Thirteen

VIDA ACADÉMICA | Afinal, conta ou não conta?

Em 2004, a Educação Física passou a ser contabilizada nas médias de acesso ao Ensino Superior. Em 2012, reduziu-se a carga horária da disciplina e esta deixou de entrar nos cálculos de todos os alunos que não seguiam a área do desporto. Em 2018, coloca-se a hipótese de voltar a incluir a avaliação desportiva nas médias finais de acesso a Licenciaturas e Mestrados Integrados. E eu acho muitíssimo bem.

No ano em que terminei o Secundário (2012, precisamente), Educação Física fez parte dos cálculos da minha média final - e isso foi bom para mim porque eu tinha boas notas à disciplina. No entanto, por outro lado, houve quem visse a sua média a baixar por causa do desporto. Como acontece em todas as disciplinas. Se, atualmente, os alunos que não seguem desporto podem, na prática, retirar a nota de Educação Física dos seus cálculos, então talvez seja possível que a nota de Filosofia não conte para a média dos alunos que seguem Biologia ou que a nota de Português não conte para quem escolhe seguir Arquitetura.

Não sei se acontece em todas as escolas mas, para haver um sistema mais justo - e para não valorizar apenas a capacidade motora mas também a parte mais teórica do desporto (regras de jogo, por exemplo) - sempre fiz testes teóricos em Educação Física. E se, por um lado, existiam pessoas péssimas na parte prática que se esforçavam nos testes teóricos e que, no final, eram beneficiados pela sua dedicação, também existiam outras que tinham notas miseráveis nos testes teóricos e que, por muito bons que fossem na parte prática, nunca tinham a nota que poderiam ter se se esforçassem um pouco mais para decorar meia dúzia de linhas de campo e penalizações. A disciplina estava dividida em dois momentos com o objetivo de minimizar as diferenças entre alunos e, mesmo sabendo que aquela disciplina iria ter impacto na média final, havia muita gente que simplesmente não queria saber.

O desporto faz parte do plano curricular obrigatório desde muito cedo e acredito que possamos concordar que a Educação Física se trata de uma disciplina importante para as camadas mais jovens da nossa sociedade. Se esta representasse apenas meia dúzia de aulas de segunda categoria, essas mesmas aulas poderiam, perfeitamente, ser facultativas - e não o são porque, enquanto sociedade evoluída, concordamos que a prática desportiva é importante para o desenvolvimento de capacidades e valores tais como o trabalho em equipa, a melhoria da condição física (e a consciência de que a nossa saúde está ligada ao desporto, também), a capacidade de competir e de lidar com a frustração, a definição de estratégias de jogo.

Portugal tem um nível de obesidade e sedentarismo assustador e poucas são as pessoas que, depois do Secundário, mantêm a prática desportiva e guardam um momento na sua semana para fazer exercício físico. Dos vossos colegas da Faculdade, quantos é que (ainda) praticam desporto? Apresentar modalidades aos alunos nas aulas de Educação Física, sendo mais ou menos aptos para cada uma delas, é também uma forma de contrariar esse sedentarismo. Pelo menos duas vezes por semana, por obrigação ou por gosto, toda a gente mexe o rabo, treina a sua coordenação motora, salta, corre, dança, faz remates e toma decisões em divisões de segundo. Não será isto importante, também? 

Queixamo-nos que os miúdos são autênticos robots e que decoram matéria em vez de aprender; vamos continuar a esquecer a importância de uma disciplina que lhes permite ser mais do que isso? Ninguém quer que todos os alunos sejam atletas de alta competição - apenas que se mexam e que percebam a importância que isso tem na sua vida e na sua saúde.

9 comentários:

  1. Eu entrei na faculdade sem contabilizar educação fisica, felizmente! Senão a minha média ia baixar. A avaliação consistia apenas em parte pratica e só football e basketball. Eu acho bem que não conte, afinal a faculdade espera competências intelectuais e a EF em geral não contribui para isso.
    No entanto acho que deviam aumentar a carga horária da disciplina e dar mais opção aos miudos para escolherem o que gostam de praticar. Eu tinha apenas a opção basket e football... ou seja detestava esses tempos. No entanto gostava de dança, volley, corrida... e nunca me foi dada essa opção. É uma disciplina importantíssima e cheia de potencial não aproveitado!

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  2. O verdadeiro problema da Educação física é não ser lecionada da forma mais correta. A grande maioria dos professores da minha escola não se esforçava nas aulas e isso refletia-se, automaticamente, na motivação dos alunos. Felizmente, tive o mesmo professor do 7º ao 12º ano e, apesar de terem sido pouquíssimos os testes teóricos que fizemos durante esses anos, ele fazia uma avaliação justíssima e encarava a disciplina com muita seriedade. Não contava só sabermos jogar ou nadar, contava (e muito!) o esforço que fazíamos e as pequenas melhorias que íamos conquistando. E ele fazia apontamentos dessas coisas todas! Por isso, pelo menos pela minha experiência, acredito que esta disciplina só é desvalorizada pela forma como alguns dos professores a encaram e avaliam.

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  3. Irei concordar que Educação Física conte para a média no dia em que a sua avaliação seja estruturada do mesmo modo para todas as escolas. Eu, por exemplo, em três anos do secundário não fiz UM único teste teórico.
    Adoro desporto - tanto que pratiquei durante grande parte da minha vida -, mas achei muitas vezes a minha nota injusta e quando finalmente questionei o meu professor de 12º pela mesma subi 4 valores num período fazendo exatamente o mesmo. Porquê? Provavelmente fazia parte do grupo de pessoas de que o professor não se lembrava ou não se dava ao trabalho de tomar atenção e era corrido a 13/14. Portanto não, não acho que neste momento haja condições para que conte para a média. É impossível um único professor conseguir avaliar 30 alunos na componente prática como deveria, impossível! Defendo que apenas se ocorressem mudanças drásticas na avaliação da disciplina é que seria justo para todos que contasse para a média. Até lá manterei a minha posição

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  4. Não podias ter terminado o post de outra forma. É tão verdade!

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  5. Eu concordo absolutamente com a importância de Educação Física, mesmo tendo sido uma disciplina que poderia ter prejudicado a minha média. Eu era má a Educação Física, mas esforcei-me muito e consegui uma nota bastante razoável, tal como faria caso as minhas dificuldades surgissem noutras disciplinas, como Português ou Filosofia. Contudo, aquilo que eu considero injusto é o facto de, em várias escolas privadas, onde a maioria dos meus colegas de faculdade andou, terem conseguido facilmente um 20 sem sequer lhes ser exigido que participassem nas aulas...
    Mesmo assim, não acho que EF não contar para a média seja a solução, porque é uma disciplina essencial para a própria saúde das pessoas e não pode ser descurada. :) Apenas acho que a avaliação devia ser mais uniforme entre as várias escolas.

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  6. Por um lado, muito grande, concordo imenso que Ed. Física conte para a média, por achar mesmo importante que haja empenho e interesse que pode ser incentivado desta forma por parte dos alunos.
    Por outro, acho que, antes de tomarem uma decisão destas, devia ser reestruturada a disciplina e a forma como é leccionada... de facto, há ainda muitas turmas cujas aulas consistem quase sempre em futebol ou basquetebol, o que é limitativo e pode causar desinteresse nos alunos.
    De qualquer forma, quem me dera que tivesse contado para a minha.... a minha média já era boa, mas, subia-me quase 0.7 valores ☄

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  7. Eu concordo imenso com tudo isto, mas na minha altura fiquei um pouco revoltada. Não pelas notas que tive (penso que acabei com 15, o que me desceu bastante a média...), mas pelas razões. Tu claramente tinhas uma dupla vertente... A última vez que tive um teste de EF foi no 8.º ano (esse professor era excelente). Eu era boa aluna a Educação Física quando comecei o Secundário e o meu professor deu-me 12 no final do 1.º período. Só os rapazes tiveram boas notas!! Fiquei super revoltada com a situação e comecei a desleixar-me. Tinha a mesma nota, fizesse o que fizesse. Nos dois anos seguintes, tive um professor que se estava a lixar para o programa e estávamos sempre a fazer volley (o desporto em que eu era pior) --' Isto não é tão fácil de controlar como numa disciplina em que vá haver exame. As pessoas queixar-se-iam mais se a professora de Matemática não desse a matéria certa, por exemplo... Seja como for, já estou para aqui a divagar. O que queria dizer é que concordo imenso com o facto de contar para a média (apesar de me ter prejudicado), porque lhe dá outro peso na cabeça dos alunos. Todos nós conhecemos as típicas desculpas para não fazer aula prática, certo? Não contando para a média, ainda é pior... No entanto, acho que deveria ser avaliada com base na evolução e no esforço que as pessoas depositam para tal. Uma pessoa que já é excelente a uma modalidade vai ser sempre excelente. Pode ter boa nota, mas uma pessoa que era péssima e se tornou razoável também deveria ser recompensada por isso. Se este sistema é utópico? Talvez...

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  8. Gostei muito do artigo, Carol.
    Encontro-me no 12.º ano e a nota de Educação Física não irá contar para a minha média final, o que é uma pena já que a inflacionaria. Sou da opinião de que deve haver um consenso relativamente às disciplinas que entram na média final de curso, isto é, todas entram ou escolhe-se só aquelas que nos serão necessárias para ingressar no ensino superior pois, como dizes, «talvez seja possível que a nota de Filosofia não conte para a média dos alunos que seguem Biologia ou que a nota de Português não conte para quem escolhe seguir Arquitetura». Educação Física não é, de todo, a minha disciplina favorita. No entanto, reconheço-lhe a devida importância e o descrédito que sofreu graças às sucessivas mudanças dos diferentes governos.

    Um beijinho muito grande.

    Apenas Francisca: https://apenasfrancisca.blogspot.pt

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  9. Não tirava nem punha mais uma vírgula na tua publicação, Carolina! Concordo completamente e sim, também tive o mesmo método de avaliação que o teu (avaliação prática e teórica de cada modalidade desportiva leccionada). Muito se discute acerca da forma como a disciplina é leccionada - e também compreendo e concordo com a visão entristecida que as pessoas têm em relação à forma como a educação física é observada. Também eu tive professores de educação física cujas aulas eram só de uma modalidade e também observei as maiores barbaridades, como darem um 19 a uma miúda que não distinguia a esquerda da direita porque ela queria ir para medicina e a média das restantes disciplinas era de 18 (e o Carmo e a Trindade poderiam cair se ela tivesse a nota de disciplina que merecesse). Também tenho pena que não tenham tido a mesma consideração comigo em Física, visto que era barra em Química -. A questão é: acontece em todo o lado e em todas as disciplinas. Há maus professores em todas as disciplinas e há inflação de notas para benefício de alunos em muitas situações que não apenas em EF. Não podemos pegar em todas as sombras do ensino e marginalizar uma disciplina que ainda por cima, na actualidade em que vivemos, é das mais importantes. Muitos esfregaram as mãos por não contar (e por acharem que faz todo o sentido não contar). Mas o sedentarismo é um reflexo intelectual e o nosso corpo é a extensão da nossa mente. Educação física nunca vai ser apenas futebol, voleibol ou corridas em que a malta aproveita as traseiras do ginásio para abrandar ou descansar sem o professor ver, e quando este conceito for bem compreendido por todos (até pelos próprios professores da disciplina), teremos, então, alunos mais completos, conscientes e com capacidade para olharem para a disciplina sem olhos calculistas.

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