Thirteen

SAÚDE | Hipnose Clínica

Depois de ter sido acompanhada pela pedopsiquiatra lidei bem com a doença que me havia sido diagnosticada em criança. Durante cerca de seis anos a ansiedade que me assombrava esteve controlada e ainda que tenham existido momentos mais críticos de vez em quando, não foram alarmantes o suficiente para precisar de ajuda especializada. A ansiedade é uma reação natural do organismo e um mecanismo de defesa que nos permite reagir em situações de emergência e eu tinha finalmente compreendido a forma mais eficaz de a equilibrar no meu quotidiano.

Contudo, quando o fim do décimo segundo ano se aproximou, os problemas de ansiedade regressaram. A escolha da Licenciatura e da Instituição de Ensino, os Exames Nacionais realizados em condições deploráveis e com correções absurdas, a incerteza, a novidade do Ensino Superior, o facto de não acreditar em relações à distância com um (agora ex) namorado prestes a começar uma nova vida noutra cidade, o falecimento do meu avô... O Verão de 2013 foi terrível e assustador e quando, em Setembro, tive um ataque de pânico que me fez repensar todo o meu percurso académico, experimentei a hipnose clínica.

A profissional que me acompanhou ao longo de vários meses era formada em cardiopneumologia, tendo depois aprofundado conhecimentos nas áreas da psicologia e da hipnose clínica. Ou seja, eu não me deitava numa cama, adormecia e imitava uma galinha quando ela estalava os dedos - estava consciente com a diferença de que, naquele período de tempo, era capaz de desbloquear memórias e de destacar detalhes que, no meu quotidiano, me passavam ao lado e que influenciavam o meu bem-estar. A minha concentração e atenção eram afuniladas para aquilo que realmente interessava no momento e a sessão orientada - sempre adaptada à minha idade, condição e disponibilidade emocional - obrigava-me a pensar sobre aquilo que poderia estar na base da minha ansiedade. As conclusões que me eram apresentadas e que discutíamos no fim da consulta fascinavam-me e ajudavam-me a perceber melhor o que se passava comigo.

Com esta experiência aprendi técnicas de respiração, consegui avivar memórias antigas que me assombravam sem eu dar conta e, muito importante, aprendi a relaxar. Aprendi a identificar melhor aquilo que realmente me assustava - às vezes não precisamos de conselhos ou dicas, só precisamos das perguntas certas para que possamos descobrir por nós próprios aquilo que nos atormenta - compreendi que, afinal, não estava maluca e que havia razão para me sentir assim da mesma maneira que havia solução e forma de controlar as reações exageradas do meu organismo.

Infelizmente em Portugal este tipo de tratamento ainda não é muito abordado sobretudo no que diz respeito aos problemas de ansiedade e às fobias e ainda não existem muitos profissionais de confiança - é normal que as pessoas associem um tratamento deste género a um truque para extorquir dinheiro aos pacientes (eu própria associava a hipnose a algo mais místico que em nada se relacionava com aquilo que eu procurava ou acreditava). A hipnose clínica é muito diferente da "hipnose" que estamos habituados a ver em filmes e programas de televisão, isso é certinho.

5 comentários:

  1. Nunca tinha ouvido falar da hipnose clínica e tenho curiosidade de como funciona e espero mesmo que te tenha ajudado muito Carol!

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  2. Eu já tinha ouvido falar neste tratamento, mas é como tu dizes, as pessoas ainda ficam muito reticentes e é difícil encontrar um profissional de confiança. Ainda bem que o conseguiste e que te tenha ajudado mesmo :)

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  3. Tal como já te disse, adoro a desmistificação que fazes da ansiedade. Infelizmente, ainda é uma doença - tal como outras doenças psicológicas - vista com algum preconceito (?). Estas publicações, apesar de serem um testemunho pessoal, são incríveis e expores assim a tua história para ajudar outras pessoas é fenomenal.
    Adoro que tenhas à vontade para o fazer. Quem sabe não seja um ponto de viragem e a mentalidade das pessoas não se torne muito mais flexível neste aspecto. Porque afinal os problemas psicológicos não são para chamar à atenção - pelo menos não em todos os casos. Continua, Carol!

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  4. O meu pai foi à uns anos a um programa na Sic, de hipnoses e assim. Ele tinha imensos medos, nos quais acabou por perder logo de seguida. Já a minha mãe, tem uma doença crónica, e o professor mais especializado na matéria de todo o país, Alberto Lopes, disse-lhe que a hipnose não cura este tipo de doenças, e nem sequer tentou fazer-lhe o tratamento pois achou que seria demasiado perigoso. Portanto isto da hipnose clínica não é eficiente em tudo. No entanto fico contente por te ter ajudado! :)

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  5. Nunca tinha ouvido falar, mas é muito bom que este tipo de tratamento te tenha ajudado! Por vezes, o inesperado é aquilo que nos safa em certas situações!

    A Vida de Lyne

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