Thirteen

INSTAGRAM | Everyone Has a Story

Torci o nariz quando apareceu a nova funcionalidade do Instagram. Assumi imediatamente que não se enquadrava no conceito da rede social em questão e não a utilizei assim que ficou disponível porque mantinha essas reservas ainda que acompanhasse as partilhas de algumas pessoas e, sobretudo, de algumas marcas. 

Até que percebi: apesar desta ser, inegavelmente, uma funcionalidade criada para concorrer com o Snapchat, a sua implementação faz sentido (mesmo que não seja uma ideia original). Afinal, o Instagram privilegia o instantâneo (o nome indica-o!) e esta atualização solidifica esse conceito já que as pessoas foram deixando de parte a espontaneidade e o amadorismo na hora de fotografar.

O Instagram Stories não compromete a partilha de fotografias bonitas que não desaparecem 24h depois mas funciona como um complemento: as imagens com qualidade são partilhadas na galeria e os cliques espontâneos são partilhados na História, com a certeza de que, na segunda hipótese, os seguidores não procuram perfeição ou conteúdo elaborado mas sim backstage e espontaneidade. Podem dizer-me que o Snapchat funciona exatamente da mesma forma e que o Instagram Stories tem algumas limitações - porque tem, reconheço-o - mas o facto de reunir as duas funcionalidades numa só página é uma vantagem que faz com que pessoas como eu adiram. O Instagram Stories veio recuperar o instantâneo que, a certa altura, deixou de o ser e só por isso a sua utilização faz sentido na rede social que tanto aprecio.


Uma das minhas músicas favoritas. Um dos vídeos mais bonitos de sempre. Nunca estamos sozinhos.

FOTOGRAFIA | Mosteiro de São Martinho de Tibães

O Mosteiro de São Martinho de Tibães, antiga Casa-Mãe da Congregação Beneditina Portuguesa, foi fundado em finais do século X e reconstruído no último terço do século XI, tendo sido nessa altura transformado num dos mais ricos e poderosos mosteiros do Norte de Portugal. E, na verdade, o Mosteiro de São Martinho de Tibães é mais do que um Mosteiro.

Apesar da sua história ter dado muitas voltas (sabiam que uma parte do Mosteiro foi vendida após a extinção das ordens religiosas e que houve um incêndio na zona do refeitório, por exemplo?) este é um Mosteiro lindíssimo que merece uma visita sem pressas. Pelos seus jardins encantadores que nos colocam em sintonia com a Natureza e que reúnem diversas fontes e um lago, pelos corredores, quartos, cozinha e salas que nos transportam para outros tempos e que escondem outras divisões e, claro, pela igreja de estilo rocócó que nos surpreende assim que vemos o ouro de 24K a cobrir as suas paredes.

Cada detalhe do Mosteiro deve ser apreciado com calma e, ainda que este seja um dos poucos museus e monumentos que não se encontram no centro histórico da cidade de Braga, o Mosteiro de São Martinho de Tibães é um espaço que merece ser visitado. Os tetos, as paredes, as janelas, os claustros, as peças de mobiliário e de vestuário... Tudo é uma surpresa à espera de descoberta.

Nós aproveitámos as 48 horas da Noite Branca para visitar esta pérola bracarense (todos os museus e monumentos estiveram abertos em horário alargado) porém, deixo a informação de que a entrada é gratuita aos domingos de manhã (sem condicionantes de idade ou apresentação de cartões). Não há desculpas para não perderem umas horas entre árvores centenárias e azulejos tradicionais. Ficam as fotografias:


DANÇA | "Never miss a chance to dance"

Fizemos os alongamentos da aula de ballet de hoje ao som de uma versão em piano de "Fix You" e, naquele momento, eu senti a minha alma renovada sem sequer conseguir explicá-lo. Apesar das dores que aqueles exercícios me proporcionaram, eu senti-me em paz comigo mesma e percebi: é por isto que volto, que danço, que aprendo, que testo os meus limites. Depois de um dia difícil e de muitas inseguranças, eu sou feliz por ter a oportunidade de dançar. E sou feliz por poder tentar ultrapassar os desafios que o meu corpo enferrujado me impõe ao som de músicas que me dizem tanto.

SAÚDE | A Carolina foi à Psiquiatra

Há cerca de quatro semanas fui a uma psiquiatra. Adiei o momento o mais que pude - eu própria acreditava que marcar uma consulta de psiquiatria era o mesmo que assumir que estava louca - mas quando percebi que a minha ansiedade me começava a afetar nas tarefas do quotidiano - coisa que nunca tinha sentido até então - decidi agir de uma forma mais brusca. Conduzir apenas durante a noite não podia ser opção, chegar a casa e vomitar depois de um dia de trabalho passado ao telefone não podia ser um hábito, refugiar-me no sono não podia ser uma hipótese.

Estou neste momento a tomar medicamentos para a ansiedade (comecei pelos ansiolíticos e provavelmente passarei para os antidepressivos daqui a umas semanas). É fácil falar - ou escrever - sobre o assunto? Não. Se estou a expor-me mais do que nunca no blogue? Sem dúvida. Marcar uma consulta de psiquiatria foi um motivo de vergonha para mim? Foi. E ainda é. Mas há tantas coisas piores no mundo... Se um comprimido por dia me fizer sentir bem comigo mesma, então é esse comprimido que vou tomar. E, quatro semanas depois, eu sinto melhorias significativas.

Continuo a acreditar que não precisamos de falar para um país inteiro ou de aparecer num programa de televisão para fazermos a diferença na vida de alguém mas mantenho a minha opinião: abordar de forma natural temas deste género em blogues e conversas de esplanada é, hoje em dia, imperativo. Partilhar experiências, debater os temas, desmistificar... É imprescindível para que tudo isto deixe de estar associado a preconceitos.

E, às vezes, por muito que nos custe admitir - e custa, claro que sim -, a medicação é necessária. Às vezes precisamos mesmo de um apoio extra, que não encontramos nas nossas pessoas, no nosso autocontrolo, no desporto, nas consultas de psicologia, nos exercícios de respiração. A medicação por si só não faz milagres (e eu continuo a praticar desporto, a fazer acupuntura e tratamentos complementares, a ter cuidado com alguns elementos na minha alimentação em períodos mais ansiosos, a cuidar de mim) mas a medicação ajuda quando sentimos que precisamos dessa ajuda. Quando a ansiedade se torna desesperante e quando os tratamentos mais naturais deixam de surtir os efeitos que promoviam noutras épocas - porque é perfeitamente normal não reagirmos da mesma forma aos diversos tratamentos em diversas fases da vida -  loucos seremos se não usarmos a evolução da medicina para combatermos aquilo que nos prejudica e condiciona.

QUERIDO PAI NATAL | Josefinas Rose Couture

Estas sapatilhas traduzem uma verdadeira homenagem às bordadeiras portuguesas. E eu - que ando numa de bordados e pormenores mais elaborados - imediatamente me apaixonei por elas. A Josefinas continua a ser tema de conversa sempre que se fala em marcas bonitas e esta edição, feita de mulheres para mulheres e apelidada de Rose Couture, chegou-me ao coração num ápice. 

O bordado dá uma nova vida às já conhecidas Louise e os meus olhos brilham sempre que apreciam a conjugação de cores, os detalhes tão típicos da Josefinas e a delicadeza feminina mas poderosa de cada sapatilha. Faltam menos de dois meses para o meu aniversário, já mencionei?


E no fim de um dia difícil... isto aconteceu. Obrigada pela partilha, David Fonseca!

SAÚDE | Hipnose Clínica

Depois de ter sido acompanhada pela pedopsiquiatra lidei bem com a doença que me havia sido diagnosticada em criança. Durante cerca de seis anos a ansiedade que me assombrava esteve controlada e ainda que tenham existido momentos mais críticos de vez em quando, não foram alarmantes o suficiente para precisar de ajuda especializada. A ansiedade é uma reação natural do organismo e um mecanismo de defesa que nos permite reagir em situações de emergência e eu tinha finalmente compreendido a forma mais eficaz de a equilibrar no meu quotidiano.

Contudo, quando o fim do décimo segundo ano se aproximou, os problemas de ansiedade regressaram. A escolha da Licenciatura e da Instituição de Ensino, os Exames Nacionais realizados em condições deploráveis e com correções absurdas, a incerteza, a novidade do Ensino Superior, o facto de não acreditar em relações à distância com um (agora ex) namorado prestes a começar uma nova vida noutra cidade, o falecimento do meu avô... O Verão de 2013 foi terrível e assustador e quando, em Setembro, tive um ataque de pânico que me fez repensar todo o meu percurso académico, experimentei a hipnose clínica.

A profissional que me acompanhou ao longo de vários meses era formada em cardiopneumologia, tendo depois aprofundado conhecimentos nas áreas da psicologia e da hipnose clínica. Ou seja, eu não me deitava numa cama, adormecia e imitava uma galinha quando ela estalava os dedos - estava consciente com a diferença de que, naquele período de tempo, era capaz de desbloquear memórias e de destacar detalhes que, no meu quotidiano, me passavam ao lado e que influenciavam o meu bem-estar. A minha concentração e atenção eram afuniladas para aquilo que realmente interessava no momento e a sessão orientada - sempre adaptada à minha idade, condição e disponibilidade emocional - obrigava-me a pensar sobre aquilo que poderia estar na base da minha ansiedade. As conclusões que me eram apresentadas e que discutíamos no fim da consulta fascinavam-me e ajudavam-me a perceber melhor o que se passava comigo.

Com esta experiência aprendi técnicas de respiração, consegui avivar memórias antigas que me assombravam sem eu dar conta e, muito importante, aprendi a relaxar. Aprendi a identificar melhor aquilo que realmente me assustava - às vezes não precisamos de conselhos ou dicas, só precisamos das perguntas certas para que possamos descobrir por nós próprios aquilo que nos atormenta - compreendi que, afinal, não estava maluca e que havia razão para me sentir assim da mesma maneira que havia solução e forma de controlar as reações exageradas do meu organismo.

Infelizmente em Portugal este tipo de tratamento ainda não é muito abordado sobretudo no que diz respeito aos problemas de ansiedade e às fobias e ainda não existem muitos profissionais de confiança - é normal que as pessoas associem um tratamento deste género a um truque para extorquir dinheiro aos pacientes (eu própria associava a hipnose a algo mais místico que em nada se relacionava com aquilo que eu procurava ou acreditava). A hipnose clínica é muito diferente da "hipnose" que estamos habituados a ver em filmes e programas de televisão, isso é certinho.

MÚSICA | David Fonseca no Theatro Circo

O David Fonseca é um artista muito terra-a-terra, com talento, com lata, com personalidade, com um vasto repertório musical, inteligente, criativo, realista e com pinta mas acredito que a frase que melhor o descreve é mesmo esta: o David Fonseca é um monstro da música. 

Ao longo dos últimos anos vi os seus concertos várias vezes em diversos contextos mas o espetáculo desta noite superou todas as minhas expectativas e teve um impacto enorme em mim não só enquanto fã mas também enquanto pessoa e profissional. O David Fonseca foi capaz de elevar o fantástico Theatro Circo a um nível totalmente diferente e o concerto propriamente dito foi tudo o que há de bom no mundo: foi feliz, animado, equilibrado, especial, dinâmico e eletrizante. Dizer que foi incrível é dizer (muito) pouco. 

Afirmo muitas vezes que o David não desilude e hoje pude comprová-lo pela milésima vez na companhia de tantas outras pessoas que, assim como eu, estavam ali para cantar, para dançar, para rir às gargalhadas e para passar um serão agradável em boa companhia - ninguém queria que o concerto terminasse. Cada acorde, cada tom, cada brincadeira, cada conversa, casa piada, cada desabafo... Tudo ali fez sentido - mesmo as situações improvisadas.

O alinhamento do concerto não podia ter sido outro e a mistura das músicas cantadas em português (retiradas do novo álbum, Futuro Eu) com as canções em inglês (menos recentes e mais populares) foi uma boa estratégia. As homenagens realizadas a David Bowie e António Variações tiveram o cunho do David e tocar a You Know Who I Am - que me diz tanto mas que nunca tinha ouvido ao vivo - foi a cereja no topo do bolo. Obrigada David (ou Miguel Ângelo, ou Sérgio, como preferires). Espero que regresses a Braga em breve e que nos proporciones mais momentos destes. Cá estarei para cantar contigo.

CINEMA | The Secret Life Of Pets [2016]

A premissa de "The Secret Life Of Pets" é simples: afinal, o que fazem os nossos animais de estimação quando nós saímos de casa? Será que dormem? Será que dançam? Será que ficam sentados à porta? Será que procuram bolachas? Será que vêem televisão?

"The Secret Life Of Pets" apresenta-nos os estereótipos que imediatamente associamos aos diferentes animais e raças e garante gargalhadas em família graças aos hábitos e comportamentos diários de cada um dos protagonistas. A temática já tinha sido abordada no mundo do cinema porém ainda não tinha sido explorada com detalhe no que diz respeito ao mundo animal e este filme de animação veio colmatar essa falha - revelou-se uma excelente e inteligente aposta. Original e criativa, esta é uma longa metragem animada que, na sua versão original, reúne as vozes de grandes e conhecidos atores. Há um elenco de excelência nesta produção da Illumination e ouvir o coelhinho branco na voz do gigante Kevin Hart é a cereja no topo do bolo.

No entanto, senti que a minha concentração foi diminuindo com o avançar da história porque o argumento principal do filme se perdeu a certa altura, não tendo sido substituído por outro igualmente criativo. A ideia-base desta longa metragem é brilhante (e o início e o fim do filme comprovam-no) mas, a meio, "The Secret Life Of Pets" torna-se previsível e, não desvalorizando as personagens fabulosas - e rebeldes - que vão sendo incluídas na história, acaba por seguir o caminho típico (que não vou referir por respeito a quem ainda não viu o filme). Tendo em conta a qualidade inegável das personagens, a relação que conseguem criar entre elas e a premissa original do filme, eu esperava uma abordagem diferente e um desenvolvimento mais criativo.

"The Secret Life Of Pets" é um filme engraçado que reúne animais extremamente carismáticos e divertidos mas, ao mesmo tempo, é um daqueles filmes de animação que facilmente serão esquecidos. Enquanto espectadora senti que podiam ter explorado melhor o argumento de "The Secret Life Of Pets" e percebi que esta minha falta de concentração não estava apenas associada a cansaço quando a minha prima mais novinha me disse que não gostou do filme e que, apesar de ter apreciado alguns detalhes e personagens, o achou aborrecido.

APLICAÇÃO | Ecopilhas

Não sou o maior exemplo de Ecologia - há muito a melhorar nas minhas rotinas e hábitos, admito - mas uma coisa que faço SEMPRE é colocar nos respetivos contentores aquilo que pode ser reciclado. Sinto que a minha geração está mais sensibilizada para esta questão mas também reparo que nem sempre as regras são cumpridas. E, muitas vezes, é apenas porque as pessoas não estão suficientemente informadas. Há muita gente que não sabe que as pilhas e baterias usadas podem ser recicladas ou onde devem depositá-las.

Para colmatar essa falha foi lançada hoje, em Lisboa, uma aplicação bonita e intuitiva que, através de um sistema de geolocalização, permite ao utilizador identificar o pilhão mais próximo, promover a sua correta utilização e proteger o ambiente. A aplicação chama-se Ecopilhas e permite ainda solicitar um mini pilhão para casa (coisa que eu já fiz) ou para o local de trabalho e pedir que seja colocado um pilhão na sua área de residência. "Não saber onde está o pilhão" deixa de ser uma desculpa. Com um bónus: esta aplicação permite conhecer todo o processo de reciclagem de pilhas (sou a única que fica curiosa sobre aquilo que acontece depois de fazermos a nossa parte enquanto cidadãos?) e, muito importante, reportar um problema com um pilhão - ou porque está cheio, ou porque está danificado.

VIDA ACADÉMICA | A Pausa

Quando percebi que os dois Mestrados que me interessavam não eram, na realidade, o que eu procurava, regressei à estaca zero, fiz uma nova pesquisa e cheguei a duas conclusões: 1) o Mestrado que eu quero realmente fazer está na Universidade do Minho e 2) não irei candidatar-me a ele este ano. O ano letivo 2016/2017 será, ao contrário do que eu pensava há uns meses, um ano de pausa, dedicado à minha vida profissional e a tudo aquilo que posso aprender de forma a facilitar a minha entrada e o meu sucesso no Mestrado que realmente me desperta interesse. Vou trabalhar nesse sentido, isso é certinho.



Hoje regresso às aulas de ballet. Finalmente!

WEBSITE | Escrever.com

Escrever é um website que nos paga para escrevermos sobre variados temas. As candidaturas estão abertas para portugueses e brasileiros e o processo é simples: preenchem os vossos dados biográficos, escolhem um dos temas, escrevem o artigo que lhe corresponde e enviam-no para aprovação. Se a equipa editorial considerar que vocês são uma mais-valia para o Escrever, então a vossa candidatura é aprovada e vocês passam a ter acesso às encomendas. Erros ortográficos e plágio não são permitidos, obviamente, mas outras questões tais como o formato do texto e a abordagem do tema proposto também são tidas em conta - é um processo rigoroso e exigente.

Todos os dias são colocadas online várias encomendas e cada redator (nome dado aos utilizadores do website), dependendo do seu nível, pode selecionar aquelas em que pretende trabalhar. Depois de enviado o artigo, este é analisado, validado e, posteriormente, pago ao redator (assim que atinge um determinado valor o dinheiro pode ser levantado). Existe uma data limite para o envio de cada artigo selecionado mas o utilizador que o escolheu não sofre qualquer castigo se não o escrever, apenas deixa de o poder selecionar novamente.

Há muitas empresas e projetos que precisam constantemente de conteúdo mas que - por falta de tempo, de capacidade ou de disponibilidade - nem sempre têm profissionais dispostos a alimentá-los. O Escrever vem colmatar essa falha e assume-se como uma forma extra de rendimento para quem gosta de brincar com as palavras e elaborar artigos.


SAÚDE | A Carolina foi à Pedopsiquiatra

Os meus ataques de pânico começaram (muito) cedo. As imagens do Tsunami na Indonésia em 2004 - repetidas incansavelmente pelos meios de comunicação - deixaram-me aterrorizada e despertaram um pânico anormal numa miúda que ainda frequentava a Escola Primária. Os pesadelos eram frequentes, eu acordava a chorar vezes e vezes sem conta durante a noite, o coração a mil durante o dia passou a ser uma constante e o meu organismo passou a estar permanentemente em alerta. E se para um adulto é difícil compreender o que se passa durante um ataque de pânico, conseguem imaginar como será para uma criança com menos de 10 anos? E se um adulto é acusado de fazer fita quando admite um problema de ansiedade, imaginam que uma criança possa ser julgada muito mais rapidamente quando deixa transparecer os sintomas, correto?

Os meus pais rapidamente perceberam que eu não estava bem e, não desvalorizando as minhas emoções, procuraram a ajuda que eu precisava e que não podia procurar sozinha tendo em conta a minha idade e a minha ignorância perante o tema - estou-lhes eternamente grata por não terem esperado que passasse. Durante algum tempo frequentei o consultório de uma pedopsiquiatra - uma psiquiatra especializada na infância e na adolescência - que me tentava explicar tudo aquilo que eu não compreendia e que, ao mesmo tempo, tentava descobrir a raiz do meu problema e os truques para o contornar. Em cada sessão eu conversava, fazia desenhos, tentava descrever o que me amedrontava.

E isto é importante abordar porque a maior parte das crianças não tem a mesma sorte - os professores não estão suficientemente atentos aos comportamentos subtis dos alunos (especialmente agora, com turmas cada vez maiores) e os pais acreditam que aquele comportamento é um pedido de atenção desesperado quando, na verdade, pode ser algo sufocante e assustador para a criança. Há muitos miúdos que fazem birra por tudo e por nada, que inventam dores aqui e ali e que choram compulsivamente sem razão aparente, sim, mas também há outros que precisam de ajuda e que não têm consciência disso. Há que saber distinguir as duas coisas e há que saber apoiá-los da forma certa no momento certo.

Se queremos que as doenças de foro psicológico sejam aceites com naturalidade, é pelas crianças que devemos começar - mostrar-lhes que nem todas as doenças são visíveis é o primeiro passo para formar adultos mais conscientes e sensíveis. Não vamos usar este tipo de doenças - ansiedade, depressão, hiperatividade ou outras que tais - como desculpa para faltas de respeito e birras que facilmente se resolvem com um castigo porém vamos abrir os olhos àquela que é a realidade de muita gente. Equilíbrio, atenção e bom senso, sempre.

SAÚDE | Na Primeira Pessoa

Apesar de abordar com alguma frequência os problemas de ansiedade e os ataques de pânico que me assombram desde criança, nunca explorei muito aqui no blogue o meu problema em concreto ou as situações que me deixam desconfortável. Sempre preferi desmistificar a doença segundo a minha própria perspetiva - até porque não tenho qualquer formação no assunto e não me sinto capaz de fazer uma abordagem mais científica - mas, ao mesmo tempo, sempre tive cuidado para não me focar na minha história pessoal, para não colocar em causa a minha privacidade ou o meu conforto. E, confesso, precisei de ler, reler e alterar muitas vezes os textos que escrevi antes de os publicar - especialmente porque ninguém escrevia sobre o assunto e eu não tinha pontos de referência, não sabia se estava a ultrapassar o limite do que deve ou não estar num blogue. Fui escrevendo, apagando, escrevendo e publicando. E o que recebi em troca através de comentários, gostos, mensagens e emails foi impagável e absolutamente inspirador.

Hoje acredito que, se quero desmistificar verdadeiramente o problema, devo dar o exemplo e partilhar a minha história e os meus progressos e recuos. Esta publicação apresenta-vos o que aí vem e representa uma marcação de uma posição relativamente ao monstro que tão bem conheço e que, ao mesmo tempo, desconheço por completo. Se a ideia é incentivar os meus leitores a chamar as coisas pelos nomes e a enfrentar os julgamentos e críticas destrutivas, então eu preciso de escrever sobre isso na primeira pessoa e sem falinhas mansas - por muito difícil que seja.

É provável que me repita (se leram as publicações anteriores sobre o assunto irão encontrar algumas informações semelhantes e detalhes que já foram abordados) mas quero partilhar convosco algo que vos leve ao pedido de ajuda se aplicável, que vos faça escrever mais vezes sobre a doença (como aconteceu assim que partilhei o primeiro texto) independentemente de o fazerem enquanto vítimas, profissionais de saúde ou simples cidadãos, que vos leve a compreender melhor quem vos rodeia, que seja capaz de gerar uma partilha saudável de dicas e experiências. Numa sociedade onde só o sangue e os braços partidos têm importância, é cada vez mais pertinente estarmos atentos a doenças e situações que não se vêem mas que magoam tanto como uma queda ou um corte. Porque ainda há muita gente que não se sente confortável o suficiente para pedir ajuda e esse é um passo importantíssimo para o controlo da ansiedade.

Estou consciente de que não serão mensagens e exemplos fáceis de partilhar - de todo! - mas, neste momento e tendo em conta o blogue transparente que tento construir todos os dias, parece-me necessário que o faça. Ao longo dos próximos dias e semanas, tentarei desmistificar a ansiedade ao abordar novamente o assunto na primeira pessoa (desta vez num tom muito mais pessoal e parcial).

CINEMA | Definitely, Maybe [2008]

Normalmente associamos os filmes leves e as comédias românticas a obras cinematográficas sem qualidade mas, assim como o último que partilhei convosco - "The Devil Wears Prada" -, "Definitely, Maybe" entretém-nos e é suportado por uma história simples e bonita que, pela forma como é contada, se diferencia de todas as outras que já conhecemos. "Definitely, Maybe" não é uma obra-prima mas é um bom filme de domingo.

No fundo, "Definitely, Maybe" é um enorme flashback que nos apresenta a vida de Will, um homem que acredita na política, que se muda para Nova Iorque para trabalhar na campanha de Bill Clinton e que, ao longo dos anos, se relaciona com três mulheres. Já adulto e pai de uma miúda de 10 anos, Will está a passar pelo processo de divórcio e a sua filha pede-lhe que partilhe a história de como conheceu a sua mãe pois acredita que, se ele for capaz de lhe explicar o que o levou a apaixonar-se por ela, o amor deixará de ser tão complicado como aparenta. Will aceita o desafio porém muda os nomes das personagens intervenientes para que Maya descubra qual delas é a sua mãe - uma espécie de jogo que dá ao filme uma perspetiva cativante e menos óbvia. 

"Definitely, Maybe" foca, de uma forma leve e despretensiosa, algo que digo tantas vezes: não há dois amores iguais mas é possível amar verdadeiramente duas vezes - ou três, neste caso. É um filme tranquilo, bonito, sereno. Transporta-nos para uma relação maravilhosa entre pai e filha, envolve-nos na história que está a ser contada a Maya, leva-nos a viajar até à maravilhosa cidade de Nova Iorque (palmas para os cenários e ângulos escolhidos - é raro esta ser uma preocupação em filmes deste género) e, muito importante, não inclui piadas absurdas. Não é uma produção ambiciosa mas é um daqueles filmes que nos deixam felizes e inspirados e isso basta para ser uma produção vencedora. Se precisarem de mais uma razão para ver "Definitely, Maybe", o protagonista é o Ryan Reynolds.


Coisas boas desta vida: água canalizada.

VERIM, PORTUGAL | Round 2

Falei-vos em Verim por esta altura no ano passado. Foi lá que celebrámos o aniversário da Sarinha e foi lá que passámos dois dias de sol, rio, bolo de chocolate, jogos de tabuleiro e conversas. Este ano, o momento repetiu-se umas semanas mais tarde e, se me acompanham no Instagram - @carolinanelas - com certeza viram as fotografias que representam aquilo que há de bom numa amizade quase tão velha como nós.

Verim fica na Póvoa de Lanhoso e é uma zona rural, com uma população envelhecida, um rio limpo e uma área verde cuidada. É uma zona calma e é também a prova de que não é preciso ir muito longe para fugir à rotina. Num ano sem direito a férias e com pouca margem de manobra para viagens e escapadinhas, estes dois dias longe do computador e do trabalho mostraram-me como é bom ser feliz sem wi-fi. Espero, para o ano, poder repetir a experiência. A missão #OsGirosEmVerim2017 já está nos planos - e aí sim, será considerada tradição.


Mais sobre Verim: Feliz Aniversário, Sarinha!

VIDA PROFISSIONAL | Como escrever um press release?

Um comunicado de imprensa é, hoje em dia, uma das principais ferramentas de comunicação externa e saber escrevê-lo é meio caminho andado para marcar uma posição e divulgar uma marca. As empresas utilizam o press release para anunciar algo – um produto, um cargo, uma funcionalidade, um serviço, uma meta ou até uma conquista – e enviam-no com um só objetivo: o de o verem publicado.

A escrita de um comunicado de imprensa não é, portanto, uma tarefa fácil. O jornalista procura algo que interesse ao seu público e a notícia deve ser preparada com esse propósito. Aquilo que é escrito no press release determina a divulgação (ou não) daquilo que se pretende anunciar e este acaba por ser um exercício fulcral para o posicionamento da marca. Os melhores comunicados de imprensa são aqueles que não são editados pelo jornalista, que incluem todas as informações relevantes para o público em geral e que demonstram exatamente aquilo que a empresa pretende transmitir aos leitores daquele jornal, revista ou blogue. O profissional de relações públicas, o jornalista e o leitor do jornal, da revista ou do blogue são os três vértices do triângulo que define o sucesso da ação e todos devem estar satisfeitos. 

1. As informações expressas no comunicado são relevantes e diretas?
Quando escrevemos um press release temos tendência para acreditar que tudo o que escrevemos é relevante. Mas será que um jornalista vai ter a mesma opinião? Dificilmente. Um comunicado de imprensa deve conter apenas o essencial – idealmente, a informação deve ocupar apenas uma página - e deve responder a seis perguntas básicas: Quem? O quê? Quando? Onde? Como? e Porquê?. Se o jornalista estiver interessado no tema e se eventualmente precisar de mais informações, irá contactar-vos com essa finalidade. As notícias, salvo raras exceções, são curtas e claras – é isso que o jornalista para quem será enviado o press release procura e é isso que devem enviar-lhe.

2. O assunto do email é atrativo?
Os jornalistas precisam dos conteúdos que os profissionais de relações públicas lhes enviam mas, sejamos sinceros, recebem dezenas ou centenas de emails todos os dias e muitos deles são press releases. Seria impossível dar total atenção a todos eles e, por isso, há uma grande probabilidade do comunicado ser considerado “lixo” mesmo antes de ser lido. O assunto do email deve ser atrativo, cativante e direto. Procurem uma forma original e relevante de anunciar o assunto principal do email sem fugir ao tema do que pretendem anunciar. A abertura do email é o primeiro desafio – ultrapassem-no.

3. O comunicado cumpre as regras de formatação e conteúdo?
Existem várias formas de apresentar um press release e cada empresa ou pessoa tem o seu modelo. Algumas optam por anexar um documento word, outras colam o press release diretamente na mensagem do email, outras preferem criar um design exclusivo para essa ação. Independentemente disso, o press release deve ser de fácil leitura (sem adjetivos, floreados ou palavras rebuscadas) e deve incluir algumas informações específicas: a localidade e a data do comunicado, o título, o lead (um primeiro parágrafo posto em destaque que inclui informações relevantes para o destinatário), o corpo do texto (onde se desenvolve o tema e onde se colocam todas as informações e citações pertinentes que suportam a ideia principal), a conclusão, o “mais sobre” (onde a empresa, o grupo ou o projeto poderá incluir informações não relevantes para este comunicado em particular mas relevantes para a empresa e o seu posicionamento; metas já alcançadas ou parcerias com outras marcas são bons exemplos de itens a incluir neste excerto) e, para finalizar, o nome e o contacto da pessoa responsável pela comunicação da empresa ou do projeto. Se quiserem incluir imagens, vídeos ou gráficos entre os parágrafos, estes devem conter legendas. As palavras com hiperligações devem estar, por sua vez, destacadas (não queremos que passem despercebidas, correto?).

4. Qual é o ângulo da história?
Podemos responder às seis questões, podemos escrever segundo as regras de formatação e de conteúdo mas há outro ponto importante que não devemos esquecer: o ângulo da história. Nem todas as histórias têm interesse e nem todas têm interesse para toda a gente. A forma como a história é contada e, por consequência, a forma como a notícia é escrita, poderá determinar a sua publicação. Se decidirem escrever um comunicado de imprensa, façam referência aos fatores diferenciadores da marca, aos detalhes únicos da empresa e, claro, adaptem o press release ao público-alvo daquele jornal, revista ou blogue. O mesmo tema poderá ser publicado por diferentes meios de comunicação mas cada um abordará a história por um ângulo distinto, de acordo com o interesse dos leitores – usem isso a vosso favor.

Em termos de conteúdo, o press release deve seguir um modelo de pirâmide invertida: a informação mais importante e direta é escrita nas primeiras linhas e o texto vai-se tornando mais abrangente à medida que vai terminando. Na parte final, podem ser referidos alguns sucessos passados a fim de credibilizar a empresa e o produto ou serviço anunciado no presente comunicado.

No entanto, é pertinente salvaguardar que nem todos os comunicados de imprensa originam notícias e que o seu envio, por si só, não costuma trazer resultados tão satisfatórios como os esperados. Na verdade, escrever um press release é apenas o primeiro desafio. É importante saber quando ele deve ser enviado, estabelecer ligações com os jornalistas e bloggers, estar disponível para responder às suas questões, comentários e dúvidas e, claro, fazer follow-ups quando não se obtém respostas. Agradecer quando publicam a notícia é algo a não esquecer - e algo que pouca gente faz.

Mesmo quando a notícia não é publicada, o feedback e interesse dos jornalistas são tão importantes como o envio do próprio press release e isso poderá trazer-nos vantagens na hora de escrever - e enviar - mais um comunicado de imprensa.


Texto adaptado. Originalmente publicado no blogue da BloomIdea.

INSTAGRAM | Agosto 2016

Pela primeira vez, Agosto não me trouxe férias, dias de praia ou maratonas de filmes. Pelo contrário: ensinou-me a gerir o meu tempo duma forma ainda mais eficaz para que pudesse aproveitar o Verão e o sol enquanto aprendia novas tarefas e me sentia desamparada por não ter nascido ensinada - o mercado de trabalho é exigente e por muito que gostemos daquilo que fazemos, não é fácil sentirmo-nos inexperientes.

Em Agosto, mês de Jogos Olímpicos (que fiz questão de acompanhar em todas as minhas horas de almoço e fins de tarde), eu recebi o meu primeiro salário, celebrei aniversários, comi bolo de bolacha e bolo de chocolate, jantei fora (o Bira dos Namorados, a Taberna Inglesa e o Restaurante Norte da China foram os escolhidos), comprei um smartphone, passei um fim de semana em Verim, tomei uma decisão muito importante para a minha saúde, trabalhei muito, recebi presentes só porque sim, inscrevi-me numa formação de Content Marketing e terminei o mês na cama depois de uma ida ao médico. 

Em Agosto o blogue chegou às 500 mil visitas (como assim?!), sofreu alterações significativas, e acaba por representar uma nova etapa para mim. Foi, portanto, um mês paradoxal que não teve um final feliz mas que pede um Setembro colorido e motivador para compensar, com o regresso às aulas de ballet, muitas novidades e a dose certa de desafio.

[13] | Bem-Vindos!

Bem-vindos de volta! O blogue sofreu alterações nos últimos dias - e esteve fechado ao público para podermos trabalhar à vontade - mas regressa hoje com um novo design, um nome mais curto, uma versão mobile (que vos convido desde já a testar e a experimentar) inteiramente personalizada e uma nova forma de se apresentar. Eu precisava disto, o blogue precisava disto e, no fundo, acredito que vocês também precisavam.

O esquema de cores manteve-se assim como as temáticas que pretendo abordar daqui para a frente mas tudo o resto mudou. Há menos coisas a acontecer ao mesmo tempo e o blogue, agora mais suave, passou a chamar-se apenas [13] - thirteen ou treze, como preferirem.

As categorias continuam a ser muitas mas as que escolhi estrategicamente destacar são nove - Cosméticos, Eventos, Filmes, Guarda-Roupa, Livros, Querido Pai Natal, Solidariedade, Tecnologia e Viagens (acertaram alguma?) - e estão na barra superior, que viaja convosco à medida que fazem scroll e que inclui também o logótipo do blogue - que vos permite facilmente voltar para a página principal se estiverem noutra qualquer - e uma nova página chamada [INFO] onde encontrarão uma forma de me contactarem e outras informações relacionadas com o blogue. As restantes categorias aparecerão a seu tempo como sempre aconteceu (junto aos comentários no final de cada publicação).

Algumas rubricas chegaram ao fim, outras surgirão com o tempo e é provável que alguns detalhes  possam vir a sofrer alterações ao longo dos próximos dias. No entanto, todas as grandes mudanças estão prontas para vos receber e eu espero que esta nova fase seja simpática tanto para mim como para vocês. Estas mudanças - mais suaves ou mais drásticas - são necessárias de tempos a tempos e, pela primeira vez, quero que essa evolução se note (não irei reajustar as publicações antigas que perderam a formatação ideal). Quero, acima de tudo, que este blogue renovado represente uma Carolina mais adulta, mais responsável, mais desafiante, mais ocupada.

A hiperligação do blogue não mudará para já - e não sei se mudará um dia, sobretudo porque não tenciono ter um domínio próprio por enquanto e quero evitar a perda das ligações internas - por isso, se quiserem continuar a acompanhar-me nesta nova etapa não precisam de fazer rigorosamente nada: as novidades continuarão a aparecer na vossa lista de leitura e eu estarei deste lado para vos receber. Quem fica?