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SAÚDE | Sim, tomo antidepressivos.

A medicação ainda é um assunto delicado para quem luta contra a ansiedade e a depressão. Não é fácil admitir a necessidade de recorrer a químicos e terapias para controlar a própria sanidade mental - é um facto - e eu própria demorei algum tempo a convencer-me de que precisava, realmente, de dar o passo e marcar uma consulta num especialista em psiquiatria para, finalmente, ter a ajudar extra de que precisava (e preciso).

Foi em Agosto do ano passado - mais coisa menos coisa - que marquei a primeira consulta de Psiquiatria. Foram-me receitados ansiolíticos (fraquinhos) para ver se a minha ansiedade se controlava dessa forma. Não resultou. Senti melhorias significativas no primeiro mês mas, depois disso e em momentos de maior pressão, era como se não estivesse a tomar nada. Os primeiros antidepressivos foram-me receitados há cerca de um ano.

E o problema dos medicamentos é que, ao contrário do desinfetante de feridas - que desinfeta sempre - não resultam da mesma forma em toda a gente. O nosso organismo é único e fascinante pela sua individualidade mas também tem este problema - não existe uma fórmula perfeita de medicação que resulte com todos. Inicialmente resulta, depois deixa de fazer efeito, depois resulta mas provoca efeitos secundários, depois não resulta de todo. E andamos nisto - e nas mudanças de humor - até encontrarmos, finalmente, o antídoto perfeito para os nossos picos de ansiedade. Não é fácil - e é preciso falar disto sem medo de sermos julgados como doidos.

Desde Junho deste ano que encontrámos a medicação que resulta comigo e desde Junho que a tomo, impreterivelmente, todas as manhãs: um antidepressivo e meio ansiolítico (com a certeza de que poderei recorrer à outra metade se me sentir mais ansiosa no resto do dia - coisa que já fiz várias vezes). Isso faz de mim uma pessoa louca? Não. Faz de mim uma pessoa deprimida? Não. Pelo contrário: está a fazer de mim uma pessoa mais forte, que não desiste de si nem da sua saúde. Hoje, tenho a certeza que uma das melhores decisões que tomei em 2016 foi marcar a consulta de Psiquiatria. Eu precisava disso - hoje sei que sim.

Para mim, a medicação não representa uma desistência - de todo. Por vezes, a ajuda que precisamos (para além do desporto, do controlo da alimentação, da acupuntura, dos momentos a sós connosco mesmos) pode estar num componente químico. Tenho a sorte de viver numa parte do mundo que nos permite ter acesso à evolução da medicina - eu só seria louca se não me valesse dessa minha oportunidade para melhorar e me sentir bem e plena (e preciso de me lembrar disto mais vezes).


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16 comentários:

  1. Ainda bem que abordas temáticas tão importantes quanto estas. Uma pessoa muito próxima de mim tomou durante muitos anos (e só deixou assim que se sentiu completamente bem) por sofrer do Transtorno Obsessivo Compulsivo, e foi muito gozado por isso. Era o maluco da turma, o que tomava medicação para não ter surtos. Por isso admiro que tenhas coragem para contar a tua história e ajudares a reeducares a população que ainda tem demasiados estigmas em relação à saúde mental. Tiro-te o chapéu por isso, Carolina!
    E espero sinceramente que um dia mais tarde consigas controlar a tua ansiedade a 100% e que cures este problema que afeta mais pessoas que aquelas que achamos.

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  2. Fico feliz por teres tido a coragem de dar esse passo pela tua saúde, e por teres encontrado a solução que melhor resulta contigo!

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  3. Carolina, o que sempre admirei em ti foi (e é) a tua honestidade. Mas acho que nunca fui muito específica, portanto, faço questão de ser mais objectiva: o que mais admiro em ti é o quanto és honesta contigo própria. Esta publicação é apenas mais um exemplo: não estarias a fazê-la se não o fosses. Reconheces as tuas qualidades (mesmo quando a insegurança ataca), reconheces, merecidamente, as tuas vitórias e também reconheces as tuas fraquezas (todos temos, nem todos as reconhecemos). Mas mais incrível ainda, é que reconheces o que resulta para ti. Desde uma ideologia a uma decisão do quotidiano. E também reconheces as decisões erradas (igualmente importante).
    Este teu auto-conhecimento permite-te ver que aceitar ajuda não é um sinal de fraqueza ou dependência: é uma alavanca para seres maior e melhor. E isso torna-te mais bonita do que três milhões de visuais incríveis ou uma base maravilhosa (embora fiques bonita assim também, you go girl). Lembra-te disso quando sentires o peso nos ombros; És uma super heroína sem capa e um exemplo de mulher que, como já disse, admiro e faço questão de referir quando me abordam sobre mulheres geniais. És uma Wonder Woman real! :)

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  4. És absolutamente incrível, Carolina! :)
    Num mundo em que a ansiedade é cada vez mais um problema comum, é necessário abrir mentalidades a esse mesmo problema, para que as pessoas percebam que não é questão de se ser maluquinho, de não querer ficar bem ou não saber reagir. Mas acima de tudo, que tenhas sempre a consciência tranquila e que nunca te falte a coragem. Espero que todos os dias te lembres que és extraordinária e que se já chegaste até aqui, muito melhor está por vir e conquistar! Que te sintas sempre plena :) mereces.

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  5. Parabéns pela coragem Carolina. Eu ainda ando à procura da minha.

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  6. Muitos parabéns Carolina! Pela honestidade, pela coragem e por tranquilizares todos e dizer que "não estão sozinhos". És uma verdadeira inspiração, a sério!
    https://sunflowers-in-the-wind.blogspot.pt/

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  7. Compreendo exactamente o que quiseste dizer.

    Eu quando este ano tive que baixar a cabeça e pedir ajuda,custou me. Eu pedi ajuda porque precisava mesmo, já não aguentava com as noites mal dormidas, com o coração aos pulos, parecia que corria maratonas todos os dias.Provavelmente terei ataque de pânico o resto da vida.

    Comecei com anti depressivos sem ansioliticos, e estou a tomar um que tem pouco ansiolitico mais outro comprimido. Já estou a fazer o desmame a ver como corre.

    Não é baixar a cabeça. Para mim é preciso ter muita coragem que sozinhos não resolvemos aquele problema. Poucos sabem que estou a tomar isso e muitos menos a razão do porquê. Penso que nos faz mais fortes passar por isto e dá nos outra perspectiva da vida.

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  8. Eu como tomo medicações há muito tempo para diversos problemas sei que o meu corpo começa assustadoramente a criar tolerância aos medicamentos e tenho de aumentar doses se quero ter algum efeito (por exemplo calmantes, anti histaminicos, medicamentos para dormir) e já tive que lidar com uma dependência de um medicamento e não é fácil. Por esse meu historial pessoalmente quero manter-me o mais longe possível de medicação para a ansiedade. Mas ando a tentar tudo! Agora tenho consulta marcada para uma Psiquiatra-hipnoterapeuta. Mas os corpos são diferentes, as lutas são diferentes. cada um tem de procurar a sua forma de resultar. O importante é não ceder à doença, continuar a procurar e ter de tomar decisões difíceis. Ainda bem que encontraste algo que funciona contigo e que estás a desmistificar o assunto sem qualquer tabu! Há coisas que sozinhos não dá para resolver e há que procurar ajuda! seja de que forma for! isso sim é uma grande mensagem! Beijinho!

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  9. O facto de tomares medicação para controlar a ansiedade não faz de ti louca, não senhora. Faz de ti uma pessoa sensata que teve o discernimento necessário para perceber que precisava de ajuda. Parabéns por isso.

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  10. Carolina, admiro a tua força e honestidade em falares abertamente sobre este assunto, sem tabus. É tão importante que mais pessoas dêem este passo, no sentido de não se esconderem atrás de um problema que é tão importante ser debatido quanto outros! Não deve ser motivo de vergonha, nunca. Enquanto psicóloga fiquei com curiosidade em saber um pouco mais sobre o que tens feito para lidar com a ansiedade e depressão. Não sei se já o fazes, mas aconselho-te a Psicoterapia como um complemento da medicação, pois é essencial que, tendo essa questão controlada, consigas trabalhar na origem do que motivou a ansiedade e a depressão, que conheças e compreendas quais são os pensamentos e comportamentos disruptivos que te impedem de olhar as coisas com mais clareza.
    O passo mais importante já foi dado, Carolina. Tiveste a consciência suficiente para perceber que não estavas bem e agiste no sentido de melhorar. E isso é meio caminho andado para o sucesso da intervenção. És uma rapariga cheia de força e incrivelmente corajosa. Mereces tudo de bom e tenho a certeza que estás no caminho certo. Um grande beijinho :)

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  11. Concordo absolutamente contigo! Eu já tomei anti-depressivos no passado, quando tinha uns 16 anos, mas não tive o acompanhamento correcto e depressa desisti do assunto. Se calhar teria sido muito melhor para mim se os tivesse tomado durante mais tempo... Na altura, senti-me muito mal com as mudanças de humor, lembro-me bem.
    Anyway, acredito piamente que muitos de nós (eu incluída) precisávamos de uma terapia (mais ou menos regular consoante o caso) e que fugimos disso. É difícil admitir que precisamos de ajuda, seja em que campo for, e este não é excepção... Por isso, penso que és muito corajosa em fazê-lo e em falar sobre isso!

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  12. É tão bom conhecer alguém assim tão inspirador quanto tu. Fico sempre fascinada a ler algo que vem tão profundamente de dentro de ti. És incrível! Admiro-te tanto e tenho-me inspirado imenso, ultimamente, em ti para tomar atitudes face a mim e à minha personalidade. Só quero que saibas que mudaste muito a minha vida e a minha perspectiva a partir do momento em que falaste tão abertamente deste assunto. És uma verdadeira Mulher e é um prazer dizer que já te conheço e me sinto tão próxima de ti. Obrigada por seres tão activa na tua missão de espalhares a palavra e partilhares a experiência. Acredita que fazes a diferença. Fizeste em mim!
    Beijo enorme, amiguinha 💛💛💛💛

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  13. Muitos parabéns por este post, Carolina! Os antidepressivos ainda é muito tabu em Portugal, por isso admiro a forma como abordaste como abordaste o tema de forma aberta, honesta e direta. Admitires que precisavas de ajuda foi muito inteligente mas, sobretudo, muito corajoso da tua parte. Mas é ainda mais corajoso da tua parte partilhares a tua experiência. Tenho a certeza que vai ajudar muita gente.
    És uma mulher incrível, que sabe aquilo que quer, reconhecer a suas vitórias e qualidades, mas que também reconhece os seus defeitos e fracassos, coisa que muitos não são capazes de fazer. És um grande exemplo a seguir ( e é com orgulho que digo que tive a oportunidade de te conhecer).Tens mesmo jeito para a escrita e para transmitires, através desta, mensagens inspiradoras que marcam a diferença na vida das pessoas. Inspiraste-me imenso, não só enquanto mulher, mas como blogger. Muita da influência que o meu blog recebeu veio de ti e do Thirteen.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  14. Valorizo muito expressares-te assim sobre o assunto que ainda é tabu. As pessoas omitem quando tomam anti-depressivos por receio de estereótipos. Pior, não recorrem a ajuda sequer.

    Este tipo de artigos ajuda a mudar mentalidades.

    ❥ Biju da Ju,
    juvibes.blogspot.pt

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  15. Antes de mais aplaudo a tua honestidade em abordar um tema que ainda é considerado tabu por muitos.
    Ao ler o teu testemunho comecei a pensar até que ponto não deveria tomar a mesma atitude e marcar uma consulta com um especialista. Esporadicamente passo por oscilações de humor que vão da alegria extrema a uma infelicidade tremenda sem qualquer motivo. Pode não ser nada, mas nunca se sabe. Fico feliz que tenhas conseguido encontrar um equilíbrio para a tua saúde mental e espero que assim permaneça :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  16. É a primeira vez que me deparo com o teu blog e confesso que esta postagem me chamou à atenção.
    Ultimamente tenho-me sentido muito nervosa e aconselharam-me a falar disto com um médico, o que me deixou ainda mais nervosa e envergonhada. Admiro conseguires falar sobre a tua situação sem problemas. Obrigada pela partilha :)
    Beijinhos!

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