Thirteen

SAÚDE | O Romantismo das Doenças Mentais

No ano passado, a minha psiquiatra assustou-me com um diagnóstico que nunca me tinha sido direcionado e que, na minha inocência, pensei que nunca iria ouvir: depressão. Reforçou-me a medicação, obrigou-me a incluir alguns momentos diferentes no meu quotidiano, pediu-me para fazer algumas alterações na minha rotina e disse-me algo que me fez questionar as minhas práticas diárias mas que me levou a entrar em negação.

Eu continuava a ser produtiva no trabalho, o blogue continuava atualizado, a minha escrita não se tornou sombria e a minha forma de vestir não mudou. Como poderia ser diagnosticada com "depressão"? Apoiada pelos estereótipos mais absurdos, eu acreditava verdadeiramente que estava cansada e durante semanas ignorei as provas que tinha à minha frente. Deixei-me sufocar na almofada que absorvia as minhas lágrimas noite após noite - e não me orgulho de o partilhar convosco.

Até que me apercebi de algo muito simples: se a ansiedade é despontada de uma forma diferente em cada paciente, seria errado da minha parte pensar que a depressão se manifesta apenas através de peças de roupa escuras, fotografias a preto e branco, olhares vazios e rostos sem expressão. O vazio constante, o sentimento de culpa, a irritabilidade, a fadiga, a inquietude, as dores de cabeça frequentes, a frustração, a tristeza desmedida, a perturbação do sono, o desespero, o choro compulsivo, a angústia, as mudanças de humor e a preocupação permanente passaram a ser reações questionáveis, sempre com o objetivo de (re)encontrar a minha paz interior. Aceitei o diagnóstico com a certeza de que todo este meu percurso de negação havia sido influenciado pelas opiniões de terceiros.

O mundo precisa de PARAR de romantizar as doenças mentais, de dizer que "é só cansaço", de chamar "anti-social" a quem não quer terminar o dia num local barulhento, de descredibilizar quem ganha coragem para partilhar um problema que ainda é visto como "fútil". Sair todos os dias da cama pode ser uma vitória para muitas das pessoas que nos rodeiam e saber ajudar também é saber estar calado quando a situação assim o exige.

4 comentários:

  1. Concordo absolutamente contigo, Carolina! A depressão não é, de todo, uma coisa "da moda". Há uma grande fatia de conhecimento que falta à generalidade das pessoas neste tópico, o que leva a situações como as que descreves.
    Obrigada pela tua partilha e honestidade, e espero que o futuro te traga muitas vitórias!

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  2. Carolina,muita força para dar luta a essa terrível doença. És muito corajosa não só por partilhares o teu testemunho aqui (que, acredito, têm ajudado imensa gente) mas por conseguires ser honesta contigo própria e reconhecer um problema que não é, de todo, fácil de confrontar. Inconscientemente, temos sempre tendência a ignorar as verdades mais crias, mas tu és sempre muito autoconsciente e é por isso que tens conquistado muita coisa na tua vida e ainda irás conquistar mais.
    Beijinhos

    Blog: Life of Cherry

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Muita força, Carolina. Reconhecer os problemas é o primeiro passo para os tratar - e caramba, não somos de ferro! E obrigada por partilhares. É importante não romantizar nem descredibilizar, e estes testemunhos na primeira pessoa são dos mais valiosos para garantir que quem está "de fora" vê as coisas como elas realmente são. E, com ou sem depressão, tu és uma força da natureza - isso nunca se perde :) um grande abraço!

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