Thirteen

RELIGIÃO | E quando não acreditamos em Deus?

Esta semana, num tom totalmente egoísta, desejei ser capaz de acreditar em Deus. O chão fugiu-me dos pés e desejei ser capaz de acreditar que, fechando os olhos, entrelaçando os dedos uns nos outros e exteriorizando um pedido, tudo ficaria bem. Infelizmente, não acredito que uns sussurros possam definir o destino de alguém ou a reversão de uma situação mais ou menos delicada.

A minha relação com a religião é, talvez, um dos maiores paradoxos da minha personalidade. De uma forma fria, acredito que as pessoas se agarram à religião para receberem respostas e, ainda que eu opte sempre pela explicação lógica e científica dos acontecimentos, invejo a paz que essas crenças lhes proporcionam quando as respostas científicas não explicam tudo.

Não sou capaz de me basear em algo tão abstrato e, nos últimos dias, dei por mim a pensar que talvez as situações mais delicadas fossem mais suportáveis se eu tivesse uma base religiosa mais sólida.  Por muito positiva que seja, nem sempre é fácil acreditar que tudo vai ficar bem quando as estatísticas e as previsões científicas não colaboram. Em dias como o de hoje, gostava de ter ao que me agarrar quando o tapete me foge dos pés, de ver para além dos estudos científicos, de acreditar em milagres. 

Quando a ciência não está suficientemente avançada, quando os profissionais de saúde não podem fazer mais, quando queremos agir e não sabemos como... o que fica? Como podemos ajudar? Como podemos contribuir para a mudança? Quando vemos alguém à nossa frente a sofrer, quando não podemos fazer nada para lhe tirar as dores e quando ficar parado a rezar não é opção... qual é a solução? Digam-me, por favor!

12 comentários:

  1. Eu confesso que, em relação a este tema, sinto-me sempre bastante "enrolada" para explicar o que quero, não tenho um discurso maduro, pelo que evito-o porque ainda não o processei e amadureci cá dentro para poder partilhar com os outros. Mas - tentando-me resumir mesmo, mesmo, mesmo muito - eu sou uma pessoa cuja a minha base académica impede-me de conseguir acreditar neste Deus humanizado que todas as religiões partilham e para o qual surgem centenas de incongruências. Eu não consigo acreditar que Deus tenha interferência ou seja decisivo nas nossas vidas; não acredito que um grande homem estique o dedo e resolva os meus problemas, cure alguém que amo, faça com que a minha equipa ganhe a taça. Não é nisso que acredito.
    Para mim, Deus é toda a existência. São todas as forças e energias descritas na física, todas as reacções que ocorrem na química. É o raciocínio, a consciência, a ética e os sentimentos como o amor, compaixão, empatia, adrenalina, medo, tristeza... É tudo. É o que existe. Faz parte de tudo e das nossas relações. Não é uma força, nem uma bola de luz, nem um senhor de barbas brancas... É o próprio universo em que vivemos.
    Existe muita gente movida pela fé e eu acho isso admirável e que traz uma paz de espírito invejável, mas o que eu acredito é que nós podemos ter a força, a energia, o poder que tanta gente implora de joelhos e terço na mão. Eu acredito que termos empatia uns com os outros é um acto de fé. Eu acredito que darmos amor, atenção e apoio genuínos a quem amamos pode não curá-los, pode não garantir um milagre, mas é um acto de fé. Por vezes, é o que precisam para reagir, para irem mais além, para tomarem uma decisão importante ou - mesmo que custe - para proporcionarmos o fim de vida mais gentil possível a essa pessoa. Eu acredito muito mais na oração no sentido de termos uma conversa com a nossa própria consciência e avaliarmos o que fizemos mal, o que podemos melhorar, no que é que estivemos bem, quais são as pessoas que têm o nosso afecto (atenção que escrevi "têm" e não "merecem", de propósito). Acho que isto é a minha definição de oração. É uma conversa com a minha consciência, que me ajuda a aclarar a mente, a ter força, a fazer uma introspecção pessoal que, inevitavelmente, me permite ser uma pessoa melhor para mim mesma mas, claro, também para as pessoas que me rodeiam.
    Não desqualifico nem descredibilizo nenhum Deus porque não posso provar nada, tal como ninguém pode dizer que o meu Deus não existe. Mas eu gosto desta visão de pensar porque, para mim, traz a paz que preciso em momentos de aflição ou de reflexão, tal como eu acredito que traga a quem é devoto a uma religião. Tal como referi, não é um discurso maduro e está muito resumido (embora não pareça), mas é o que me traz conforto e eu acredito que, se nos traz paz e não magoa os outros, então não há mal nenhum em praticá-lo. Espero que a minha visão possa trazer-te algum alento, mesmo que não acredites no meu Deus :)

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  2. Olá, Carolina! :)
    Bom, não sei se alguma vez tinha comentado o teu blogue "a sério", sem ser com o meu blogue anónimo, mas não pude ficar indiferente a este post tão cru, tão sincero e... Doloroso. Sim, porque tal como tu, sou racional e não me deixo levar pela fé, mas tenho vivido uma situação complicada: vejo a minha avó morrer lentamente com alzheimer e só consigo pedir ajuda a Deus, uma entidade que nem sei se existe, não consigo imaginar quem seja... Enfim, entendes o meu dilema.
    Se precisares de algo, estou aqui, embora não nos conheçamos.
    Beijinhos e muita força!

    Estranha Forma de Ser Jornalista
    http://estranhaformadeserjornalista.blogspot.pt/

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  3. O estar simplesmente lá faz toda a diferença! É uma sensação de impotência imensa mas só o apoio, a segurança que dados à outra pessoa já significa o mundo.
    Como ajudar mais que isto ainda não sei... as vezes o rezar geralmente ajuda seja ao que for. Mesmo que não seja credo nenhum. Falar a deus, ao universo, à sorte, às leis da física, às energias tem realmente um poder calmante que nos ajuda a estar no nosso melhor para os outros... É acreditar e não perder a esperança e a fé de que as coisas vão correr como seriam desejadas.
    Ficar parado é tão complicado... no ano passado uma das minhas pessoas de sempre teve um problema de saude muito grave daqueles sem reversão e estive 2 semanas à espera de um milagre ou que finalmente chegasse o fim. Não desejo isso a ninguém e nem ainda sei como se lida com algo assim. Espero que tenhas o teu "milagre" e tudo fique bem Carolina :)

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  4. Há dois anos, escrevi um post sobre o assunto que ainda reflete perfeitamente a minha opinião sobre o assunto:http://lifeofcherryblog.blogspot.pt/2015/07/a-importancia-das-crencas.html?m=1.
    De uma forma mais resumida, acho que todos nós precisamos de acreditar na existencia de algo superior a nós, mesmo que a parte racional da nossa cabeça nos diga o contrário. É um instinto de sobrevivência para lidar com este mundo caótico e confuso. Cheguei a esta conclusão após passar uma fase da minha vida em que não acreditava em nada, que foi uma fase desesperante, principalmente quando a minha mãe foi internada e esteve quase para morrer.
    Porém, eu não acredito num Deus humanizado, num homem que está ali a olhar para mim e a ajudar -me a resolver os meus problemas. Acredito numa força sobrenatural que está presente em todo lado: nas árvores, no ar, no mar... basicamente, é toda a existência.
    Desejo-te muita força e que ultrapasses aquilo com que te estejas a debater :).
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  5. A minha relação com a religião, neste momento, é bem vincada. Há uns bons anos atrás isso passava-me tudo ao lado e a crença num Deus capaz de tudo era impensável para mim. Mas, na verdade, numa fase em que tudo parecia perdido e sem volta a dar, eu senti que aquele meu coração cheio de amor dos outros só poderia vir de algum lado tão inexplicável como tudo o que eu estava a sentir. Hoje em dia rezo muito e acredito firmemente em Deus. Não rezo para fazer as coisas acontecerem ou para satisfazer os meus desejos, rezo para receber força para conseguir enfrentar os obstáculos que vão aparencendo no meu caminho, rezo para ter um bom raciocínio em relação às coisas e rezo para que nunca me falte a vontade de continuar. Provavelmente, fui criando e moldando um Deus à minha medida, mas isso dá-me uma paz inexplicável. Na realidade, eu sinto sempre que vejo Deus em tudo o que me rodeia: na bondade das pessoas, no sol que nasce todos os dias, nas flores que nascem no meu jardim. É assim que sinto que as coisas fazem sentido, apesar de a minha formação académica ter tudo para eu não acreditar em nada disto (:

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  6. Mesmo que fosses uma pessoa religiosa e crente, não deixarias de ter uma parte racional que olhasse para o resto... O que, muitas vezes, é bom para aceitarmos. Para nos mentalizarmos do pior. Em relação à parte espiritual, tenta na mesma ter esperança... Eu, cientista, digo que há muitas coisas que a ciência não explica :) Muita força, querida.

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  7. Eu percebo muito bem essas incertezas, já as tive, mas encontrei as respostas na Palavra de Deus,
    a Biblia, percebo que Deus nos pareça algo impossivel, porque não o podemos ver, mas também não vemos
    o vento, mas sentimos seus efeitos, é igual com Deus, bjs

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  8. A minha relação com a religião é algo estranha e difícil de explicar, pois eu própria não a percebo bem ainda. Cresci num ambiente católico, mas livre de obrigações para com a religião. Sempre fui livre de fazer as minhas escolhas no que respeita às minhas crenças e a verdade é que já experiênciei os dois lados - O lado de quem crê em algo superior, que nos ajuda a superar os momentos menos fáceis e o lado de quem não acredita que exista uma mão milagrosa que nos guia o caminho. Prevaleceu sempre mais o lado racional e científico, aquele que dificulta um pouco a crença em Deus como ser superior, razão das nossas conquistas e contentor da nossa mágoa. Mas é verdade é que a espiritualidade, a crença em algo maior que nós é um escape e uma bóia de salvação para muitas situações. Seja qual for o nosso Deus, a esperança, a crença em nós próprios e na nossa força é, muitas vezes, o alento necessário para ultrapassar situações mais complicadas.
    Muita força, Carolina :)

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  9. Eu costumava pensar exatamente como tu e durante alguns tempos considerei-me agnóstica e posteriormente ateia. Falei sobre isso neste post, caso queiras ler: http://bloomblogue.blogspot.pt/2017/06/a-minha-caminhada-com-jesus_24.html
    Beijinhos grandes e muitas felicidades!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Eu acredito que o ser humano tem uma necessidade de acreditar em algo superior, especialmente nas horas de maior aperto.
    Deste modo a minha relação com Deus é um tanto ao quanto estranha de explicar, mas eu vivo super bem com isso, acho que é o que interessa no fim de contas.

    Força! Beijinho gigante

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  12. Nem tudo na vida tem de ter uma solução imediata. E é isso que suscita a nossa vontade constante de progredir.

    Num ponto mais positivo, podes sempre agarrar-te à ideia de que à poucos anos atrás ainda milhares de pessoas morriam todos os dias por problemas que hoje em dia estão erradicados (pelo menos nos países mais desenvolvidos) e, por isso, com a constante mudança e evolução da medicina e ciência um dia os problemas de hoje serão para outros no futuro nada mais do que banalidades.

    Nós só cá estamos de passagem. Beijinhos

    http://pt.witkonijn.net/

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