosco e que nem as pessoas mais próximas são capazes de nos compreender.

3. Nós sabemos que os nossos medos não são racionais mas não conseguimos ter controlo sobre isso. Nós sabemos que aquela frase embaraçosa não foi assim tão embaraçosa quanto isso, sabemos que provavelmente não influenciou a opinião que as outras pessoas têm sobre nós e sabemos que aquele grupo não está a conversar sobre o quão terríveis nós somos. Nós sabemos que isso é absurdo e é ainda mais absurdo dizê-lo. Mas numa parte de nós... existe uma coisa chamada ansiedade. E ela fica connosco, alimentando-se de nós, aparecendo nos nossos pensamentos de forma ocasional, relembrando-nos da sua existência e presença. Essa é a parte de nós que nos questiona constantemente e nos faz duvidar: "E se, desta vez, as minhas preocupações estão corretas"?.

4. Nós estamos gratos pelo que temos - e por vocês também. Normalmente, as pessoas ansiosas são automaticamente etiquetadas como pessimistas. E é compreensível que tal aconteça. Nós somos os mais talentosos no que diz respeito a saltar instantaneamente para a pior conclusão possível. Mas não somos sempre assim. Na verdade, apesar de haver excepções, nós somos pessoas optimistas entre crises. Nós amamos a vida, nós estamos gratos pelo que temos e estamos especialmente gratos por vos termos a nosso lado. Nós não queremos focar-nos no lado negativo da situação mas, por vezes, não conseguimos evitá-lo. Queremos que vocês saibam que apreciamos tudo aquilo que vocês são. Vocês são a luz ao fundo do nosso túnel. Vocês são as pessoas que se esforçam por entender, que conhecem o nosso lado bom mas também o lado mau e que mesmo assim estão dispostos a ficar.

5. Nós sabemos que nem sempre conseguem ver as coisas pela nossa perspetiva, mas nós valorizamos o vosso esforço. Nós sabemos que para vocês, que não sofrem de ansiedade, não é fácil compreender totalmente o nosso lado. Nós sabemos que, por vezes, parecemos loucos e que pode ser realmente frustrante ter que parar, largar tudo e ajudar-nos a acalmar. Mas sempre que vocês respondem às nossas mensagens inseguras com simpatia e segurança, ou quando vocês nos chamam para nos perguntarem o que se passa, ou simplesmente quando estão ali connosco sem questionar a nossa forma de agir... não somos capazes de expressar o quanto isso significa para nós. É raro de encontrar.

6. Nós gostávamos de desligar a nossa ansiedade, mas não conseguimos. Apesar de muitas vezes parecer, nós não queremos focar-nos naquilo que corre mal. Nós não queremos ser negativos, nós não queremos ficar de mau humor, nós não queremos falar constantemente sobre as coisas que parecem mínimas para quem está de fora. Nós não procuramos atenção. Nós sabemos como soamos e gostávamos de desligar essa parte de nós. Mas não podemos, é parte daquilo que somos.

7. A nossa ansiedade não nos define. Nós podemos ter problemas de ansiedade e isso até pode ser parte daquilo que somos. Mas as nossas paixões também são parte de nós, assim como as nossas personalidades e peculiaridades. A ansiedade é apenas uma pequenina parte. Nós rimos. Nós sentimos o vento no cabelo. Nós valorizamos uma chávena quente de café ou o sol que aquece a nossa pele durante o verão. Nós amamo-vos. E continuaremos a amar. Para sempre.


Tradução livre e adaptada. Texto original: HelloGiggles (AQUI).

*As pessoas que nunca me falham, que gostam de mim, que querem compreender-me, que lidam comigo, que me amam genuinamente.

4 comentários:

  1. Ser uma pessoa ansionsa e consequentemente insegura, como é o meu caso, é difícil. Não só é uma situação complicada para mim, mas também para aqueles que me são mais próximos. A minha ansiedade desponta e atinge o seu auge sempre que tenho de falar em público. Participar publicamente em alguma coisa é sempre um Inferno. Por mais que goste daquilo que esteja a fazer, por mais que adore o tema, é extremamente complicado para mim participar activamente na discussão. Ainda assim, há alturas em que consigo pôr essa minha faceta ansiosa um pouco de lado e avançar, mas não dá sem um grande esforço.
    Felizmente, tenho pessoas pacientes e que me amam ao meu lado. Pessoas que não se importam que eu ligue a horas descomunais em plena crise ou que ficam comigo até que eu me acalme. Mesmo que não falemos de nada em concreto, estão ao meu lado e eu não podia estar mais agradecida.

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  2. Todos nós acabamos por sofrer um pouco com a ansiedade, mas depois existem casos como o teu que deveriam receber a merecida atenção. Mesmo que não esteja incluída no grupo de pessoas que sofrem da doença em si, identifiquei-me, e bastante, com cada ponto que tiveste o cuidado de traduzir e publicar para nós. Por vezes chega a ser inevitável sentirmo-nos pessimistas ou com a sensação de que o mundo desabou mesmo à nossa frente, mas apesar de tudo, quando temos as pesaoas que amamos e que nos amam para nos ajudar nestes momentos, conseguimos sempre arranjar um meio termo para a nossa melhoria (e espero não ter dito nenhuma barbaridade, tendo em conta que não estou pessoalmente familiarizada com este tipo de situações).

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  3. A ansiedade acompanhou-me (e ainda me acompanha) durante muitos, muitos anos. Foram anos de sofrimento, aquele sofrimento calado e silencioso, como um monstro que se ia agigantando no peito. Se, no início, conseguia controlar, com o passar do tempo e com o acumular de situações mais desgastantes, as coisas foram piorando. Comecei a não conseguir dormir. Comecei a ter medo de tudo, a ficar ansiosa com as coisas mais banais do dia-a-dia. Até que apareceram os ataques de pânico. Uma sensação de morte iminente, das piores sensações que já vivenciei. E foi aí que percebi que precisava de ajuda. Procurei essa ajuda, comecei a fazer terapia e melhorei. Entretanto, descobri o Reiki, que também foi fundamental neste meu processo. Cada dia é uma vitória. A ansiedade não desapareceu e acho que não vai desaparecer nunca. Mas, agora, já a consigo controlar melhor, já são mais as vezes em que sou eu a assumir o controlo. Um passo de cada vez, um dia de cada vez!

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  4. É uma questão de autoconhecimento e de controlo. Nem toda a gente o consegue fazer sozinha, por isso mesmo existem os psicólogos :) O mais importante é a pessoa saber que não é a única, que há mais pessoas a ter medos, inseguranças, ansiedades, preocupações...e que isso não é o fim do mundo! Não é a ansiedade que nos deve controlar, somos nós que a devemos controlar a ela. É uma aprendizagem diária.

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