ATUALIDADE | O Financiamento do Ensino Privado

Eu estudei num colégio durante vários anos e ainda assim concordo plenamente com o corte nos subsídios e apoios ao Privado. Se há escolas públicas sem alunos e se há condições para acolher alunos provenientes de famílias com menores possibilidades, o apoio estatal ao Privado deixa de fazer sentido. As escolas privadas são privadas por alguma razão, certo?

Durante toda a minha vida vi bolsas de estudo, apoios e subsídios a serem atribuídos a pessoas que não precisavam deles. Frequentei um colégio até ao fim do Ensino Básico e estudei numa escola pública durante o Ensino Secundário e em ambos os casos fiquei indignada com a atribuição desses valores. Porque quem precisava realmente do apoio dificilmente tinha acesso a ele e porque aqueles que tinham maiores possibilidades arranjavam sempre forma de dar a volta à Lei. Em nenhuma das realidades a minha Educação ficou comprometida ou condicionada - ambas fizeram sentido para mim e para a minha família no momento em que as vivi - mas em ambas havia um denominador comum: a atribuição das bolsas de estudo foi (quase) sempre uma palhaçada. 

Os meus pais sempre foram cuidadosos ao ponto de não deixarem as dificuldades financeiras influenciarem a minha Educação e eu estou-lhes eternamente grata por isso. No entanto, também estou grata por um valor que, entre muitos outros, sempre fizeram questão de me transmitir: não compramos coisas que não temos condições para pagar. Porque a vida é assim - mesmo que nos pareça injusta. E nem toda a gente tem acesso às mesmas marcas, às mesmas casas, aos mesmos estilos de vida, aos mesmos carros, às mesmas escolas. Uns escolhem o Público porque querem, outros frequentam-no porque não têm outra opção. Contudo, quem escolhe o Ensino Privado não pode esperar apoios estatais. Os casais cujos filhos estudam no Ensino Público não podem ser forçados a apoiar, também, os alunos do Privado.

17 comentários:

  1. Não podia concordar mais e fico furiosa quando vejo os pais e os alunos a manifestarem-se contra isso. É privado e é preciso que entendam o significado disso, custe o que custar. A atribuição dos subsídios é mesmo uma palhaçada e uma injustiça tremenda. E agora, no ensino superior, esses valores são ainda mais injusto!

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  2. Concordo contigo! Serem uma escola privada, e receberem dinheiros públicos?
    Beijinho e boa semana!

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  3. Concordo em absoluto contigo! Os apoios não servem para ter opção de escolha, porque nesse caso quem hoje não tem acesso a privado com CA também estaria em desvantagem. Os CA fazem sentido no caso de haver carência, e aí, sou absolutamente a favor. Mas, não havendo carência, não há qualquer motivo para que os meus pais tenham que pagar a minha educação numa escola pública, em que tirei notas excelentes, em que conheci pessoas de todos os estratos sociais, em que cresci, e pagarem também a educação de alguém que quer pôr os filhos no colégio X ou Y porque lá eles sobem as notas para subirem nos rankings e escolhem os alunos a dedo. Sei que não é assim em todos os locais, mas onde eu estudei, era. E era muito triste ver isto a acontecer.

    Jiji

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    1. Joana, nem toda a gente vai para a escola privada para subir as notas ou ter determinado estatuto. Isso é um preconceito que em nada está relacionado com o tema da publicação.

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    2. Sim, eu sei, Carolina! E disse que sei que não é assim - na minha zona, infelizmente, era o caso para muitas pessoas. Daí achar que não faz sentido apoiar esta medida em zonas em que não seja justificável por carência.

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    3. P.S., porque acho que talvez me tenhas interpretado mal e não quero deixar "pontas soltas": acho de louvar que alguns pais realmente façam o esforço de escolher a instituição de ensino que preferem para os filhos, mesmo que isso implique custos acrescidos ao fim do mês. Prova empenho e procura de uma educação melhor. Se ela realmente é melhor ou não, não posso dizer, porque não sei como funciona a selecção nos colégios, nem como serão os métodos de ensino - suponho que os há bons e maus, como nas públicas! Nada contra o conceito de ensino privado, de todo!
      Aquilo que critico é a facilidade com que alguns colégios com CA sobem as notas ao alunos, procurando subir nos rankings, porque têm alguns anos de escolaridade que são pagos e assim têm mais facilidade em angariar "clientes". Custa-me ver a educação como um negócio puro e duro. Porque isso não garante nem a igualdade entre os alunos de todo o sistema de ensino, nem garante o sucesso destas crianças que um dia serão adultos que não têm o sucesso dado de mão beijada. E digo alguns colégios, porque sei que não é assim em todos, e outros terão de facto métodos melhores que garantem que as boas notas são totalmente merecidas - a "prova" disso é o sucesso nos exames nacionais, que são iguais de norte a sul!

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    4. Há bons e maus, como em tudo na vida - concordo plenamente. Simplesmente essa questão das notas, das pressões, das seleções e dos rankings nada tem a ver com o teor da minha publicação. Não nego que existem essas práticas em algumas escolas por todo o país - e acontece tanto em públicas como privadas, é um erro pensar o contrário - mas se as pessoas podem pagar o privado e se acreditam que o seu caminho passa por aí - como o meu também passou - acho muito bem que o escolham - desde que, lá está, possam pagar a mensalidade que lhe corresponde.
      Contudo, nesse tema que puxaste, cada caso é um caso. Eu, por exemplo, nunca me senti pressionada pelo próprio Colégio (não havia seleção de alunos - havia bons alunos e maus alunos, como em todo o lado) e tenho uma opinião muito diferente da da Ella - que frequentou outros colégios, também eles privados (está nos comentários seguintes, se interessar). Eu sou a pessoa que sou hoje por ter vivido as minhas primeiras etapas académicas num local que se importava comigo e, ao contrário da Ella, nunca senti que o Colégio me tentava transformar num robot que está ali para subir no ranking. Era privado, sim, e era por isso que tinha excelentes condições tanto ao nível das instalações como do ensino. Felizmente, proporcionou-me algumas experiências magníficas que provavelmente não teria tido num lugar que não aquele (fosse ele público ou privado).

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    5. Sim, sim, eu sei - quis só esclarecer porque realmente fui eu que o trouxe à baila :p

      Eu li o comentário da Ella - nem o quis referir porque, lá está, não sendo uma realidade que não conheço, não quis usar exemplos que não conheço, e ainda bem que há casos como o teu! Afinal de contas, tem que haver algum motivo para alguns colégios serem tão queridos das comunidades à volta!

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  4. Isto é tudo uma fantochada. Querem andar no privado? Que paguem por isso. Enfim.

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  5. Juro que não entendo esta polémica toda com este assunto, muito sinceramente. Eu, no alto da minha ingenuidade, sempre pensei que as escolas privadas eram exatamente isso, privadas! Independentes do estado, em que as pessoas pagavam mensalidades para lá estar e pronto. Agora vejo que não é assim, e não entendo o motivo de tanta discussão, e há escolas públicas por perto. Querem estar na privada, paguem para isso. Se não podem, contentem-se com a pública, que eu sempre andei nessas e não é por isso que sou pior :)

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  6. Estes colégios são casos à parte são uma resposta do estado ao não haver escolas publicas naquela região, subsidiavam as que existiam e cortavam em despesas. Havendo agora escola publica este apoio deve ser cortado, turmas criadas não deviam ser defeitas mas turmas novas a custo zero nao faz sentido. Especialmente porque são escolas que sendo publicas podem filtra quem entra. Logo logicamente o argumento do o ensino é melhor é uma mentira. Apenas há melhores alunos. Muitas escolas dessas fazem inclusive testes para os miudos entrarem. É um negócio daqueles à custa do contribuinte. Andei 9 anos da minha vida em duas privadas, 100 % dos custos pagos pelos meus pais e o ensino não era melhor... muito pelo contrário... éramos era filtrados e espremidos para termos notas melhores nos rankings. Toda uma lavagem cerebral do quanto esperavam de nós... Havia um ritmo alucinante, do qual notei zero diferença para a faculdade. Sai de lá com uma média mega reles mas nos exames tive grandes notas.
    Mesmo a publica onde fui no 10º era a junção de vários colégios de Lisboa portanto não notei diferença na exigência, mas melhor ensino. Sai com uma média abaixo do que fui tirar nos exames, e cheguei à faculdade sem medo de me matar a trabalhar. Mas dá cabo da cabeça a uma pessoa se a pessoa for "fragil". Pior que isso só os colégios GPS outro grande buraco de fundos... enfim...

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    1. Ella, estamos de acordo relativamente aos subsídios mas, apesar de também ter frequentado um Colégio até ao nono ano - passei lá 12 anos da minha vida e os meus pais também não tiveram apoios para isso - não me identifico com o resto dos pontos que abordas. Nem todos os Colégios tratam os alunos como máquinas que estão ali apenas para subir nos rankings e garanto-te: há Colégios que se importam com o Ensino que oferecem e não só com os números. No entanto, essa é uma questão que em nada está relacionada com a minha publicação - a qualidade do Ensino Privado não deve ser posta em causa quando a única questão que devemos averiguar é o apoio estatal.

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  7. Concordo contigo, mas nem sempre as coisas são assim. Concordo que se deixe de financiar os colégios porque nem todos têm de pagar por escolhas alheias, mas no caso do colégio onde estudei, discordo. Estou a ser contraditório, mas tenho fundamentos para isso. A inexistência de propinas, a ajuda que existe às famílias carenciadas que têm filhos no colégio... Caso queria saber mais, escrevi um post sobre isso! :)

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  8. ora cá está não podia concordar mais. Tenho uma amiga minha cuja familia tem uma situação financeira semelhante à da minha, senão melhor e ela anda num colégio privado com imensas condições e não paga nada. Sinto que isso não é justo porque como tu disseste quem escolhe ir para o privado tem mais privilégios mas penso que deve pagar por eles.
    beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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  9. Concordo plenamente contigo! Revolta-me especialmente porque a escola pública tem tido sucessivos cortes, as condições têm-se degradado, quando afinal até existe dinheiro - apenas não está a ir todo para o público. Arrepia-me ainda o facto de ver sucessivos debates sobre esta matéria e lembrar-me de que, quando foram os cortes na escola pública, raras discussões se fizeram. Acima de tudo os impostos são para ser investidos no sector público para que este seja efectivamente universal e gratuito - seja a escola ou outro ramo qualquer.

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  10. Não podia concordar mais contigo! Não percebo esta discussão toda, acho que só a palavra "Privado" nos diz tudo: o Estado não tem que dar dinheiro para os privados!

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  11. Também não consigo compreender porque é que escolas privadas têm apoios estatais se são privadas.

    Cátia ∫ Meraki

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