Thirteen

SWEET CAROLINE | 20 Coisas que Aprendi

Ter medo é normal. A minha vida é feita de etapas, de altos e baixos, de sorrisos e lágrimas, de conquistas e de dúvidas. E é normal ficar de pé atrás antes de começar uma nova fase académica, antes de ingressar no mercado de trabalho ou antes de iniciar uma atividade nova. Repito: é normal. O medo faz parte do ser humano e seria estranho se eu não sentisse qualquer tipo de preocupação, receio ou desconforto perante algo que ainda não conheço e que tanto pode ser maravilhoso como terrível. O importante é não deixar que o medo me consuma ou que a preocupação me impeça de ser incrível e bem sucedida.

"Tu estás onde tu queres estar". Foi um dos ensinamentos que retirei do nosso "Vamos falar de Turismo?" e que continua a fazer sentido para mim dia após dia. Nada me impede de criar condições para abraçar outra forma de viver, nada me impede de transformar por completo a minha vida, nada me impede de fazer escolhas diferentes, de correr riscos mais ou menos intensos, de arriscar de forma mais ou menos calculada. Eu estou onde eu quero estar e o meu estilo de vida não é uma obrigação - é uma escolha.

Eu importo. Ninguém tem o direito de me amedrontar, de me intimidar, de me envergonhar, de me inferiorizar, de me difamar. Não. A minha idade ou a minha condição de estudante não são um livre-trânsito para faltas de respeito. Não. Eu não deixo que me rebaixem, ainda que tenha medo das consequências. Não. Eu mantenho a postura e não faço alaridos - muito menos quando sou apanhada de surpresa - mas enfrento a batalha e dou luta. Com medo? Sim. Com um coração a mil? Sim. Com esperança? Sempre. O estatuto não protege ninguém das consequências quando a maldade está entranhada na pele de quem age. Eu tenho mais força do que aquilo que imagino ter e a minha consciência será sempre uma mais-valia contra aqueles que se olham como detentores da verdade e do mundo. Escolher não ficar calada foi a decisão mais difícil que tomei este ano mas foi também a mais correta e os resultados estão à vista tanto para mim como para muitas outras pessoas que jamais serão obrigadas a passar pelo mesmo.

Os números são apenas isso: números. O peso indicado na balança, o tamanho das minhas calças ou do meu soutien, a quantidade de tratamentos que já experimentei ou o número de consultas que paguei... Nada disso tem influência no meu valor. Nada disso determina o meu sucesso, o meu futuro, a minha realização pessoal, as metas que irei atingir ou os objetivos que irei riscar da minha lista. Os números são apenas números e só têm a importância que nós escolhemos dar-lhes. Nenhum número me define. Nenhum número deve ser uma razão para me sentir inferior.

Comer com pauzinhos não é assim tão difícil. Era a maior dor de cabeça e desistia sempre à segunda tentativa porque não me apetecia andar à luta com os pseudo-talheres asiáticos, comer a comida fria e espalhar ingredientes variados pelo prato e pela mesa. E foi a maior vitória quando, numa das nossas idas ao nosso restaurante chinês, venci a descoordenação que aqueles pedacinhos de madeira me proporcionavam até então. Tive um bom professor, obviamente, mas a conquista é minha e merece ficar registada para a posterioridade.

Ter liberdade para escolher o que vestir é um privilégio. De há uns anos para cá tenho vindo a aprimorar o meu estilo pessoal e tenho arriscado mais na minha forma de vestir. Já não me sinto condicionada pela opinião das pessoas que me são mais queridas, já não ligo a olhares reprovadores de amigos ou familiares. Desde que o reflexo no espelho me dê confiança suficiente para encarar o meu dia, eu sou feliz com as minhas escolhas e coordenados. E sou uma sortuda por poder escolher o que vestir. Eu sou uma privilegiada.

"A vida começa fora da tua zona de conforto." Se aos 19 anos eu saí da minha zona de conforto, com 20 anos eu distanciei-me dela duma forma inegável. Enfrentei o mercado de trabalho e tive pela primeira vez um horário completo, terminei a minha Licenciatura, estive presente em eventos que à primeira vista não me diziam nada, experimentei restaurantes novos, fiz uma sessão fotográfica, enfrentei as consultas de psiquiatria e vim viver sozinha. Com 20 anos eu senti que estava a viver intensamente cada semana, com fugas à rotina fabulosas e muita imprevisibilidade.

Um ano faz TODA a diferença. Eu sou jovem, tenho uma vida pela frente e muito para aprender mas se há coisa que noto em mim mesma é uma evolução constante. Tenho tentado ser uma versão melhorada e limada de mim própria e a verdade é que, sempre que me olho ao espelho, encontro uma Carolina mais decidida, mais determinada, mais mulher. A cada aniversário - mesmo que a minha aparência não se altere tanto assim - eu consigo apontar mudanças significativas e isso vale ouro. Crescer é a maior dádiva e sentir que um só ano é capaz de me proporcionar alterações abismais (não só no meu comportamento mas também nas minhas reflexões e postura) é fantástico.

"Não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados". E eu sou uma solucionista. Apesar de não o parecer em alturas mais delicadas, eu sou uma pessoa positiva e consigo ser suficientemente imparcial para avaliar sempre os vários lados da situação. Gosto de observar com atenção os dois lados da moeda e gosto de espalhar as cartas em cima da mesa antes de tomar uma decisão mas reconheço-o: não baixo os braços e encontro sempre a saída mais indicada para mim. Não faz sentido ficar desmotivada durante dias, é preciso erguer a cabeça e encontrar motivação nas pequeninas coisas que me fazem sorrir.

Os dias "não" devem ser aproveitados e valorizados. As coisas nem sempre correm como eu idealizo e as frustrações fazem parte da vida porém a minha maior dificuldade até então estava relacionada com os dias menos bons. Tentava sempre contrariá-los e as tarefas acabavam por ter que ser feitas mais do que uma vez. Com vinte anos eu aprendi: os dias maus existem e não faz mal. Se é para ter um dia mau, que seja. Vou aproveitá-lo da melhor forma - normalmente com uma postura preguiçosa e mimalha - para que os seguintes sejam absolutamente maravilhosos e produtivos.

É possível não estar inspirada e escrever artigos à altura daquilo que pretendo. Devo esta aprendizagem ao Estágio Curricular que fiz. O meu trabalho consistia - entre outras coisas - em escrever para websites e, como é natural, havia dias em que não estava inspirada para o fazer. Porém, de forma mais ou menos rápida, eu conseguia escrever o artigo que tinha em mãos naquele momento e a inspiração nunca foi um entrave. Aprendi que a inspiração se treina e que ser uma pessoa extremamente racional tem as suas vantagens nesta tarefa. Há sempre uma forma de arranjar as palavras certas e de apresentar o texto nos prazos estabelecidos.

Estar rodeada pelas pessoas certas é meio caminho andado para a vida ser fabulosa. Eu já sabia que tinha ao meu lado as melhores pessoas do mundo mas, numa fase difícil, de grande ansiedade e muitas tarefas, o mês de Maio e os afazeres de Finalista provaram-me que há muito mais do que abraços e palavras bonitas. Ter amigos que entregam, recebem e guardam fitas como se fossem suas, que arranjam forma de te ajudar quando os teus horários são incompatíveis e que te ajudam a superar os teus medos quando o mundo é um lugar assustador é impagável. E a vida é maravilhosa quando escolhes livrar-te das pessoas tóxicas e aproveitar com amor todos os momentos com quem não faz cobranças de tempo, quilómetros ou favores.

Há tempo para tudo mas não há tempo para tudo todos os dias. Foi uma das aprendizagens mais valiosas do meu ano. Eu não sou a Super-Mulher e, melhor ainda, eu não tenho que ser a Super-Mulher nem quero ser a Super-Mulher. E se por um lado sou capaz de me organizar ao ponto de conseguir fazer tudo aquilo que os projetos que tenho em mãos me exigem, por outro é importante perceber que não sou capaz de fazer tudo todos os dias e que os meus dias têm apenas as típicas 24h que não esticam e que não se multiplicam. O truque? Estabelecer prioridades e ser organizada.

Adoro casamentos. Tinha ficado com esta ideia no ano passado, quando uma das minhas primas casou. No entanto, em 2016, com dois casamentos na agenda, percebi o inegável: adoro casamentos e gosto de reparar nos detalhes de um dia tão importante para duas pessoas que me são tão queridas. Com o bónus da desculpa para me arranjar um pouco mais e estrear um vestido especial, é claro.

Acordar cedo transforma completamente o meu dia. Especialmente durante o fim-de-semana, quando supostamente poderia dormir até tarde. A rotina do trabalho obriga-me a acordar cedo e, ao fim-de-semana, mantenho esse hábito porque é algo que me traz tranquilidade, que me motiva, que me faz sentir bem comigo mesma. Já não desperdiço manhãs e tento acordar sempre antes das 9h30/10h. Sinto que estou a cuidar de mim quando acordo cedo e sinto que o dia é muito mais longo e produtivo quando isso acontece. Sou, cada vez mais, uma pessoa de manhãs.

A minha saúde (e o que faço por ela) influencia a minha autoestima. E é absurdo pensar o contrário. Se a minha autoestima está relacionada com a perceção que tenho do meu próprio corpo, então a saúde é a base de tudo aquilo que observo. Não há como fugir: a minha imagem é um reflexo da minha saúde e das minhas escolhas.

As pessoas nem sempre interpretam corretamente aquilo que eu escrevo. E não faz mal. Posso perfeitamente responder-lhes e explicar o meu ponto de vista através de um conjunto diferente de palavras. A língua portuguesa pode ser bastante traiçoeira em alguns casos e, infelizmente, a minha escrita nem sempre é tão clara como eu gostava que fosse. Mas não há problema nenhum nisso! Vale a pena esclarecer, iniciar um debate civilizado sobre o tema e discutir com respeito os diferentes pontos de vista - até que não haja margem para interpretações erradas.

Parar é importante. Às vezes estou tão concentrada no meu trabalho e tão preocupada com as tarefas que decoram a minha lista de afazeres que me esqueço de parar. E essa é uma terrível falha que aprendi a colmatar ao longo deste ano. Independentemente do caos que me rodeia e da quantidade de ocupações que preciso de concretizar, eu posso - e devo! - parar para respirar, para fazer o que gosto, para cuidar de mim, para lanchar, para a aproveitar o fim-de-semana. Parar é importante. E, por vezes, em quinze minutos conseguimos recuperar a tranquilidade que havíamos perdido e aguentar mais um dia intenso e complexo.

Eu defino o meu caminho e abro as portas que aparecem a meio do percurso. E, depois, escolho se quero ou não entrar ali. O meu background académico não define o que posso alcançar enquanto profissional - a minha Licenciatura só me limita até certo ponto e mesmo assim há barreiras que posso contornar e ultrapassar com formação, leitura, mentoria. Há áreas e interesses que sou perfeitamente capaz de conjugar. Exigem muito trabalho, sim, e é normal sentir que não fui talhada para determinada função mas depois penso: o que me impede? Porque é que não hei-de ser melhor? Eu defino o meu caminho.

"Nós somos os outros dos outros". Para o bom e para o mau, as coisas não acontecem só aos outros.  E é importante ter isto presente sem deixar que nos consuma ou que nos preocupe excessivamente. As coisas não acontecem só aos outros; também nós temos direito aos nossos sucessos, sustos, oportunidades e falhanços.


[Esta publicação foi escrita ao longo do ano e as aprendizagens estão, sempre que possível, por ordem cronológica.]

7 comentários:

  1. Identifico-me com todas as aprendizagens :) Em momentos diferentes deste ano fui-me apercebendo das mesmas coisas. E um ano faz mesmo toda a diferença. Que publicação tão inspiradora :)

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  2. Obrigada Carolina, ao ler o teu post apercebo.me o quanto cresci e que há coisas que vivemos sem darmos conta

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  3. Adorei o "comer com pauzinhos não é assim tão difícil"! Queria também dar-te os parabéns por este espaço que tens aqui, acompanho à algum tempo e adoro todos os teus conteúdos! Beijinhos e continua o excelente trabalho Carolina!
    http://sunflowers-in-the-wind.blogspot.pt/

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  4. Sinto que algumas das coisas já aprendi, porém, espero um dia aprender todas estas à minha maneira, até a comer com pauzinhos.
    Espero um dia ser capaz de dizer «Eu importo», perceber que não faz mal não termos tempo para tudo todos os dias, de parar e aproveitar.
    Só de te ler, aprendo todos os dias um pedação. Junto com as tuas palavras e publicações, cresço um pouquinho mais todos os dias. Gostava de te conseguir descrever isto melhor, mas, de facto, não dá. É só isso que quero que saibas: Tu também nos ensinas muito. Principalmente porque aprendes e transmites. Isso é uma qualidade incrível. Saber partilhar.
    Estou a adorar estes textos. A deixar-nos super entusiasmados com o teu aniversário e com os teus sucessos. A sério. Só desejo que sejas muito feliz. Mereces, e digo-o com base em tudo o que já li de ti.
    Um beijo enorme Carol! Sê feliz, o máximo que puderes.

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  5. Tu inspiras com estas reflexões!

    Cátia ∫ Meraki

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  6. obrigada por partilhares isto connosco carolina :)

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  7. A-D-O-R-O! Estas tuas publicações de aprendizagens são puro amor!
    Beijinho*

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