ESTÁGIO CURRICULAR | "A sua chamada está em espera."

A minha ansiedade não se revela muitas vezes em situações do quotidiano mas aparece sempre que preciso de fazer telefonemas. E, confesso, essa tem sido a minha maior guerra pessoal enquanto estagiária. Não passo o dia ao telefone - longe disso - porém quando a minha lista de tarefas inclui um - ou vários - contactos telefónicos, o meu organismo dá sinal: mãos geladas, coração a mil, dificuldade em respirar.

Muitas são as pessoas que odeiam falar ao telefone, especialmente com desconhecidos e/ou sobre trabalho e temas importantes. E isso é normal porque são situações que nos obrigam a sair da nossa zona de conforto (aplausos para aqueles que têm um talento nato para falar ao telefone!). No entanto, passar a semana a vomitar, a ter bloqueios respiratórios e a dormir mal não é normal. Eu reajo com maior intensidade a estímulos que me provocam medo e desconforto e, quando preciso de fazer telefonemas, fico com a sensação de que estou a caminhar para o abismo.

E como não posso deixar de fazer o meu trabalho porque não lido bem com telefonemas - até porque eu até nem me costumo atrapalhar, apesar de todo o pânico que sinto -, fui descobrindo algumas estratégias que me ajudam a minimizar os danos da ansiedade e a não bloquear perante algumas pessoas menos simpáticas ou telefonemas mais exigentes:

Escolher um espaço sossegado. Se eu já fico em pânico sempre que tenho que fazer um telefonema, a tarefa passa a ser ainda mais difícil para mim se tiver outras pessoas à minha volta - mesmo que sejam pessoas em quem confio plenamente. E, nesse sentido, sempre que me é possível, opto por fazer os meus telefonemas numa sala mais sossegada - preferencialmente vazia - ou no meu quarto.

Elaborar um guião. Esta dica não se aplica a todos os casos mas, quando o telefonema é MESMO importante ou há alguma informação - ou várias - que tenho mesmo que referir, eu faço um guião  (que pode ser mental ou não) com aquilo que tenho que dizer, as possíveis respostas que poderão surgir do outro lado da linha e a solução para cada situação. O antídoto para a ansiedade é o controlo e sentir-me preparada e confiante para responder a qualquer coisa em determinada conversa é meio caminho andado para ela correr bem.

Improvisar. Se por um lado os guiões são óptimos em conversas mais elaboradas e profissionais, por outro, em determinadas situações a solução passa por pegar no telefone e deixar a conversa fluir, sem preparação. Contra mim falo - adio o mais que posso - mas há alturas em que o melhor é mesmo fazer o telefonema o mais rapidamente possível, para não ter que pensar nele durante o resto do dia.

6 comentários:

  1. Falar ao telefone com pessoas com quem não sou extremamente próxima também é uma coisa enervante para mim. Antes também costumo elaborar um "guião" mental :)

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  2. Agora para um trabalho da faculdade ando a fazer video conferencias... Pior que um telefonema é ter um desconhecido esbogalhado a ouvir o que eu tenho para dizer. Para mim é assustador!

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  3. Fico tão feliz por saber que não sou a única! A minha mãe acha estranhíssimo uma pessoa com a minha idade não conseguir telefonar ou atender um telefone (seja estranho ou conhecido) mas eu fico tão nervosa, com o coração a mil e falta de ar. Vou experimentar as dicas, espero conseguir lidar melhor com chamadas.

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  4. Entendo - também não gosto. Felizmente não reajo tão mal assim, e já me vou habituando (passo muito tempo ao telefone), mas quando toca eu rezo para que outra pessoa atenda, confesso!

    Jiji

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  5. Eu fico um bocadinho nervosa quando tenho que o fazer nos escuteiros mas faco sempre um guiao como base de apoio!

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  6. Esta publicação podia ter sido escrita por mim. Sempre abominei com todas as minhas forças falar ao telemóvel e desde que comecei a trabalhar, não tive outro remédio se não aguentar. Gaguejava, enganava-me, ficava uma pilha de nervos. Felizmente não há nada como a prática para perder o "medo", mas ainda recorro a guiões! Já me sinto melhor por não ser o único a utilizar essa técnica haha.

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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