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VIDA ACADÉMICA | A Partilha

Eu e a Inês temos opiniões e formas de agir compatíveis em variados temas e este - que ela explica na perfeição numa resposta a um comentário de um Anónimo - é mais um: nunca neguei apontamentos ou materiais de apoio ao estudo aos meus colegas. Porque não faz sentido. Porque o seu sucesso académico em nada influencia o meu. Porque posso ser bem sucedida e vê-los alcançar também o seu objetivo.

Recusar a partilha de materiais é, perdoem-me a sinceridade, ridículo. E quando me dizem que o fazem porque as pessoas não vão às aulas, eu assumo uma postura crítica: quem tem o direito de julgar as faltas, afinal? Se a Universidade não contabiliza nem condena as faltas e se a pessoa não reprova por causa disso... que direito (ou dever) temos nós de condená-la ou castigá-la?

Ao longo dos últimos três anos recebi apontamentos de colegas e alunos mais velhos - não tantos quanto isso mas nunca porque mos negaram - e também eu disponibilizei aos meus colegas e alunos mais novos os documentos e apontamentos que tinha em mãos. E não sei se os utilizaram como complemento aos seus próprios apontamentos ou se se guiaram exclusivamente pelos meus para passarem às unidades curriculares mas isso não me interessa minimamente. Se (não) foram às aulas, se (não) escreveram meia dúzia de páginas ao longo do semestre, se (não) têm melhor nota do que eu... Não importa. Se estudamos pelos mesmos livros, anotações e fotocópias e se alcançamos notas idênticas... tudo bem! Quando falamos de aproveitamento académico, o sucesso dos outros não define o nosso próprio sucesso. E se ambos alcançamos determinado resultado sem batotas ou ilegalidades, estamos em pé de igualdade. A única coisa que peço é que mos devolvam logo que possível. Simples assim.

Fui a primeira pessoa da minha turma a elaborar e entregar o meu Relatório de Estágio e imediatamente me dispus a enviá-lo para os meus colegas que ainda não tinham elaborado o seu, tal como acontece com trabalhos que continuo a facultar aos alunos das turmas mais recentes.  Alguns quiseram vê-los, outros não - mas não neguei o seu envio a ninguém. Podemos todos ter bons resultados sem que isso defina o nosso sucesso individual. Desde que não haja plágio - uma de muitas ilegalidades, como referi anteriormente - todos os trabalhos serão válidos e eu espero genuinamente que todos atinjam os resultados que esperam.

Não partilhar - ou partilhar apenas com os amigos - materiais de apoio ao estudo não só é egoísta como demonstra um carácter vingativo e invejoso que não me convence. A competição saudável faz parte da vida académica - e da vida em geral, convenhamos - mas eu não olho para este tipo de atitudes com esses olhos: não partilhar materiais de apoio ao estudo de alunos mais velhos - assim como os nossos próprios apontamentos - com os colegas não nos torna melhores pessoas (nem melhores alunos ou melhores profissionais). Pelo contrário.

12 comentários:

  1. Eu facultei (e continuo a facultar) todo o meu estudo, resoluções de exercícios, livros, trabalhos, entre outros. De toda a gente do meu ano, fui sempre a pessoa a quem recorriam para pedir apontamentos sobre qualquer cadeira, durante os três anos, independentemente de serem conhecidos ou desconhecidos, e independentemente do ano.
    Só que, como já te disse, perderam um caderno meu quando precisava dele para estudar para um teste, e muitas vezes queria estudar ou utilizar os cadernos e não podia porque demoravam a entregar-me (semanas até!). Por isso, fiquei escaldada e saí prejudicada, e deixei de emprestar a desconhecidos os cadernos dos quais precisava, só emprestava aos meus amigos por confiar neles. E, além disso, tive grupos de pessoas que, quando passavam por mim, não falavam e faziam de conta que nem me viam (isto as pessoas do meu ano, dos anos anteriores é normal não conhecer toda a gente) e depois com a maior das latas vinham falar comigo e pedir cadernos, e voltavam a ignorar-me, e voltavam a pedir umas semanas depois. Também deixei de emprestar nessas situações. Se fui egoísta? Fui, claro que fui.
    Ainda hoje não me importo de fornecer os meus apontamentos a qualquer pessoa e sei que irão sempre recorrer a mim por ser organizada, mas enquanto eu precisar dos cadernos para estudar, as pessoas nunca mais os levam para casa (tiram cópia comigo, por exemplo). Não precisando deles, o caso é diferente e não me importo de emprestar.

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  2. E esqueci-me de acrescentar: sei de casos de cursos em algumas faculdades em que sabotam os apontamentos para prejudicar os outros. Eu acho isso muito indecente! O nosso sucesso em nada depende do sucesso dos outros e acho repugnante que façam isso.

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  3. Em princípio vou para a universidade este ano, mas por acaso já sabia da existência destas competições que levam as pessoas a agir de forma não tão correta. A verdade é que é preciso ter cuidado a quem facultamos os nossos apontamentos e trabalhos. Falo do caso da minha mãe que tal como tu foi a primeira pessoa do grupo a terminar o relatório de estágio dela e acontece que uma outra pessoa decidiu plagiar uma parte do trabalho. Acontece que a pessoa que plagiou tinha melhor nota interna e portanto decidiram prejudicar algumas décimas, senão valores (não sei exatamente, só sei que acabou por ser prejudicada na nota final) à minha mãe, porque assumiram que quem teria copiado teria sido ela. Por acaso a minha mãe sempre foi pessoa de passar tudo aos outros, o que fez com que acabasse por sair prejudicada em algumas situações. No entanto, não é por isto que deixarei de emprestar apontamentos se mos pedirem, mas sei que tenho que estar atenta, porque infelizmente há pessoas maldosas neste mundo. Mas uma coisa garanto, nunca deixarei de emprestar apontamentos só porque o sucesso de outra pessoa me incomode.

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  4. Concordo muito com esta publicação.
    Nunca neguei partilhar o meu material de estudo (livros, sebentas, apontamentos) com os meus colegas ou com pessoas de anos anteriores.

    Mas confesso que relatórios, emprestei uma vez e tive problemas com isso, porque as pessoas em questão copiaram literalmente tudo o que tinha escrito e foi complicado convencer os professores da cadeira quem é que tinha copiado por quem. Nunca mais disponibilizei relatórios e trabalhos.

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  5. Nunca entendi as pessoas que se negavam a dar apontamentos.No meu curso e posteriormente mestrado sempre cultivamos o espirito de entre ajuda. E há troca de materiais de estudo, de apontamentos, relatórios e tudo mais... Mesmo no meu curso não havendo faltas a nada. Vamos ao que queremos. O que é bastante bom, porque há sempre gente que falta porque tem outros projectos e deadlines e precisa daquela hora. E entre nós há sempre alguém que sabe de alguma coisa!

    E quantas são as vezes que estudamos juntos. Só nego apontamentos quando a pessoa que mos ofereceu me pede que os guarde só para mim. O que já aconteceu este semestre. Uma amiga arranjou uns testes corrigidos de anos passados, da parte do namorado dela. E o prof não deixava que circulassem esses testes então tive de "fingir "que não os tive. O que foi bastante chato mas não dependia de mim. E acredita que em informática se arranja muita coisa ilegalmente ;P

    Mas sei que no curso da irmã do meu namorado é precisamente o oposto. As pessoas escondem tudo o que tem, e as vezes até dizem datas erradas, apontamentos errados só para ver as outras pessoas errarem. Eu acho isso inaceitável, nojento mesmo!!

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  6. Em 3 anos de licenciatura, sempre emprestei tudo aquilo que me pediam, desde apontamentos até resoluções de exercicios. Aliás, neste último ano, nem esperava que me pedissem as resoluções de testes anteriores, limitava-me a partilhar no grupo que tinhamos no facebook assim que acabava de os resolver (sabia que ia haver muita gente a vir pedir-me, e ao menos livrei-me de enviar as coisas uma por uma). Já me chamaram "burrinha" por ser demasiado boa (que, nesse aspeto, sou bastante...), mas não consigo negar ajuda quando me pedem, principalmente quando pedem coisas que não me custa nada fornecer... e acabei a licenciatura chateada com aquele que, durante grande parte dos 3 anos, achei ser o melhor colega que tinha, porque me apercebi, neste último semestre, que ele me pedia as resoluções que eu fazia mas depois recebia testes de outros anos e não dizia nada a ninguém (a não ser no próprio dia do teste... super util, portanto). Essa atitude caiu-me tão mal que toda a boa impressão que tinha dele fugiu completamente. Não suporto pessoas que não sabem ter uma "competitividade" saudável. Se numa licenciatura já são assim, nem quero imaginar no mercado de trabalho...

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  7. Já compreendi o tweet! Sem dúvida que estou de acordo com tudo o que publicaste e mais não refiro porque excedi o pacote de palavras na minha resposta ao Anónimo :)

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  8. Concordo contigo - nunca me passaria pela cabeça negar-me a emprestar apontamentos a um colega. No meu curso não havia muita passagem de apontamentos entre colegas mais velhos e mais novos, mas sim entre alunos da mesma turma. Porque faltavam ou porque não conseguiam apanhar tudo, uma vez que era necessário manter atenção constante durante 2h e escrever MUITO. Para ser sincera, ficava até lisonjeada sempre que me pediam apontamentos emprestados, porque significava que confiavam no meu desempenho académico. E não vejo nada isso como batota, uma vez que os apontamentos das aulas não chegavam para fazer um trabalho final de uma unidade curricular. Eram apenas as bases para que soubessem sobre o que se tinha falado na aula - nunca lhes negaria isso. Mas nunca pedi apontamentos emprestados, apesar de faltar algumas vezes, porque não confiava suficientemente no desempenho dos meus colegas. Manias!

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  9. Concordo com tudo o que disseste.
    Devo provavelmente a minha média média-alta a todos os meus colegas que se davam com pessoal de anos anteriores e conseguiam arranjar exames e frequências de anos anteriores que eram um óptimo complemento ao estudo (mesmo às vezes não tendo uma única pergunta igual). Como eu não tinha essa vantagem, sempre me disponibilizei, quando o conseguia a tempo, a enviar a minha resolução a quem estava mais aflito e me pedia individualmente ou no grupo do ano.
    Também me aconteceu ir a aulas teóricas praticamente sozinha em época de avaliações, em que os professores me quiseram compensar e deram dicas da matéria mais importante a estudar. Tive amigas minhas a dizer-me para não partilhar com certas pessoas, mas achei isso simplesmente estúpido e partilhei no grupo do ano.
    Ao fim do dia, tudo se resume ao velho "não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem a ti". O resto é conversa.

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  10. Acabei este ano o primeiro ano, recebi apontamentos de alunos mais velhos e dei apontamentos meus aos meus colegas e, no ano seguinte, darei os meus apontamentos (e os apontamentos que me foram chegando) aos alunos mais novos pois acho que é o mais correto. É um espírito de entreajuda no curso que acho que só faz bem!

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  11. Concordo com tudo. Tenho colegas mais velhos que fizeram algumas sebentas e passaram a alguns da minha turma para partilharem com todos. Infelizmente, eles não o fazem e temos de ser nós a pedir aos autores dessas sebentas que nos passem porque não chega nada às nossas mãos. É muito triste.

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  12. Honestamente, desta vez não concordo contigo.

    Eu tive duas experiências diferentes.
    Na primeira, numa escola de engenharia, havia o espírito de entre-ajuda porque o grau de dificuldade era enorme e muitos dos trabalhos motivavam o espírito de equipa. Muitas vezes foi um por todos, e depressa compensávamos em outras áreas os nossos colegas em que éramos mais fortes.

    Agora que estou numa outra universidade, com colegas muito mais novos do que eu, percebi que depois de tirar notas elevadas (acima do 18) em trabalhos e relatórios, muito elogiados, que os meus colegas me pediam os mesmos para se inspirarem a dias da data limite. Percebi que o desespero era tal que a inspiração virava plágio. E agora recuso qualquer envio de relatório a qualquer colega. Ofereço ajuda, e tempo para os guiar... Mostro trabalhos no meu computador e ipad. Mas não os envio. E sabes que mais? Não é a minha ajuda que geralmente procuram. E sim o trabalho em si. Porque será?

    Quanto a apontamentos de aulas... Oooh, isso cedo sempre. Sem problema.

    Preocupa-me este despacho que domina em muitos trabalhos universitários. E acredito que o teu esforço se destaca pela diferença. E por isso, se a tua diferença passa a ser norma entre colegas que te seguem o modelo, quem foi afinal o original?

    Percebes a questão? Não é somente pura competitividade a que me refiro.

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