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SAÚDE | As Soluções

Abordo muitas vezes o tema das doenças de foro psicológico por aqui e faço esta abordagem mais crua e realista - sem romantizar as doenças, os sintomas ou as soluções - porque sei que ler um artigo que explica o que nós sentimos, que nos mostra que não somos absurdos ou que não estamos sozinhos é importante. Reconheço-me muitas vezes em artigos de outras pessoas - e ajuda-me imenso poder receber um abraço em forma de palavras de alguém que realmente compreende, que escreve aquilo que eu ainda não consegui explicar. Faço-o na esperança de contribuir, de alguma forma, para a desmistificação de tudo isto.

Luto contra a ansiedade desde que me conheço, lido com ataques de pânico mais vezes do que as que gostaria de admitir e, há uns meses, foi-me diagnosticado algo que me assustou mais do que eu podia imaginar (algo que ainda estou a aprender a desmistificar, algo que, ironicamente, ainda tenho vergonha de explorar publicamente e que não farei para já). Reconheço que tenho uma doença - sim, vamos chamar as coisas pelos nomes - e desde cedo reconheci que precisaria de ajuda especializada para a combater. Ter ansiedade não está na moda e exige vários esforços, incluindo o financeiro - porque nem todos os medicamentos e tratamentos são comparticipados. 

Já partilhei convosco algumas dicas que podem usar no quotidiano e que resultam em alguns momentos - porque não resultarão a toda a hora nem com toda a gente mas que com certeza serão úteis no vosso dia-a-dia - mas hoje finalmente arranjei coragem para partilhar como estou a ser acompanhada. Mesmo para mim - que já não vejo a ansiedade como um tabu ou como algo que deva ser escondido nos meios de comunicação - este é um assunto delicado, não só porque é dispendioso (e é muito injusto que as pessoas não possam lutar contra estes monstros por falta de meios económicos) mas também porque é uma abertura diferente, um tipo de publicação que acaba por mostrar um lado mais frágil da minha vida, uma parte que costumo disfarçar ou esconder. Estas são as três áreas nas quais estou a ser acompanhada por profissionais:

Medicina Tradicional Oriental | Desde 2015. Mesmo antes de começar a tomar medicação, quando apenas os métodos naturais e sem químicos funcionavam, iniciei um plano de tratamentos baseado na medicina oriental - à base de produtos naturais, acupuntura, massagens e eletricidade. Técnicas e ações promovidas no Japão e trazidas para Braga por um professor japonês que nos contagia com o seu otimismo e a sua tranquilidade. Os objetivos? Aliviar a tensão do quotidiano e dos períodos de ansiedade e ensinar algumas técnicas de controlo pessoal.

Consultas de Psiquiatria | Infelizmente, em 2016, percebi que o desporto, a medicina tradicional oriental e os meus próprios escapes - como o blogue ou o trabalho - já não seriam suficientes para lutar contra a ansiedade que me assombrava. Adiei o momento o mais que pude - eu própria acreditava que marcar uma consulta de psiquiatria era o mesmo que assumir que estava louca - mas quando percebi que a minha ansiedade me começava a afetar nas tarefas do quotidiano - coisa que nunca tinha sentido até então - decidi agir de uma forma mais brusca e sou acompanhada por uma psiquiatra desde essa altura. Tomo medicação desde o final de 2016 mas, como nisto da ansiedade tudo é uma incógnita, foram avanços e retrocessos, trocas de medicamentos e alterações nas doses a ingerir diariamente. Continuo a tomar medicação - dois comprimidos, todos os dias - com a certeza de outra luta chegará quando esta terminar (a da perda de peso provocada pela medicação que tomo há mais de um ano) mas quando a ansiedade se torna desesperante e quando os tratamentos mais naturais deixam de surtir os efeitos que promoviam noutras épocas - porque é perfeitamente normal não reagirmos da mesma forma aos diversos tratamentos em diversas fases da vida - loucos seremos se não usarmos a evolução da medicina para combatermos aquilo que nos prejudica e condiciona. Hoje, mesmo com dez quilos a mais, não me arrependo de ter marcado a primeira consulta.

Psicoterapia | Quero muito deixar de ser medicada e de depender de químicos para controlar o meu organismo por isso, quando percebi que a minha ansiedade tinha atingido um patamar estável - não estável positivo mas sim estável no sentido de que a medicação já só me ajudava até certo ponto - marquei uma consulta de psicologia. Nesta área, o objetivo é compreender como posso contrariar as situações que me provocam reações anormais no meu organismo. Sentia que estava a perder a Carolina, que a ansiedade estava a ganhar (mesmo atacando-a diariamente com químicos que a deveriam matar) e decidi arriscar. O percurso será longo - fui avisada disso logo na primeira consulta, com a maior das sinceridade - mas digo sempre para mim mesma que, no final, vai valer a pena.

Neste momento estou a atacar a ansiedade de várias formas e reservo uma parte do meu orçamento  mensal para essa luta. É um investimento na minha saúde e no meu bem-estar. Gasto muito dinheiro em medicamentos, consultas, tratamentos e ginásio (que também faz parte da receita abordada nas consultas e que me ajuda significativamente em períodos críticos) mas tenho a certeza que cada cêntimo gasto é um euro ganho no meu futuro e na minha felicidade. Continuo a trabalhar para isso.

4 comentários:

  1. Carolina, acho sinceramente que és uma mulher incrível e imensamente corajosa. Nem sempre comento, mas não perco uma publicação tua, pelo que já li alguns textos teus sobre esta temática da ansiedade. Admiro imenso a tua coragem e a tua honestidade em relação a isto, porque é necessário falar-se sobre as coisas, é necessário admitir que algo não está bem e que podemos ter um problema.
    Felizmente, não sofro de ansiedade nas proporções em que abordas, mas conheço quem sim e os teus textos ajudam-me de certa forma a lidar com isso, a perceber algumas coisas que antes não percebia, não era por mal, simplesmente não sabia como lidar e agora sei estar lá. Obrigada por isso, por mostrares que ninguém está sozinho.
    Em relação à tua publicação de hoje, quero desejar-te muita força e sim, dinheiro gasto na nossa saúde é investir na nossa felicidade e bem estar num futuro próximo. Nunca percas esta garra, um beijinho <3

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  2. Felizmente nunca tive de lidar com ansiedade assim de uma forma tão profunda. Acho que todos temos momentos na nossa vida em que nos vamos mais abaixo, não nos sentimos bem, e acredito que ter alguem com quem falar, que saiba o que dizer, seja mesmo MESMO importante. Para mim, até hoje, os "escapes" como lhes chamas sempre funcionou. Mas para mim sempre foi fugir da realidade (ler livros, ver filmes, jogar jogos),o que na pratica não é muito saudavel mas tem resultado. Todos lidamos de formas diferentes. Até hoje não precisei de ajuda profissional, mas acho que nunca te deves envergonhar de o ter feito. Nem de admitir que tens de tomar umas coisinhas que te ajudam. é a tua saúde. a tua feliciade. o teu futuro.
    beijinhos e muita força!
    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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  3. Tu inspiras-me e eu agradeço diariamente por te conhecer 💛✨

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  4. Não podendo falar por experiência própria, posso dizer-te que a psicoterapia só te pode fazer bem - mantém o ânimo! Psiquiatras e psicólogos não são para loucos - bem longe disso. E, felizmente, posso dizer que já vi casos muito sérios melhorarem drasticamente a partir do momento em que se uniu a psicoterapia à psiquiatria. É um desequilíbrio químico mas tenho a certeza que como mulher forte que és, conseguirás tirar bom proveito do que tu mesma podes fazer por ti! Força, muita força, Carol <3

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