Foram estas pessoas - e mais algumas! - que me acompanharam ao longo dos últimos três anos. Obrigada, Colegas!

INSTAGRAM | Março 2016

Um mês de emoções fortes, de mudanças. Sem computador durante semanas, Março trouxe-me o Baptismo dos meus miúdos, o fim das aulas da Licenciatura, a antecipação do meu Estágio Curricular e jantares muito especiais. Foi um mês de estreias, de dias cansativos, de despedidas, de horários, de mensagens bonitas, de momentos em família, de alterações na rotina.

Em Março eu recebi presentes, vi o meu SC Braga a vencer, fotografei o II LIRA, reorganizei todos os ficheiros do meu computador e dei menos atenção às minhas redes sociais. Escrevi muito, conheci pessoas novas, fui surpreendida pelos meus Afilhados, encomendei o meu Kit de Finalista e saí da minha zona de conforto ao enfrentar novos desafios. Março trouxe dias de sol, canções ao volante, sentimentos intensos, almoços a dois, emoções à flor da pele, muito amor e uma nova etapa que, apesar do receio natural, não poderia estar a ser mais enriquecedora.


Dou graças por não ser obrigada a conciliar aulas, frequências e apresentações com dias de estágio.

ESTÁGIO CURRICULAR | Factos Giros Sobre a Empresa

Existe uma coisa que se chama "pausa para bolo". E é respeitada por todos como se fosse uma religião. Se alguém faz anos - ou fez durante o fim-de-semana -, leva um bolo e toda a empresa pára  durante uns minutos para cantar os parabéns ao(s) aniversariante(s) e comer uma fatia. Apesar de ser um detalhe, é a prova de que o ambiente na empresa onde estou a estagiar é descontraído quanto baste e que promove o convívio entre todos.

Toda a gente diz "bom dia" e "até amanhã". E não me refiro apenas aos cumprimentos de passagem. Não. De manhã e ao final do dia toda a gente vai a todas as salas cumprimentar os colegas ou despedir-se, mesmo que o seu escritório fique do lado oposto. É uma questão de educação mas, mais do que isso, é uma dose de energia positiva logo de manhã. 

As pessoas riem muito. Naquela empresa trabalha-se a sério e os projetos que surgem todos os dias são entregues nos prazos estabelecidos mas, pelo meio, há sempre alguém que canta, há sempre alguém que diz uma piada, há sempre alguém que promove gargalhadas em uníssono. Apesar da dimensão da empresa-mãe e da quantidade de empresas que reúne (eu própria não fazia ideia!), toda a gente é bem-disposta e animada. Trabalhar num ambiente descontraído é muito mais fácil e produtivo e eu não dou pela passagem das horas; quando reparo, está na altura de regressar a casa!

Toda a gente se trata por "tu". O ambiente é descontraído, criativo e inovador e não há manias ou superioridades. Acredito que este ponto esteja relacionado com o facto de ser uma empresa constituída por colaboradores jovens mas, ao mesmo tempo, sei que também está relacionado com a sua filosofia e conceito. Não tenho que me preocupar com formalidades e isso é fantástico.

Há copos com escovas de dentes na casa-de-banho e uma cozinha totalmente equipada. O ambiente familiar também se verifica na forma como as pessoas lidam com os espaços comuns e a verdade é que, para além dos copinhos com a escova e a pasta dos dentes nas prateleiras da casa-de-banho, há quem cozinhe na empresa em vez de levar a marmita de casa. Não sei se é comum nos vossos locais de trabalho mas, pelo menos nos que conheço, não é algo usual. E eu acho tão giro que as pessoas não se limitem ao cafézinho na empresa...!

As pessoas trabalham de frente umas para as outras e não em secretárias individuais. E isto acaba por promover a entre-ajuda, o esclarecimento de dúvidas, as conversas, o trabalho em equipa. Em todas as salas há uma grande mesa de madeira (ou várias, agrupadas no centro da sala) rodeada por poltronas (adeus cadeiras de escritório!) em vez das tradicionais secretárias que vemos nos escritórios habituais. A decoração da empresa é inspiradora e motiva-nos a ser organizados. Adoro!


Coisas boas desta vida: dias passados em família.

AD INFINITUM | 05

Querida Carolina Caloira,

Inicias agora uma das fases mais importantes da tua vida. As dúvidas são muitas e as questões são imensas - eu sei! - mas com tempo tudo ocupará o seu devido lugar e chegarás ao último ano da tua Licenciatura com uma certeza: as dúvidas constantes ao longo do percurso foram uma vantagem. Não deixes de fazer perguntas, de procurar mais do que aquilo que te mostram. Aproveita as oportunidades (mesmo nas áreas que não te interessam assim tanto). Aposta nas conferências, nos seminários, nos workshops, nos eventos que à primeira vista nem sequer estão relacionados com o teu curso. Quando chegar a hora de definir um caminho, tudo isso será vantajoso. 

Eu sei que se eu te disser agora que conseguiste fazer de forma limpa os dois primeiros anos e meio e que o último semestre vai pelo mesmo caminho (rezamos juntas?), tu não irás acreditar em mim. A matéria é muita, tudo é novo, os professores são exigentes e alguns nem sequer fornecem material de apoio às aulas e ao estudo. Não faz mal. É uma questão de adaptação e, confia, tu vais conseguir adaptar-te com naturalidade e sem grandes ondas. O segundo ano é terrível - ficas já avisada: é o pior de todos - mas até esse serás capaz de superar com distinção. Vai àquele primeiro dia de Praxe, faz um CV e anota os nomes e datas de todos os seminários, de todas as conferências e jornadas (e, por favor, não percas os certificados e diplomas que irás colecionar!). Tira apontamentos, mantém a secretária arrumada, faz questões pertinentes, assinala as matérias mais complexas, usa exaustivamente a tua agenda e aponta possíveis perguntas de exame. Faz mais do que ir às aulas, vai aos jantares de Faculdade, suja-te na Praxe, zela pelo teu próprio sucesso, cria redes de contactos, diversifica os teus grupos de amigos e, muito importante: não vendas um rim para comprares material escolar e livros "obrigatórios". Há tempo para tudo.

Com o tempo vais perceber que odeias agências de viagens (e vais agradecer o estágio extra-curricular que fizeste) mas também vais perceber algo de fantástico: não tens de escolher entre as duas áreas que te fazem sonhar e serás capaz de as combinar a teu favor. Os projetos serão imensos - aceita-os. As ideias não vão parar de surgir - não te fiques por aí, dá-lhes vida e abraça os resultados. 

Queres saber um segredo? O triângulo é um mito. Tu conseguirás ser bem sucedida em todos os seus vértices desde que tenhas algo importantíssimo em mente: prioridades. Terás de estudar quando o que te apetece mesmo é ver um filme nomeado para os Prémios da Academia, terás de adiar cafés porque tens relatórios para entregar. Lembra-te: nada se consegue sem esforço mas tu sabes o que é melhor para ti. Não tenhas medo de remar contra a maré. Não deixes de dar um murro na mesa quando sentes que te tentam pisar. Sê equilibrada. Aproveita os dias de praia e liberta-te das pessoas tóxicas que não contribuem para a tua felicidade. Rodeia-te de positivismo. Sê positiva. Assume a tua ansiedade e combate-a com garra. Partilha as tuas opiniões e conhecimentos com o mundo. Dedica-te. "Tu estás onde tu queres estar."

Vais chorar baba e ranho nas Cerimónias de Fim de Ano (todos os anos) e vais ter o maior dos elogios no dia em que trajares pela primeira vez. Vais ser baptizada duas vezes em dois anos distintos - e vais perceber que não faria sentido doutra forma - e no terceiro vais baptizar os dois inconscientes que te vão escolher como Madrinha (parece impossível, certo?).

Não te sintas mal por negares um rasgão duma capa; não é algo que se faça de ânimo leve. Sê feliz com cascas de ovos no cabelo e farinha na cara. Sê feliz com a textura do traje no corpo. Sê feliz enquanto gritas as canções da Faculdade. Sê feliz calada e com os sentimentos à flor da pele enquanto ouves as músicas que já te diziam tanto mas que passaram a ter um impacto diferente desde que chegaste ao Ensino Superior. Sê feliz em pleno cortejo, de quatro, em cima do camião ou na linha da frente. Aproveita. O tempo passa a correr.

Ao longo dos próximos três anos vais aprimorar o teu estilo pessoal, vais cuidar de ti e vais alimentar o blogue com toda a dedicação e o maior dos carinhos. Vais fazer novos amigos, vais conhecer pessoas absolutamente inspiradoras, vais fazer compras mais arriscadas. Vais fotografar muito. Vais namorar. Vais ser enfermeira, polícia, juíza, professora e psicóloga muitas vezes - os teus amigos precisam de ti e ser a única pessoa totalmente sóbria numa festa nem sempre é fácil (ainda que seja também muito divertido). Vais viajar. Aproveita. A sensação de missão cumprida é a melhor do mundo e saberes que aproveitaste cada momento da forma mais incrível - ou que não poderias ter feito nada de uma maneira diferente - é impagável.

Ao longo dos próximos três anos vais ser testada muitas vezes. Aprende com os erros e celebra as conquistas com danças da vitória - mesmo descalça ou em pijama. Aprende a confiar em ti. Sai da tua zona de conforto. Acredita. Continua. Ergue a cabeça. Não deixes que os medos te impeçam de concretizar os teus objetivos ou que as ansiedades te limitem os passos. Vai em frente. Sente-te grata. Sê a Carolina de sempre numa versão melhorada e limada. E escreve. Escreve muito. Sobre as tuas experiências académicas, sobre os temas da atualidade, sobre as situações mais simples e banais - vais gostar de ler tudo isso mais tarde. Escreve. E fotografa. Fotografa muito. Vive. Vive muito e erra na mesma medida. Sê feliz.

Com amor, sorrisos genuínos e muito orgulho,
Carolina Finalista.


O exercício inverso - carta de uma Caloira para uma Finalista - está no blogue da Ana Garcês. AQUI.

É a primeira vez que não tenho semanas de férias na Páscoa. Aliás, não tenho mais nenhum dia para além do Feriado. Chama-se crescer.

ESTÁGIO CURRICULAR | Escreve. Escreve Muito.

Passo o dia a escrever. E é engraçado como não me farto apesar de também desejar aprender mais sobre outras áreas. Quem diria que, depois de ter ficado indecisa entre Ciências da Comunicação e Turismo, acabaria num estágio onde sou capaz de combinar perfeitamente as duas atividades? Passo o dia a escrever para blogues, a escrever sobre lugares bonitos, a escrever sobre Turismo, a criar informações úteis para quem viaja. 

Iniciei o meu estágio curricular há duas semanas e se na primeira ainda me sentia meia-estudante - porque em plena semana de avaliações é difícil não sentir - na segunda caiu-me a ficha: tenho um horário convencional, um trabalho real. Falta-me o salário no fim do mês e tenho um relatório complexo para elaborar e defender, é certo, mas a ideia de chegar a casa e não ser forçada a pensar em apresentações ou exames agrada-me. O meu maior medo era não gostar de estagiar na empresa que eu própria escolhi para mim e agora percebo que esse era um medo injustificado. Estou feliz.


A minha irmã está neste momento na Índia a viver uma aventura de voluntariado.

VIDA ACADÉMICA | Bem-Vindos à Família!

Nos meus dois primeiros anos de Faculdade eu fui baptizada em duas circunstâncias diferentes e com dois significados distintos e, no meu último ano, baptizei aqueles que me escolheram como Madrinha e que viveram até agora a Praxe duma forma que me deixa orgulhosa - sem faltas ou desistências, alinhando em todas as brincadeiras e sem nunca dizerem que não. Como Madrinha tenho a vida facilitada; a Julieta e o Uriel não me deram chatices nenhumas e cumpriram tudo aquilo que lhes pedi e que continuo a exigir deles - foi uma honra baptizá-los. 

Apesar de não ter sido uma cerimónia à altura daquilo que lhes tento incutir todos os dias - coisa que me entristeceu, confesso, pela falta de silêncio e conteúdo a que estava habituada -, não deixou de ser marcante e feliz por tudo o que simboliza. Acompanhei-os em mais uma etapa da sua vida académica e larguei as minhas rotinas de Praxe com um misto de emoções à flor da pele: por um lado, a felicidade de viver tão intensamente cada fase académica, por outro a vontade de ficar e de continuar a vestir o traje todas as semanas. Sejam bem-vindos à família, Afilhados!


Texto escrito a 16 de Março de 2016.


Estou sem computador por tempo indefinido. O blogue regressará à programação habitual assim que possível.

VIDA ACADÉMICA | Obrigada, miúdos!

Quando ao longe vi os balões vermelhos a delinear um caminho pelo jardim, não me passou pela cabeça que pudessem ser para mim. A cada passo meu uma frase escolhida a dedo por eles, a cada etapa uma nova tarefa e um desafio engendrado pelos dois com o maior dos carinhos: encontrar - no meio dos canteiros do famoso Jardim de Santa Bárbara - os dois balões dourados devidamente assinalados com o meu tão característico "Bom dia!". Em cada um deles uma caixinha, em cada caixinha (mais) uma carta e uma flor. As palavras mais amorosas ao som de Coldplay fizeram o meu dia. "Mas onde estão aqueles miúdos?!"

De olhos vendados dei uns passos ao som duma canção improvisada e quando finalmente me deixaram ver o ambiente que me envolvia lá estavam eles, rodeados por balões dourados e (mais) uma caixa nas mãos à espera duma cruzinha no quadrado certo. "Digníssima Doutora Carolina, aceita ser nossa Madrinha?". Não esperava pedidos de apadrinhamento quando eles aconteceram e muito menos esperava surpresas deste calibre meses mais tarde. E ter dois futuros afilhados tão queridos e dedicados faz com que eu largue a faculdade de coração cheio sem me conseguir afastar por completo. Obrigada, miúdos. Obrigada. De coração. Por tudo. É claro que aceito.


Texto escrito a 15 de Março de 2016.

Hoje inicio uma nova etapa. Let's work for a cool world!

VIDA ACADÉMICA | A Última Etapa

Não planeei começar o meu estágio curricular três semanas mais cedo do que o previsto (nem tão pouco planeei prescindir das minhas férias ou estagiar entre avaliações decisivas durante a semana mais demoníaca do semestre) mas as portas abriram-se para mim e eu dei um passo em frente sem pensar duas vezes. A partir de segunda-feira deixarei para trás as rotinas que tão bem conheço e, no meio de tantas dúvidas, sei que será uma semana de emoções fortes. Estou pronta.


Infelizmente, não tenho nenhuma viagem planeada para 2016.

CINEMA | The Devil Wears Prada [2006]

Um filme leve não é necessariamente um filme vazio e "The Devil Wears Prada" comprova-o. Não tenciona promover grandes reflexões mas entretém na medida certa e, para além de ser protagonizado por um elenco de luxo, foca duma forma diferente e interessante um tema que estamos fartinhos de ver. Meryl Streep e Anne Hathaway unem forças nos papéis principais, Emily Blunt, Simon Baker, Gisele Bündchen e outras caras conhecidas aparecem em papéis secundários e o resultado não poderia ser mais agradável. "The Devil Wears Prada" é um filme despretensioso que não se assume como a comédia fácil. Pelo contrário: é uma comédia elegante graças aos atores escolhidos para interpretar cada uma das personagens.

"The Devil Wears Prada" não é o filme do ano - nem o foi em 2006 -, não é inovador e não conta uma história imperdível mas resulta e não só é inspirador como também é divertido sem ser parvo. É o género de filme que me encanta por todas as peças de roupa que me fazem sonhar, pelos dramas estereotipados, pela subtileza de algumas atitudes, pela ausência de imbecilidade, pelos risos que me proporciona. É o verdadeiro filme de fim-de-semana que não perde pontos por ser o que é, que assume todas as suas qualidades e que não pretende ser mais do que aquilo que demonstra. 

As expressões, as posturas, as intenções, as analogias, as tarefas infinitas, a dedicação, as relações falhadas, as mudanças, a gestão de tempo, os detalhes... Tudo isso é abordado de forma magnífica em "The Devil Wears Prada" e a ideia do primeiro emprego, da miúda independente e da adaptação a um mundo novo numa cidade tão fabulosa como Nova Iorque (assim como a dificuldade em lidar com personalidades complicadas, corações de gelo e elites) fascina-me. Como disse inicialmente, um filme leve não é necessariamente um filme vazio e "The Devil Wears Prada" comprova-o.


Haja sentido de humor!

APLICAÇÃO | Landlord - Real Estate Tycoon

Landlord - Real Estate Tycoon é um jogo bastante simples que assenta nos princípios do tradicional Monopoly mas que ganha pontos pelo realismo: as propriedades disponíveis no mercado são lugares tão conhecidos como a nossa Faculdade, o café onde gostamos de lanchar ou até a rua que nos viu crescer e as nossas compras não podem ser realizadas de qualquer maneira.

Resumidamente, em Landlord jogamos em comunidade. Iniciamos sessão e começamos a construir um império, competindo com os nossos amigos e outros jogadores - tanto a nível local como nacional ou global. O jogo utiliza o sistema de localização para descobrir onde estamos e a piada está mesmo aí: só podemos ser acionistas duma empresa, rua, freguesia ou cidade se estivermos na zona onde ela se situa. Simples, correto? A cada nível vamos recebendo regalias (moedas que podemos trocar por vantagens, maior capacidade de compra, habilidades...) e a nossa participação é tão discreta que não há como perder horas (e bateria) nisto.

Assim como acontece no Monopoly, enriquecemos à custa das rendas que recebemos quando alguém pisa o nosso território. Sempre que alguém - mesmo que não seja jogador! - passa pelos locais que são apresentados nos nossos portfólios (e não tem necessariamente de entrar, basta estar na mesma zona), nós ganhamos dinheiro. É tudo virtual mas não deixa de ser uma versão mais realista do nosso querido jogo de tabuleiro, correto? Com negócios e interações entre jogadores, cartas da sorte que nem sempre nos trazem boas notícias e uma competição saudável entre amigos, só consigo apontar dois defeitos na aplicação: a utilização de internet e  o uso do sistema de localização (que não me agrada nem um bocadinho e que só ativo quando jogo).


Esta aplicação é gratuita e está disponível para iOS e Android.

Falta uma semana. Uma.

SOCIEDADE | "Sim, eu tenho medo de viajar sozinha. Mas vou."

"Então mas não tens medo de ir sozinha?” Quando uma mulher decide viajar sozinha, além da mochila, é também o peso desta pergunta que carrega nos ombros. Sozinha, ou acompanhada por outras mulheres, fi-lo muitas vezes ao longo da minha vida e de todas as vezes ouvi esta pergunta repetidamente antes de embarcar. Medo? Claro que sim. Mas estar dependente de presença de outrem para garantir a minha segurança enquanto ser humano, e satisfazer a vontade de ver o mundo, simplesmente nunca me fez sentido.

Quando se é mulher, a sombra da possibilidade de sermos assediadas pelo caminho, roubadas, eventualmente agredidas, violadas ou até mortas está presente na cabeça de quem se mete à estrada. Muitas vezes até de forma inconsciente, mas a sombra, essa está lá. Por mais descontraídas que sejamos, por mais ou menos civilizado que seja o destino. Mas isso não quer dizer que deixemos de ir. Não ir seria vivermos numa redoma, seria resignarmo-nos. E resignarmo-nos seria desistir de algo que deveria ser simples para qualquer pessoa, independentemente do género. Seria deixarmos de acreditar que existem pessoas boas mundo fora, e existem tantas que se cruzam connosco quando viajamos sozinhas. Seria ceder ao peso daquilo que poucos gostam de admitir, mas que todos sabemos ser verdade: o mundo continua a ser um lugar mais perigoso para as mulheres do que para os homens.

Marina Menegazzo e Maria José Coni eram duas jovens mulheres argentinas que se fizeram à estrada no início deste ano rumo ao Equador. Iam de férias, cheias de curiosidade, de vontade de conhecer o país, a sua cultura, as suas gentes. Foram dadas como desaparecidas no final de fevereiro. O mundo assistiu com horror ao aparecimento macabro dos corpos, com marcas da violência extrema. Na semana passada, os homens que as assassinaram confessaram o crime. Resumindo: duas mulheres foram de férias. Um grupo de homens achou-as ‘apetecíveis’ e fez-lhes uma emboscada para as tentar violar. Elas, como qualquer pessoa faria, resistiram. E foram mortas à paulada e à facada por isso.

Foi no Equador, um país onde como todos sabemos a violência contra as mulheres é comum. Mas podia ter sido em Lisboa, onde ainda todos nos lembramos, por exemplo, do relato da jovem italiana que foi sequestrada num quarto de hotel junto à baixa da cidade há uns anos, e violada dia após dia. Ou em Nova Iorque, em Paris, em Bombaim, em Banguecoque, no Rio de Janeiro, na Cidade do Cabo. A lista de possíveis cenários para um ataque a uma mulher sozinha – seja a viajar ou não - é infindável. Mais uma vez, porque a realidade é esta: o mundo continua a ser um lugar mais perigoso para as mulheres do que para os homens.

Quando olhamos para histórias hediondas como a do assassinato destas argentinas a única coisa que deveríamos ver era o crime e as razões que levam a que tal aconteça. Contudo, quando falamos de razões erguem-se comentários que todos deveríamos considerar inaceitáveis, até porque se fossem dois homens estes bem provavelmente não seriam feitos : “O que faziam duas mulheres sozinhas no Equador?”. “Que roupas tinham vestidas quando foram abordadas pelos homens?”. “Viajavam sozinhas, estavam à espera do quê?”.

É curioso que se continue a achar que elas viajavam “sozinhas”, quando eram duas. Elas viajavam acompanhadas uma pela outra. Mas o que este pensamento implica é que mulheres que viajam juntas, sem uma presença masculina, estão sozinhas. E estando ‘sozinhas’, são potenciais alvos para situações abusivas que não aconteceriam tão facilmente na presença de um homem. Percebem quão nefasto isto é?

Tudo isto até faria muito sentido ao falarmos de zonas conflituosas. Aliás, é senso comum evitarmos locais e situações onde o perigo é latente, sejamos nós homens ou mulheres. Cuidado e bom senso todos temos de ter. Mas continuarmos a dizer às mulheres que elas devem evitar viajar sem um homem – isto não vos faz lembrar a Arábia Saudita, por exemplo? - para se protegerem de eventuais perigos, é perpetuar a ideia de que o problema está nelas. De que caso algo de mal aconteça, elas têm parte da culpa. Porque foram, sendo mulheres.

Em vez de perguntarmos “o que estavam elas a fazer sozinhas no Equador?”, deveríamos começar antes a perguntar “o que é que podemos fazer para mudar o comportamento dos homens em relação às mulheres?” mundo fora. O problema não reside numa mulher que viaja sozinha, o problema ainda está na forma como uma boa parte do mundo – arriscaria mesmo a dizer, dos homens – continua a olhar para a figura feminina. A diminuí-la, a desrespeitá-la, a considerá-la um pedaço de carne, um alvo fácil. Foi isso que aconteceu com estas mulheres argentinas. A culpa, não convém esquecer, é exclusivamente de quem comete um crime tão bárbaro."


Texto de Paula Cosme Pinto (AQUI).

O que é, afinal, um blogue de sucesso?

MÚSICA | António Zambujo e Miguel Araújo no Coliseu do Porto

Que concerto, senhores! A sala do Coliseu do Porto às escuras e os primeiros acordes de guitarra, as vozes maravilhosas dos artistas, a ausência de efeitos especiais... Miguel Araújo e António Zambujo encantaram os Coliseus entre copos de vinho, canções e conversas num tom descontraído e nós, espectadores, ficamos fascinados não só com a sua musicalidade e qualidade vocal num concerto tão transparente mas também com a sua amizade e cumplicidade. Araújo e Zambujo são amigos de longa data - e já o eram antes de iniciarem as suas carreiras a solo - e esse sentimento ganha um impacto diferente em palco, viajando até nós num tom quase acidental.

O cenário simples dos escadotes reutilizados, os jogos de luzes, a música, os arranjos e reinterpretações de canções icónicas, os instrumentos, as brincadeiras, a conversa... Tudo se completou duma forma absolutamente maravilhosa e ouvir um Coliseu a cantar em português deixou-me arrepiada. O espectáculo durou duas horas e foi inteiramente dedicado à música, à amizade e às origens. Não podia ter pedido mais ou melhor.

O Alentejo e o Porto, o contrabaixo, o piano, a guitarra eléctrica, a guitarra acústica, o cavaquinho e a guitarra oitavada (entre tantas outras surpresas), as influências musicais, os aplausos, os artistas que os próprios artistas idolatram, as memórias de infância, os primeiros concertos e actuações, as aprendizagens, as situações caricatas, o fado e o rock... A plateia correspondia a cada acorde e o repertório diversificado fez com que o concerto fosse acessível a todos os tipos de fãs sem pretensiosismos ou artistas armados em vedetas. O concerto no Coliseu do Porto foi humilde, inesperado e claro, imperdível. Senti-me uma privilegiada por estar ali, naquela sala de espectáculos. Zambujo e Araújo criaram um espectáculo intimista e o resultado foi feliz, com uma sala inteira a aplaudir de pé a dupla portuguesa.

be fashionable | via Tumblr

Adorava ver, ao vivo, um desfile de Elie Saab. Este homem é um génio e desenha vestidos maravilhosos.

VÍDEO | Say #IDONT to Child Marriage

A premissa do vídeo é simples: um casal de noivos tira fotografias junto ao mar, como tantas vezes acontece nesta zona. Porém, há uma característica peculiar que faz toda a diferença na situação - a noiva é uma menina de doze anos e o noivo tem idade para ser seu avô. O vídeo original pode ser visto de seguida e uma versão mais curta e legendada em inglês pode ser vista AQUI.

A cena em questão provoca reações distintas nos transeuntes - uns felicitam-nos, outros são incapazes de esconder o desacordo - mas nenhum deles sabe que, neste caso, a situação é falsa. O casal é constituído por atores contratados e o vídeo tem um objetivo muito específico: alertar para a realidade de 15 milhões de meninas com idades tão inocentes como a menina do vídeo (ou até mais novas) que todos os anos são forçadas a casar com homens mais velhos em países como o Líbano ou a Síria e que são vendidas pela própria família com essa intenção (um dote não é mais do que isso, correto?). O Fundo das Nações Unidas para a População estima que em 2050 sejam 1.2 mil milhões as crianças na mesma situação e a minha pergunta é só uma: como poderemos protegê-las, para além de alertar e sensibilizar a população para este flagelo?


Nunca tive o sonho de viver com amigos.

CINEMA | He Named Me Malala [2015]

No Dia Internacional da Mulher, que sentido teria escrever sobre outro filme ou documentário que não aquele que foi transmitido pela FOX Life há dois dias atrás? Nenhum. No Dia Internacional da Mulher, só faz sentido escrever sobre uma Mulher que se destaca apesar da tenra idade, que converge em si os valores de Humanidade mais puros e que, para além de ter sido considerada uma das "100 Personalidades Mais Influentes do Mundo" pela revista Times, venceu justamente o Prémio Nobel da Paz em 2014.

Malala Yousafzai foi baleada pelos talibãs por defender que todas as crianças deveriam ir à escola, independentemente do seu sexo. E o documentário sobre esta ativista paquistanesa e a sua vida - primeiro no Paquistão e, atualmente, em Inglaterra - acorda-nos para uma realidade diferente ainda que já tenhamos consciência dela. 

"He Named Me Malala" é um documentário linear que nos cativa pelos depoimentos, pelas reconstituições e pelas animações e ilustrações - tão bonitas! - representativas do passado. As narrações, o poder da educação e da informação, a sorte de ter uma família compreensiva que nos incentiva a lutar por aquilo em que acreditamos, as dificuldades que nós - portugueses/europeus - nem sequer pomos em causa nas nossas rotinas... Tudo isso está presente em "He Named Me Malala" e é incrível como a história nos é contada duma forma muito inocente e bondosa sem nunca perder a atrocidade dos factos. Somos constantemente surpreendidos com detalhes inspiradores e todo o documentário é bastante realista. Malala é uma rapariga normal com uma personalidade vincada - e vontade de bater nos irmãos - mas também é muito mais do que isso; mais do que uma rapariga normal, Malala é uma Mulher corajosa, lutadora e sem maldade no coração.

Em "He Named Me Malala", para além de nos ser explicado o porquê de Malala ter este nome - daí o título escolhido -, acompanhamos o seu apreço pela escola, a sua vontade de mudar o mundo, o apoio familiar, os acontecimentos trágicos no Paquistão - e não só - e a vontade de fazer a diferença e de regressar ao país de origem. Com momentos de humor inseridos em cenas estratégicas e uma calma atípica, "He Named Me Malala" trouxe-me algumas novidades e encantou-me sem nunca me deixar esquecer o seu objetivo principal.

"He Named Me Malala" tem um caráter emocional forte. Obriga-nos a reflectir sobre a sociedade em que nos inserimos, sobre a sorte que possuímos, sobre o mundo no qual vivemos. No Dia Internacional da Mulher, que sentido faria não escrever sobre alguém que luta pela educação de todas as Mulheres do planeta? Aplausos.


Publicação escrita em parceria com a FOX Life Portugal.

Em meia hora tudo mudou e eu não podia estar mais entusiasmada com a fase que se avizinha!

BLOGOSFERA | Carimbo de Qualidade #18

ER. Existe uma carrada de pensamentos e sensações que este texto da Joana me despoletou. O mundo da medicina e da saúde não me é desconhecido e consegui compreender a Joana em tantos aspectos e objectivos... Mas o que mais me conquistou foi a sua sensibilidade, a forma como nos conseguiu prender a inúmeros acontecimentos, alguns deles mais tensos, sem perder a doçura, o toque e as suas conclusões a que tão bem nos habituou. Ser médico é um trabalho para quem não quer ser outra coisa senão médico e a Joana, numa meia dúzia de parágrafos, mostra-nos como se faz. Como se consegue ter estaleca e sensibilidade (coisa que muitas identidades da saúde reprovam nos requisitos de um médico) em medicina.

people I R A N D O M L Y like. Para mim, este tipo de publicações são muito especiais. Dizem tanto sobre a personalidade de quem nos escreve, sobre o seu carácter, sobre aqueles detalhes que raramente alguém fá-los crescer ao ponto de se tornarem numa publicação singular. Eu adoro conhecer melhor quem leio e a Inês fez um tipo de publicação fabuloso, com um ligeiro toque de desafio: conseguem encontrar a Inês nestas personalidades tão interessantes? Eu consigo, de longe e estou muito agradecida por esta publicação. Que mais desafios destes se façam pela Blogosfera.

Três de Março de 2016 || Traçar da capa. Confesso que tenho um certo fascínio por publicações académicas, tal como esta da Sara, num momento tão especial. Porque também as vivi, porque senti a mesma intensidade com que a Sara nos descreve uma etapa que, para quem vive este Universo da praxe, do traje... É o mais especial. O detalhes que a Sara nos pormenoriza, os comportamentos que observa, o cheiro a que nos remete, todas as descrições faz com que estejamos lá, a viver o momento com ela. E a sorrir. Com orgulho do seu momento. É a tradição mais inesquecível do mundo académico.

o primeiro vídeo ♥. A Joana é delicada em tudo o que faz. Até num vídeo de lua de mel. Os cenários que decidiu captar, os detalhes que focou, a tranquilidade das paisagens, o amor que transborda a cada segundo de vídeo, a doçura da música, a curiosidade turística que nos desperta... É um pequenino registo que nos faz sorrir desde que o começamos a reproduzir. Tem espírito de aventura, alma de quem quer amar para sempre aquela pessoa, carácter minimalista. É quase inacreditável que a primeira tentativa de vídeo da Joana tenha este resultado de incrível beleza. Tomara que todas as estreias fossem assim.

Os seres e as mudanças. Uma vez fiz uma publicação afirmando que acreditava que as pessoas tinham a capacidade (sim) de mudar. E, que caricato, a minha opinião não mudou. E este texto da Carolayne expressa de uma forma maravilhosa este facto; Que as pessoas têm a capacidade de evoluir e diversificar pensamentos; Mudar crenças; Ter convicção noutros caminhos. E que grande parte da nossa evolução enquanto indivíduos não se dá apenas por desporto, por nos apetecer. Dá-se com as pessoas com que nos cruzamos, com as aprendizagens que arrecadamos, com os erros que admitimos e corrigimos. É importante mudarmos e renovarmos e se, dúvidas restam a vocês, a Carolayne tira-as de uma vez.


Esta edição do "Carimbo de Qualidade" é da inteira responsabilidade da Inês.

Coincidências da vida: escrever esta publicação no dia em que a Margarida decide criar um blogue novo (AQUI).

ALIMENTAÇÃO | Bicla Burgers

Os hambúrgueres estão na moda há largos meses e os restaurantes jovens, modernos e rápidos continuam a surgir um pouco por todo o país com o objetivo de modificar o conceito de fast food. Braga não é excepção e por isso hoje falo-vos do Bicla Burgers, um restaurante que mudou de espaço recentemente e que aproveitei para experimentar na semana passada.

Bicla Burgers é uma hamburgueria artesanal de excelência. A decoração é maravilhosa, o espaço é extremamente acolhedor, existe uma seleção de cervejas artesanais para os fãs da bebida em questão e a ementa é variada dentro do possível: para além de ser possível personalizar os hambúrgueres e acrescentar ingredientes, existe uma opção vegetariana e uma "hamburguesinha" - uma mistura de hambúrguer com francesinha - que faz as delícias dos mais aventureiros. Os hambúrgueres, salvo algumas excepções mais complexas, são acessíveis (uma refeição ronda os 5/7€), o destaque dado aos detalhes faz toda a diferença e a qualidade do atendimento é de valorizar. Bónus.

Optei pelo Triciclo - que corresponde ao menú infantil pelos ingredientes que contém e não pelo tamanho - e o meu pai optou pelo Aro mas ambos terminámos a refeição com a mesma opinião: as doses são generosas e os pratos, para além de terem nomes originais - alusivos ao mundo das bicicletas -, são deliciosos. A carne é saborosa, as batatas fritas temperadas (e o molho que as acompanha) são viciantes, o pão é fofo e a vontade de regressar justifica-se perfeitamente pelos ingredientes que se conjugam entre si numa explosão controlada de sabores. Gostei muito.


Sinto falta das publicações de duas bloggers em particular: da A (Hook Line/Montecarlo) e da Margarida (Fly, Blackbird/Dear Johnny).

SAÚDE | Ansiedade ou Nervosismo?

Quando comecei a escrever sobre ansiedade e ataques de pânico este era um tema que, pelo menos nos blogues que eu acompanhava e acompanho, não era muito debatido ou abordado. As doenças de foro psicológico ainda eram - e ainda são - um tabu para a sociedade portuguesa e eu senti que a minha abordagem - na primeira pessoa, sem falinhas mansas mas, ao mesmo tempo, sem focar particularmente os meus problemas - se transformou numa mais-valia para quem me lê. Foi esse o feedback que recebi, pelo menos. E dizerem-me que procuraram ajuda depois de terem lido as minhas publicações foi o maior prémio que eu poderia ter recebido pois nunca tinha imaginado que os meus textos pudessem ter um impacto tão significativo na vida de quem me acompanha. Continuei a escrever.

No entanto, se por um lado sinto que este tema tem vindo a ser desmistificado ao longo dos meses - não só por mim mas também por muitas outras pessoas que se sentiram confortáveis o suficiente para o admitir e para partilhar o seu testemunho de forma transparente - por outro sinto que tem havido uma confusão nítida entre duas coisas: ansiedade - a doença propriamente dita - e nervosismo/ansiedade natural. 

Eu não sou especialista no assunto, estou longe de me debruçar academicamente - ou profissionalmente - sobre a área das doenças de foro psicológico (ou da medicina em geral, convenhamos) e tudo o que eu sei sobre esta temática advém dos (muitos) anos de luta, de informação que me foi transmitida e de auto-conhecimento a que tive direito mas, simultaneamente, reconheço que o stress, a ansiedade e o nervosismo fazem parte do ser humano. E isto é importante salientar: o nervosismo, o stress e a ansiedade são reações naturais e positivas desde que não atinjam proporções exageradas, desde que não nos limitem ou condicionem. A ansiedade e o stress servem para nos alertar - e é óptimo que o nosso corpo nos proporcione estes sinais! 

Viver com ansiedade não está na moda (fico parva - e furiosa - quando palavras destas me chegam aos ouvidos!). A ansiedade é uma doença cada vez mais frequente - e é preciso reconhecê-la, identificá-la e tratá-la atempadamente - mas o nervosismo e o stress são reações naturais do organismo perante situações com as quais não estamos familiarizados. Ficar mal disposta antes duma apresentação importante, sentir um nervoso miudinho antes dum encontro ou ficar com as mãos geladas antes duma entrevista de emprego não é necessariamente mau; é positivo e significa que estamos conscientes da seriedade do acontecimento que se aproxima. Se a tua ansiedade não te condiciona - e se se traduz apenas nos nervos que te deixam o estômago embrulhado - não há nada de errado contigo. Há uma linha muito ténue que separa uma reação natural duma reação exagerada; o truque está em saber de que lado nos posicionamos e como podemos contornar essa dificuldade (seja ela qual for).



Não consigo ser produtiva se não me vestir convenientemente. Passar o dia de pijama não é para mim.

TURISMO | As Moedas na Morning Glory Pool

A "Morning Glory Pool" está localizada no Parque Nacional de Yellowstone, em Wyoming, nos Estados Unidos e é famosa pelas suas cores atípicas. É uma piscina bonita, colorida, inusitada e, graças aos seus tons vibrantes, recebe milhares de turistas todos os anos. Há quem diga até que, graças às algas fotossintéticas e bactérias termófilas que ali vivem e lhe conferem cor, esta é a piscina natural mais impressionante do planeta.

Porém, este paraíso natural tem vindo a perder as suas propriedades. Os visitantes decidiram transformar a "Morning Glory Pool" num poço de desejos e as moedas utilizadas para comprar esses mesmos desejos têm vindo a alterar, previsivelmente, as características da água. As cores que tornam esta piscina natural naquilo que ela é realmente têm vindo a sofrer modificações (o centro azul já não é tão azul assim) e até a temperatura da água tem vindo a diminuir. Porque é que as pessoas não conseguem ficar sossegadas e simplesmente apreciar aquilo que o planeta nos oferece?


Como terminar bem um dia terrível: spaghetti alla carbonara para o jantar.

SOLIDARIEDADE | Mission Cambodia

A Joana Lopes tem quinze anos, é aluna do CLIB - Colégio Luso-Internacional de Braga - e pertence a um projeto solidário promovido pela sua instituição de ensino. A Joana foi uma das nossas convidadas no "Vamos Falar de Turismo?" e abordou uma temática que lhe é muito querida - "Solidariedade Além Fronteiras" - ao apresentar a história e o conceito da "Mission Cambodia".

E o que é a "Mission Cambodia"? - perguntam vocês em coro. Simples: é uma missão de voluntariado criada pelo Colégio Luso-Internacional de Braga com o objetivo de melhorar a educação no Camboja. Num país pobre, devastado pela guerra civil, a educação é um direito em falta e apesar da comunidade querer melhorar a situação do país, não tem os meios necessários para o fazer. O projeto “Mission Cambodia” nasceu há seis anos e veio ajudar a colmatar essas mesmas falhas. 

Depois da construção de duas escolas em aldeias a redor da capital do país, os voluntários começaram a dar aulas às crianças e a ensinar conceitos básicos de negócio aos adultos. Apoiar o desenvolvimento económico do país tendo por base a educação das crianças e a formação dos mais velhos foi o objetivo principal da missão solidária desde o primeiro momento e os resultados têm sido positivos. O conhecimento e a informação são duas armas poderosas no mundo em que vivemos e incutir isso aos mais novos ao permitir-lhes viajar com um intuito tão específico (e deixando-os conhecer uma realidade distinta e viver umas semanas num ambiente diferente a tantos níveis) é uma mais-valia na sua formação não só académica mas também cívica. Todos ganham.


Algum dos meus leitores está a pensar em ir ao Bloggers Camp?

BLOGOSFERA | Carimbo de Qualidade #17

Portugueses Nos Oscars. Para além do Gonçalo Jordão - graças ao fabuloso Grand Budapest Hotel! - não conhecia as nomeações de portugueses para os Prémios da Academia. E não é que a Ana conseguiu surpreender-me no início de mais uma edição da Oscars Week? A primeira publicação deste ano está relacionada com o nosso pequenino país e os nossos enormes artistas (que tiveram o reconhecimento merecido apesar de nem todos terem ganho os prémios nas respetivas categorias) e eu não podia ter apreciado mais o destaque que lhes foi dado na Blogosfera portuguesa.

6 Blogues de Viagem em Português que têm mesmo de conhecer. Poucos são os blogues temáticos que acompanho fielmente mas os blogues de viagem estão na minha lista desde que me recordo. E porque nunca é demais conhecer novos espaços - ou rever aqueles que me preenchem o coração e apoiam a minha vontade de conhecer o mundo - não poderia deixar de referir esta publicação da Ana, que nos mostra seis blogues de viagem totalmente diferentes uns dos outros com muitas informações valiosas, histórias amorosas, lugares bonitos e dicas pertinentes.

Nobody could ever replace you. E porque nem todos os "Carimbos de Qualidade" se apresentam no formato de textos longos e complexos, esta mensagem da Inês diz muito com poucas palavras. Às vezes é mesmo preciso relembrarmo-nos disto: ninguém é insubstituível e a nossa gratidão pelas pessoas que estão ao nosso lado é uma dádiva. [A publicação não tinha título. Tomei a liberdade de escrever a frase presente na imagem que a acompanha.]

3 favoritos de Espanha. A Mafalda tem sempre as sugestões mais bonitas, as publicações mais minimalistas, as palavras mais sinceras. E se habitualmente nos presenteia com textos e fotografias mais direcionados para os cosméticos e a beleza, desta vez traz-nos três contas de Instagram magníficas. Todas são femininas, espanholas e fantásticas e apesar de eu ser capaz de encontrar outras semelhanças entre as duas Saras e a Inma, acho que devem explorar os seus perfis com calma e detalhe. Conhecia apenas uma destas contas e não podia ter ficado mais contente com a descoberta das restantes.

PAUL. E como nunca é demais sugerir espaços que façam os nossos estômagos sorrir, fica a dica da Joana, que nos apresenta um bocadinho de Paris em Lisboa, no seu significado mais puro: história, delicadeza, doces, salgados e montras maravilhosas. O PAUL nasceu em 1889 e só este ano chegou a Portugal mas parece-me que por cá permanecerá. Lisboa precisava dum espaço assim e eu quero muito visitá-lo numa próxima fuga.


Se só pudessem seguir cinco contas de Instagram, quais seriam?

MÚSICA | Contraponto

Os Contraponto nasceram em Viana do Castelo em 2012 mas, até há umas semanas, eu nunca tinha ouvido falar neles. Contudo, o nome deste grupo surgiu numa conversa a propósito da sua atuação no próximo LETHES - o Festival de Tunas organizado pela Hinoportuna - e imediatamente fiquei encantada com o seu talento.

Se eu tivesse que escolher três adjetivos para os caracterizar, eu diria que os Contraponto são jovens, inovadores e talentosos. Conquistaram-me instantaneamente com o Medley que vos apresento de seguida (o primeiro que vi/ouvi) mas fiquei ainda mais fascinada quando descobri que tinham, no seu reportório, canções dos Coldplay e doutras bandas e artistas conhecidos. E o que diferencia os Contraponto doutros mil e um grupos musicais? Simples: os Contraponto são um grupo a cappella. Vejam o vídeo  e comprovem:


Nem acredito que a azáfama das fitas, do cortejo, das bengalas e das cartolas está quase aí!

VIDA ACADÉMICA | Sonhos Indefinidos

Ao contrário da maior parte das pessoas que conheço, não ingressei no Ensino Superior com uma ideia nítida daquilo que pretendia. A Licenciatura em Turismo fazia sentido para mim por tudo o que abrangia mas não havia uma área a suscitar-me particular interesse. Normalmente os caloiros chegam à Faculdade com uma ideia clara daquilo que pretendem - mesmo que isso se altere com o passar dos anos e os sonhos passem a ser outros - mas eu não tinha essa certeza e, agora que a tenho, continuo a sentir-me ansiosa e insegura.

E se por um lado sinto que essa insegurança me abriu portas ao longo do percurso - porque, como já referi AQUI, não pus de lado nenhuma oportunidade por não ser exatamente o que eu (achava que) queria - por outro também sinto que, nesta reta final, preciso de certezas mais concretas e de objetivos a longo prazo que não sou capaz de formular. Já excluí tantas opções - depois de efetivamente testar e experimentar - que, neste momento, sinto que o meu leque de interesses e de objetivos ficou reduzido a duas ou três áreas que, na verdade, pertencem a um só domínio mais abrangente. Apostei todas as minhas fichas numa vertente não-tradicional que me suscita interesse e curiosidade mas, sejamos sinceros, está muita coisa em jogo. Se não gostar delas ficarei sem chão e todos os planos que eu consegui finalmente elaborar terão sido em vão. Preciso de certezas, equilíbrio e estabilidade.


"Cheiras a Verão" é um elogio fabuloso.