TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Tradução

"No momento em que me candidatei ao Ensino Superior sabia perfeitamente qual era o curso que queria candidatar-me. Demorei algum tempo a percebê-lo ao longo de todo o meu Secundário, mas no momento em que descobri o curso de Tradução e todas as suas especificidades sabia que tinha encontrado ali o amor da minha vida. 

Quem conhece a minha história sabe que a minha candidatura foi um bocado atribulada. Explicação rápida: candidatei-me assim que saí do Secundário ao Ensino Superior mas como os Exames Nacionais não me tinham corrido bem, não entrei. E por isso, um ano mais tarde repeti os Exames Nacionais e consegui o dobro da nota tirada anteriormente. O que me levou a que tentasse novamente a minha sorte na entrada ao Ensino Superior. 

Talvez dos melhores dias da minha vida, o dia em que soube que tinha entrado no meu curso tão desejado, o curso de Tradução, na Universidade de Aveiro. Lembro-me como se tivesse sido hoje, a minha felicidade de orelha a orelha, o olhar de orgulho dos meus pais, a emoção e a ansiedade dos dias que aí vinham. 

Até que finalmente chegou o primeiro dia. O dia das matrículas. Foi um dia bastante cansativo tenho de admitir, onde conheci alguns futuros colegas de curso, onde tratei de imensa papelada, demasiada para o meu ver. E depois de tudo isso, conheci a Comissão de Faina – Comissão de Praxe, para alguns. Depois de bastantes explicações, dicas importantes e da derradeira pergunta “Estás a pensar fazer praxe?” soube que Aveiro tinha sido o sítio ideal para começar o meu percurso académico. 

Quanto ao curso em si, devo dizer que tem sido um desafio não pelas cadeiras propriamente ditas mas pela liberdade que tens quando vais viver para uma cidade sem os teus pais. O primeiro semestre do meu 1º ano foi talvez dos mais atribulados, pois no início ainda não vivia em Aveiro o que fazia com que a fatiga levasse a melhor. Devo dizer-vos que aquele pensamento “Nunca vou faltar a uma aula” que tinha no primeiro semestre se dissipou no meu segundo semestre e provavelmente vais ter de faltar a algumas aulas depois de algumas quintas-feiras académicas agressivas. Mas tudo em moderação claro, estás em Aveiro para estudar mas um bocado de diversão também não faz mal a ninguém. 

As cadeiras propriamente ditas são bastante educativas e um tanto curiosas se apanhares os professores certos. E se estiveres a pensar vir para o meu curso, digo-te já: a melhor professora deste curso é a Maggie que dá Inglês I e Inglês II e, por muito que procures, só ela é que realmente se importa. Quanto a cadeiras mais complicadas, tenho de falar naturalmente da cadeira que me está a dar dores de cabeça neste semestre: Linguística Contrastiva. Linguística quê? Perguntas tu. Também eu me pergunto o mesmo todos os dias porque ainda estou a tentar descobrir. 

Quanto à tão adorada Faina Académica, fiz praxe do início ao fim. Sem medos. Sem receios. Sem qualquer tipo de arrependimento. E quando dizem que a praxe é para integração acreditem que é, pelo menos cá em Aveiro a união prevalece. Aqui não somos caloiros, somos aluviões ou lodos e lamas. Aqui não há padrinho ou madrinha, existem patrões ou patroas. Aqui não há afilhados ou afilhadas, existem pedaços de terra. E talvez, esta distinção faz-me afirmar que a Faina Aveirence é talvez das mais especiais de todo o país. E não me posso esquecer de referir o tão respeitado Código de Faina, um livro que podem encontrar online, se quiserem já começar a recolher informação. Mas uma coisa vos digo, ter entrado na praxe foi talvez das melhores decisões que podia ter feito. E hoje, enquanto vos escrevo isto, posso dizer-vos que acabou há pouco tempo mas que as saudades já são muitas. 

Desde sempre, mesmo antes de ter escolhido o meu curso, eu só tinha uma ideia “quero ir para a Universidade de Aveiro”. Porquê perguntam vocês? Tenho de admitir que uma das razões que me levou a escolher, foi o sítio. O campus, todos os departamentos num só – ainda que mais tarde tenha descoberto que o meu departamento, o Departamento de Línguas e Culturas seja o mais velho e mais afastado de sempre. Uma dica para futuros aluviões: o Autocarro Bar, o Confúcio, o McDonalds e o Convívio vão ser os vossos melhores amigos porque se gostam de comer como eu é lá que vão sobreviver. 

Uma coisa podem ter a certeza, Aveiro tornou-se a minha casa, o sítio onde o meu coração está. Sem sombra de dúvidas que Aveiro me conquistou. E que Tradução foi o melhor curso que podia ter escolhido. Porque no final, azul e branco é coração. (Cores do meu curso e do meu clube, não acham que estava mesmo destinado?)."


 Letícia, Aluna do Primeiro Ano da Licenciatura em Tradução na Universidade de Aveiro.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Letícia irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

3 comentários:

  1. Tenho alguns cursos em mente quando terminar o secundário e Tradução é um deles! Gostei muito do testemunho da Letícia1

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  2. Estudei LEE em Aveiro e admito que estas palavras me tocaram! Que saudades :)
    E sim, o nosso departamento é o mais afastado, mas talvez isso o torne especial. E, quanto à faina, tudo isso é verdade. Em Aveiro queremos um todo e não um por si. Somos, no fundo, uma família com laços que nunca se quebrarão. Aveiro é uma das cidades do meu coração e será sempre porque o que Aveiro une ninguém separa! :)

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