TEMPO DE ANTENA | Poder de Voto

"Dou por mim a olhar à minha volta e a ficar assustada com os tempos que aí vêm. Vejo uma parte da sociedade verdadeiramente interessada em ter mão no seu futuro, em ter ideias e opiniões, em saber o que se passa no Mundo e nas entidades que decidem o seu modo de vida. Mas depois vejo outra parte, arrisco-me a dizer que bem maior, capaz de afirmar com orgulho que "não quero saber de política!".

Escrevi uma vez que "A política é muito mais do que "são todos iguais", "são todos uns mentirosos", "é mais do mesmo" e "não vale a pena". A política é feita todos os dias por cada um de nós, ao expressarmos a nossa opinião, ao ouvir e considerar a opinião dos outros, ao lutarmos pelos nossos ideais, sejam eles quais forem e em qualquer assunto, ao estarmos atentos ao que se passa à nossa volta e às decisões que permitimos - ou não - que outros tomem por nós.". E mantenho esta opinião. Não é preciso estar filiado a um partido, nem é preciso dizer que apoiam x ou y. Mas é preciso ter consciência de que todas as decisões que são tomadas pela classe política têm consequência directa nas nossas vidas. E é aí que nós, os comuns Cidadãos, entramos.

Porque da política também faz parte o direito ao voto. E esse, parece-me, tem-se tornado uma arma muito potente para muita gente que não tem noção do que tem "nas mãos". Vejamos o caso do referendo relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia. Horas após o fecho das urnas - reforço o após - houve um boom de pesquisas no Google sobre quais seriam as consequências da saída. Depois da divulgação dos resultados, foram conhecidos imensos casos de pessoas que votaram pensando que o seu voto não faria diferença e que agora estão arrependidas da opção que tomaram. Vemos agora imensos casos de pessoas claramente mal informadas sobre as consequências de cada uma das opções que tinham à escolha.

Não é preciso fazer juízos de valor sobre o resultado para perceber que algo está muito errado aqui. Não se trata sequer de pensar nas consequências dos resultados. Trata-se apenas de reconhecer que provavelmente foram resultados fortemente baseados no diz-que-disse, no voto por protesto inconsequente, e até na abstenção e na indiferença (25% de abstenção não é muito se comparado com os valores habituais em Portugal, mas continua a representar um quarto dos votantes que optaram por deixar a decisão na mão de outros). 

Tomamos a democracia como tão certa e garantida que já nem a levamos a sério. Importa por isso pôr a mão na consciência e aprender com os erros, sejam os dos britânicos ou os nossos, que insistimos em nomear a abstenção como grande vencedora de qualquer votação. Importa perceber que todos os votos contam e, por isso, o voto é uma ferramenta muito útil na decisão do destino de qualquer sociedade. É o nosso futuro num papel. Tomemos bem conta dele!"


Joana Sousa, Jiji.

4 comentários:

  1. Apesar de acreditar na democracia e na liberdade -- não fosse eu meia-americana -- eu começo a achar que o direito ao voto não devia ser um direito. O povo é burro. O que se vê é que o povo não tem capacidade para tomar este tipo de decisões. Especialmente porque uma pessoa com 80 anos está a votar para um futuro que não é o dele. e hoje, em portugal por exemplo, a nossa população está toda envelhecida, o que significa que grande parte dos votantes estão a influenciar um futuro que não é o deles. Acho que as pessoas deviam fazer um teste de qi antes de se poderem inscrever para votar, e acho que pessoas acima dos 75 não deviam ter o mesmo peso nos votos que um jovem de 20/30 anos.
    Tenho muito medo pelo futuro que se avizinha, a serio.

    Beijinho
    the-not-so-girlygirl.blogspot.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Por muito que perceba perfeitamente o que dizes, e que concorde a 100% sob um ponto de vista um pouco mais egoísta, há que ter também em conta uma das frases que mais me vai fazendo inspirar fundo de cada vez que vejo situações destas e pôr as coisas em perspectiva: I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it. A democracia é isso... infelizmente a inteligência e a juventude não são garantias de que pensamos em todos os prós e contras (incluindo a garantia do nosso bem estar e dos outros na equação), por isso não há forma de garantir que o voto é totalmente consciente.

      Acho que na realidade a "solução" passa por cada um de nós reconhecer o seu papel como Cidadão e a sua voz - e lutarmos para que todos à nossa volta estejam bem informados sobre as suas decisões. Infelizmente acho que no caso do Brexit houve mesmo falta de informação...

      Eliminar
  2. Ninguém quer saber de política para nada. O que interessa é que a bola entre na baliza. O quê? O Reino Unido saiu da União Europeia? Who cares? Se a unha do dedo grande do pé esquerdo do Ronaldo se encravar é que temos um grande problema? Política? Não, não. Isso não é para nós. Depois só nos podemos admirar quando a corrupção mina a democracia e a legislação rouba direitos adquiridos há muito.., não é?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É tão isso. Infelizmente, diga-se. Entre muitos, é mais tema de conversa a saída do Euro do que da União Europeia...mas há sempre vontade de nos queixarmos de que é tudo uma cambada de isto e aquilo, quando muitos nem sabem de quem estão a falar...cabe a quem se interessa passar por chato (ainda ontem me chamaram isso, sim) e ir levantando o tema. Eventualmente a coisa há-de ir ao sítio, ainda acredito que sim.

      Eliminar