DANÇA | O Mito

A questão da idade é apenas um detalhe quando falamos de iniciar um desporto. Felizmente, o nosso corpo é capaz de se adaptar a novos movimentos, rotinas e hábitos e com o passar das semanas - e dos treinos, obviamente - vamos ficando mais fortes, mais flexíveis, mais ágeis. A idade é só um número. E isto também se aplica ao ballet (ou a qualquer outra modalidade).

Pratiquei desporto toda a minha vida mas só aos 14 anos decidi que queria inscrever-me nas aulas de ballet. Já tinha experimentado estilos mais urbanos mas nunca tinha frequentado aulas de dança clássica e pareceu-me um óptimo desafio. Em Setembro de 2010, para além de iniciar uma nova etapa académica numa escola diferente e numa turma onde não conhecia ninguém, entrei também no mundo dos leotards, dos collants cor-de-rosa e dos tutus.

A condição da idade não é, na verdade, uma condição ou um entrave. Existem imensas aulas de ballet para adultos espalhadas pelo país e tudo se consegue com esforço e dedicação. Aos vinte ou aos trinta anos já não esperamos ser bailarinos profissionais, obviamente, mas isso não é necessariamente algo negativo - também nós podemos aproveitar as aulas, trabalhar todos os músculos do nosso corpo e fazer mais pela nossa saúde. Ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, este é um desporto que pode ser começado em qualquer idade e que tem inúmeros benefícios para o nosso corpo.

É claro que as crianças têm maior facilidade em certos movimentos por serem muito mais flexíveis e também é óbvio que, na maior parte das vezes, apresentam resultados num período de tempo mais curto. No entanto, isso não significa que um adulto não seja capaz de ser bem sucedido. O ballet, apesar de parecer fácil, é um estilo de dança muito exigente e os movimentos - sejam eles mais lentos ou mais rápidos - exigem equilíbrio, flexibilidade, força (muita força), autocontrolo e concentração e nem sempre os mais novos reúnem todas estas características.

Em Setembro de 2016, depois de dois anos longe das barras e das piruetas, irei - espero eu! - regressar às aulas de ballet. E não podia estar mais contente com esta (muito provável) compatibilidade de horários porque é algo que, para além de me fazer sentir melhor fisicamente - e quem pratica desporto, seja qual for, conhece a sensação - me permite ter tempo para mim independentemente da quantidade de trabalho ou de tarefas que tenho em mãos. Provavelmente irei começar do zero mas isso não me preocupa. Ainda que conheça os nomes das posições, os próprios movimentos e os exercícios, já não tenho a mesma força e a mesma flexibilidade - não poderia (nem pensar!) regressar à turma na qual estava inserida quando fiz o meu último espectáculo, em 2014. E isso não me incomoda. As aulas de ballet são um escape à rotina e um momento de descontração que ajudam a minimizar a ansiedade e as preocupações do quotidiano. E sim, é possível treinar a flexibilidade em qualquer idade - há que trabalhar.

13 comentários:

  1. Concordo plenamente com tudo o que disseste. Pratico Ballet já há algum tempo e é realmente um desporto difícil e que exige muito de nós, mas nada é impossível.

    Eu própria também estive algum tempo sem praticar e desde o ano passado (quando regressei) já evolui bastante.

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  2. Fico tão feliz por ter tropeçado neste teu post, Carolina! Nunca fiz ballet mas acho-o fascinante e uma das coisas mais belas que se pode fazer com o corpo humano. Também eu estava convencida de que seria inútil começar a aprendê-lo agora, aos 24 anos, pelo que o teu post me deixou com uma vontade renovada de experimentar.

    Tenho só uma pergunta que gostaria de te colocar. Eu sou uma pessoa com muito, muito pouca flexibilidade (but i'm working on that!). Achas que isto é um obstáculo intransponível para se aprender ballet, ou a flexibilidade que se vai ganhando ao longo dos treinos/aulas é suficiente?

    Um beijinho!

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    1. As aulas de iniciação ao ballet para adultos costumam ter isso em conta. No entanto, se achares que não estás a evoluir como esperavas, podes sempre complementar as aulas de ballet clássico com outras de flexibilidade e/ou barra no solo e/ou fazer exercícios que visem colmatar essa falha. Não é impossível, de todo :)

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  3. Eu comecei a praticar ballet aos 5, mas lembro-me muito bem de uma colega nossa que entrou na nossa turma (devia ter eu uns 14/15 anitos) que decidiu começar a praticar ballet já aos 20. Demorou algum tempo a ganhar o jeito, mas tinha uma postura, durante os exercícios, de bailarina que nos deixava boquiabertas e era elogiada pelos professores. Parecia que desfrutava muito mais do momento, do que nós que estávamos habituada aquilo desde pequenas.
    Se calhar um dia também vou matar saudades do ballet que já não pratico há 5 anos...

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  4. Contrariamente a ti eu fiz ballet quando era mais pequenina e foi uma rampa de lançamento para a ginástica já que o ballet é a base da rítmica (as ginastas profissionais têm aulas de ballet no seu dia-a-dia o que acho giríssimo para aperfeiçoar a técnica!).

    Gostava - imenso - de um dia voltar mas certamente não nos próximos anos mas é algo que ainda faz o meu coração bater mais rápido! Espero mesmo que consigas ingressar novamente no ballet! Faz tão bem e é tão bom!

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  5. Ainda bem que escreveste este post e me respondeste ao comentário no outro dia porque, tal como muitas pessoas, eu também acreditava neste mito. De facto, o corpo e a mente humana é algo fantástico, com dedicação e esforço conseguimos tudo, e nem a idade é um entrave. Tal como já te disse no outro comentário, agora não posso ir porque tenho outras prioridades, mas quem sabe se um dia não aceito o desafio e experimento ballet :).
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  6. fiz ballet dos 3 aos 18, fiz, inclusivé, o grau VIII da Royal. depois decidi mudar e experimentei coisas mais urbanas. não me arrependo, mas não nego as saudades que tenho do clássico e do contemporâneo.

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  7. Estou como a Sílvia lá em cima. Adoraaaaava experimentar, mas é daquelas coisas que vai ficando no fundo da gaveta "porque sou muito velha" e depois ainda mais velha fico...não sei. Pode ser que um dia ganhe coragem!

    Jiji

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  8. Eu fiz ballet quando era mais nova, entretanto saí e não me vejo a voltar... Mas concordo com o que disseste. Alguém que queira praticar um desporto, não dev nunca desistir por causa da idade (=

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  9. Quando vivi em Londres tive umas aulas de ballet e acredita, não é para mim. Ainda assim, meti-me nas aulas de jazz dance e já gostei mais mesmo tendo movimento do ballet.

    Cátia ∫ Meraki

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  10. Acho uma dança linda!
    E ao contrário do que dizes, nem ao parecer é fácil! ;)

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  11. Confesso que sempre ouvi que tanto o ballet como piano eram actividades para se começar em criança. Fico feliz por saber que afinal isso não corresponde à verdade. Sempre tive um fascínio enorme com os pianos mas, por esse "entrave" da idade, pensei que a minha oportunidade já teria passado. É como dizes, com empenho e dedicação, conseguimos tudo :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  12. Apercebi-me dessa questão da força e da flexibilidade muito recentemente, quando me dei conta de que o meu corpo começava a responder aos meus estímulos. Passados 18 anos, é que consegui fazer a espargata (ainda que mal feita), ficar em certas posições que exijam um pouco mais de força, elevar e levar a perna até a um certo ponto, por aí adiante, e tudo por uma razão que bem referiste: o trabalho! Nada me deixa mais contente do que saber que se eu trabalhar, eu tudo consigo!
    Uma outra questão que conflitua com a idade, é o tipo de corpo. Muitas pessoas julgam que só porque alguém é mais gordinho (o preconceito habitual), ele nunca conseguirá ser um ginasta, atleta ou um dançarino. Isto tudo não passa de mais um mito que deve ser desmitificado, pois está mais do que certo de que, quando existe foco e trabalho, tudo se consegue!

    A Vida de Lyne~

    (Desculpa-me se este comentário está parecido ao outro, caso o tenhas recebido. É que a internet foi abaixo e, por via das dúvidas, decidi escrever este comentário! :])

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