Thirteen

SAÚDE | Irritabilidade. Raiva. Fúria.

A ansiedade manifesta-se de diferentes formas em diferentes organismos. E se por um lado existem sintomas que podemos (quase) dizer que toda a gente conhece e com os quais toda a gente se debate, por outro lado existem sintomas e reações que variam de pessoa para pessoa. Os factores influenciadores também não podiam ser mais variados; genética, estilo de vida, idade, medicação, alimentação (...), tudo isso pode definir a forma como nos comportamos - e como o nosso corpo reage de forma inconsciente - quando a ansiedade bate à porta.

Infelizmente, em muitos momentos, a minha ansiedade transforma-se em irritabilidade. Uma quase-fúria que me deixa impaciente e que me faz sentir incomodada com pequeninos detalhes que, noutras alturas, poderiam ser insignificantes. 

Existem alturas em que a minha ansiedade aparece disfarçada de medo ou de insegurança. Noutras, aparece disfarçada de raiva (daquele tipo de raiva que nos obriga a fechar as mãos com muita força para não gritar com ninguém, sabem?). A ansiedade apresenta-se através de diferentes formatos - uns mais óbvios do que outros e isso é difícil de explicar mesmo para quem vive ou estuda esta patologia. 

No meu caso - e cada vez mais, por muito que me custe admitir - não fico triste ou apática quando enfrento o monstro que me atormenta; pelo contrário: eu perco completamente a cabeça e seguro esses sentimentos com muita força quando não posso fazer nada. E custa muito... Porque 1) gritar é uma forma de libertar a ansiedade que tenta interromper a minha vida a toda a hora e porque 2) as pessoas que acabam por sofrer com tudo isto, para além de mim, são sempre as mesmas: aquelas que mais me amam e que eu mais amo. Não é fácil. 

Eu não sou má pessoa, não sou mal educada e não tenho um coração negro - eu sei disso com todos os centímetros do meu ser - mas, mesmo assim, quando estou mais ansiosa e a minha paciência está em alerta vermelho, tenho vontade de dar porrada na pessoa que diz piadas parvas. Ou de partir o aparelho que está a fazer aquele som repetitivo. Ou de atirar o telemóvel pelo ar quando está muito lento.

Tomo medicação para a ansiedade há já mais de um ano. Houve uma fase - que nunca cheguei a referir aqui - em que me foi diagnosticado "princípio de depressão". Já andei na corda bamba muitas vezes mas nunca caí, nunca me desequilibrei. Hoje, sei que o meu "feitio difícil" não é só feitio. E não deixar que a minha ansiedade defina a minha paciência para as pessoas em geral (ou a forma rabugenta como falo em alguns momentos) tem sido a minha batalha mais longa. Infelizmente, a minha ansiedade não me ataca só a mim. Quando dá sinal em forma de raiva, há mais pessoas a sofrer com a situação. E isso dói ainda mais.


5 comentários:

  1. Não te martirizes por isso - olha, passa por feitio para quem não souber o que está por trás, paciência. Há coisas piores para pensarem de nós do que "tem um feitio complicado"...e quem realmente importa e se importa acaba por entender desde que tu tenhas a iniciativa de pedir desculpa. Eu sou assim quando estou nervosa ou com a TPM, e...bem, no meu caso acho que é feitio mesmo, embora se revele mais quando ando nervosa ou triste. E aprendi a controlar-me mas de vez em quando lá vem a Joana-furacão ao de cima e depois martirizo-me durante dias por causa de um acesso de fúria qualquer. Eu não sou assim. Eu sou sorridente e calma e discreta. Até me subir a mostarda ao nariz, aí sei que fico demasiado irritadiça e assertiva. Não é aceitável, mas não somos de ferro e às vezes fazemos coisas que não devemos! Não acumules a culpa por sentires tudo isso dentro de ti. A coisa mais libertadora que fui aprendendo a fazer é mesmo pedir desculpa quando passo dos limites :)

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  2. Não deixo de me surpreender com o quanto somos parecidas. Demorei imenso tempo a ligar os pontos e a perceber que a minha irritabilidade e raiva derivavam da ansiedade, mas agora é claro como água; fico impaciente com qualquer coisa e se tocam em qualquer tipo de assunto que possa estar, nem que seja remoto, associado ao que me está a provocar ansiedade, explodo e defendo-me com raiva. Ainda hoje sinto isso, esse sufoco, como se me estivessem a fechar a cerca mas tento contrariar-me e tentar outras abordagens. Por exemplo, digo de imediato que estou mais ansiosa e sem disposição ou, na inevitabilidade de ser uma pessoa mais simpática com as minhas pessoas — que o merecem — peço desculpa e tento compensar. É muito difícil, é um dos lados que menos admiro e tolero em mim. Mas tenho de reconhecer que é mais um lado desta condição e que as minhas pessoas (e as tuas também) não nos condenam. Não precisam de saber como é estar desta lado: elas amam-nos e vão-nos recolher nos seus braços em qualquer faceta que lhes apresentemos. Mesmo quando aparecemos com a faceta menos colorida e preferida. É por isso que são as nossas pessoas; nunca deixam de lá estar enquanto nos consertamos :)

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  3. Carolina, muito obrigada por teres a coragem de ler estes posts. Ando a travar uma batalha com a ansiedade e, nestes últimos tempos, sinto que tem batido níveis assustadores, como nunca vi em mim. Ler as tuas palavras ajuda-me imenso a sentir-me menos estúpida por ser assim tão ansiosa.
    Sinto-me sempre mal por deixar que a minha ansiedade influencie a forma como trate os outros, afastando-os de mim. Felizmente, as pessoas que gostam mesmo de nós nunca se afastam, e isso é priceless <3.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  4. E é assim que nos sentimos menos sozinhas, menos estranhas neste mundo, menos diferentes. Obrigada, mil vezes, por saberes abordar o assunto de forma tão directa e delicada. Estes momentos de ansiedade profunda são, sem dúvida, graves e assustadores, para nós e para todos à nossa volta, tornamo-nos pessoas diferentes e não medimos quem está à nossa volta. As vezes que eu penso nisso e me sinto triste por colocar as minhas pessoas nestas situações. E os momentos de ansiedade mais leves, aqueles que não se manifestam de forma clara, também me fazem confusão, por, muitas vezes, nem eu própria perceber o que está a acontecer antes de tomar proporções maiores.
    Partilho desta dor, Carol, mesmo, e partilho também, por aqui ou se quiseres um dia num cafézito, toda a minha força para o teu coração. Estou deste lado, pode não parecer muito, mas, estou deste lado!

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  5. Percebo perfeitamente o que queres dizer... Eu também sofro de ansiedade à já alguns anos. Esta tende a manifestar-se naquelas alturas de mais stress (entrega de trabalhos, etc.) e nas tomadas de decisão difíceis, e também tenho tendência a ser mais agressiva com as pessoas mais próximas de mim, nessas alturas. Essa é realmente a parte mais difícil disto tudo.
    Também já passei pelo tal "principio de depressão" e também tomei medicação, mas acredita, isso é apenas uma forma de o controlares, para o ultrapassares tens mesmo é de pedir a ajuda de um profissional, um que te ajude a chegar à raiz, à causa da tua ansiedade, e te ajude a lidar com ela de uma forma mais eficaz.
    Eu digo-te isto porque já estou num tratamento parecido à mais de um ano, por outras razões, e tem me ajudado imenso.
    Pensa nisso. E força. Estamos todas no mesmo barco. :-)

    https://daisys16.blogspot.pt/

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