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POLÍTICA | Despenalização da Eutanásia: sim ou não?

Sou a favor da Despenalização da Eutanásia. Sou apaixonada pela vida, quero viver muitos e bons anos, tenho um medo horrível da morte e recuso-me a acreditar que não vou viver mais de 100 anos. Porém, sim, acredito que a morte medicamente assistida também possa ser uma opção mesmo que agora acredite que não seria capaz de solicitar o fim antecipado da minha vida - porque não sei o futuro, porque vi o meu tio a emagrecer, com dores, a lutar contra a morte que não foi capaz de evitar, porque reconheço que deve ser realmente perturbador saber que as dores só se intensificarão até ao dia de falecimento.

A Eutanásia não promove o suicídio nem obriga um profissional de saúde a cometer um homicídio; apenas garante o direito de morrer de forma digna a quem já sabe que um fim doloroso e agitado se aproxima. Não estamos aqui a conversar sobre Liberdade Individual - a morte medicamente assistida não depende apenas da vontade do indivíduo nem é por este realizada - nem estamos aqui a falar de caminhos disponíveis para quem não quer viver ou acredita que não consegue passar uma fase mais difícil da sua vida. A Eutanásia é muito mais do que isso. 

Quando no Parlamento se aborda a Despenalização da Eutanásia está-se a abordar uma questão muito maior do que a simples decisão de um indivíduo querer, ou não, prosseguir com a sua vida. A morte medicamente assistida é restrita o suficiente a partir do momento em que 1) está dependente de avaliação de uma equipa médica só para ser considerada, 2) está limitada a casos terminais muito particulares e 3) está sujeita a diversas aprovações.

Acredito profundamente que, hoje, a Despenalização da Eutanásia seja uma forma de respeito por todos aqueles que já sofreram tanto e que sabem que continuarão a sofrer cada vez mais (mesmo tendo, à sua volta, uma equipa incrível num hospital ou num centro de cuidados paliativos que se preocupa genuinamente com o seu conforto e bem-estar).

Solicitar uma morte medicamente assistida não é algo precipitado, até porque é necessário renovar esse pedido várias vezes durante vários dias. Será justo prolongar um sofrimento tão duro? Viver será uma obrigação? E será esta uma questão verdadeiramente política? Acredito que a chave aqui não estará tanto relacionada com a Legalização da Eutanásia mas sim com a escrita de uma Lei que seja clara o suficiente para que esta prática não seja usada à toa, protegendo realmente a dignidade humana em todos os sentidos.

3 comentários:

  1. A questão da eutanásia apesar de ser sobretudo uma questão humanitária, no sentido em que todos nós não queremos ver alguém que amamos a sofrer intensamente literalmente à espera da morte, é também é uma enorme questão no que toca ao Direito. Isto porque a vida humana é o bem maior que o direito salvaguarda e admitir a eutanásia, ainda que em hipóteses muito restritas, é uma ida sem volta que terá influência em muitas outras questões relevantes.
    Talvez por isso não me consiga assumir a favor ou contra a eutanásia, porque não considero uma questão simples (assim como julgo que tu não consideres) mas também porque no leito da morte as pessoas não deixam de se agarrar à esperança de que, por exemplo, surja um tratamento experimental...honestamente não sei mesmo que posição adotar, pelo que mantenho nesta não posição.

    E em título de nota, apesar de não obrigares um profissional de saúde a cometer homicídio existe um artigo no CP que prevê a morte assistida a pedido da vitima, sendo sancionada mas com atenuantes. Para além de que os profissionais de saúde, pelo menos os médicos prestam juramento de que não vão atentar contra a vida humana...
    É certo que a dignidade humana é a palavra chave nesta questão, mas acho que em primeiro lugar, antes de se equacionar a eutanásia se devia melhorar e muito os cuidados paliativos em portugal.
    Desculpa qualquer erro ortográfico ou confusão nas minhas palavras! Beijinho de uma leitora que gosta muito de cá vir

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    1. Obrigada por teres partilhado a tua opinião - esta é, realmente, uma questão sensível! Não temos todos que ter uma opinião concreta sobre ela - e mais vale ter dúvidas do que opiniões não fundamentadas :)

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  2. Assino por baixo de cada uma das tuas palavras. Não sei se algum dia teria coragem para fazer sequer um pedido destes, mas a verdade é que ao ver a minha avó "desaparecer" graças ao Alzheimer, questiono se, decidindo em plena consciência, não preferiria morrer a deixar de Ser enquanto o meu corpo continuava vivo. Não é Vida, é só sobrevivência física. E isso não é digno. É óbvio que quem cuida tem todo o amor para dar, mesmo que o indivíduo já não exista como pessoa, mas isso não invalida que alguém queira decidir não ficar por cá quando, na prática, já não existe...e sei que o que está em discussão nem chega a tanto, mas, em todo o caso, parece-me uma opção válida.

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