Thirteen

SWEET CAROLINE | "Foco"

"No ano passado, debrucei-me muito sobre tentar ser uma pessoa presente e vivê-lo dessa forma. Não é nada fácil ter foco, especialmente quando começo a aliar a ausência de foco com a ansiedade. Mas preciso, não só porque é um trabalho muito importante para a minha maturidade como também me permite ser uma pessoa muito mais presente e completa em todos os acontecimentos, o que não só é mais saudável para mim como para os outros.

Há muito que já faço este exercício e quero manter o comportamento, em 2018 e nos anos que virão. As bolinhas cheias de números das notificações já não me incomodam, o meu coração não fica apertado quando não respondo, no mesmo segundo, a um e-mail ou a uma mensagem porque sei que vou responder. Não me preocupo em abrir mensagens e que apareça o 'Visto' porque não estou a ignorar nada e porque ninguém fica sem uma resposta minha, se o assunto é relevante. Guardo o telemóvel na mala durante uma conversa na esplanada, um workshop ou palestra na certeza de que o mundo não acaba por não ter atendido a chamada, no momento. 

Ausência de foco não tem de ser extrapolada para ausência de organização, e cada vez mais confio em mim e na minha capacidade para memorizar compromissos — ou registá-los —. Se não respondi, no preciso momento, a um e-mail ou a uma qualquer mensagem, sei que naquele momento não estou com a disposição ou foco suficientes para me debruçar sobre o assunto (seja ele leve ou mais complexo). Prefiro demorar a responder, na certeza de que estou a tornar-me disponível a 100% à conversa do que fingir uma atenção que não lhes pertence por estar a distribuir o foco em dezenas de assuntos que mereciam mais da minha parte. O que quer que exista para eu saber e resolver, continua a existir algum tempo depois, mesmo que a minha cabeça queira insistir no contrário.

Seja que tarefa ou acontecimento que esteja a viver — limpezas, cozinhar, ler, conversar, trabalhar, aprender — faço questão de estar lá. De corpo e mente. Nunca me suportei por, algumas vezes, estar presente apenas em corpo e deixar a mente voar para assuntos dos quais, naquele momento, não posso, não preciso ou não tenho urgência em tratar. E desde que me tenho esforçado para ser uma pessoa mais focada, sou uma pessoa mais tranquila e feliz, também. Porque sinto que fico ansiosa nas ocasiões em que a ansiedade e a preocupação são válidas e não deixo que, em outras ocasiões, me perturbem, desconcentrem ou me impeçam de viver o agora.

Vivemos num mundo que se comporta como se tudo fosse acabar amanhã e em que somos incapazes de estabelecer certas prioridades ou de interpretar os casos de formas menos extremas como "de vida ou de morte". Muito por culpa da nossa fisiologia. Mas podemos contrariar da forma que mais está ao nosso alcance e confiarmos mais na nossa capacidade para sermos responsáveis, presentes e sensatos. Estou farta de sofrer em dobro."


Texto de Inês Mota (aqui)

2 comentários:

  1. Sinceramente ainda tenho que trabalhar bastante nesse aspeto... Todas as responsabilidades e pessoas que tenho a meu cargo fazem com que, por vezes, uma ausência de resposta ou o facto de não atender um telefonema, faça com que o trabalho das outras pessoas fique também em espera. No entanto, tal com o texto da Inês refere, certamente não será o fim do mundo. Resta-me a mim melhorar esse aspeto.

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  2. eu concordo tanto tanto tanto com este texto. Cada linha que a Inês escreve! Acho que muita gente o devia ler.

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