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SAÚDE | A Carolina foi à Psiquiatra

Há cerca de quatro semanas fui a uma psiquiatra. Adiei o momento o mais que pude - eu própria acreditava que marcar uma consulta de psiquiatria era o mesmo que assumir que estava louca - mas quando percebi que a minha ansiedade me começava a afetar nas tarefas do quotidiano - coisa que nunca tinha sentido até então - decidi agir de uma forma mais brusca. Conduzir apenas durante a noite não podia ser opção, chegar a casa e vomitar depois de um dia de trabalho passado ao telefone não podia ser um hábito, refugiar-me no sono não podia ser uma hipótese.

Estou neste momento a tomar medicamentos para a ansiedade (comecei pelos ansiolíticos e provavelmente passarei para os antidepressivos daqui a umas semanas). É fácil falar - ou escrever - sobre o assunto? Não. Se estou a expor-me mais do que nunca no blogue? Sem dúvida. Marcar uma consulta de psiquiatria foi um motivo de vergonha para mim? Foi. E ainda é. Mas há tantas coisas piores no mundo... Se um comprimido por dia me fizer sentir bem comigo mesma, então é esse comprimido que vou tomar. E, quatro semanas depois, eu sinto melhorias significativas.

Continuo a acreditar que não precisamos de falar para um país inteiro ou de aparecer num programa de televisão para fazermos a diferença na vida de alguém mas mantenho a minha opinião: abordar de forma natural temas deste género em blogues e conversas de esplanada é, hoje em dia, imperativo. Partilhar experiências, debater os temas, desmistificar... É imprescindível para que tudo isto deixe de estar associado a preconceitos.

E, às vezes, por muito que nos custe admitir - e custa, claro que sim -, a medicação é necessária. Às vezes precisamos mesmo de um apoio extra, que não encontramos nas nossas pessoas, no nosso autocontrolo, no desporto, nas consultas de psicologia, nos exercícios de respiração. A medicação por si só não faz milagres (e eu continuo a praticar desporto, a fazer acupuntura e tratamentos complementares, a ter cuidado com alguns elementos na minha alimentação em períodos mais ansiosos, a cuidar de mim) mas a medicação ajuda quando sentimos que precisamos dessa ajuda. Quando a ansiedade se torna desesperante e quando os tratamentos mais naturais deixam de surtir os efeitos que promoviam noutras épocas - porque é perfeitamente normal não reagirmos da mesma forma aos diversos tratamentos em diversas fases da vida -  loucos seremos se não usarmos a evolução da medicina para combatermos aquilo que nos prejudica e condiciona.

16 comentários:

  1. Espero mesmo que tudo o que tens feito te ajude a melhorar!

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  2. Nem sonhas como me identifico :s Este verão foi super complicado...
    A ultima cadeira não ficou feita em época normal, tive de ir a recurso a tudo: Testes, Projectos... com tudo para o mesmo dia. Enfiar um semestre em 14 dias foi a loucura. Andava a ter ataques de pânico, sempre doente, mal disposta, não dormia, não saia de casa. No dia do teste e da entrega do projecto estive mais de 4h em teste. Passei o dia sem comer e terminei mais uma vez a noite no chão da casa de banho e tão agoniava que estava. Mesmo sabendo nessa noite que já estava licenciada, demorei imensos dias até sair do estado de alertar e de euforia.

    E agora com a tese é outra, estou a fazer a tese no centro de Lisboa e não consigo levar o carro para lá. Altero a vida de toda a gente e já estou envergonhada de andar a pedir boleias e inventar desculpas.

    Ando a todo o custo a evitar a medicação e não queria marcar consulta porque quando marquei no psicólogo foi só das piores experiências de sempre.

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  3. Não há nada que ter vergonha, quando estamos a cuidar da nossa saúde mental. O mais importante somos nós, não a opinião alheia.

    Força, beijos
    http://loverofthings27.blogspot.pt/

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  4. Sei bem do que falas... comecei a tomar ansiolíticos e antidepressivos Junho. Custou sim e até demorou a fazer efeito mas agora sinto-me sem dúvida muito melhor! Já nem tomo os ansiolíticos. E contigo vai acontecer o mesmo, vais sentir melhorias :) Força Carolina!

    Donaritta.blogspot.pt

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  5. Esta exposição que fazes de ti própria sobre este assunto e esta publicação só vieram confirmar aquilo que eu já sabia: és uma inspiração enorme! :)

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  6. Tenho seguido atentamente todos os posts que colocas sobre este tema e acredita que me tens ajudado tanto mas tanto.
    Desde há uns tempos para cá que comecei a sentir uma ansiedade extrema e não sei perceber se é normal ou natural... quer dizer, eu sei que não é normal e, por isso, pedi ajuda, na faculdade, num gabinete especializado a lidar com questões psicológicas dos alunos. Foi a coisa mais difícil que já fiz em toda a minha vida... É mesmo complicado dar esse passo e continuar a dá-lo, semana após semana.
    Penso que sei o que dizes quando escreves "É fácil falar - ou escrever - sobre o assunto? Não. Se estou a expor-me mais do que nunca no blogue? Sem dúvida. Marcar uma consulta de Psiquiatria foi um motivo de vergonha para mim? Foi. E ainda é. Mas há tantas coisas piores no mundo..." porque sinto o mesmo, ainda que talvez em menor escala porque não me expus.
    Obrigada, de verdade, por seres uma inspiração e seres tão leve a falar sobre assuntos tão pesados. Precisamos de mais pessoas como tu, sem medo das palavras (ou melhor, com algum medo mas a mandá-lo dar uma volta)!

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  7. As pessoas têm, no geral, demasiado preconceitos com psicólogos e psiquiatras. Eu já fui a um psicólogo e a minha mãe já foi a uma psiquiatra (que, infelizmente, não valia nada) e isso não faz de nós malucas ou desequilibradas. No entanto para muita gente é mesmo isso que significa quando, na verdade, é apenas uma ajuda, um meio, para lidar com uma situação (ou várias). Acho que, muitas vezes, muita gente precisaria deste tipo de acompanhamento e não o procura por causa de preconceitos sem fundamento. Espero que as consultas e a medicação te ajudem e que te sintas bem contigo mesma :)


    www.asofiaworld.com

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  8. Sempre adorei o blog e sempre me identifiquei imenso.
    Sofro de uma ansiedade muito má. Tem ficado pior nos últimos meses ao ponto de já nem eu ter forças para aguentar. Demorei muito a aceitar a doença, demorei ainda mais a aceitar que preciso de ajuda (apesar de ainda não aceitar totalmente e achar que consigo vencer sozinha quando na verdade tal não é possível).
    Também estou como tu. A marcação da consulta vai ser feita amanhã pela minha mãe e isso está a dar cabo de mim. As palavras ainda me faltam um bocado sobre este assunto, quero imenso escrever sobre ele no blog mas opto sempre por me calar.
    Estou contigo nesse barco e nessa luta.
    Acho que das melhores coisas que te posso dizer é que tudo vai ficar bem (apesar de saber o quanto custa ouvir isto enquanto sentimos o que sentimos)
    Ainda bem que existem pessoas como tu que dão a cara e ajudam. Espero daqui a uns dias conseguir fazer o mesmo. Obrigada Carolina ❤️

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  9. É preciso mesmo muita coragem para partilhares isto tudo connosco, e fico feliz por teres feito.
    Eu lidei toda a minha vida com uma pessoa que tem o transtorno obsessivo-compulsivo, e como podes imaginar, não foi nada fácil tanto para a pessoa como para quem a rodeava. E dar o passo para consultar um psiquiatra e estar medicada foi das coisas mais difíceis que a pessoa passou. Porque, tal como tu, não se queria sentir louca e, na altura em que tudo aconteceu, era um adolescente que, como qualquer outro, cria as suas inseguranças. O medo de saberem o que se passava na sua vida, o ter que aceitar tão jovem tudo o que lhe estava a acontecer foi terrível. Mas hoje agradece o facto de termos insistido para que o fizesse. Deixou a medicação e ficou sem todos os sintomas :) Passaram-se anos e os resultados estão à vista: controlou todas as obsessões e compulsões que faziam parte do seu dia-a-dia.
    Isto já foi há algum tempo atrás e, na altura, quem visitava um psiquiatra era um tolinho. Hoje em dia, felizmente, a mentalidade é diferente :) Espero que o teu caso seja mais um caso de sucesso e consigas ultrapassar a tua ansiedade. Por enquanto, se a medicação te faz sentir melhor, não tenhas vergonha de a tomar :) E, uma vez mais, é mesmo importante partilhares isto porque podes mudar mentalidades :)
    Boa sorte com o tratamento, espero que tudo te corra bem e consigas superar isto! :)

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  10. Carolina... nesta publicação o que mais me "espantou" (nem isso) não foi o facto de teres ido a um psiquiatro. Foi, mesmo, a quantidade de comentários que li de pessoas que passaram ou passam por situações semelhantes, ou já lidaram com quem passasse pelo mesmo. Por isso te disse o quão importantes são estas publicações. Estás a ser uma verdadeira inspiração, a cada dia mais. E estás a mostrar ser uma mulher de uma garra e coragem tremendas!
    Ir ao psiquiatra não é para tolos, loucos, doentes. Ir ao psiquiatra é para os corajosos, para aqueles que querem melhorar-se a si mesmos, que querem viver melhor. Ir ao psiquiatra é ter medo e mesmo assim, dar um passo em frente. Parabéns pelo teu testemunho e força. És incrível :)
    E aproveito para comentar aqui que, tal como tu, também já experimentei a hipnose clínica e aí, sim, fiquei surpreendida quando li que o tinhas feito. Porque achava que, como disseste, ainda era um tabú no meio de muita, muita gente. E ler, mais uma vez, que tu o percebes e já sentiste "o mesmo" que eu e por isso, percebes exatamente o que se faz e o bem que faz, que vai muito além de estar de olhos fechados a responder a perguntas e passa por perceber medos e traumas escondidos e olhar para eles de um prisma diferente e, até, curá-los e consequentemente, curar certos anseios... bem! Não há mais palavras :)
    Que a cada dia encontres a melhor solução para ficares bem contigo mesma!*

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  11. Obrigada por teres partilhado isto connosco, Carolina. A mim fez a diferença, acredita. Espero que tudo te corra bem, e que realmente isto te ajude de alguma forma :)

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  12. Agora percebi melhor o teu comentário no outro dia em relação às minhas dores de peito. Na verdade, por várias vezes, as coisas que me acontecem têm sintomas claros no meu corpo, porém, houve uma altura em que a mesma dor no peito me surgiu, fui às urgências e expliquei que andava numa altura de muita ansiedade (há 7/8 anos no divórcio dos meus pais) e o médico mandou-me para casa dizendo que não me preocupasse. Agora, analisando bem a situação, não é a primeira vez, nem a segunda, já é uma constante e cada vez mais aguda, assim como a fadiga e alguma perda de força. É por haver pessoas como tu que, pessoas como eu, dão um passo em frente e tomam uma atitude. Provavelmente, ficaria quieta recordando sempre o desprezo daquele doutor. Contudo, com o teu testemunho estou a ganhar forças para tratar de uma série de coisas. Não és louca (quer dizer, loucos somos todos e é bom que o sejamos em doses pequenas), mas, no sentido lato, não o és, e não o vais ser por tomares comprimidos. Isso é uma ideia de há muitos anos que não sei como continua tão enraizada nas mentes humanas.
    Sinto-me mesmo GRATA por viver neste planeta em simultâneo contigo, pois, as tuas palavras, experiências e força inspiram-me e fazem com que eu queira ser melhor sem pensar duas vezes. Obrigada! Beijo enorme.

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  13. Vergonha é não ter coragem de procurar por ajuda e nem isso deve ser sentido por vergonha, porque é a sociedade que nos "dá esse sentimento de vergonha". Eu diria coragem por teres procurado ajuda. E diria coragem por carregar a dor todos os dias dor problemas psiquiátricos muitas vezes sozinho, porque ninguém entende e por "sente vergonha" de partilhar esse sofrimento.. Por isso não digo parabéns mas sim coragem para o próximo passo, porque não há vergonha nenhuma em tomar anti-depressivos ou ansiolíticos se são necessários, são tal e qual como os medicamentos para a dor ou para outra patologia qualquer.. Obrigado por partilhares essa tua força interior espero que dê a muitos outros uma inspiração extra que falte para procurar ajuda...
    Palavras de uma estudante de medicina ... beijinhos

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  14. Não é vergonha nenhuma admitir que não estamos bem e que precisamos de ajuda. Se tivesses uma perna partida, terias vergonha de marcar consulta no médico? O problema é as pessoas acharem que tudo o que tem a ver com "a cabeça" é coisa de tolinhos, é para ter vergonha. Vergonha é precisar de ajuda e não pedir, é continuar a viver mal mas em esforço para parecer bem! Mas percebo que ainda há esses estigma e não estou a dizer que as pessoas devem andar por aí a dizer que andam num psiquiatra, da mesma maneira que não me interessa se as pessoas vão ao ginecologista, ao cardiologista, etc...

    Queria só deixar um conselho de psicóloga: a ajuda psiquiátrica é ótima, sou toda a favor!, mas deve ser sempre aliada à ajuda psicológica. Na maioria dos casos a ansiedade, neste caso, está associada a fatores psicologicos que podem até ser inconscientes. Se não encontrares a causa do problema de ansiedade, dificilmente a resolves e deixas de necessitar da medicação. Não sou contra a medicação, atenção! Pensa assim: valeria a pena tomar analgésicos para uma dor na perna provocada por uma infeção, se o espinho que a infetou ainda lá está dentro? Ou seria necessário tirar esse "espinho" também?

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  15. Já aqui venho um bocado atrasada, mas folgo em saber que conseguiste, uma vez mais, encontrar ajuda para a tua ansiedade. Por muito "vergonhoso" que seja para nós procurarmos tipos de auxílio que jamais nos passariam pela cabeça devido ao preconceito de que falas, o facto de arriscarmos apenas demonstra evolução da nossa parte!
    Ainda bem que te tens sentido melhor com a medicação e espero que estas publicações estejam, de facto, a surtir um efeito bastante positivo na vida das pessoas que sofrem da mesma doença!
    Beijinhos!

    A Vida de Lyne

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