SAÚDE | Na Primeira Pessoa

Apesar de abordar com alguma frequência os problemas de ansiedade e os ataques de pânico que me assombram desde criança, nunca explorei muito aqui no blogue o meu problema em concreto ou as situações que me deixam desconfortável. Sempre preferi desmistificar a doença segundo a minha própria perspetiva - até porque não tenho qualquer formação no assunto e não me sinto capaz de fazer uma abordagem mais científica - mas, ao mesmo tempo, sempre tive cuidado para não me focar na minha história pessoal, para não colocar em causa a minha privacidade ou o meu conforto. E, confesso, precisei de ler, reler e alterar muitas vezes os textos que escrevi antes de os publicar - especialmente porque ninguém escrevia sobre o assunto e eu não tinha pontos de referência, não sabia se estava a ultrapassar o limite do que deve ou não estar num blogue. Fui escrevendo, apagando, escrevendo e publicando. E o que recebi em troca através de comentários, gostos, mensagens e emails foi impagável e absolutamente inspirador.

Hoje acredito que, se quero desmistificar verdadeiramente o problema, devo dar o exemplo e partilhar a minha história e os meus progressos e recuos. Esta publicação apresenta-vos o que aí vem e representa uma marcação de uma posição relativamente ao monstro que tão bem conheço e que, ao mesmo tempo, desconheço por completo. Se a ideia é incentivar os meus leitores a chamar as coisas pelos nomes e a enfrentar os julgamentos e críticas destrutivas, então eu preciso de escrever sobre isso na primeira pessoa e sem falinhas mansas - por muito difícil que seja.

É provável que me repita (se leram as publicações anteriores sobre o assunto irão encontrar algumas informações semelhantes e detalhes que já foram abordados) mas quero partilhar convosco algo que vos leve ao pedido de ajuda se aplicável, que vos faça escrever mais vezes sobre a doença (como aconteceu assim que partilhei o primeiro texto) independentemente de o fazerem enquanto vítimas, profissionais de saúde ou simples cidadãos, que vos leve a compreender melhor quem vos rodeia, que seja capaz de gerar uma partilha saudável de dicas e experiências. Numa sociedade onde só o sangue e os braços partidos têm importância, é cada vez mais pertinente estarmos atentos a doenças e situações que não se vêem mas que magoam tanto como uma queda ou um corte. Porque ainda há muita gente que não se sente confortável o suficiente para pedir ajuda e esse é um passo importantíssimo para o controlo da ansiedade.

Estou consciente de que não serão mensagens e exemplos fáceis de partilhar - de todo! - mas, neste momento e tendo em conta o blogue transparente que tento construir todos os dias, parece-me necessário que o faça. Ao longo dos próximos dias e semanas, tentarei desmistificar a ansiedade ao abordar novamente o assunto na primeira pessoa (desta vez num tom muito mais pessoal e parcial).

6 comentários:

  1. Desde que estejas preparada para tal, eu apoiar-te-ei Carolina. Espero que a cada dia melhores e melhores mais :)

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  2. De facto é muito importante falar sobre doenças do foro psicológico. Tal como disseste, fazem sofrer, tanto ou mais que as doenças físicas. E infeliz ou felizmente sei do que falo. Só é pena as pessoas considerarem um assunto tabu mas tenho fé que um dia isso fará parte do passado.

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  3. Acho que fazes bem, desde que te sintas bem com isso!
    Também estou a ganhar coragem para falar disso no meu blog porque apoio totalmente a partilha de informações sobre doenças psicológicas, que são coisas menos prováveis de se encontrar pela internet do que físicas mas ainda bem que tudo está a mudar :)

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  4. Se é algo que sentes que deves partilhas e, desde que te sintas confortável com isso, não vejo porque não :) Acho que podes mesmo chegar mais facilmente às pessoas e ajudar a compreender efetivamente o problema.

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  5. Se te sentes confortável em fazê-lo acho que é uma boa aposta, até porque partilhar algo de forma mais pessoal torna-se também uma maneira de as pessoas que te lêem conseguirem ter outra visão das situações. No meu caso, sempre que partilhaste algo sobre o tema ajudaste-me muito e tenho a certeza de que será uma mais-valia.


    www.asofiaworld.com

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  6. Se te sentes confortável em escrever sobre o assunto acho que deves porque, de facto, ainda há muitos preconceitos em relação a doenças de foro psicológico, e temos que começar a pensar que estas são tão más como as físicas, como partir uma perna. Tenho a certeza que irás ajudar muitas pessoas com as publicações que fizeste e que ainda vais fazer sobre este tema.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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