Thirteen

TEMPO DE ANTENA | Ensino Superior: Enfermagem

"Achei que o dia em que me inscrevi no segundo ano de Enfermagem era tão bom como os outros para começar a escrever este texto. 

Quando era pequena nunca quis ser bailarina, nem astronauta, nem médica, nem nada que o valha. Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande a resposta era sempre um não sei. E não sabia, efectivamente. Até que me comecei a aperceber do Mundo à minha volta e a conseguir separar aquilo que eu gostava daquilo que eu não gostava. 

Quando entrei para o décimo ano não ia com nenhuma profissão em mente quando segui a vertente de Ciências e Tecnologias. Todas as áreas tinham disciplinas que eu gostava – Biologia e História, por exemplo – e todas as áreas tinham disciplinas que quanto mais longe de mim, melhor – Matemática e Geografia, por exemplo. Fui para a área que, de acordo com o meu eu de quinze anos, fazia mais sentido porque poderia depois entrar na Universidade no que quisesse. 

E assim foi. Nos anos seguintes andei a pesar os prós e contras dos muitos cursos que me chamavam à atenção. Isto tudo para vos dizer que não têm de saber como vão ser os próximos anos da vossa vida quando têm quinze anos. 

No final do décimo segundo – com dezoito anos – já tinha decidido aquilo que queria fazer da minha vida depois de muitos debates comigo mesma. Não entrei no que queria nesse ano nem nos quatro anos seguintes. Entrei em Enfermagem, na mui nobre e sempre leal Universidade de Évora em Outubro de dois mil e quinze. Aos vinte e dois. Quando toda a gente que eu conhecia já tinha acabado – ou estava a acabar – os seus cursos. 

Nem tudo é mau. Acho que não conseguiria lidar com as exigências do curso se tivesse entrado nele com dezoito em vez de vinte e dois. Enfermagem é um curso que exige muita dedicação, muito estudo, muita tolerância, muita paciência, muito jogo de cintura, muita criatividade, muito estômago forte, sentimentos à flor da pele (e não tão à flor da pele assim) e, acima de tudo, muito amor. É um curso que nos vai testar em todas as vertentes da nossa vida e da nossa personalidade e ver qual é o nosso breaking point. Não se candidatem a Enfermagem se não tiverem, pelo menos, oitenta porcento de certezas que é isso que querem e não se candidatem se aquilo que queriam mesmo era Medicina. Porquê? Porque é preciso ter muita alguma coragem para ser enfermeira visto estarmos presentes em todos os momentos felizes e trágicos da vida de uma pessoa. Até eu às vezes tenho as minhas dúvidas mas depois, quando penso a longo prazo, não me imagino a fazer mais nada. 

Tendo eu média para entrar em qualquer Universidade que oferecesse o curso de Enfermagem porque é que eu fui para Évora? A Escola Superior de Enfermagem São João de Deus (ESESJD) é uma das melhores colocadas no ranking nacional de faculdades que oferecem o curso de enfermagem. Apesar de isto não ser importante para muita gente, para mim foi um dos factores decisivos porque queria sentir que o meu dinheiro estava a ser bem investido. Outro factor foram os testemunhos de antigos alunos e a maneira como eles são tratados e recebidos nos sítios de estágio. Outro foi a distância até casa e a facilidade de lá chegar e, por fim, o facto de ser uma faculdade pequena em que toda a gente conhece toda a gente e acabamos todos por ser uma grande família: os professores conseguem dar ajuda mais detalhada, os senhores do bar já sabem como gostam da vossa tosta, os alunos dos quatro anos convivem entre eles. A ESESJD tem um ambiente amigável que eu acho importante para o desenvolvimento pessoal e profissional. Se nos sentirmos seguros e em casa onde estudamos então, certamente, iremos ter mais sucesso no nosso futuro e a sensação de familiaridade é algo que me agrada. 

O curso de Enfermagem dura quatro anos. O primeiro ano é aquele que é mais teórico – pelo menos o primeiro semestre – em que temos cadeiras como Anatomia, Processos Saúde- Doença (uma mega cadeira que engloba sub-cadeiras como Farmacologia, Parasitologia, Virologia, Bacteriologia, etc), Teorias e História de Enfermagem entre outras. No segundo semestre começam com as aulas práticas em que iniciamos com o aprender a fazer camas e dar banhos e acabamos com a administração de terapêutica (também conhecido como dar medicação e vacinas). 

Nos três anos seguintes o nosso tempo é dividido em sala de aula (para aulas práticas e teóricas) e em estágios – os chamados Ensaios Clínicos. Na minha escola são dez no total, em que três são feitos logo no segundo semestre do segundo ano. Nos estágios vamos correr tudo o que é capelinha e serviços: hospitais, centros de saúde, lares, domicílios… 

Se querem mesmo ir para Enfermagem acho que têm que começar a se mentalizar que vão ter que trabalhar em grupo. Antes de serem atirados às feras vão ter muitos trabalhos para fazer, muitas aulas práticas para assistir e muitas apresentações. Se não conseguirem confiar no vosso grupo (ou nas pessoas que vos rodeiam) vão ter sérias dificuldades em se integrarem numa equipa de trabalho. Mas não se assuntem com nada disto! 

Acima de tudo sigam aquilo que vocês acham que vos vai fazer felizes. E se isso for Enfermagem, não se preocupem! A Florence é inofensiva. 

(Espero ver alguns de vocês para o ano na ESESJD! Depois digam-me olá)."


Ana, Aluna do Primeiro Ano da Licenciatura em Enfermagem na Universidade de Évora.

[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A Ana irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]

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1 comentário:

  1. Gostei de ver uma outra perspectiva do curso que actualmente frequento :)

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